segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Vergonha

Quando pensamos que os sucessivos títulos do Porto não têm tornado a marca FCP tão forte quanto devia - num claro desacerto entre o sucesso desportivo e o valor da sua marca; quando pensamos que apesar das vitórias o clube continua a apresentar prejuízos e a ver-se no desespero de vender para se manter vivo, deveríamos questionar porquê. Eu tenho uma explicação. Na sede de ganhar, o Porto está a matar a galinha. Já ninguém acredita no que se passa em campo nem ninguém vê qualquer relação entre os pontos conquistados e o mérito desportivo. Admirem-se se os estádios andam vazios e que não haja em Portugal uma única televisão em canal aberto interessada nos direitos televisivos. A verdade é que já quase ninguém está interessado em pagar para ver vergonhas que já nem sequer são subtis. Para mim, está feito, entreguem já as taças e acabem com a palhaçada, porque já nem como negócio isto funciona, nem para o Porto nem para ninguém.



sábado, 8 de setembro de 2012

A equidade do PS

Não espero que o Bloco de Esquerda, PCP ou sindicalistas radicais entendam ou procurem soluções para os problemas orçamentais. Sabem que nunca serão Governo. Podem dizer o que quiserem. Mas ao PS, que nos levou à bancarrota e pediu a ajuda externa, deve exigir-se que diga o que faria perante a decisão do Tribunal Constitucional. Devolveria os subsídios aos funcionários públicos e, para cumprir a suposta equidade do TC, manteria também tudo igual para os privados? Se a solução do PS for essa, então pelo menos que nos diga se, quando Portugal estiver de novo na eminência de não ter dinheiro para pagar os vencimentos aos funcionários públicos, pedirá logo uma nova ajuda externa ou se – como fez Sócrates – prolongará a agonia até ao limite do insuportável, agravando ainda mais a situação do País.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Da pena de morte à RTP


Antes de Portugal abolir a pena de morte, nunca a abolição da pena de morte tinha sido aplicada. Assim, de toda a argumentação acerca da solução para a RTP, a menos razoável é a de que nunca foi aplicado um sistema de concessão noutros países. A única coisa que me interessa saber é se com isso se pode garantir (e de que forma) o serviço público e quanto custa. Como cidadão, estou aberto a tudo, menos à solução de pagar 140 milhões em taxas e ainda ver o Estado ter que enterrar 300 milhões (como este ano) para pagar dívidas da RTP. E a questão resume-se a isto e não a quem disse o quê que não deveria ter dito e deveria ter sido outro. À semelhança do que se passa na saúde, nos transportes e na educação, o Estado faliu (alguém o faliu) e há que encontrar soluções, independentemente da contestação corporativa e das resistências. Se a solução da concessão não é boa, expliquem-me porquê e apresentem alternativas igualmente racionais para um país falido, mas não me queiram convencer que o serviço público de radiodifusão é assim tão mais importante e intocável que a educação e a saúde. Muito menos me tentem convencer que serviço público é o "Prós e Contras", programa de "entretenimento" sem escrutínio da Direção de Informação da RTP.


 

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Da tourada à porrada

A esquerda anda sempre às costas com chavões como “tolerância”, “fraternidade”, “diversidade”, “democracia” e “direito à diferença”. Já nem interessa recordar o que a História nos deixou sobre o assunto. Nem o que o presente ainda nos ensina de paragens mais ou menos distantes, como a América do Sul ou o oriente. Há sempre uma forma da esquerda que por cá anda afirmar que a de cá não seria bem igual a essas esquerdas, ditas “democráticas” que ainda governam de forma mais ou menos ditatoriais algumas potências regionais e até mundiais. A esquerda de cá, a que gosta de caviar e a outra mais tradicional, seria diferente, dizem. Mas não é diferente. A única diferença é, de facto, nunca ter chegado ao poder. Vem isto a propósito da tourada em Viana do Castelo. Eu, que nunca vi uma tourada, que não quero ver uma tourada e que não gosto que maltratem animais, considero inaceitável que gente dita “tolerante”, “fraterna”, amiga da diversidade e do direito à diferença tenha ameaçado fisicamente pessoas que, com direito legal, legítimo e democrático, assistiam a uma tourada. Não fosse costume ser assim (foi assim com o aborto e é sempre assim quando estão em causa as ditas “fraturantes”) e quase nos esqueceríamos que os militantes de partidos como o BE ou o PCP nem sequer têm o direito mais elementar das democracias: censurar, escolher, criticar e – ora bem – votar! A sociedade de consumo, o capitalismo, o liberalismo e, pois, o neoliberalismo (seja lá o que isso for), podem ter muitos defeitos e até serem conjunturalmente alvos fáceis, mas pelo menos não obrigam uns a pensar pela cabeça dos outros perante a ameaça de porrada.

