A REFORMA DA SEGURANÇA SOCIAL DO PS CONSISTIU EM SUBIR A CARGA FISCAL, OBRIGAR OS CONTRIBUINTES A TRABALHAR MAIS, BAIXAR OS VALORES DAS REFORMAS E USAR O DINHEIRO PARA FAZER BATOTA ORÇAMENTAL. TUDO, VIOLANDO OS DIREITOS ADQUIRIDOS DOS TRABALHADORES.
Na discussão sobre as funções do Estado, o PS mantém uma posição de resistência. Incompreensível, aliás, pois quase toda a minha vida ouvi dizer a toda a gente que era preciso renovar o Estado e em todos os sucessivos programas eleitorais, quer do PS quer do PSD, lá se inscreveu qualquer coisa parecida com isso, nunca se tendo cumprindo.
Agora, para se recusar sequer a discutir o assunto com o PSD, os socialistas alegam que já fizeram, lembrando sempre aquilo que, aparentemente, foi a única coisa de positiva da governação de Sócrates: a reforma da Segurança Social. Estando proibido ao PSD e a todo o país lembrar o passado e a absoluta irresponsabilidade da governação socialistas dos últimos anos – não sei porquê – é lícito ao PS trazer constantemente à baila essa tão proclamada “reforma” que o Ministro Vieira da Silva protagonizou em prol da sustentabilidade da Segurança Social.
Mas, vejamos o que foi a reforma da Segurança Social do PS.
Em primeiro lugar, o PS pôs os contribuintes que descontavam historicamente 10% (professores) a pagar 11%, retirando-lhes assim um direito adquirido que tinha décadas, subindo-lhes a carga fiscal.
Em segundo lugar, aplicou o fundo da Segurança Social em mercados financeiros de risco, além de ter usado essa reserva para adquirir dívida pública portuguesa e assim iludir os mercados e a adiar a necessidade de um pedido de ajuda externa.
Em terceiro lugar, aumentou a idade de reforma, indexando a sua progressão à esperança de vida.
Em quarto lugar, anexou vários fundos de pensões particulares, procurando dessa forma iludir os desastrosos resultados da execução orçamental, comprometendo o futuro da sustentabilidade do sistema e obrigando a que todas as medidas anteriores ficassem mitigadas por esta última “batota” orçamental.
Em quinto, baixou o valor nominal das reformas, diminuindo a percentagem sobre o vencimento médio. Em sexto, acabou com a acumulação de reformas do Estado, direito adquirido por quem as possuia. Por último, indexou o cálculo da reforma à média da carreira contributiva, alterando as regras e logo, de novo, violando os direitos adquiridos de milhões de trabalhadores que viram “as regras do jogo” alteradas a meio da sua vida de trabalho.
Todas estas medidas, provavelmente necessárias e que nem sequer me atrevo a criticar, podem ser resumidas numa expressão:
O PS aumentou a carga fiscal ao mesmo tempo de obrigou os trabalhadores a trabalhar mais e até mais tarde, baixando-lhes as suas reformas de forma brutal, fazendo tudo isto ao arrepio dos seus direitos adquiridos.
Esta é a verdade sobre a única reforma efetivamente realizada pelo Partido Socialista em relação ao Estado Social. E, a avaliar pelo que hoje os seus dirigentes dizem e repetem, orgulha-se muito disso.
A maior agência de notícias do mundo. O seu sofá. Jornalismo participativo. Produzido por cidadãos sem formação jornalística, em colaboração com jornalistas profissionais.
terça-feira, 6 de novembro de 2012
segunda-feira, 5 de novembro de 2012
Os sobreiros do meu avô e a saída do euro
O meu avô nasceu no primeiro ano do Século XX. Quando eu ainda nem andava na escola, nos últimos anos da ditadura, plantou comigo várias laranjeiras que me ofereceu. Delas já comi fruta durante muitos anos. Não plantou sobreiros porque “demoram muito a dar rendimento”. Se o tivéssemos feito, as árvores ainda esperariam hoje pela cortiça que viria apenas a tempo dos meus filhos dela lucrarem. O meu avô, do alto da sua personalidade austera, percebia que os tempos que a minha geração representava, já não eram os seus. Que os relógios do futuro não precisariam que diariamente lhes dessemos corda, como então me ensinara a fazer no seu velho “Omega”. Que deixaríamos de ser nós a dar corda aos relógios e que seriam os seus ponteiros a comandar os nossos dias.
