Ao contrário da maioria dos portugueses, eu nunca votei no Sócrates. Aliás, nunca votei no PS. Arrependo-me muito. Porque, na verdade, se tivesse votado no Sócrates hoje estaríamos bem. Se tivesse votado em Sócrates, além da melhor rede de auto-estradas da Europa – muitas à borla, como lhe ensinou Guterres – teríamos também as melhores escolas do Mundo, com mármores e ar condicionado de luxo. Aliás, uma parte delas é assim. Outra parte não, porque Sócrates foi embora em 2011. Também teríamos a melhor indústria automóvel do Mundo. Lembro-me como numa penada e em mais um anúncio mediático, despejou mil milhões para formação neste setor. Não sei onde estão. Teríamos igualmente um défice fantástico, mas isso não interessa, porque teríamos também TGV Lisboa-Porto, TGV Porto-Vigo, TGV Lisboa-Poceirão e TGV Poceirão-Espanha. Teríamos ainda um aeroporto internacional em Alcochete, bem pertinho do Freeport e um túnel por baixo do Tejo e mais uma ponte para o TGV passar o rio. Teríamos base logística na Ota, para compensar a perda, e várias auto-estradas paralelas entre Lisboa e Porto, para passar em todos estes lugares. Além de Beja, outras cidades do interior teriam aeroportos maravilhosos, lindos, também com mármores e outras coisas luxuosas. O mais incrível é que com um simples PCE4, Sócrates teria resolvido todo o endividamento provocado pelo que fez e pelo que ainda iria fazer. A dívida soberana não seria hoje nem dos 80 mil milhões com que entrou nem dos 170 mil milhões que nos deixou quando saiu. A dívida externa, na verdade, não seria nenhuma, pois não a teríamos pago. Se eu tivesse votado em Sócrates, talvez António José Seguro, continuasse calado na última fila da bancada do PS, onde secretamente continuaria a ganhar o seu ordenado de deputado e isso era muito bom, pois escusava de o ouvir. Talvez, se eu não tivesse acreditado que Manuela Ferreira Leite tinha razão em 2009 – ao contrário da maioria dos portugueses –, pudesse ter ajudado Sócrates a ter maioria nessas eleições e ainda hoje governasse, com Lino, Campos e Teixeira dos Santos.
Talvez ninguém tenha razão numa casa onde não há pão. Mas eu, mesmo não tendo nunca votado em Sócrates, posso-me arrepender disso. O que não posso é arrepender-me de alguma vez o ter feito. O que deve ser horrível.
A maior agência de notícias do mundo. O seu sofá. Jornalismo participativo. Produzido por cidadãos sem formação jornalística, em colaboração com jornalistas profissionais.
terça-feira, 16 de outubro de 2012
quinta-feira, 11 de outubro de 2012
Serviço Público, RTP e Eleições nos Açores
Ora, para meu espanto, hoje assisti na mesma RTPi a uma reportagem sobre as eleições Regionais dos Açores, nomeadamente a propósito visita do vice-presidente do PSD à Região, sendo a jornalista uma "enviada" desde a RTP... do Porto
Eu, que quase me rendia perante bons relatos de fogos e vendavais à necessidade da manutenção de tão importantes bastiões do serviço público televisivo nas Ilhas - e acho mesmo que é importante - fiquei perplexo com esta opção da RTP de enviar jornalistas onde eles já existem, como se os segundos fossem incapazes. Se o serviço público é importante e se é importante para o serviço público manter a RTP na esfera do Estado - e são coisas muito diferentes -, então que parem de nos dar razão para acharmos que há esbanjamento e exagero na forma como, a título de serviço público, se comentem disparates que apenas podem dar razão aos que não o defendem.
E já agora, também ajudava ao discurso se o jornalista Hélder Conduto não voltasse ao Brasil só para entrevistar um jogador de futebol.
terça-feira, 9 de outubro de 2012
O carro de Cristiano Ronaldo, a direita liberal, o comunismo soviético e o pecado da hipocrisia
Era bom que em Portugal conseguíssemos decidir rapidamente se afinal queremos adotar um modelo marxista-leninista, ao estilo União Soviética ou se, de uma vez por todas, nos rendemos aos males (menores) do capitalismo. Mas, a não queremos o capitalismo, ainda assim, prefiro que então se escolha o comunismo, porque o pior de tudo é a hipocrisia.