O tubarinho

Após a enorme frustração jornalística que constituiu o furacão Gordon e já que no Algarve não há, ao menos, uma derrocada que abafe três ou quatro turistas, há que alimentar a “silly season” com o tubarão da praxe. A notícia andou aí espalhada pelos jornais e tvs, mas o ponto alto foi quando hoje, em prime-time televisivo à hora de almoço, vejo em oráculo a informação “tubarão avistado a dois metros da linha de costa”. Os depoimentos que se seguiram são do mais ridículo a que tenho assistido nos últimos anos em matéria de informação televisiva supostamente séria. Fez-me rir, mas falta saber por que razão, mesmo em tempo de férias, não há um diretor, um editor ou mesmo um contínuo com um pingo de bom senso na estação capaz de evitar que aquilo fosse para o ar. Não fosse com dois berros vindos de cima para baixo, fosse simplesmente puxando uma ficha que desligasse a máquina da informação (chamemos-lhe assim).

sábado, 18 de agosto de 2012

Campeonato começa torto

Há dois ou três anos, na sequência de uma arbitragem desastrosa num jogo do Campeonato Nacional de Futebol, escrevi um post em que afirmei que iria naquele instante suspender a minha assinatura SportTV. E fiz. Anos depois, o campeonato começou sem que eu tenha assinatura da SportTV. Ainda assim, vi o jogo de hoje do Benfica. Depois de uma partida que até poderia considerar-se emocionante, o Benfica marcou um golo limpo que o árbitro invalidou. Ao mesmo tempo, leio que nenhum dos canais de TV em sinal aberto está interessado em comprar o jogo por jornada que até à temporada passada era exibido além da SportTV. Aproveito os dois factos para, interligando-os, reafirmar o que ando há anos a dizer: se o público não entender que há verdade desportiva no jogo, desinteressa-se. Pode um qualquer dirigente desportivo achar que a sua equipa sai a ganhar dos “enganos”, dos “erros” e de outras coisas que inclinam o campo (involuntária ou voluntariamente) quase sempre para o mesmo lado. Mas, no fim, perdem todos. Quem perdeu hoje mais pontos não foi o Benfica. Foi o futebol. E, numa altura em que clubes como o Benfica ou dirigente como o presidente da Liga reclamam mais valor para os direitos televisivos, melhor seria se pensassem primeiro em valorizá-los. Apenas há público se houver pelo menos a sensação de que o resultado não está feito ou fortemente condicionado, seja pelos senhores de preto, seja por quem insiste em recusar meios tecnológicos.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Bombeiros: abnegação ou amadorismo?