Apesar desta precessão avançada que o meu avô tinha dos tempos que se avizinhavam, a verdade é que nunca poderia imaginar a degradação frenética em que a vida pública e política viria a cair quarenta anos depois. Nem poderia calcular que, do extremo de plantarmos árvores para rendimento dos nossos netos, em menos de meio-século, passássemos a um regime social em que a nossa paciência para ver crescer o fruto da nossa sementeira se medisse em horas ou dias, no limite.
Há um ano, Portugal acreditou numa solução para o país e plantou laranjeiras: a consolidação das contas públicas, ajudadas por um empréstimo colossal aos nossos credores de sempre. Acreditou que isso nos faria sofrer durante quatro ou cinco anos, antes de voltarmos a uma perspetiva de crescimento e prosperidade. A solução revelou-se mais dura do que pensámos ou do que nos contaram. Por erro de paralaxe, de quem deveria saber muito mais do que nós, ou por imperativo eleitoral - como sempre - deram-nos mais esperanças do que eram devidas.
Hoje Portugal parece não acreditar tanto no Governo que elegeu e nas soluções encontradas. Um ano de sacrifícios bastou para que tivéssemos vontade de derrubar o laranjal, antes de comer a primeira laranja. Logo se levantam, então, os que advogam a saída do euro, o incumprimento, a renegociação da dívida como solução de futuro. Como a forma de sustentar, a longo prazo, um futuro para os nossos… netos. Ou seja: querem cortar pela raiz as jovens laranjeiras e plantar, de novo, velhos sobreiros.
Não sei – não sei mesmo – qual a melhor solução de futuro. Se o moderno laranjal se os velhos sobreiros. Mas sei uma coisa: se a solução das laranjeiras, com a qual 80% dos portugueses concordava há um ano atrás não serve, apenas porque a terra é mais dura do que nos contaram e se as laranjas são mais escassas e amargas do que pensámos, quem poderia apoiar a outra solução quando daqui a uma década ainda esperássemos sentados sem nenhum usufruto dos nossos sobreiros?
sexta-feira, 26 de outubro de 2012
Daniel Oliveira, o "grande chefe" e a comunicação social
Não sou da área política de Daniel Oliveira. Mas reconheço-lhe
coerência, inteligência e pensamento. Simpatizo particularmente com estes três adjectivos quando aplicados a pessoas que, de uma forma ou de outra, fazem
intervenção política. Daniel Oliveira criticou hoje a falta de debate interno e
de democracia no Bloco de Esquerda. Há anos que isso é evidente, embora a
comunicação social passe ao lado desse facto grave que se passa num partido
político com um lugar no quadro parlamentar e não só.
Recentemente, o “grande líder” Louçã, anunciou a sua
retirada, depois de ter ignorado um enorme fracasso eleitoral e ter passado ele
próprio uma esponja sobre as suas responsabilidades, fugindo ao debate com os
seus “camaradas”. Louça passou mais de uma década a clamar uma democracia para
o País que ele recusava aos seus seguidores. Nunca me dei conta da comunicação
social portuguesa lho perguntar, o questionar ou mesmo o perseguir com essa
questão, como se faz aos partidos da direita, do centro direita e mesmo do
centro esquerda. Louçã, ao anunciar a sua retirada, anunciou quem o substituiria.
Obedientemente, sem questão e sem reportagens insidiosas e carregadas de “bocas
opinativas” como hoje é moda nas peças ditas “jornalísticas” televisivas, a
comunicação social, abriu as portas para o senhor e a senhora “mandatados” por
Louçã para o substituir. À cubana, TV’s, rádios e jornais, aceitaram como
sucessores os “indicados” pelo “grande chefe”.
Ontem, as críticas de Daniel Oliveira foram objectivas e não
obtiveram resposta razoável, refletindo aquilo que a passar-se no PSD, no PS ou
no CDS seria classificado de “escândalo” e daria aso à reportagem “atrevida”
dos pés de microfone que viajam atrás de alguns políticos repetindo chavões e
perguntas feitas.
VER notícia aqui
quinta-feira, 25 de outubro de 2012
A "gordurinha" dos Magistrados
Esta notícia ilustra na perfeição o espírito do protesto em Portugal. Ainda há tempos li um editorial particularmente oportuno num jornal de economia, intitulado “Cortes na despesa. Aqui não”. Pois este caso dos Magistrados do Ministério Pú
blico é, antes de mais, paradigmático do discurso permanente do “é preciso cortar nas gorduras” mas que, uma vez aplicado à porta da nossa casa ou mesmo no nosso jardim, passa a ser “isto é um roubo”.
