quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Futebol precisa de critério como de pão para a boca


Quando há precisamente um ano o Benfica eliminou o Futebol Clube do Porto da Taça da Liga choveram críticas a Jorge Jesus por ter usado a equipa principal nesse encontro das meias-finais, não poupando os titulares para o campeonato, que viria a perder (embora fosse então líder).

Ao treinador do derrotado Futebol Clube do Porto, não faltaram elogios pela sagacidade de ter preterido a Taça da Liga – “coisa sem nenhuma importância” – em detrimento do campeonato, que viria a vencer, sabemos nós como.

Um ano depois, Jorge Jesus assumiu completamente a prioridade ao campeonato, colocando a jogar em Braga uma espécie de equipa B+ na meia-final de ontem. O Benfica foi eliminado e, até, bem eliminado, apesar de apenas ter sido derrotado nas grandes penalidades e de ter criado, nos 90 minutos, a melhor oportunidade de golo, com uma bola à barra, de ter visto não ser marcada uma grande penalidade sobre o Gaitan e de não ter sofrido qualquer golo.

Curiosamente, os mesmos que há um ano criticaram Jesus por não ter poupado jogadores frente ao Porto na Taça da Liga (jogo que ganhou), hoje criticam Jesus por tê-lo feito frente ao Braga.

O Futebol português precisa, como de pão para a boca, de critério, sob pena de continuar a perder adeptos, espetadores, telespetadores e patrocinadores. Critério na arbitragem, critério no comentário e critério na disciplina. Neste caso da Taça da Liga não tem havido critério em nenhuma dessas áreas, o que, pelo menos em parte, pode explicar que o Benfica já não esteja na competição e o Futebol Clube do Porto ainda por lá continue.

Mas não é só a Taça da Liga – “taçazita de merda” e sem nenhuma importância em que finalmente o Porto tem uma chance – que anda falha de critério , o problema está em todo o futebol: Taça da Liga, Campeonato, Taça de Portugal e até nas Competições Europeias. Só a falta de critério pode explicar que o Porto esteja há mais de 1.800 minutos sem ver marcada contra si uma grande penalidade, para dar apenas um exemplo.

Ainda quanto a critérios – e para demonstrar que as minhas afirmações não são infundadas  – bastará esperar pela outra meia-final da Taça da Liga: o Porto-Rio Ave, e veremos qual será a equipa que Vítor Pereira colocará em campo; como será a arbitragem desse jogo e, no final,  quais serão os comentários dos mesmos comentadores que acham que Jesus deveria ter jogado com a equipa principal ontem em Braga.

Quanto ao outro critério a que me referi mais acima nesta crónica –  o da disciplina –  já não temos que esperar por mais nenhum jogo, pois já sabemos qual foi.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Portugal pode ser a Itália?


As eleições em Itália deram o triunfo a um conhecido palhaço e a um conhecido corrupto. O discurso anti-austeridade e anti Mario Monti conduziu o País a um beco sem saída - salvo as devidas distâncias - não muito diferente do que a Grécia caiu politicamente após as penúltimas eleições.

O que eu gostava que se fizesse por cá - além de antever o que poderiam ser resultados eleitorais neste momento em Portugal - é que fosse feita a seguinte reflexão: se a política da austeridade e do equilíbrio orçamental leva a resultados eleitorais desastrosos, por que razão os Governos as estão a implementar em Portugal, Irlanda, Espanha, França, Itália...? Será por egoísmo e táctica eleitoral? Não me parece, como salta à vista, a austeridade não dá votos. E face a isto, não será por essas políticas serem mesmo a única solução para o País?

Uma coisa é certa, se formos a eleições, tal como em Itália, não nos faltam comediantes irresponsáveis para ganhar. Para já não falar de corruptos.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

A expropriação da "Grândola" pela esquerda

A tendência para a esquerda se apropriar de património que não lhe pertence é estrutural. Sempre assim foi, em Portugal e no Mundo. No Mundo, com ditaduras leninistas e marxistas cujas qualidades me escuso de recordar. Em Portugal, a esquerda apropria-se frequentemente dos direitos exclusivos da razão, do povo, dos trabalhadores. Como se a razão, o povo e os trabalhadores não a contrariassem sistemática e repetidamente a cada ato eleitoral.