Acho que todos os anos escrevo sobre isto algures. Este ano volto a lembrar que o principal flagelo do país (a catástrofe anual e certa dos incêndios florestais) continua a ser combatida por amadores, que roubam às suas vidas e profissões, alguns dias por ano para ajudar o bem comum. Sem lhes retirar mérito, a verdade é que o sistema está errado. Se há serviço que deveria ser profissional era o do combate e prevenção aos incêndios. Infelizmente, todos os anos assistimos a dez meses de gastos sumptuosos e desnecessários com corporações muitas vezes viciadas em estranhos esquemas onde entra de tudo (sobretudo o pequeno poder local) e onde o interesse público é mínimo. Depois, há dois meses de pânico, descoordenação, falta de profissionalismo e muita abnegação, que culmina numa dupla tragédia: a tragédia dos incêndios, em si, a que se junta a tragédia dos bombeiros que morrem, muitas vezes fruto de acidentes de viação. Conduzir de forma profissional não é a mesma coisa que conduzir o nosso carro em circunstâncias normais. A esmagadora maioria dos bombeiros nunca teve aulas específicas de condução em alta velocidade e/ou em condições extremas de visibilidade, estradas de terra e, sobretudo, em condições de peso excessivo, como acontece num auto-tanque. Mas este exemplo do que se passa na estrada é apenas um exemplo que serve para ilustrar uma vez mais esta realidade: combatemos o nosso principal flagelo com amadorismo sustentado em corporações que mais não são do que extensões político-partidárias ou sociais e paroquiais, obedecendo a lógicas que muito pouco têm a ver com o interesse público.

terça-feira, 17 de julho de 2012

Os serviços em Portugal são uma merda

Costumo imprimir as minhas fotos na Sempre, ali para o lado das Antas. Contudo, há dias, por uma questão de facilidade, fiz num shopping. Fui a três lojas.

1ª Loja: Entro. A loja não tem clientes. Tem dois funcionários. Uma está de pé a arrumar umas molduras numa prateleira. Ele sentado ao balcão. Digo “boa tarde”. Ninguém responde. Dirijo-me a uma máquina com o cartão de memória, mas a máquina não funcionava. Antes de me dirigir a outra, vou ao balcão e pergunto: “as máquinas estão a funcionar”. Sem levantar os olhos o empregado diz “sim, se uma não der tente outra”. Volta às máquinas. A segunda leu o cartão, mas era muito lenta. Apesar da demora, nenhum se move. Tiro o cartão e atravesso a loja para ir embora. Nenhum faz nada. Digo “boa tarde”. Nenhum responde.

2ª Loja: Vou ao balcão. Nenhum funcionário, vários clientes. Dirijo-me a uma máquina, introduzo o cartão. A máquina não funciona. Chega, entretanto, empregado. Pergunto se a máquina está a funcionar. Diz-me que está “meio-avariada” que faça na outra. Estão três pessoas à minha frente na outra, tendo entrado depois de mim. “Tem que esperar”. Saio. Ninguém diz nada.

3ª Loja: entro e sou confrontado com um “boa tarde” – que saudades eu tinha de uma “boa tarde”. Uma menina tenta ajudar. A loja não tem mais clientes. Lido o cartão, escolhidas as fotos e formatos, pedem-me 40 minutos. Regresso à hora e entregam-me as fotos. Nas ampliações, uma cabeça e um ombro cortados. Chamo a atenção. Dizem-me: “aqui não olhamos para as fotos. É tudo centrado, entra de um lado, sai do outro”. Expliquei à menina que fazer isso sem perceber que cortar a cabeça a uma pessoa não é um bom serviço. Contrariada, repete a foto. Mas engana-se no papel que passa a ser mate em vez de brilhante.

Conclusão 1: Portugal deixou de produzir bens transacionáveis, dedicando-se aos serviços. E, nos serviços, Portugal é uma merda. Quem disser o contrário está iludido. As exceções – como a da Sempre, onde faço as minhas fotos – apenas servem para confirmar a regra.

Conclusão 2: não perceber que numa fotografia a uma pessoa a cabeça é mais ou menos importante é como achar que é possível comer um MacDonalds sem guardanapo (ver post anterior).