Mas este caso é ainda mais do que isso. É que, pelos vistos, os Magistrados não são apenas privilegiados em muitos aspetos em relação à maioria dos portugueses e mesmo dos funcionários públicos – e provavelmente está bem que o sejam –, como têm dirigentes sindicais manhosos.
Ora, perante a eminência de um acordo com o Governo para que a “gordurinha” dos transportes à borla não lhes seja cortada, não apenas ficam contentes, como ainda “avisam a malta” para estar calada. A ver se isto passa despercebido ao país… aos outros “gordos e magros”, aos pobres, aos injustiçados.
Das duas uma: ou os transportes à borla para os Magistrados são de facto de importância fundamental para o desempenho das suas funções ou não são. O que os sindicalistas que representam os Magistrados nos dizem com esta mensagem enviada aos seus associados é que não são fundamentais. Que se trata mesmo de uma gordura que ninguém entenderia que não fosse cortada. Só assim se percebe a necessidade do silêncio, garantido o interesse das suas barriguinhas em detrimento do País ignorante.Mas este caso é ainda mais do que isso. É que, pelos vistos, os Magistrados não são apenas privilegiados em muitos aspetos em relação à maioria dos portugueses e mesmo dos funcionários públicos – e provavelmente está bem que o sejam –, como têm dirigentes sindicais manhosos.
Ora, perante a eminência de um acordo com o Governo para que a “gordurinha” dos transportes à borla não lhes seja cortada, não apenas ficam contentes, como ainda “avisam a malta” para estar calada. A ver se isto passa despercebido ao país… aos outros “gordos e magros”, aos pobres, aos injustiçados.
domingo, 21 de outubro de 2012
Soudbites e superficialidade na comunicação a propósito do ranking das escolas
sexta-feira, 19 de outubro de 2012
Olha para o que eu digo
Quase todos os ex-ministros das finanças criticam o atual ministro das finanças. Todos acham que o objetivo de redução do défice está a ser exagerado e que não é exequível. Respeito as suas opiniões mais do que a minha, como é evidente. Mas, na ausência de soluções alternativas nos discursos de todos eles, tenho que ser levado a acreditar que defendam que Gaspar faça o que todos eles fizeram: aldrabar as contas do orçamento, empolando receita e subestimando despesa; desorçamentar custos através de expedientes informais ou formais e, finalmente, fazer batota com receitas extraordinárias e irrepetíveis. Ou seja, a "solução" que nos levou a um défice insuportável, a uma dívida pública impossível de pagar, a crescimentos residuais e às atuais medidas de emergência. Ou já se esqueceram das filas de devedores à porta das finanças, em vésperas de ano novo, nos tempos de Manuela Ferreira Leite?
quinta-feira, 18 de outubro de 2012
Seguro nos seus tempos de silêncio remunerado
François Hollande disse ontem que Portugal está a pagar os erros dos outros, referindo-se aos outros países, oferecendo “solidariedade”. António José Seguro apressou-se a concordar e aplaudir, afirmando que anda há um ano a dizer o mesmo. O
ra, assim, de forma indireta, Seguro acaba de passar uma esponja nas “nossas” próprias culpas, designadamente, nas recentes culpas. Falando claro, António José seguro, que passou seis anos num profundo e remunerado silêncio na última fila da bancada parlamentar do PS, não acha que a duplicação da nossa dívida pública nos seis anos de governação de Sócrates tenha alguma coisa a ver com a situação em que estamos. Um bom princípio para quem quer ser Primeiro-Ministro. Ou não quer? E já agora, se concorda com Hollande e até frequenta o Eliseu, seria bom que esclarecesse o que o presidente francês entende por “solidariedade”. É que se forem só palavras – como a sua “agenda para o crescimento” – e não vier acompanha
de um chequezito, dispensamos bem a sua solidariedade.terça-feira, 16 de outubro de 2012
Não tendo nunca votado em Sócrates, posso-me arrepender disso. O que não posso é arrepender-me de alguma vez o ter feito. O que deve ser horrível.
