É preciso que se perceba uma coisa que tem escapado ao "eu sou desobediente e não peço fatura": quando não se pede fatura estamos a amnistiar de impostos um empresário, ou seja, a subir a carga fiscal ao consumidor. Dito de outra forma: oferecemo-nos para pagar os impostos de alguém que lucra connosco. O resto da conversa sobre o assunto é assim uma espécie de birrinha idiota de quem nem se deu ao trabalho de parar para pensar um segundo sobre o assunto.
A maior agência de notícias do mundo. O seu sofá. Jornalismo participativo. Produzido por cidadãos sem formação jornalística, em colaboração com jornalistas profissionais.
sábado, 16 de fevereiro de 2013
O que (não) entende Vítor Pereira
Ao fim de 19 jornadas sem um penalty contra e sem uma expulsão, o Futebol Clube do Porto viu, nos últimos minutos de um jogo que ganhava por 2-0, um seu jogador excluído por duplo amarelo.
O treinador do Porto veio logo dizer que "não entende". Ora eu também não entendo.
Não entendo desde logo que uma equipa de futebol faça mais de 20 jogos em competições internas sem sofrer um penalty, apesar de uma dezena de mãos na área dos seus jogadores (entre os quais Mangala) terem entrado no critério da "bola na mão". Critério que, por várias vezes, foi usado ao contrário para dar pontos ao Porto (como se tentou fazer ainda no último jogo com o Olhanense).
Outra coisa em que estou com Vitor Pereira, não entendendo, é como é possível que uma equipa de futebol faça mais de 20 jogos internamente sem uma expulsão, seja por duplo amarelo seja por vermelho direto.
Certamente, que Vítor Pereira também estará comigo ao não entender como é possível Mangala ter jogado ontem contra o Beira-Mar, depois de ter feito, frente ao Olhanense, várias faltas para vermelho direto e de ter sido sistematicamente poupado mesmo ao amarelo. Numa das entradas, Mangala fez lembrar uma das piores a que assisti e que levou a UEFA a suspender Binya por seis jogos, há uns anos. Nem falta foi marcada e, certamente, embora não fale nisso, o treinador do Porto também não deve entender como.
Aliás, sob esse pontos de vista, não foi o segundo cartão amarelo - justificado - a Mangala que foi ridículo, mas o facto dele ter podido jogar frente ao Beira-Mar.
Vítor Pereira diz que não percebe. Eu também não percebo.
Mas há uma coisa que eu percebo bem: logo à noite o Benfica joga com a Académica, o que me transporta à 4ª jornada da Liga em que, na primeira volta, uma arbitragem essa sim ridícula, roubou dois pontos ao Benfica e Vítor Pereira não achou ridículo.
E, posto isto, e tudo o que se tem passado nas últimas épocas, percebo bem que o campeonato entrou já naquela fase em que cirurgicamente se decidem os campeonatos. Anestesia-se a opinião pública com uma conversa ridícula sobre uma expulsão justa (aconteceu ontem) e simultaneamente começam as "infelicidades" de árbitros internacionais em três ou quatro jogos consecutivos, normalmente incluindo Pedro Proença (começou na semana passada).
Estejamos, pois, atentos ao que se vai seguir e às considerações sobre o que acha ou não ridículo o Vítor e sobre o que entende ou não entende o dono da sua voz.
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013
Supostamente, a liga decide-se no Porto-Benfica, mas só um idiota acredita nisso
O fim-de-semana futebolístico supostamente idiota.
Começou com um assalto de supostos idiotas ao gabinete do presidente da federação.
Prosseguiu com uma arbitragem idiota do suposto melhor árbitro do Mundo na Madeira.
Seguida de uma suposta arbitragem numa exibição idiota do Futebol Clube do Porto.
Quando esta jornada idiota estava supostamente concluída, meia-dúzia de perfeitos idiotas, supostamente adeptos do Braga, agrediram gente inocente de Paços de Ferreira. Contam as notícias, que os idiotas que organizam jogos de futebol em Portugal contratam, supostamente, poucos seguranças.
Contudo, nem as suposições nem as idiotices tinham terminado com o último jogo da jornada.
Hoje, uma suposta falha nos regulamentos levou o Conselho de Disciplina da FPF a tomar a idiota decisão de perdoar o FCP por ter utilizado jogadores indevidamente num jogo da Taça da Liga. O mesmo organismo supos ainda que a idiotice de Cardoso apenas era suscetível de um jogo de suspensão, concluindo também que a decisão de expulsar Matic no mesmo jogo não apenas não tinha sido uma perfeita idiotice de Pedro Proença como ainda deveria supostamente merecer mais um castigo idiota ao inocente jogador.