E é de hipocrisia que temos vivido, quer política quer socialmente em Portugal. Uns fingem que gostam do Estado Social ao mesmo tempo que o ferem de morte pela falência. Outros fingem-se da direita liberal, ao mesmo tempo que procuram matar o mérito e o sucesso que o liberalismo deveria premiar mas que os “nossos liberais” abafam por via de uma dízima desproporcionada e castradora do sucesso.
Vem isto a propósito da delicada situação política que só é delicada porque não há dinheiro e que, em boa verdade, não chega a ser política porque nem a esquerda consegue ser a esquerda social que apregoa, nem a direita pode ser a direita liberal que gostaria de ser. Resta, por isso, a hipocrisia. A hipocrisia dos que mais ganham e mais pagam e falsamente saem à rua para lutar contra o desemprego e contra a pobreza, com os seus iPhones no bolso, quando na verdade apenas lutam pelo seu subsídio perdido que outrora lhes dava umas férias mais longas nas Caraíbas. À hipocrisia destes, junta-se a dos que se habituaram a chupar o sistema, em esquemas vários de delapidação do Estado, dos bens públicos e dos subsídios, rendimentos, rendas, parcerias e coisas quejandas, que brotam tanto nas elites como em boa parte dos milhares de lares em bairros onde se estacionam Mercedes à porta de blocos de apartamentos “sociais” construídos às custas… do Estado.
A hipocrisia, portanto – e não a política, a ideologia e nem sequer a Troika – governa Portugal. Digo “governa” porque a verdade mais dura é que, como dizia a música no 25 de Abril, “o povo é quem mais ordena”. E é! Continua a ser assim! Quem fez esta classe política foi o povo e não o contrário, como às vezes hipocritamente queremos convencer-nos.
Pode parecer vir a despropósito, mas hoje, a chegada dos jogadores milionários do Real Madrid ao estágio da Seleção de Futebol fez-se num VW Golf, modesto e mal limpo. De lá de dentro saíram, sarcásticos, Cristiano Ronaldo, Fábio Coentrão e Pepe. O melhor jogador do Mundo, o melhor lateral da Europa e o melhor central do Mundo. Os mesmos que ainda há dois ou três meses eram criticados por terem chegado nos seus Ferrari ao estágio da Seleção. Chegam agora num modesto VW, o “carro do povo”. Ironia? Talvez! Eu vejo o ato de aparente humildade como uma tremenda hipocrisia. Não dos três que, certamente, se riram e divertiram bem mais no VW – e por causa do VW – durante o caminho desde o aeroporto, do que certamente todos nós. A hipocrisia é a nossa, de querer vê-los num carro parecido com o nosso.
Mas a verdade é só uma: Ronaldo, Coentrão e Pepe merecem mais do que transportar-se num Golf e, sobretudo, merecem mais do que um país que os obriga a fingirem-se de pobres, como se vivessem no velho sistema soviético de Brejnev. Na sociedade em que eu quero viver todos podemos ter um Ferrari, um Bentley e muito mais, desde que façamos o mesmo que Ronaldo, com a sua habilidade, força, rasgo, competência e muito, muito trabalho, sabe fazer. Uma sociedade livre, liberal, democrática e recompensadora do mérito. Não uma sociedade comunista, mesquinha e invejosa. Uma sociedade justa é aquela que sabe recompensar os melhores e simultaneamente apoiar os incapazes. Não é a que procura atingir a inatingível equidade, hipotecando a recompensa e amesquinhando o mérito.
Deixo por isso aqui a minha declaração política e ideológica: eu quero viver num país onde o melhor jogador do Mundo se possa transportar no carro que quiser e também quero que o Primeiro-Ministro do meu país se transporte num Mercedes ou BMW topo de gama. Em segurança e com a dignidade de um Primeiro-Ministro. Também quero – melhor, exijo – é que o primeiro saiba honrar a camisola da Seleção quando a veste em campo e o segundo governe com competência e lisura. Quanto ao resto, e já agora, que me deixem viver numa sociedade onde o mérito não seja apenas instrumento de confisco… monetário e social, pelo Estado e pela má-língua.
quarta-feira, 3 de outubro de 2012
10 mil milhões de razões para nos sentirmos melhor
Portugal trocou hoje Obrigações do Tesouro (dívida) contraídas por Sócrates. São quase 10 mil milhões de euros que o estudante parisiense foi buscar aos mercados em 2008. Quatro anos depois, este Governo conseguiu passar o pagamento para 2015 (venciam este ano), baixando a taxa de 5,45% para 3,35%. Isto levanta-me uma questão e uma constatação.