Ao contrário da maioria dos portugueses, eu nunca votei no Sócrates. Aliás, nunca votei no PS. Arrependo-me muito. Porque, na verdade, se tivesse votado no Sócrates hoje estaríamos bem. Se tivesse votado em Sócrates, além da melhor rede de auto-estradas da Europa – muitas à borla, como lhe ensinou Guterres – teríamos também as melhores escolas do Mundo, com mármores e ar condicionado de luxo. Aliás, uma parte delas é assim. Outra parte não, porque Sócrates foi embora em 2011. Também teríamos a melhor indústria automóvel do Mundo. Lembro-me como numa penada e em mais um anúncio mediático, despejou mil milhões para formação neste setor. Não sei onde estão. Teríamos igualmente um défice fantástico, mas isso não interessa, porque teríamos também TGV Lisboa-Porto, TGV Porto-Vigo, TGV Lisboa-Poceirão e TGV Poceirão-Espanha. Teríamos ainda um aeroporto internacional em Alcochete, bem pertinho do Freeport e um túnel por baixo do Tejo e mais uma ponte para o TGV passar o rio. Teríamos base logística na Ota, para compensar a perda, e várias auto-estradas paralelas entre Lisboa e Porto, para passar em todos estes lugares. Além de Beja, outras cidades do interior teriam aeroportos maravilhosos, lindos, também com mármores e outras coisas luxuosas. O mais incrível é que com um simples PCE4, Sócrates teria resolvido todo o endividamento provocado pelo que fez e pelo que ainda iria fazer. A dívida soberana não seria hoje nem dos 80 mil milhões com que entrou nem dos 170 mil milhões que nos deixou quando saiu. A dívida externa, na verdade, não seria nenhuma, pois não a teríamos pago. Se eu tivesse votado em Sócrates, talvez António José Seguro, continuasse calado na última fila da bancada do PS, onde secretamente continuaria a ganhar o seu ordenado de deputado e isso era muito bom, pois escusava de o ouvir. Talvez, se eu não tivesse acreditado que Manuela Ferreira Leite tinha razão em 2009 – ao contrário da maioria dos portugueses –, pudesse ter ajudado Sócrates a ter maioria nessas eleições e ainda hoje governasse, com Lino, Campos e Teixeira dos Santos.
Talvez ninguém tenha razão numa casa onde não há pão. Mas eu, mesmo não tendo nunca votado em Sócrates, posso-me arrepender disso. O que não posso é arrepender-me de alguma vez o ter feito. O que deve ser horrível.
quinta-feira, 11 de outubro de 2012
Serviço Público, RTP e Eleições nos Açores
Ora, para meu espanto, hoje assisti na mesma RTPi a uma reportagem sobre as eleições Regionais dos Açores, nomeadamente a propósito visita do vice-presidente do PSD à Região, sendo a jornalista uma "enviada" desde a RTP... do Porto
Eu, que quase me rendia perante bons relatos de fogos e vendavais à necessidade da manutenção de tão importantes bastiões do serviço público televisivo nas Ilhas - e acho mesmo que é importante - fiquei perplexo com esta opção da RTP de enviar jornalistas onde eles já existem, como se os segundos fossem incapazes. Se o serviço público é importante e se é importante para o serviço público manter a RTP na esfera do Estado - e são coisas muito diferentes -, então que parem de nos dar razão para acharmos que há esbanjamento e exagero na forma como, a título de serviço público, se comentem disparates que apenas podem dar razão aos que não o defendem.
E já agora, também ajudava ao discurso se o jornalista Hélder Conduto não voltasse ao Brasil só para entrevistar um jogador de futebol.
terça-feira, 9 de outubro de 2012
O carro de Cristiano Ronaldo, a direita liberal, o comunismo soviético e o pecado da hipocrisia
Era bom que em Portugal conseguíssemos decidir rapidamente se afinal queremos adotar um modelo marxista-leninista, ao estilo União Soviética ou se, de uma vez por todas, nos rendemos aos males (menores) do capitalismo. Mas, a não queremos o capitalismo, ainda assim, prefiro que então se escolha o comunismo, porque o pior de tudo é a hipocrisia.
E é de hipocrisia que temos vivido, quer política quer socialmente em Portugal. Uns fingem que gostam do Estado Social ao mesmo tempo que o ferem de morte pela falência. Outros fingem-se da direita liberal, ao mesmo tempo que procuram matar o mérito e o sucesso que o liberalismo deveria premiar mas que os “nossos liberais” abafam por via de uma dízima desproporcionada e castradora do sucesso.