O fim-de-semana futebolístico foi, portanto, um verdadeiro carnaval para o futebol. Carnaval que, como sempre, faz o perfeito uso da suposição e da idiotice.
Carnaval e idiota quando na Madeira passou em claro um penalty flagrante sobre Gaitan e no Dragão aconteceu um golo claramente em falta do FCP, depois de uma carga sobre o guarda-redes do Olhanense. Foi carnaval, quando os comentadores da SportTV se apressaram a avançar logo a teoria idiota de que “o jogador não chegava à bola”. Suposto critério válido para ambos os casos. Não fosse esse dito “critério” apenas uma idiotice e poderiam, por uma vez, os comentadores terem razão. É que não existe nenhum artigo das Leis do futebol se preveja que sejam perdoadas faltas se, supostamente, o jogador não tivesse possibilidade de chegar à bola, mesmo que tal formulação fosse uma idiotice.
Nos mesmos dois jogos, supostamente arbitrados pelas mesmas Leis do jogo, o suposto melhor árbitro do Mundo, expulsou Matic depois de ter sofrido uma carga idiota de um adversário. Já no Dragão, Mangalá teve uma “entrada” idiota e violenta sobre um adversário (uma pior do que outras que também teve) e de que apenas encontro paralelo numa entrada semelhante de Binya, do Benfica, há uns anos, levando seis jogos de suspensão. Ao jogador do Porto, que supostamente deveria ter sido expulso e sido aplicado um castigo semelhante, nem sequer foi marcada falta, o que, em si, é uma idiotice pegada.Supostamente, o campeonato irá resolver-se dentro do campo no próximo Porto-Benfica, mas só um idiota acredita nisso.
Começou com um assalto de supostos idiotas ao gabinete do presidente da federação.
Prosseguiu com uma arbitragem idiota do suposto melhor árbitro do Mundo na Madeira.
Seguida de uma suposta arbitragem numa exibição idiota do Futebol Clube do Porto.
Quando esta jornada idiota estava supostamente concluída, meia-dúzia de perfeitos idiotas, supostamente adeptos do Braga, agrediram gente inocente de Paços de Ferreira. Contam as notícias, que os idiotas que organizam jogos de futebol em Portugal contratam, supostamente, poucos seguranças.
Contudo, nem as suposições nem as idiotices tinham terminado com o último jogo da jornada.
Hoje, uma suposta falha nos regulamentos levou o Conselho de Disciplina da FPF a tomar a idiota decisão de perdoar o FCP por ter utilizado jogadores indevidamente num jogo da Taça da Liga. O mesmo organismo supos ainda que a idiotice de Cardoso apenas era suscetível de um jogo de suspensão, concluindo também que a decisão de expulsar Matic no mesmo jogo não apenas não tinha sido uma perfeita idiotice de Pedro Proença como ainda deveria supostamente merecer mais um castigo idiota ao inocente jogador.
O fim-de-semana futebolístico foi, portanto, um verdadeiro carnaval para o futebol. Carnaval que, como sempre, faz o perfeito uso da suposição e da idiotice.
Carnaval e idiota quando na Madeira passou em claro um penalty flagrante sobre Gaitan e no Dragão aconteceu um golo claramente em falta do FCP, depois de uma carga sobre o guarda-redes do Olhanense. Foi carnaval, quando os comentadores da SportTV se apressaram a avançar logo a teoria idiota de que “o jogador não chegava à bola”. Suposto critério válido para ambos os casos. Não fosse esse dito “critério” apenas uma idiotice e poderiam, por uma vez, os comentadores terem razão. É que não existe nenhum artigo das Leis do futebol se preveja que sejam perdoadas faltas se, supostamente, o jogador não tivesse possibilidade de chegar à bola, mesmo que tal formulação fosse uma idiotice.
Nos mesmos dois jogos, supostamente arbitrados pelas mesmas Leis do jogo, o suposto melhor árbitro do Mundo, expulsou Matic depois de ter sofrido uma carga idiota de um adversário. Já no Dragão, Mangalá teve uma “entrada” idiota e violenta sobre um adversário (uma pior do que outras que também teve) e de que apenas encontro paralelo numa entrada semelhante de Binya, do Benfica, há uns anos, levando seis jogos de suspensão. Ao jogador do Porto, que supostamente deveria ter sido expulso e sido aplicado um castigo semelhante, nem sequer foi marcada falta, o que, em si, é uma idiotice pegada.Supostamente, o campeonato irá resolver-se dentro do campo no próximo Porto-Benfica, mas só um idiota acredita nisso.