Os guardanapos do MacDonalds


É raro ir ao MacDonalds. É caro e a comida não é saudável, embora goste dos hamburguers deles. Mas, das últimas vezes que lá fui (loja do Norteshoping) não me colocaram guardanapo no tabuleiro. É chato, porque depois de sentado e pousadas as coisas é que concluo que não tenho guardanapo e sou obrigado a levantar para ir buscar. Da última vez, perguntei porque não me davam guardanapo, tendo-me dito que era nova política da casa. Ora, pergunto como é possível comer um hamburguer sem guardanapo? A fast-food é para ser "fast", mas não consigo entender o que isso tem a ver com guardanapos. Será assim tão complicado o gesto de colocar os ditos no tabuleiro? Ou será que com isso poupam uns cêntimos nas pessoas que, já estando sentadas, resolvem comer algo que não deixa de ter o seu quê de nojento com as mão e depois, pensarão eles, limpam às calças? Realmente não sei responder, mas esta crescente noção do comércio de que quanto menos serviço e pior serviço melhor está a acabar de matá-lo, em muitos casos. Comigo, pelo menos, funciona assim e os casos são muitos e não se ficam pelo MacDonalds.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

ADSE para todos, já!

O Tribunal Constitucional deu ontem um mau passo no sentido de fazer com que os portugueses entendam o que se está a passar. E o que se está a passar é simples e vem de há muito. O Estado criou um mostro chamado setor público. Um monstro que tem um elevado grau de inutilidade e que, além do mais, é insustentável. O corte aplicado pelo Governo aos subsídios destes funcionários foi uma forma de repartir por todos os funcionários públicos o sacrifício cada vez mais inevitável para alguns: o desemprego. O Estado não aguenta tanta gente e nem sequer precisa de tanta gente. A alternativa aos cortes gerais aplicados pelo Governo são cortes seletivos como os dos subsídios. Ou seja, a alternativa é despedir 10 ou 15% dos funcionários público. Tudo, porque é preciso cortar na enorme e insustentável despesa do setor público e social. Não nos enganemos, todas as outras despesas e potenciais cortes são despicientes, quando comparados com estes que significam 2/3 da despesa do Estado. Aquilo que se perfila, após a decisão do Tribunal Constitucional, não é que cessem os cortes no setor público e, logo, manter-se-ão os cortes dos subsídios para os funcionários públicos, mas sim a aplicação de uma nova sobretaxa aos privados. Ora, pode aparentemente ser a mesma coisa. Mas não é. Aplicar uma sobretaxa aos privados, aliviando o “sacrifício” dos funcionários públicos, não é equivalente. A primeira é um aumento de receita, a segunda é um corte de despesa. Com uma medida destas, teremos menos dinheiro em circulação nos privados, aumentará a carga fiscal, diminuirá o consumo, cairá também a receita, apesar do sacrifício geral. E, no Estado, no “monstro”, teremos o cancro de novo maior e os despedimentos na função pública cada vez mais próximos e inevitáveis. O Acórdão do Tribunal Constitucional é, pois, possivelmente constitucional, mas constitui-se como uma medida política absolutamente esquizofrénica e totalmente contraditória, por exemplo, àquilo que o Partido Socialista anda a defender. É uma medida recessiva e geradora de desemprego e de aumento da carga fiscal. Mais receita às custas de quem trabalha e menos cortes naquilo que está a mais. É a lógica de que se eu tiver um cancro num braço e tiver que ser amputado, todos os cidadãos deverão ser amputados, por uma questão de igualdade. Mas, se assim é, então estou à espera que o Tribunal Constitucional mande acabar com a ADSE amanhã ou, então, que seja alargada a todos os trabalhadores portugueses.