Vem isto a propósito da delicada situação política que só é delicada porque não há dinheiro e que, em boa verdade, não chega a ser política porque nem a esquerda consegue ser a esquerda social que apregoa, nem a direita pode ser a direita liberal que gostaria de ser. Resta, por isso, a hipocrisia. A hipocrisia dos que mais ganham e mais pagam e falsamente saem à rua para lutar contra o desemprego e contra a pobreza, com os seus iPhones no bolso, quando na verdade apenas lutam pelo seu subsídio perdido que outrora lhes dava umas férias mais longas nas Caraíbas. À hipocrisia destes, junta-se a dos que se habituaram a chupar o sistema, em esquemas vários de delapidação do Estado, dos bens públicos e dos subsídios, rendimentos, rendas, parcerias e coisas quejandas, que brotam tanto nas elites como em boa parte dos milhares de lares em bairros onde se estacionam Mercedes à porta de blocos de apartamentos “sociais” construídos às custas… do Estado.
A hipocrisia, portanto – e não a política, a ideologia e nem sequer a Troika – governa Portugal. Digo “governa” porque a verdade mais dura é que, como dizia a música no 25 de Abril, “o povo é quem mais ordena”. E é! Continua a ser assim! Quem fez esta classe política foi o povo e não o contrário, como às vezes hipocritamente queremos convencer-nos.
Pode parecer vir a despropósito, mas hoje, a chegada dos jogadores milionários do Real Madrid ao estágio da Seleção de Futebol fez-se num VW Golf, modesto e mal limpo. De lá de dentro saíram, sarcásticos, Cristiano Ronaldo, Fábio Coentrão e Pepe. O melhor jogador do Mundo, o melhor lateral da Europa e o melhor central do Mundo. Os mesmos que ainda há dois ou três meses eram criticados por terem chegado nos seus Ferrari ao estágio da Seleção. Chegam agora num modesto VW, o “carro do povo”. Ironia? Talvez! Eu vejo o ato de aparente humildade como uma tremenda hipocrisia. Não dos três que, certamente, se riram e divertiram bem mais no VW – e por causa do VW – durante o caminho desde o aeroporto, do que certamente todos nós. A hipocrisia é a nossa, de querer vê-los num carro parecido com o nosso.
Mas a verdade é só uma: Ronaldo, Coentrão e Pepe merecem mais do que transportar-se num Golf e, sobretudo, merecem mais do que um país que os obriga a fingirem-se de pobres, como se vivessem no velho sistema soviético de Brejnev. Na sociedade em que eu quero viver todos podemos ter um Ferrari, um Bentley e muito mais, desde que façamos o mesmo que Ronaldo, com a sua habilidade, força, rasgo, competência e muito, muito trabalho, sabe fazer. Uma sociedade livre, liberal, democrática e recompensadora do mérito. Não uma sociedade comunista, mesquinha e invejosa. Uma sociedade justa é aquela que sabe recompensar os melhores e simultaneamente apoiar os incapazes. Não é a que procura atingir a inatingível equidade, hipotecando a recompensa e amesquinhando o mérito.
Deixo por isso aqui a minha declaração política e ideológica: eu quero viver num país onde o melhor jogador do Mundo se possa transportar no carro que quiser e também quero que o Primeiro-Ministro do meu país se transporte num Mercedes ou BMW topo de gama. Em segurança e com a dignidade de um Primeiro-Ministro. Também quero – melhor, exijo – é que o primeiro saiba honrar a camisola da Seleção quando a veste em campo e o segundo governe com competência e lisura. Quanto ao resto, e já agora, que me deixem viver numa sociedade onde o mérito não seja apenas instrumento de confisco… monetário e social, pelo Estado e pela má-língua.
quarta-feira, 3 de outubro de 2012
10 mil milhões de razões para nos sentirmos melhor
Portugal trocou hoje Obrigações do Tesouro (dívida) contraídas por Sócrates. São quase 10 mil milhões de euros que o estudante parisiense foi buscar aos mercados em 2008. Quatro anos depois, este Governo conseguiu passar o pagamento para 2015 (venciam este ano), baixando a taxa de 5,45% para 3,35%. Isto levanta-me uma questão e uma constatação.
Questão: onde foram aplicados esses 10 mil milhões de euros que Sócrates, Teixeira dos Santos, Mário Lino, Paulo Campos e companhia foram buscar?