Uma das expropriações que a Esquerda fez a um património que é coletivo foi a da música Grândola Vila Morena. Da autoria de José Afonso, que a escreveu em 1971, o tema, hoje já sem direitos de autor e portanto património coletivo, é um hino à democracia e um elogio à capacidade e direito de escolha do povo.

A música ficou ligada à revolução, quando três anos depois, o movimento das forças armadas a resolveu utilizar como senha radiofónica. A revolução serviu para repor o direito de escolha do povo, em democracia. Teve sucesso, nessa medida.

Em 2013, mais de quatro décadas após José Afonso a ter escrito em ditadura, há uma certa esquerda, disfarçada de anarquista, que expropriou a canção ao povo português, ao Alentejo e a José Afonso. A música que serviu para elogiar o direito à escolha e ajudou a construir a democracia constitucional que Portugal adotou após o 25 de Abril de 1974, serve hoje para contrariá-la.

Afinal, Portugal vive atualmente num regime democrático, livre, constitucionalmente estável e reconhecido pela comunidade internacional. Desde a revolução, os portugueses têm escolhido quem os governe e quase sempre num mesmo sentido, elegendo livremente os partidos do centro ou centro esquerda (às vezes um pouco mais à direita) mas nunca tendo elegido a esquerda comunista ou mesmo revolucionária que, após o 25 de Abril de 1974 tentou implementar, ela própria, uma ditadura de esquerda, de inspiração marxista-leninista e apoio soviético.

Se o desejo expresso por José Afonso na canção se concretizou em 1974 com a queda da ditadura de direita e continuou a cumprir-se no 25 de Novembro de 1975, acompanhando-nos até hoje. “O povo é quem mais ordena” e é, de facto assim. Tem sido assim. Mesmo que ordene coisa diferente daquela que o autor esperava e que a esquerda minoritária e ressabiada com o que ordena o povo.

Querer, por isso, lutar com armas democráticas, como é a memória de uma música, contra a democracia que é apregoada na mesma música, não é nada bom sinal e faz lembrar as igrejas da intrujice que usam a Bíblia como “Palavra”. E é o que está a acontecer. Porque, na realidade, aquilo que cantam a meia-dúzia de manifestantes que corre o país atrás de governantes, não é a apologia à escolha do povo. A escolha do povo está feita e repetidamente feita num sentido.

O que cantam, abusando do espírito de um falecido autor, é que a vontade de uma pequena parte do povo se sobreponha à vontade da maioria democrática. Ou seja, conspurcando a letra e a música de José Afonso – que guardo desde pequenino na minha discografia em vinil – o que cantam é a apologia a uma ditadura de esquerda, marxista-leninista, de inspiração soviética ou então, a anarquia, que nunca teve, sequer, uma face visível em Portugal. Tal e qual tentaram fazer após o 25 de Abril, os mesmos ou outros parecidos, cantam a “Grândola” contra o povo e contra a vontade do povo. Ou seja, contra a “Grândola”.

Por muito que tentem fazer de conta que não, quem escolheu este Governo foi o povo. E será o povo a escolher o próximo. E o próximo será parecido com este.

E, sinceramente, da vez em que a lógica democrática e livre foi alvo de algo parecido com um golpe constitucional, contornando-se por portas travessas a escolha do povo, foi quando Jorge Sampaio resolveu, sem motivo democrático, deitar abaixo um governo legítimo. O resultado, não se esqueçam, foi a eleição de José Sócrates. O resultado de Sócrates foi o pedido de assistência externa. A perda de soberania. Nunca se esqueçam disso.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Sobre uma notícia acerca de um bispo...

Não li ainda o artigo da Visão sobre as acusações a um bispo. Vou partir do princípio que está bem feita, bem sustentada em fontes credíveis e que o teor da mesma é de interesse público. Tanto mais que o jornalista que a assina é merecedor de que pensemos isso.

Não escrevo, portanto, sobre a reportagem da Visão. Mas pergunto: será legítimo que toda a comunicação social, pegando no trabalho de investigação (este ou outro) de um órgão de comunicação concorrente, faça disso notícia definitiva e tornando-a na “sua” verdade absoluta?

Afinal, não há por aí uma coisa no jornalismo que diz que as informações devem ser verificadas e as fontes cruzadas? Pegando-se simplesmente “no que diz a Visão” não é curto e “pouca fonte” para que outros que não a própria revista possam colocar no ar a notícia que, ainda por cima, afeta diretamente a imagem e bom nome de alguém?