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013
A reportagem da SIC sobre o BPN
Para os que muitas vezes aqui me acusam de defender apenas as posições do PSD, gostaria de dizer que, após ter visto por duas vezes a reportagem da SIC (em quatro episódios) sobre o BPN, fiquei na mesma. Aliás, por muito respeito que tenha pelo excelente jornalista que assinou a peça, continuo sem entender porque razão ele próprio aceitou colocar no ar este trabalho. Na verdade, nas quatro peças não há uma única notícia, novidade, revelação ou algo de substantivo que possa justificar a mesma.
A sensação que me ficava a cada episódio era sempre "é amanhã". Mas, no final, a pescadinha de rabo na boca terminava sempre com frases feitas... e feitas há muito tempo.
Eu que assisti a boa parte da comissão de inquérito através do Canal Parlamento apenas fico perplexo como não foram aproveitadas algumas "pistas" lá deixadas e se insistiu apenas em meia-dúzia de testemunhos sem qualquer valor-notícia ou acrescento ao que já se sabia.
Se o BPN foi o "banco-laranja", eu quero saber se foi, como foi e quem o comandava realmente. Quem realmente beneficiou com isso e quem está a ser julgado por que factos e quem não está e deveria. E também quero (preciso muito) saber qual foi o papel do Banco de Portugal no meio de tudo isto e que, de uma vez por todas, alguém questione todos os que tinham obrigação de não ter deixado que isto tivesse acontecido, mas deixaram.
A reportagem não aborda estas questões, ficando-se pela rama, contornando as questões mais incómodas. Há um ano, uma reportagem da Visão, embora curtinha, disse-nos mais sobre as ligações entre as pessoas que duas horas de televisão na SIC.
O jornalismo de investigação é algo muito complexo e difícil de fazer em processos desta dimensão e importância. O tempo e os meios que existem nas redações são escassos e as oportunidades poucas. É por isso que nunca se deveria queimar oportunidades como a que a SIC aparentemente abriu (será?) a esta matéria de grande importância para o País e que, mais uma vez, se ficou pelas generalidades e pelo jogo de sombras.
Fica o link para a referida peça da Visão:
LINK Visão
A sensação que me ficava a cada episódio era sempre "é amanhã". Mas, no final, a pescadinha de rabo na boca terminava sempre com frases feitas... e feitas há muito tempo.
Eu que assisti a boa parte da comissão de inquérito através do Canal Parlamento apenas fico perplexo como não foram aproveitadas algumas "pistas" lá deixadas e se insistiu apenas em meia-dúzia de testemunhos sem qualquer valor-notícia ou acrescento ao que já se sabia.
Se o BPN foi o "banco-laranja", eu quero saber se foi, como foi e quem o comandava realmente. Quem realmente beneficiou com isso e quem está a ser julgado por que factos e quem não está e deveria. E também quero (preciso muito) saber qual foi o papel do Banco de Portugal no meio de tudo isto e que, de uma vez por todas, alguém questione todos os que tinham obrigação de não ter deixado que isto tivesse acontecido, mas deixaram.
A reportagem não aborda estas questões, ficando-se pela rama, contornando as questões mais incómodas. Há um ano, uma reportagem da Visão, embora curtinha, disse-nos mais sobre as ligações entre as pessoas que duas horas de televisão na SIC.
O jornalismo de investigação é algo muito complexo e difícil de fazer em processos desta dimensão e importância. O tempo e os meios que existem nas redações são escassos e as oportunidades poucas. É por isso que nunca se deveria queimar oportunidades como a que a SIC aparentemente abriu (será?) a esta matéria de grande importância para o País e que, mais uma vez, se ficou pelas generalidades e pelo jogo de sombras.
Fica o link para a referida peça da Visão:
LINK Visão
terça-feira, 29 de janeiro de 2013
Seara pede ajuda a Rio
Consta que o Fernando Seara já pediu ao Rui Rio que lhe empreste estes outdoors da campanha autárquica de 2009. Basta mudar a carinha do candidato e trocar Porto por Lisboa.
O meu otimismo e a minha esperança
Sou otimista por natureza. Talvez por isso me tenha
aventurado em 2009 a criar uma empresa. Talvez por isso ela ainda exista, pague
os seus impostos e tenha crescido todos os anos. E talvez por isso seja mais
feliz do que a maioria das pessoas que vejo lamentarem-se todos os dias. Por
causa disso, às vezes, achem que tendo a falar e a escrever sobre esperança
vezes de mais. De facto, acredito que o processo que Portugal está a
atravessar, embora doloroso, nos há-de levar a qualquer lado.
Talvez por ser otimista tinha a esperança, há dois anos, de
que Sócrates caísse e nos víssemos livres da sua absoluta irresponsabilidade.
Não esperava um Governo perfeito, mas simplesmente alguém que, com o mínimo de
responsabilidade, voltasse a apontar o país para um caminho…. qualquer. Um que
não fosse o abismo.