Questão: onde foram aplicados esses 10 mil milhões de euros que Sócrates, Teixeira dos Santos, Mário Lino, Paulo Campos e companhia foram buscar?
Constatação: mesmo sob assistência financeira e com manifs de um milhão na rua, Portugal tem hoje mais crédito no estrangeiro do que tinha em 2008.
Quanto à questão, o mais que posso esperar é que tenham sido esbanjados em mármores e ar condicionado de luxo em escolas públicas de luxo e auto-estradas inúteis em todo o país. O pior que posso esperar é que as investigações em curso acabem por nos dar explicações mais macabras.
Questão: onde foram aplicados esses 10 mil milhões de euros que Sócrates, Teixeira dos Santos, Mário Lino, Paulo Campos e companhia foram buscar?
Constatação: mesmo sob assistência financeira e com manifs de um milhão na rua, Portugal tem hoje mais crédito no estrangeiro do que tinha em 2008.
Quanto à questão, o mais que posso esperar é que tenham sido esbanjados em mármores e ar condicionado de luxo em escolas públicas de luxo e auto-estradas inúteis em todo o país. O pior que posso esperar é que as investigações em curso acabem por nos dar explicações mais macabras.
terça-feira, 2 de outubro de 2012
O Futurjornalismo da SIC
Fantástico! Jornalista da SICN, logo no início do programa "Opinião Pública", fez um "resumo do que os telespetadores poderão vir a dizer durante o programa".
E o que, segundo o seu resumo das declarações futuras, os telespetadores poderão vir a dizer? Dirão que o Governo deveria ter anunciado as novas medidas aos portugueses antes de discuti-las com Bruxelas.
Ora, gostava eu de saber o que aconteceria se o Governo anunciasse medidas que não discutiu com Bruxelas e que estas viessem, depois, a ser chumbadas... penso que até esta jornalista da SIC adivinharia que os seus telespetadores, resumidamente, pediriam a demissão do Governo!
E o que, segundo o seu resumo das declarações futuras, os telespetadores poderão vir a dizer? Dirão que o Governo deveria ter anunciado as novas medidas aos portugueses antes de discuti-las com Bruxelas.
Ora, gostava eu de saber o que aconteceria se o Governo anunciasse medidas que não discutiu com Bruxelas e que estas viessem, depois, a ser chumbadas... penso que até esta jornalista da SIC adivinharia que os seus telespetadores, resumidamente, pediriam a demissão do Governo!
quarta-feira, 26 de setembro de 2012
O paradigma perdido
Em Setúbal, a Câmara liderada pela comunista Maria das Dores Meira passou a cobrar uma nova taxa, respeitante à "proteção civil". O novo imposto visa, segundo a Câmara, garantir o financiamento de um serviço público... relacionado com segurança. Esta descoberta comunista em Setúbal (que os serviços públicos são financiados com impostos e quando os impostos não chegam para os financiar é preciso subi-los ou mesmo - com engenho - inventar outros novos) vem mudar o paradigma político português. Afinal, estamos todos de acordo, mesmo aquela parte de nós comunista que, ainda há dias, gritava em frente à Assembleia da República. Em Setúbal, as contas são para pagar, as dívidas (enormes) da Autarquia são para cumprir e não para renegociar. E quem, ao fim ao cabo, paga a fatura (tal e qual preconizam esses neo-liberais que estão no Governo), também é o mexilhão. Mesmo que o mexilhão de Setúbal seja particularmente desempregado e particularmente contestatário. E viva a democracia!