domingo, 1 de julho de 2012

A lição italiana

A presença da Itália na final do Euro deita ao lixo todas as teorias sobre o futebol. E até sobre o futebol italiano. As condições em que chegou a este campeonato, a inexperiência da maioria dos seus jogadores em fases finais, as constantes mudanças táticas e no onze, demonstram que não há verdades feitas no futebol. Mas não apenas ao nível técnico e tático a Itália é uma lição. Também ao nível disciplinar, poderemos aprender qualquer coisa. Apesar de ter sempre acreditado e apoiado a nossa Seleção, a verdade é que senti lá a falta de um ou dois jogadores. Sobretudo um: Bosingwa. Claro que nada se explica com a sua ausência, por ventura, justificada. E quando Portugal termina nos quatro primeiros (lugar a que pertence pela qualidade dos seus jogadores), não há muito a dizer sobre as escolhas do selecionador. Quando se deu o caso Ricardo Carvalho e Paulo Bento disse “comigo nunca mais”, aceitei como normal a sua decisão. Mas a verdade é que ao ver Balotelli reagir contra o selecionador ao marcar um golo, pensei que o resultado não poderia deixar de ser o afastamento do jogador. Contudo, o selecionador italiano manteve-o na equipa e Balotelli deu ao Euro 2012 no jogo com a Alemanha, dois momentos mágicos e que dificilmente esqueceremos. A Itália ganhou com Balotelli em campo porque o selecionador italiano decidiu deitar para trás das costas um aspeto disciplinar que em qualquer outro jogador de qualquer outra equipa seria inconcebível, mas que nesta anacrónica Itália e a propósito deste estranho jogador, se compreende e aceita. Paulo Bento foi competente e quase perfeito em tudo. Também no aspeto disciplinar. Portugal foi até onde o seu futebol conseguiu ir e, nesse aspeto, nada a dizer. Mas para se ser brilhante, fora de série e ser campeão contra as probabilidades é, quase sempre, necessário um pouco mais. Um pouco de loucura, por ventura; um pouco de arrojo, também; mas sobretudo a capacidade de perceber que, se quisermos pedir aos génios genialidade, temos que saber aceitar e saber gerir as suas loucuras, genialidades, contradições e até as suas manias. Se Itália ganhar o Euro, essa vitória terá muito de Balotelli, bastante do seu selecionador e uma enorme contribuição de Bonucci que, sabiamente, lhe colocou a mão na boca, quando este procurava insultar o seu líder. E é esta a lição que nos deixa a Itália neste campeonato, a lição de que a normalidade é incompatível com a genialidade.

terça-feira, 26 de junho de 2012

"Depois de ter ficado com os gravadores, foi nomeado... pelo PS"

Ricardo Rodrigues foi hoje condenado pelos crimes de atentado à liberdade de imprensa e atentado à liberdade de informação. O problema deixa, contudo, de ser de Ricardo Rodrigues e passa a ser de Carlos Zorrinho e António José Seguro. É deles a responsabilidade política de retirarem consequência éticas desta condenação. Ou Ricardo Rodrigues é demitido da Comissão de Ética e das duas outras comissões onde está por nomeação do PS e o secretário geral lhe retira a confiança política ou é a Seguro e Zorrinho a quem teremos que atirar à cara, a todo o momento, a falta de decoro, decência e autoridade moral e política para voltarem, alguma vez, a falar de ética e de princípios políticos. E, já agora, que se recorde que o tema da entrevista com Ricardo Rodrigues era um caso de pedofilia nos Açores.

Foto: Público online

 

terça-feira, 19 de junho de 2012

Ajudem-no a envelhecer com dignidade, por favor

Sou de opinião que todas as críticas são legítimas. Mesmo as disparatadas e que nos fazem rir. Contudo, algumas pessoas deveriam ter respeito por si próprias e em certas ocasiões estarem caladas. Ouvir Carlos Queiroz – um dos dois Selecionadores nacionais que teve oportunidade de o ser duas vezes – dizer disparates desqualifica a pouca competência que ainda lhe poderia reconhecer. É preciso recordar que nos últimos 30 anos, Carlos Queiroz fez duas das três piores qualificações de Portugal. Numa não fomos qualificados e na outra passamos no play-off, depois de um dos piores scores de golos de sempre da Seleção nacional. Nesse Mundial, Queiroz acabou apurado no grupo de qualificação onde havia uma coisa chamada Coreia do Norte, com 5 pontos. Foi eliminado nos oitavos de final. Ouvir Queiroz, que depois nos deixou nas ruas da amargura com 1 ponto em dois jogos de qualificação, dizer que “comigo já estávamos qualificados”; como ouvi-lo agora dar palpites sobre a qualificação de Portugal nuns quartos-de-final onde nunca esteve nem com nenhuma Seleção nem com nenhum clube por onde tenha passado, é ainda mais ridículo. Tanto mais, que Queiroz sustenta as suas considerações falando em “espírito de grupo” e de equipa quando toda a gente sabe por onde andou esse espírito quando foi Selecionador. Portugal foi qualificado para os quartos-de-final como a quarta Seleção neste Europeu, apesar de ter calhado no grupo mais forte – não era apenas teórico, foi mesmo o mais forte – deve por isso concentrar-se naquilo que é importante em lugar de continuar a ouvir Carlos Queiroz queimar a réstia de respeito que ainda tinha por ele e que já vem de longe, muito longe, de quando Figo ainda era um miúdo.