Nessa altura tive esperança que o PS também pudesse
contribuir – já não digo com qualquer coisa positiva – mas pelo menos com
responsabilidade. Contudo, o que temos visto da parte do PS de Seguro é uma
lamentável deriva política à procura de encontrar uma razão qualquer que nunca
teve.
Hoje parece evidente que António Costa será o próximo
Secretário-Geral do PS. Não me iludo sobre a sua costela socrateira e sobre os
pecados que muitos já esqueceram (mas eu não) que terá cometido quando era
ministro.
Mesmo assim, tenho esperança e sou otimista. António Costa
parece-me ser um homem inteligente e politicamente sábio. Saberá, por isso,
fazer muito melhor do que António José Seguro, não tenho dúvidas. Mas, mesmo
que isso represente uma maior ameaça ao PSD com que politicamente e
ideologicamente me identifico mais, não deixo de ver a ascensão de António
Costa com esperança e otimismo. Em primeiro lugar porque António Costa, sendo
mais inteligente, saberá gerir com mais responsabilidade o momento político do
País. Penso, por isso, que perceberá que o melhor para o País, para o PS e para
si (se é que quer um dia ser Primeiro-Ministro) é que esta coisa da ajuda
externa termine com sucesso. Mas é a minha esperança…
domingo, 27 de janeiro de 2013
Prefiro morrer sozinho a receber as condolências de um político
Há uns anos, um jornal nacional fez uma história ao jeito “olha
como ele é populista” sobre um autarca que mandava condolências às famílias de
todos os munícipes falecidos. Hoje, após um lamentável acidente que vitimou 11
pessoas, o Presidente da República enviou oficialmente condolências às famílias
das vítimas e ninguém estranha.
Na prática, é a mesma coisa e nem vale a pena virem-me com a
ideia de que morrerem 11 pessoas é uma tragédia e morrer só uma não é, porque a
morte de alguém próximo é sempre uma tragédia e as tragédias são sempre
incomensuráveis, pelo menos para os seus familiares. E era a eles que se
dirigiam as condolências.
Além do mais, as condolências do Presidente da República
levam-me a outra questão: quantas pessoas deverão morrer num mesmo acidente
para que os familiares de cada uma delas tenham o direito a receber as
condolências presidenciais? É que já tenho sabido de acidentes onde morrem
cinco, quatro, seis e não me consta que haja condolências de Belém.
Se o autarca alvo da chacota no jornal, a que me referi no início
deste texto, é populista, então o mínimo que se pode dizer do Presidente da
República é que é um populista pouco equitativo e que, em coerência, deveria
enviar-se a si próprio para o Tribunal Constitucional a fim de averiguar a
constitucionalidade sucessiva dos seus pêsames. Uma coisa sei: o autarca
criticado pelo jornal passava nesse acórdão.
Mas a questão das condolências às famílias das vítimas da
Sertã tem ainda um episódio mais estranho. José António Seguro, secretário-geral
do PS, também enviou condolências, podendo-lhe ser aplicadas as mesmas questões
de iniquidade constitucional que se colocam ao Presidente da República, mas neste
caso Seguro apenas o fez “às famílias dos portugueses mortos”.
Que conste todos os acidentados eram portugueses. Ou melhor,
por ausência de informação das suas nacionalidades presume-se que fossem.
Porquê, então, Seguro especificar “portugueses”? E se, entre os mortos, um
fosse tailandês ou, por exemplo, brasileiro? Ficaria de fora das condolências
socialistas? E se fossem todos estrangeiros? E se os estrangeiros fossem
turistas ingleses ou emigrantes quenianos, haveria diferença?
O Partido Socialista português só lamenta mortes nacionais,
mesmo que ocorram num acidente na Sertã? E se Seguro soubesse que entre as
vítimas estariam 10 portugueses e um espanhol, descriminaria? E se fossem de 11
nacionalidades diferentes? Nomearia cada uma das nacionalidades, daria condolências
às famílias de apenas o português presente ou, não estando cumprida a cota
mínima de mortos portugueses que os políticos importantes e não autarcas
populistas consideram, não daria a ninguém?
sábado, 26 de janeiro de 2013
Privilégios, manifestantes e porcos
Esta tarde uma camioneta carregada de porcos que se dirigia
para Norte despistou-se na A1, junto a Alverca, interrompendo o trânsito nos
dois sentidos. Segundo um repórter da TSF, que foi apanhado no trânsito,
ninguém mais passou, tendo a GNR cortado a circulação para recolher os animais
e retirar o veículo destruído. Ninguém… exceto um autocarro com manifestantes,
que se dirigia para Lisboa. Segundo o João Paulo Baltazar relatou no local,
depois de se terem identificado com os cartazes do protesto, a polícia permitiu
que passassem, a fim de chegarem a tempo à manifestação.