segunda-feira, 24 de setembro de 2012
Vergonha
Quando pensamos que os sucessivos títulos do Porto não têm tornado a marca FCP tão forte quanto devia - num claro desacerto entre o sucesso desportivo e o valor da sua marca; quando pensamos que apesar das vitórias o clube continua a apresentar prejuízos e a ver-se no desespero de vender para se manter vivo, deveríamos questionar porquê. Eu tenho uma explicação. Na sede de ganhar, o Porto está a matar a galinha. Já ninguém acredita no que se passa em campo nem ninguém vê qualquer relação entre os pontos conquistados e o mérito desportivo. Admirem-se se os estádios andam vazios e que não haja em Portugal uma única televisão em canal aberto interessada nos direitos televisivos. A verdade é que já quase ninguém está interessado em pagar para ver vergonhas que já nem sequer são subtis. Para mim, está feito, entreguem já as taças e acabem com a palhaçada, porque já nem como negócio isto funciona, nem para o Porto nem para ninguém.
sábado, 8 de setembro de 2012
A equidade do PS
quarta-feira, 29 de agosto de 2012
Da pena de morte à RTP
Antes de Portugal abolir a pena de morte, nunca a abolição da pena de morte tinha sido aplicada. Assim, de toda a argumentação acerca da solução para a RTP, a menos razoável é a de que nunca foi aplicado um sistema de concessão noutros países. A única coisa que me interessa saber é se com isso se pode garantir (e de que forma) o serviço público e quanto custa. Como cidadão, estou aberto a tudo, menos à solução de pagar 140 milhões em taxas e ainda ver o Estado ter que enterrar 300 milhões (como este ano) para pagar dívidas da RTP. E a questão resume-se a isto e não a quem disse o quê que não deveria ter dito e deveria ter sido outro. À semelhança do que se passa na saúde, nos transportes e na educação, o Estado faliu (alguém o faliu) e há que encontrar soluções, independentemente da contestação corporativa e das resistências. Se a solução da concessão não é boa, expliquem-me porquê e apresentem alternativas igualmente racionais para um país falido, mas não me queiram convencer que o serviço público de radiodifusão é assim tão mais importante e intocável que a educação e a saúde. Muito menos me tentem convencer que serviço público é o "Prós e Contras", programa de "entretenimento" sem escrutínio da Direção de Informação da RTP.
terça-feira, 21 de agosto de 2012
Da tourada à porrada
O tubarinho
sábado, 18 de agosto de 2012
Campeonato começa torto
quinta-feira, 16 de agosto de 2012
Bombeiros: abnegação ou amadorismo?
terça-feira, 17 de julho de 2012
Os serviços em Portugal são uma merda
Costumo imprimir as minhas fotos na Sempre, ali para o lado das Antas. Contudo, há dias, por uma questão de facilidade, fiz num shopping. Fui a três lojas.
1ª Loja: Entro. A loja não tem clientes. Tem dois funcionários. Uma está de pé a arrumar umas molduras numa prateleira. Ele sentado ao balcão. Digo “boa tarde”. Ninguém responde. Dirijo-me a uma máquina com o cartão de memória, mas a máquina não funcionava. Antes de me dirigir a outra, vou ao balcão e pergunto: “as máquinas estão a funcionar”. Sem levantar os olhos o empregado diz “sim, se uma não der tente outra”. Volta às máquinas. A segunda leu o cartão, mas era muito lenta. Apesar da demora, nenhum se move. Tiro o cartão e atravesso a loja para ir embora. Nenhum faz nada. Digo “boa tarde”. Nenhum responde.
2ª Loja: Vou ao balcão. Nenhum funcionário, vários clientes. Dirijo-me a uma máquina, introduzo o cartão. A máquina não funciona. Chega, entretanto, empregado. Pergunto se a máquina está a funcionar. Diz-me que está “meio-avariada” que faça na outra. Estão três pessoas à minha frente na outra, tendo entrado depois de mim. “Tem que esperar”. Saio. Ninguém diz nada.
3ª Loja: entro e sou confrontado com um “boa tarde” – que saudades eu tinha de uma “boa tarde”. Uma menina tenta ajudar. A loja não tem mais clientes. Lido o cartão, escolhidas as fotos e formatos, pedem-me 40 minutos. Regresso à hora e entregam-me as fotos. Nas ampliações, uma cabeça e um ombro cortados. Chamo a atenção. Dizem-me: “aqui não olhamos para as fotos. É tudo centrado, entra de um lado, sai do outro”. Expliquei à menina que fazer isso sem perceber que cortar a cabeça a uma pessoa não é um bom serviço. Contrariada, repete a foto. Mas engana-se no papel que passa a ser mate em vez de brilhante.