Constatação: mesmo sob assistência financeira e com manifs de um milhão na rua, Portugal tem hoje mais crédito no estrangeiro do que tinha em 2008.
Quanto à questão, o mais que posso esperar é que tenham sido esbanjados em mármores e ar condicionado de luxo em escolas públicas de luxo e auto-estradas inúteis em todo o país. O pior que posso esperar é que as investigações em curso acabem por nos dar explicações mais macabras.
Questão: onde foram aplicados esses 10 mil milhões de euros que Sócrates, Teixeira dos Santos, Mário Lino, Paulo Campos e companhia foram buscar?
Constatação: mesmo sob assistência financeira e com manifs de um milhão na rua, Portugal tem hoje mais crédito no estrangeiro do que tinha em 2008.
Quanto à questão, o mais que posso esperar é que tenham sido esbanjados em mármores e ar condicionado de luxo em escolas públicas de luxo e auto-estradas inúteis em todo o país. O pior que posso esperar é que as investigações em curso acabem por nos dar explicações mais macabras.
terça-feira, 2 de outubro de 2012
O Futurjornalismo da SIC
Fantástico! Jornalista da SICN, logo no início do programa "Opinião Pública", fez um "resumo do que os telespetadores poderão vir a dizer durante o programa".
E o que, segundo o seu resumo das declarações futuras, os telespetadores poderão vir a dizer? Dirão que o Governo deveria ter anunciado as novas medidas aos portugueses antes de discuti-las com Bruxelas.
Ora, gostava eu de saber o que aconteceria se o Governo anunciasse medidas que não discutiu com Bruxelas e que estas viessem, depois, a ser chumbadas... penso que até esta jornalista da SIC adivinharia que os seus telespetadores, resumidamente, pediriam a demissão do Governo!
E o que, segundo o seu resumo das declarações futuras, os telespetadores poderão vir a dizer? Dirão que o Governo deveria ter anunciado as novas medidas aos portugueses antes de discuti-las com Bruxelas.
Ora, gostava eu de saber o que aconteceria se o Governo anunciasse medidas que não discutiu com Bruxelas e que estas viessem, depois, a ser chumbadas... penso que até esta jornalista da SIC adivinharia que os seus telespetadores, resumidamente, pediriam a demissão do Governo!
quarta-feira, 26 de setembro de 2012
O paradigma perdido
Em Setúbal, a Câmara liderada pela comunista Maria das Dores Meira passou a cobrar uma nova taxa, respeitante à "proteção civil". O novo imposto visa, segundo a Câmara, garantir o financiamento de um serviço público... relacionado com segurança. Esta descoberta comunista em Setúbal (que os serviços públicos são financiados com impostos e quando os impostos não chegam para os financiar é preciso subi-los ou mesmo - com engenho - inventar outros novos) vem mudar o paradigma político português. Afinal, estamos todos de acordo, mesmo aquela parte de nós comunista que, ainda há dias, gritava em frente à Assembleia da República. Em Setúbal, as contas são para pagar, as dívidas (enormes) da Autarquia são para cumprir e não para renegociar. E quem, ao fim ao cabo, paga a fatura (tal e qual preconizam esses neo-liberais que estão no Governo), também é o mexilhão. Mesmo que o mexilhão de Setúbal seja particularmente desempregado e particularmente contestatário. E viva a democracia!
segunda-feira, 24 de setembro de 2012
Vergonha
Quando pensamos que os sucessivos títulos do Porto não têm tornado a marca FCP tão forte quanto devia - num claro desacerto entre o sucesso desportivo e o valor da sua marca; quando pensamos que apesar das vitórias o clube continua a apresentar prejuízos e a ver-se no desespero de vender para se manter vivo, deveríamos questionar porquê. Eu tenho uma explicação. Na sede de ganhar, o Porto está a matar a galinha. Já ninguém acredita no que se passa em campo nem ninguém vê qualquer relação entre os pontos conquistados e o mérito desportivo. Admirem-se se os estádios andam vazios e que não haja em Portugal uma única televisão em canal aberto interessada nos direitos televisivos. A verdade é que já quase ninguém está interessado em pagar para ver vergonhas que já nem sequer são subtis. Para mim, está feito, entreguem já as taças e acabem com a palhaçada, porque já nem como negócio isto funciona, nem para o Porto nem para ninguém.
sábado, 8 de setembro de 2012
A equidade do PS
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