E, note-se, quantas vezes não assistimos já a telejornais, noticiários de rádios e até primeiras páginas de jornais, titulando e anunciando como sendo factos algo que afinal é “apenas” a notícia que outros produziram?


Chegará dizer ou escrever a meio do texto que “segundo o jornal tal” ou “segundo o que escreve hoje não sei quem” para legitimar que se publiquem notícias de que, afinal, no concreto, não se sabe quase nada ou se sabe apenas o que é assegurado por alguém… por competente que seja quem escreveu a notícia original e por mais credível que possa parecer a mesma é legítimo que, sem mais investigação e cruzamento de fontes, simplesmente o tema vá para o ar apenas porque outro investigou?

domingo, 17 de fevereiro de 2013

PCP quer ajustar programa que não quis negociar

Fiquei muito espantado por ver hoje uma reportagem sobre uma manif onde estavam o secretário geral da CGTP e o secretário geral do PCP e onde se reivindicava o "ajuste do programa de resgate". É que, por momentos, fiquei com a ideia de que a central sindical e o partido político em causa se tinham recusado a participar na elaboração do dito programa e, depois disso, pugnado por que se "rasgasse o acordo". Querer fazer o ajuste de algo que ainda há bem pouco tempo se queria rasgar não é uma pequena mudança política, é saltar de um hemisfério para o outro. O mais curioso é os jornalistas presentes e as suas reportagens terem deixado passar este facto e estas afirmações lá pelo meio, sem direito a título, destaque ou interrogação. Por mim, questionar o Governo sobre tudo e sobre nada é importante, mas do ponto de vista jornalístico não faria sentido andar com um microfone atrás deste PCP e sua sucursal, até ao fim do mundo (como se faz quando a notícia vem da direita) em busca de uma explicação para esta contradição colossal? Ou não será contradição e estará a esquerda a querer já encostar ao sucesso de algo que diabolizou anteriormente?

sábado, 16 de fevereiro de 2013

O custos da democracia, os vencimentos dos políticos e a demagogia barata que se passeia pelo Facebook

Há dias, alguém publicou por aí uma imagem, onde fazia as contas a quanto custava a democracia: vencimentos, pensões, mordomias dos políticos, subvenções aos partidos políticos, etc. Não sei se estavam bem feitas essas contas que pretendiam dizer que os sacrifícios que nos pediam eram escusados, se cortassem aos políticos. A conta dava 78 milhões de euros. Claro que quem o fez não sabe que - ou não quer saber - que o PIB português é de 237 mil milhões de euros, o que faz deste "custo da democracia" cerca de 0,00003% do mesmo.

Não me detenho, agora, nem esse post que por aí andou se detinha, na questão do exemplo ou da moral, mas apenas na questão da quantidade. Ou seja, na ideia de que não seria preciso cortar no que é o conforto e o Estado Social se o Governo cortasse nos políticos e suas mordomias.

Ora, apenas por ignorância ou má fé se pode considerar que, quando está em causa pegar num país que Sócrates deixou com um défice de 10% do PIB, ou seja, 23 mil milhões de euros, isso pode ser resolvido cortando numa classe que consome 0,00003%, ou seja, 78 milhões.
Claro que a dimensão incomensurável dos números (milhões ou milhares de milhões e mais do que um normal cidadão possa comparar a algo de palpável na sua vida) dá muito jeito a esta demagogia barata ou a esta ignorância torpe (riscar o que não interessar). Mas o que interessa perguntar a esses que colocam estes posts com estas tretas é se, ainda assim, preferiam a não democracia a esta "cara" democracia. É que, normalmente, são os mesmos que 5 minutos depois estão a postar sobre o 25 de Abril, sobre a liberdade e a querer eleições.

A "desobedienciazinha" idiota

É preciso que se perceba uma coisa que tem escapado ao "eu sou desobediente e não peço fatura": quando não se pede fatura estamos a amnistiar de impostos um empresário, ou seja, a subir a carga fiscal ao consumidor. Dito de outra forma: oferecemo-nos para pagar os impostos de alguém que lucra connosco. O resto da conversa sobre o assunto é assim uma espécie de birrinha idiota de quem nem se deu ao trabalho de parar para pensar um segundo sobre o assunto.

O que (não) entende Vítor Pereira


Ao fim de 19 jornadas sem um penalty contra e sem uma expulsão, o Futebol Clube do Porto viu, nos últimos minutos de um jogo que ganhava por 2-0, um seu jogador excluído por duplo amarelo.