Conclusão 1: Portugal deixou de produzir bens transacionáveis, dedicando-se aos serviços. E, nos serviços, Portugal é uma merda. Quem disser o contrário está iludido. As exceções – como a da Sempre, onde faço as minhas fotos – apenas servem para confirmar a regra.
Conclusão 2: não perceber que numa fotografia a uma pessoa a cabeça é mais ou menos importante é como achar que é possível comer um MacDonalds sem guardanapo (ver post anterior).
1ª Loja: Entro. A loja não tem clientes. Tem dois funcionários. Uma está de pé a arrumar umas molduras numa prateleira. Ele sentado ao balcão. Digo “boa tarde”. Ninguém responde. Dirijo-me a uma máquina com o cartão de memória, mas a máquina não funcionava. Antes de me dirigir a outra, vou ao balcão e pergunto: “as máquinas estão a funcionar”. Sem levantar os olhos o empregado diz “sim, se uma não der tente outra”. Volta às máquinas. A segunda leu o cartão, mas era muito lenta. Apesar da demora, nenhum se move. Tiro o cartão e atravesso a loja para ir embora. Nenhum faz nada. Digo “boa tarde”. Nenhum responde.
2ª Loja: Vou ao balcão. Nenhum funcionário, vários clientes. Dirijo-me a uma máquina, introduzo o cartão. A máquina não funciona. Chega, entretanto, empregado. Pergunto se a máquina está a funcionar. Diz-me que está “meio-avariada” que faça na outra. Estão três pessoas à minha frente na outra, tendo entrado depois de mim. “Tem que esperar”. Saio. Ninguém diz nada.
3ª Loja: entro e sou confrontado com um “boa tarde” – que saudades eu tinha de uma “boa tarde”. Uma menina tenta ajudar. A loja não tem mais clientes. Lido o cartão, escolhidas as fotos e formatos, pedem-me 40 minutos. Regresso à hora e entregam-me as fotos. Nas ampliações, uma cabeça e um ombro cortados. Chamo a atenção. Dizem-me: “aqui não olhamos para as fotos. É tudo centrado, entra de um lado, sai do outro”. Expliquei à menina que fazer isso sem perceber que cortar a cabeça a uma pessoa não é um bom serviço. Contrariada, repete a foto. Mas engana-se no papel que passa a ser mate em vez de brilhante.
Conclusão 1: Portugal deixou de produzir bens transacionáveis, dedicando-se aos serviços. E, nos serviços, Portugal é uma merda. Quem disser o contrário está iludido. As exceções – como a da Sempre, onde faço as minhas fotos – apenas servem para confirmar a regra.
Conclusão 2: não perceber que numa fotografia a uma pessoa a cabeça é mais ou menos importante é como achar que é possível comer um MacDonalds sem guardanapo (ver post anterior).
Os guardanapos do MacDonalds
É raro ir ao MacDonalds. É caro e a comida não é saudável, embora goste dos hamburguers deles. Mas, das últimas vezes que lá fui (loja do Norteshoping) não me colocaram guardanapo no tabuleiro. É chato, porque depois de sentado e pousadas as coisas é que concluo que não tenho guardanapo e sou obrigado a levantar para ir buscar. Da última vez, perguntei porque não me davam guardanapo, tendo-me dito que era nova política da casa. Ora, pergunto como é possível comer um hamburguer sem guardanapo? A fast-food é para ser "fast", mas não consigo entender o que isso tem a ver com guardanapos. Será assim tão complicado o gesto de colocar os ditos no tabuleiro? Ou será que com isso poupam uns cêntimos nas pessoas que, já estando sentadas, resolvem comer algo que não deixa de ter o seu quê de nojento com as mão e depois, pensarão eles, limpam às calças? Realmente não sei responder, mas esta crescente noção do comércio de que quanto menos serviço e pior serviço melhor está a acabar de matá-lo, em muitos casos. Comigo, pelo menos, funciona assim e os casos são muitos e não se ficam pelo MacDonalds.
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