Resta-me esperar que os leitões em fuga tenham sido
capturados com jeitinho e cheguem à bairrada ainda a tempo de servir o jantar
aos manifestantes no seu regresso ao Norte. Porque comer um bom leitão na
Mealhada é direito adquirido que neste país não deve ser negado a ninguém.
Mesmo aqueles que, com toda a legitimidade, reclamam contra a “miséria”.
Defendo, sem reservas, o direito à manifestação. Mas, numa
altura em que centenas de milhares de portugueses se veem com grande frequência
impedidos de trabalhar e centenas de empresas impedidas de exportar em nome de
direitos como os da manifestação ou da greve, não estaremos a dar aos manifestantes
direitos a mais do que os que já têm e tantas vezes se sobrepõem aos de outros?
Deixando-os passar para a “manif”, porque vão para a “manif”, e deixando na
fila quem vai trabalhar ou simplesmente passar um justo fim-de-semana à aldeia
com a família, não estaremos a – como é? – violar aquela coisa da “equidade” que
se reclama… olha, nas manifestações e nas greves?
Sempre ouvi dizer que os meus direitos terminam onde começam
os dos outros. E concordo, por mais que isso, muitas vezes, seja difícil de aplicar.
Mas numa altura em que os direitos – mesmo os adquiridos – de quem trabalha e
quer trabalhar são constantemente postos em causa e numa altura em que os
privilégios, de quem ainda os tem, são – e muitas vezes bem – questionados, não
me será legítimo perguntar à GNR que lei e critério aplicou naquela situação?
Não estaremos, um dia destes, a viver num Estado onde os direitos de alguns
poderão começar a ser confundidos com a apologia de uma certa anarquia?
sexta-feira, 25 de janeiro de 2013
"Agora é a nossa vez"
Na última campanha autárquica conheci um triste candidato socialista que espalhou pelo município onde era concorria oposição o seguinte slogan: “Agora é a nossa vez!”. O candidato, que até era assessor de José Sócrates, e ainda há dias voltou a ser notícia pelos maus motivos, chegou a mandar cantar uma música ao Toy, que ecoou durante semanas pelas ruas do município, com o refrão “agora é a nossa vez! PS!”. Nas urnas, o resultado foi de 18% e a vez do PS naquele município teve que ficar para outra altura… ou para nunca.
Este slogan – e mais do que ele, a postura – bem poderia ilustrar a forma como o PS Nacional olha para a governação e olha para os eleitores como autómatos da alternância democrática.
Depois de meses em que António José Seguro foi usado para atirar pedras a Passos Coelho (ou apenas areias, talvez), pensou a máquina socialista que era chegada a altura de substituí-lo. O raciocínio é simples: já usámos o rapaz, o ciclo político do sacrifício e do trabalho sujo do PSD está a chegar ao fim, e há que posicionar alguém para ser o próximo Primeiro-Ministro.
Há duas coisas que escapam, contudo a este PS que dá o poder como destino certo para o seu próximo líder. Uma delas é que o espetáculo triste que a luta fratricida pelo poder interno está a dar é capaz de não ser o mais avisado. Sobretudo num momento em que o partido se deveria estar a posicionar como uma verdadeira alternativa credível e estável. A outra é que, ao fim de quase quatro décadas de democracia – e como se provou nas últimas eleições – o povo começa a não acreditar em cantigas, muito menos das que são cantadas por cantores “Pimba”.
É bom, pois, que bases, dirigentes, autarcas e “históricos” do PS acordem e tenham consciência que, depois de Sócrates e do período duríssimo pelo qual o País está a passar, vai ser preciso mais do que ser a única alternativa e esperar pela alternância. Desta vez, mais do que nunca, o PS vai ter que apresentar propostas concretas e realistas aos portugueses, sob pena de se ficar, como no tal município, pela propaganda, fora do poder. E, por este andar, é o mais certo que terá.
quarta-feira, 23 de janeiro de 2013
Ignorantes ou mentirosos?
Há meio ano, um pacote de políticos liderados (imagine-se) por António José Seguro, e um conjunto alargado de comentadores, liderados (imagine-se) por Pedro Marques Lopes, garantiam que Portugal não iria cumprir o défice orçamental e que também não regressaria aos mercados em Setembro de 2013, como previsto. Concluíam, em couro, que os sacrifícios dos portugueses tinham sido em vão, portanto. Hoje, que Portugal anuncia o cumprimento do défice e, oito meses mais cedo, regressa aos mercados, poderão continuar a defender os seus interesses pessoais e casuísticos, que implicam o fracasso de Portugal, o que não mais poderão dizer é que os nossos sacrifícios foram em vão. No mínimo, e se fossem sérios, deveriam hoje pedir desculpa a Vítor Gaspar, por todas as vezes que lhe chamaram mentiroso e, sobretudo, pedirem desculpa aos portugueses por tanto terem procurado que "a luz ao fundo do túnel" fosse sucessivamente apagada. Este vídeo é apenas um exemplo das milhares de declarações proferidas por toda essa gente que hoje teremos que classificar ou como ignorante ou como mentirosa.