O treinador do Porto veio logo dizer que "não entende". Ora eu também não entendo.

Não entendo desde logo que uma equipa de futebol faça mais de 20 jogos em competições internas sem sofrer um penalty, apesar de uma dezena de mãos na área dos seus jogadores (entre os quais Mangala) terem entrado no critério da "bola na mão". Critério que, por várias vezes, foi usado ao contrário para dar pontos ao Porto (como se tentou fazer ainda no último jogo com o Olhanense).

Outra coisa em que estou com Vitor Pereira, não entendendo, é como é possível que uma equipa de futebol faça mais de 20 jogos internamente sem uma expulsão, seja por duplo amarelo seja por vermelho direto.

Certamente, que Vítor Pereira também estará comigo ao não entender como é possível Mangala ter jogado ontem contra o Beira-Mar, depois de ter feito, frente ao Olhanense, várias faltas para vermelho direto e de ter sido sistematicamente poupado mesmo ao amarelo. Numa das entradas, Mangala fez lembrar uma das piores a que assisti e que levou a UEFA a suspender Binya por seis jogos, há uns anos. Nem falta foi marcada e, certamente, embora não fale nisso, o treinador do Porto também não deve entender como.

Aliás, sob esse pontos de vista, não foi o segundo cartão amarelo - justificado - a Mangala que foi ridículo, mas o facto dele ter podido jogar frente ao Beira-Mar.

Vítor Pereira diz que não percebe. Eu também não percebo.

Mas há uma coisa que eu percebo bem: logo à noite o Benfica joga com a Académica, o que me transporta à 4ª jornada da Liga em que, na primeira volta, uma arbitragem essa sim ridícula, roubou dois pontos ao Benfica e Vítor Pereira não achou ridículo.

E, posto isto, e tudo o que se tem passado nas últimas épocas, percebo bem que o campeonato entrou já naquela fase em que cirurgicamente se decidem os campeonatos. Anestesia-se a opinião pública com uma conversa ridícula sobre uma expulsão justa (aconteceu ontem) e simultaneamente começam as "infelicidades" de árbitros internacionais em três ou quatro jogos consecutivos, normalmente incluindo Pedro Proença (começou na semana passada).

Estejamos, pois, atentos ao que se vai seguir e às considerações sobre o que acha ou não ridículo o Vítor e sobre o que entende ou não entende o dono da sua voz.

 

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Supostamente, a liga decide-se no Porto-Benfica, mas só um idiota acredita nisso

O fim-de-semana futebolístico supostamente idiota.


Começou com um assalto de supostos idiotas ao gabinete do presidente da federação.
Prosseguiu com uma arbitragem idiota do suposto melhor árbitro do Mundo na Madeira.
Seguida de uma suposta arbitragem numa exibição idiota do Futebol Clube do Porto.
Quando esta jornada idiota estava supostamente concluída, meia-dúzia de perfeitos idiotas, supostamente adeptos do Braga, agrediram gente inocente de Paços de Ferreira. Contam as notícias, que os idiotas que organizam jogos de futebol em Portugal contratam, supostamente, poucos seguranças.
Contudo, nem as suposições nem as idiotices tinham terminado com o último jogo da jornada.
Hoje, uma suposta falha nos regulamentos levou o Conselho de Disciplina da FPF a tomar a idiota decisão de perdoar o FCP por ter utilizado jogadores indevidamente num jogo da Taça da Liga. O mesmo organismo supos ainda que a idiotice de Cardoso apenas era suscetível de um jogo de suspensão, concluindo também que a decisão de expulsar Matic no mesmo jogo não apenas não tinha sido uma perfeita idiotice de Pedro Proença como ainda deveria supostamente merecer mais um castigo idiota ao inocente jogador.
O fim-de-semana futebolístico foi, portanto, um verdadeiro carnaval para o futebol. Carnaval que, como sempre, faz o perfeito uso da suposição e da idiotice.
Carnaval e idiota quando na Madeira passou em claro um penalty flagrante sobre Gaitan e no Dragão aconteceu um golo claramente em falta do FCP, depois de uma carga sobre o guarda-redes do Olhanense. Foi carnaval, quando os comentadores da SportTV se apressaram a avançar logo a teoria idiota de que “o jogador não chegava à bola”. Suposto critério válido para ambos os casos. Não fosse esse dito “critério” apenas uma idiotice e poderiam, por uma vez, os comentadores terem razão. É que não existe nenhum artigo das Leis do futebol se preveja que sejam perdoadas faltas se, supostamente, o jogador não tivesse possibilidade de chegar à bola, mesmo que tal formulação fosse uma idiotice.
Nos mesmos dois jogos, supostamente arbitrados pelas mesmas Leis do jogo, o suposto melhor árbitro do Mundo, expulsou Matic depois de ter sofrido uma carga idiota de um adversário. Já no Dragão, Mangalá teve uma “entrada” idiota e violenta sobre um adversário (uma pior do que outras que também teve) e de que apenas encontro paralelo numa entrada semelhante de Binya, do Benfica, há uns anos, levando seis jogos de suspensão. Ao jogador do Porto, que supostamente deveria ter sido expulso e sido aplicado um castigo semelhante, nem sequer foi marcada falta, o que, em si, é uma idiotice pegada.
Supostamente, o campeonato irá resolver-se dentro do campo no próximo Porto-Benfica, mas só um idiota acredita nisso.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

A reportagem da SIC sobre o BPN

Para os que muitas vezes aqui me acusam de defender apenas as posições do PSD, gostaria de dizer que, após ter visto por duas vezes a reportagem da SIC (em quatro episódios) sobre o BPN, fiquei na mesma. Aliás, por muito respeito que tenha pelo excelente jornalista que assinou a peça, continuo sem entender porque razão ele próprio aceitou colocar no ar este trabalho. Na verdade, nas quatro peças não há uma única notícia, novidade, revelação ou algo de substantivo que possa justificar a mesma.
A sensação que me ficava a cada episódio era sempre "é amanhã". Mas, no final, a pescadinha de rabo na boca terminava sempre com frases feitas... e feitas há muito tempo.
Eu que assisti a boa parte da comissão de inquérito através do Canal Parlamento apenas fico perplexo como não foram aproveitadas algumas "pistas" lá deixadas e se insistiu apenas em meia-dúzia de testemunhos sem qualquer valor-notícia ou acrescento ao que já se sabia.
Se o BPN foi o "banco-laranja", eu quero saber se foi, como foi e quem o comandava realmente. Quem realmente beneficiou com isso e quem está a ser julgado por que factos e quem não está e deveria. E também quero (preciso muito) saber qual foi o papel do Banco de Portugal no meio de tudo isto e que, de uma vez por todas, alguém questione todos os que tinham obrigação de não ter deixado que isto tivesse acontecido, mas deixaram.
A reportagem não aborda estas questões, ficando-se pela rama, contornando as questões mais incómodas. Há um ano, uma reportagem da Visão, embora curtinha, disse-nos mais sobre as ligações entre as pessoas que duas horas de televisão na SIC.
O jornalismo de investigação é algo muito complexo e difícil de fazer em processos desta dimensão e importância. O tempo e os meios que existem nas redações são escassos e as oportunidades poucas. É por isso que nunca se deveria queimar oportunidades como a que a SIC aparentemente abriu (será?) a esta matéria de grande importância para o País e que, mais uma vez, se ficou pelas generalidades e pelo jogo de sombras.
Fica o link para a referida peça da Visão:

LINK Visão


terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Seara pede ajuda a Rio

Consta que o Fernando Seara já pediu ao Rui Rio que lhe empreste estes outdoors da campanha autárquica de 2009. Basta mudar a carinha do candidato e trocar Porto por Lisboa.