segunda-feira, 21 de janeiro de 2013
Chamam-me liberal, por favor... ou o horror socialista pelos bem informados
Quando se levantou na União Europeia a discussão sobre a liberdade de escolha dos cidadãos europeus em relação ao país em que querem receber cuidados de saúde, o Partido Socialista declarou votar contra. Segundo o PS português, poder ir receber sem pagar um tratamento ao estrangeiro seria uma “iniquidade”, uma vez que beneficiava os mais ricos, que assim poderiam pagar a viagem.
Ou seja, para o PS se um cidadão da classe média portuguesa tiver dinheiro para pagar um avião ou comboio a Espanha ou a França para receber um tratamento, a postura do Estado português deve ser deixá-lo morrer por cá, apenas porque há alguns que não podem viajar.
Hoje ouvi na TSF a ex-ministra da saúde de Sócrates, Ana Jorge, levantar problemas à liberdade de escolha do doente dentro do próprio país. Segundo a senhora que por acaso é médica e ficou famosa pelas alarmistas conferências de imprensa sobre a gripe A, há demasiados iletrados em Portugal, e esses não sabem escolher bem onde querem ser tratados, “o que provoca um problema de equidade”. Ou seja, segundo esta visão, o melhor é mesmo tratarmos todos como estúpidos e não deixar ninguém escolher.
Esta visão dogmática e quase soviética que o PS tem do Estado Social e do Serviço Público, esbarra em alguns pormenores. É que, entre os letrados de que se alimentam políticos com a Dra. Ana Jorge, há alguns que já leram qualquer coisa sobre o Marxismo-Leninismo e sabem, portanto, como começou e ainda no que se transformou o socialismo dogmático. Para não falar do pormenor do Sistema Nacional de Saúde ter consumido durante os Governos socialistas, em média, mais 10% de recursos ao ano, apesar dos encerramentos de serviços no interior do País que, espantemo-nos, nunca levantou problemas de equidade ao PS.
Chamem-me o que quiserem, mas esta visão de equidade, promovida por uma Constituição quase soviética, assim bem entendida pelos juízes do Tribunal Constitucional e, evidentemente, pelo maior partido da oposição em Portugal, está a matar Portugal. Ou pelo menos parte de Portugal. É que, mesmo entre os iletrados, há alguns que pensam, apesar disso escapar ao entendimento da Dra. Ana Jorge e da elite socialista portuguesa.
quinta-feira, 17 de janeiro de 2013
Bons sinais
É um bom sinal que José António Seguro tenha deitado - mesmo na oposição - as suas promessas ao lixo. Nomeadamente as de que seria uma oposição responsável e as de que os mandatos são para cumprir e não pediria a demissão do Governo antecipadamente. Por um lado, clarifica que o PS que viajou no bolso do ex-Primeiro-Ministro (livra!) para Paris é, afinal, farinha do mesmo saco do PS que por cá ficou. Por outro, é um bom sinal, porque demonstra que Portugal está mesmo a conseguir atingir, pelo menos parte, os seus objetivos, os maiores riscos já passaram e a luz ao fundo do túnel, embora ténue, já começa a chamar o PS para nova "festa".
Mau sinal é o odor da tal farinha, como tem vindo a documentar o 31 da Armada.
quarta-feira, 16 de janeiro de 2013
O homem endividado e o seu amigo de Paris
Um pacato cidadão passou 48 anos a aforrar, investindo mal tanto o dinheiro que poupava como na sua própria carreira. Tinha uns cobres no banco. Mas era pobre e iletrado.
A dada altura fartou-se da vida que tinha e olhou para os vizinhos, prósperos e cultos. Pegou no dinheiro que tinha e desatou a esbanjar, comprando o que precisava e o que não precisava, dando aos amigos e promovendo festas por toda a cidade.
O dinheiro esgotou-se rapidamente, claro. Mas o homem, já viciado no perfume dos charutos, começou a pedir empréstimos para viver no luxo e trabalhar cada vez menos.
Ao fim de 20 anos nesta vida, quando os credores sérios começaram a colocar restrições a novos empréstimos, recorreu a agiotas que um amigo elegante lhe apresentou. Especuladores que lhe emprestavam dinheiro a juros elevados. Assim andou durante quase 10 anos até ao quase desespero.