O meu otimismo e a minha esperança

Sou otimista por natureza. Talvez por isso me tenha aventurado em 2009 a criar uma empresa. Talvez por isso ela ainda exista, pague os seus impostos e tenha crescido todos os anos. E talvez por isso seja mais feliz do que a maioria das pessoas que vejo lamentarem-se todos os dias. Por causa disso, às vezes, achem que tendo a falar e a escrever sobre esperança vezes de mais. De facto, acredito que o processo que Portugal está a atravessar, embora doloroso, nos há-de levar a qualquer lado.
Talvez por ser otimista tinha a esperança, há dois anos, de que Sócrates caísse e nos víssemos livres da sua absoluta irresponsabilidade. Não esperava um Governo perfeito, mas simplesmente alguém que, com o mínimo de responsabilidade, voltasse a apontar o país para um caminho…. qualquer. Um que não fosse o abismo.
Nessa altura tive esperança que o PS também pudesse contribuir – já não digo com qualquer coisa positiva – mas pelo menos com responsabilidade. Contudo, o que temos visto da parte do PS de Seguro é uma lamentável deriva política à procura de encontrar uma razão qualquer que nunca teve.
Hoje parece evidente que António Costa será o próximo Secretário-Geral do PS. Não me iludo sobre a sua costela socrateira e sobre os pecados que muitos já esqueceram (mas eu não) que terá cometido quando era ministro.
Mesmo assim, tenho esperança e sou otimista. António Costa parece-me ser um homem inteligente e politicamente sábio. Saberá, por isso, fazer muito melhor do que António José Seguro, não tenho dúvidas. Mas, mesmo que isso represente uma maior ameaça ao PSD com que politicamente e ideologicamente me identifico mais, não deixo de ver a ascensão de António Costa com esperança e otimismo. Em primeiro lugar porque António Costa, sendo mais inteligente, saberá gerir com mais responsabilidade o momento político do País. Penso, por isso, que perceberá que o melhor para o País, para o PS e para si (se é que quer um dia ser Primeiro-Ministro) é que esta coisa da ajuda externa termine com sucesso. Mas é a minha esperança…
Mas há outra razão para eu ficar otimista com António Costa a secretário-geral do PS. É que as probabilidades de Lisboa vir a ter como próximo presidente da Câmara um social democrata aumentam consideravelmente….

domingo, 27 de janeiro de 2013

Prefiro morrer sozinho a receber as condolências de um político

Há uns anos, um jornal nacional fez uma história ao jeito “olha como ele é populista” sobre um autarca que mandava condolências às famílias de todos os munícipes falecidos. Hoje, após um lamentável acidente que vitimou 11 pessoas, o Presidente da República enviou oficialmente condolências às famílias das vítimas e ninguém estranha.

Na prática, é a mesma coisa e nem vale a pena virem-me com a ideia de que morrerem 11 pessoas é uma tragédia e morrer só uma não é, porque a morte de alguém próximo é sempre uma tragédia e as tragédias são sempre incomensuráveis, pelo menos para os seus familiares. E era a eles que se dirigiam as condolências.

Além do mais, as condolências do Presidente da República levam-me a outra questão: quantas pessoas deverão morrer num mesmo acidente para que os familiares de cada uma delas tenham o direito a receber as condolências presidenciais? É que já tenho sabido de acidentes onde morrem cinco, quatro, seis e não me consta que haja condolências de Belém.

Se o autarca alvo da chacota no jornal, a que me referi no início deste texto, é populista, então o mínimo que se pode dizer do Presidente da República é que é um populista pouco equitativo e que, em coerência, deveria enviar-se a si próprio para o Tribunal Constitucional a fim de averiguar a constitucionalidade sucessiva dos seus pêsames. Uma coisa sei: o autarca criticado pelo jornal passava nesse acórdão.

Mas a questão das condolências às famílias das vítimas da Sertã tem ainda um episódio mais estranho. José António Seguro, secretário-geral do PS, também enviou condolências, podendo-lhe ser aplicadas as mesmas questões de iniquidade constitucional que se colocam ao Presidente da República, mas neste caso Seguro apenas o fez “às famílias dos portugueses mortos”.

Que conste todos os acidentados eram portugueses. Ou melhor, por ausência de informação das suas nacionalidades presume-se que fossem. Porquê, então, Seguro especificar “portugueses”? E se, entre os mortos, um fosse tailandês ou, por exemplo, brasileiro? Ficaria de fora das condolências socialistas? E se fossem todos estrangeiros? E se os estrangeiros fossem turistas ingleses ou emigrantes quenianos, haveria diferença?

O Partido Socialista português só lamenta mortes nacionais, mesmo que ocorram num acidente na Sertã? E se Seguro soubesse que entre as vítimas estariam 10 portugueses e um espanhol, descriminaria? E se fossem de 11 nacionalidades diferentes? Nomearia cada uma das nacionalidades, daria condolências às famílias de apenas o português presente ou, não estando cumprida a cota mínima de mortos portugueses que os políticos importantes e não autarcas populistas consideram, não daria a ninguém?

Seja como for, espero morrer sozinho, para que a minha família não tenha que receber condolências de quem não conhece e, na realidade, não lamenta nada, apenas cumpre hipocritamente um dever de populismo estúpido.

sábado, 26 de janeiro de 2013

Privilégios, manifestantes e porcos

Esta tarde uma camioneta carregada de porcos que se dirigia para Norte despistou-se na A1, junto a Alverca, interrompendo o trânsito nos dois sentidos. Segundo um repórter da TSF, que foi apanhado no trânsito, ninguém mais passou, tendo a GNR cortado a circulação para recolher os animais e retirar o veículo destruído. Ninguém… exceto um autocarro com manifestantes, que se dirigia para Lisboa. Segundo o João Paulo Baltazar relatou no local, depois de se terem identificado com os cartazes do protesto, a polícia permitiu que passassem, a fim de chegarem a tempo à manifestação.

Defendo, sem reservas, o direito à manifestação. Mas, numa altura em que centenas de milhares de portugueses se veem com grande frequência impedidos de trabalhar e centenas de empresas impedidas de exportar em nome de direitos como os da manifestação ou da greve, não estaremos a dar aos manifestantes direitos a mais do que os que já têm e tantas vezes se sobrepõem aos de outros? Deixando-os passar para a “manif”, porque vão para a “manif”, e deixando na fila quem vai trabalhar ou simplesmente passar um justo fim-de-semana à aldeia com a família, não estaremos a – como é? – violar aquela coisa da “equidade” que se reclama… olha, nas manifestações e nas greves?

Sempre ouvi dizer que os meus direitos terminam onde começam os dos outros. E concordo, por mais que isso, muitas vezes, seja difícil de aplicar. Mas numa altura em que os direitos – mesmo os adquiridos – de quem trabalha e quer trabalhar são constantemente postos em causa e numa altura em que os privilégios, de quem ainda os tem, são – e muitas vezes bem – questionados, não me será legítimo perguntar à GNR que lei e critério aplicou naquela situação? Não estaremos, um dia destes, a viver num Estado onde os direitos de alguns poderão começar a ser confundidos com a apologia de uma certa anarquia?

Resta-me esperar que os leitões em fuga tenham sido capturados com jeitinho e cheguem à bairrada ainda a tempo de servir o jantar aos manifestantes no seu regresso ao Norte. Porque comer um bom leitão na Mealhada é direito adquirido que neste país não deve ser negado a ninguém. Mesmo aqueles que, com toda a legitimidade, reclamam contra a “miséria”.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

"Agora é a nossa vez"


Na última campanha autárquica conheci um triste candidato socialista que espalhou pelo município onde era concorria oposição o seguinte slogan: “Agora é a nossa vez!”. O candidato, que até era assessor de José Sócrates, e ainda há dias voltou a ser notícia pelos maus motivos, chegou a mandar cantar uma música ao Toy, que ecoou durante semanas pelas ruas do município, com o refrão “agora é a nossa vez! PS!”. Nas urnas, o resultado foi de 18% e a vez do PS naquele município teve que ficar para outra altura… ou para nunca.

Este slogan – e mais do que ele, a postura – bem poderia ilustrar a forma como o PS Nacional olha para a governação e olha para os eleitores como autómatos da alternância democrática.

Depois de meses em que António José Seguro foi usado para atirar pedras a Passos Coelho (ou apenas areias, talvez), pensou a máquina socialista que era chegada a altura de substituí-lo. O raciocínio é simples: já usámos o rapaz, o ciclo político do sacrifício e do trabalho sujo do PSD está a chegar ao fim, e há que posicionar alguém para ser o próximo Primeiro-Ministro.

Há duas coisas que escapam, contudo a este PS que dá o poder como destino certo para o seu próximo líder. Uma delas é que o espetáculo triste que a luta fratricida pelo poder interno está a dar é capaz de não ser o mais avisado. Sobretudo num momento em que o partido se deveria estar a posicionar como uma verdadeira alternativa credível e estável. A outra é que, ao fim de quase quatro décadas de democracia – e como se provou nas últimas eleições – o povo começa a não acreditar em cantigas, muito menos das que são cantadas por cantores “Pimba”.

É bom, pois, que bases, dirigentes, autarcas e “históricos” do PS acordem e tenham consciência que, depois de Sócrates e do período duríssimo pelo qual o País está a passar, vai ser preciso mais do que ser a única alternativa e esperar pela alternância. Desta vez, mais do que nunca, o PS vai ter que apresentar propostas concretas e realistas aos portugueses, sob pena de se ficar, como no tal município, pela propaganda, fora do poder. E, por este andar, é o mais certo que terá.