Aí, o homem acreditou que a solução poderia ser gastar ainda mais, para ver se criava mais amizades à sua volta e para ver se era visto em todo o lado bem vestido e assim gerar mais dinheiro e enganar os agiotas sobre a sua capacidade para pagar.
Um dia, os credores avisaram-no que estava prestes a ser despejado e a ficar com as suas contas bloqueadas. Os agiotas descobriram e ameaçaram-no. Foi então a correr a uma associação que fazia crédito consolidado que lhe emprestou muito dinheiro a juros mais baixos, para pagar as dívidas e se reabilitar. O amigo foi para Paris.
Na associação, disseram-lhe que mesmo assim era difícil, a menos que vendesse os carros que tinha, deixasse de comprar gravatas e charutos e só comesse bife duas vezes por semana. O homem aceitou as condições e agradeceu, mas uns dias depois fartou-se dos sacrifícios que agora lhe pareciam maiores do que tinha pensado. Lá os charutos tudo bem, mas nada de vender os seus carros e comer menos bife, “que injustiça”, diria. “Os meus colegas comem, porque não hei-de comer também?”, Indignava-se, comparando-se com os seus amigos que levaram uma vida regrada.
Nessa altura, o homem tinha duas soluções: ou continuava a pagar como combinou, comendo menos bife e andando a pé ou de transporte público durante alguns anos. Ou então, ia de novo ter com os credores que o ajudaram, chamando-lhes agiotas e recusando-se a pagar. Claro que se optasse pela segunda hipótese, nunca mais a associação que o ajudou ou os credores sérios que primeiro lhe emprestaram, o voltariam a fazer. Ficaria, por isso, por muito tempo, nas mãos dos últimos: os agiotas.
O homem hesitou. Mesmo que os bancos já se mostrassem de novo de acordo em emprestar-lhe com taxas razoáveis. Mesmo com a associação que o salvou lhe desse quase todos os dias os parabéns e com os amigos a apoiá-lo… o homem hesitou. Farto dos sacrifícios. Com saudades da prosperidade do dinheiro fácil.
Foi nessa altura que o amigo de Paris lhe começou a mandar mensagens – o mesmo que o tinha ajudado a gastar o dinheiro amealhado e que depois o apresentou aos agiotas – dizendo haver uma terceira via. Uma solução milagrosa, com charme e perfume.
A solução era fazer umas festinhas de novo aos credores, convencê-los a baixarem um bocadinho os juros e com muito optimismo poderia voltar a gastar à grande e à francesa e assim “crescer” para poder pagar tudo devagarinho.
Não sei o final desta história. Se o homem optou por cumprir com sacrifício os seus compromissos e sair à rua de cabeça erguida ou se preferiu a fuga indigente. O que sei é que a hipótese de ter acreditado de novo no amigo de Paris seria pura ficção científica.
A dada altura fartou-se da vida que tinha e olhou para os vizinhos, prósperos e cultos. Pegou no dinheiro que tinha e desatou a esbanjar, comprando o que precisava e o que não precisava, dando aos amigos e promovendo festas por toda a cidade.
O dinheiro esgotou-se rapidamente, claro. Mas o homem, já viciado no perfume dos charutos, começou a pedir empréstimos para viver no luxo e trabalhar cada vez menos.
Ao fim de 20 anos nesta vida, quando os credores sérios começaram a colocar restrições a novos empréstimos, recorreu a agiotas que um amigo elegante lhe apresentou. Especuladores que lhe emprestavam dinheiro a juros elevados. Assim andou durante quase 10 anos até ao quase desespero.
Aí, o homem acreditou que a solução poderia ser gastar ainda mais, para ver se criava mais amizades à sua volta e para ver se era visto em todo o lado bem vestido e assim gerar mais dinheiro e enganar os agiotas sobre a sua capacidade para pagar.
Um dia, os credores avisaram-no que estava prestes a ser despejado e a ficar com as suas contas bloqueadas. Os agiotas descobriram e ameaçaram-no. Foi então a correr a uma associação que fazia crédito consolidado que lhe emprestou muito dinheiro a juros mais baixos, para pagar as dívidas e se reabilitar. O amigo foi para Paris.
Na associação, disseram-lhe que mesmo assim era difícil, a menos que vendesse os carros que tinha, deixasse de comprar gravatas e charutos e só comesse bife duas vezes por semana. O homem aceitou as condições e agradeceu, mas uns dias depois fartou-se dos sacrifícios que agora lhe pareciam maiores do que tinha pensado. Lá os charutos tudo bem, mas nada de vender os seus carros e comer menos bife, “que injustiça”, diria. “Os meus colegas comem, porque não hei-de comer também?”, Indignava-se, comparando-se com os seus amigos que levaram uma vida regrada.
Nessa altura, o homem tinha duas soluções: ou continuava a pagar como combinou, comendo menos bife e andando a pé ou de transporte público durante alguns anos. Ou então, ia de novo ter com os credores que o ajudaram, chamando-lhes agiotas e recusando-se a pagar. Claro que se optasse pela segunda hipótese, nunca mais a associação que o ajudou ou os credores sérios que primeiro lhe emprestaram, o voltariam a fazer. Ficaria, por isso, por muito tempo, nas mãos dos últimos: os agiotas.
O homem hesitou. Mesmo que os bancos já se mostrassem de novo de acordo em emprestar-lhe com taxas razoáveis. Mesmo com a associação que o salvou lhe desse quase todos os dias os parabéns e com os amigos a apoiá-lo… o homem hesitou. Farto dos sacrifícios. Com saudades da prosperidade do dinheiro fácil.
Foi nessa altura que o amigo de Paris lhe começou a mandar mensagens – o mesmo que o tinha ajudado a gastar o dinheiro amealhado e que depois o apresentou aos agiotas – dizendo haver uma terceira via. Uma solução milagrosa, com charme e perfume.
A solução era fazer umas festinhas de novo aos credores, convencê-los a baixarem um bocadinho os juros e com muito optimismo poderia voltar a gastar à grande e à francesa e assim “crescer” para poder pagar tudo devagarinho.
Não sei o final desta história. Se o homem optou por cumprir com sacrifício os seus compromissos e sair à rua de cabeça erguida ou se preferiu a fuga indigente. O que sei é que a hipótese de ter acreditado de novo no amigo de Paris seria pura ficção científica.
domingo, 13 de janeiro de 2013
Mãe, se a maquilhagem serve para ficares mais bonita, porque não ficas?
Há um mistério em Portugal. As constantes alterações de design, rebrandings e reposicionamentos que as principais marcas operam. Quantos logotipos e tipos de letra já terá tido a Galp? E o BCP? A Optimus? A RTP? A Sonae? E a PT? As principais marcas portuguesas passam a vida em permanentes alterações de marca, redesign, rebranding, para depois voltarem à “imagem antiga”, recuperarem “conceitos”, fundirem serviços na mesma marca que antes tinham desmantelado. Se olharmos a congéneres de marcas com impactos e antiguidades semelhantes estrangeiras e bem geridas, vemos um absoluto contraste, valorizando-se a coerência e a identificação do consumidor com o design, logotipos, cores e conceitos ao longo de décadas. A Shell pode ter alterado o seu logotipo três vezes ao longo de várias décadas, mas fê-lo mantendo a sua concha, as suas cores e não largando os seus princípios. Aquela concha é a Shell. E mesmo que a concha tenha recebido um ou outro restyling, nunca deixou de ser a concha. A BMW apresenta como logotipo uma hélice, o que tem a ver com a sua origem de produtora de motores para avião. Mesmo que o símbolo tenha sofrido pequenas alterações de pormenor, nunca deixou de ser o seu logotipo, apesar de hoje produzir automóveis e não aviões. Poderíamos dar inúmeros exemplos de grandes marcas mundiais, desde o setor das bebidas ao dos relógios, passando por órgãos de informação, marcas de carteiras e terminando nas telecomunicações, onde a Vodafone é exemplo do que digo. Vem isto a propósito da minha surpresa quando um destes dias vi, pela enésima vez em poucos anos, trabalhadores a mudarem totalmente uma grande loja da PT, retirando reclames exteriores, painéis interiores, etc. Na internet, o site da MEO já ostenta um novo logotipo. O papel das faturas, os cartões de milhares de funcionários, a publicidade, os materiais de apoio ao marketing, caixas… tudo vai portanto mudar. Alimentam-se indústrias paralelas, ganha o homem que muda os reclames, ganham as gráficas e as agências de comunicação. Gastam-se milhões nestas operações. Gastam-se como se as vendas, por obra de um novo logotipo, crescessem, quando, a prazo, se passa precisamente o contrário. Está nos livros e é verdade. E são disso prova todas as grandes marcas atrás citadas e as não citadas que todos conhecemos que nunca mudam. Este fenómeno, seguramente muito português, tem contudo outro problema, além do gasto despropositado de dinheiro. Esse problema é as grandes organizações que operam estas mudanças não perceberem que isso mais não serve do que para se distraírem e para distraírem toda uma cadeia daquele que deveria ser o verdadeiro objetivo da empresa: o cliente. É que, operadas todas as alterações, o seu serviço não melhora e o atendimento ao cliente continua na mesma ou talvez um pouco pior, pois o investimento que nele poderia e deveria ser feito gastou-se na maquilhagem.
Futilidades
A Pepa é fútil? Menos do que a comunicação social dita séria que lhe dedica páginas e títulos de capa como se fosse importante.
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