domingo, 17 de junho de 2012

O Syriza tinha a vitória garantida na Grécia, segundo todas as sondagens. Quinta-feira, tudo mudou!

Eu adoro ver o segundo melhor do Mundo jogar, mais do que o primeiro

Não me incomoda nada que haja no Mundo um jogador melhor do que Ronaldo. Quero lá saber. O que me incomoda é o desejo de alguns portugueses de que o melhor do Mundo não seja Ronaldo.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Portugal pode ser vítima de nova combinação de resultados


No Euro2004, em Portugal, a Dinamarca e a Suécia protagonizaram um dos episódios mais estranhos do futebol mundial, quando empatando a dois golos (o empate surgiu no último minuto), se apuraram para a fase seguinte, deixando a Itália de fora. Pois, desta vez, poderemos ser nós, portugueses, a sermos vítimas de um sistema mal feito (digo eu) que permite que, caso a Dinamarca vença a Alemanha por 3-2, ambas se apurem, independentemente do resultado de Portugal. Isto porque, se isso acontecer e Portugal ganhar à Holanda, os três ficarão com os mesmos 6 pontos. Nessa altura, teremos que ir ao fator de desempate dos resultados entre as três equipas, que manterá o empate pontual e mesmo em diferença de golos, colocando-se, contudo, a Dinamarca em vantagem por ter mais golos marcados (cinco). Portugal e a Alemanha ficariam empatados, com 3-3 em golos, mas a Alemanha ganharia vantagem sobre Portugal por nos ter ganho. Ou seja, de nada valeria a Portugal marcar muitos golos frente à Holanda, pois essa estaria fora desse desempate. 3-2 dá, pois, apuramento a Dinamarca e Alemanha. Portugal não depende, pois, de si próprio e pode ser vítima de um sistema que deu que falar no Euro2004 e que a UEFA não soube ou não quis alterar. De qualquer forma, se alguém em 2004 ainda imaginou que o 2-2 entre nórdicos pode ter sido uma coincidência, domingo ninguém ficará com dúvidas se a história se repetir com a Dinamarca.

AQUI FICAM OS CRITÉRIOS DE DESEMPATE:
a) Maior número de pontos obtidos nos jogos disputados entre as equipas em questão b) Maior diferença de golos nos jogos disputados entre as equipas em questão c) Maior número de golos marcados nos jogos disputados entre as equipas em questão d) Se, depois de aplicados os critérios a) a c), duas equipas ainda se mantiverem em igualdade, os critérios a) a c) são reaplicados exclusivamente aos jogos entre as duas equipas em questão para determinar a classificação final das duas equipas. Se este procedimento não levar a uma decisão, os critérios e) a i) são aplicados pela seguinte ordem; e) maior diferença de golos em todos os jogos da fase de grupos; f) maior número de golos marcados em todos os jogos da fase de grupos; g) posição no ranking de selecções da UEFA (ver anexo I, parágrafo 1.2.2); h) conduta "fair play" das equipas (fase final); i) sorteio"


domingo, 10 de junho de 2012

TV portuguesa na idade da pedra

Num país que se gaba de muito modernismo, onde a TV analógica já morreu e toda a gente já tem um "plasma", não deixa de ser estranho que os quatro principais canais de TV, bem como os seus sucedâneos no cabo continuem a emitir em SD, ignorando que toda a Europa já trabalha em HD. No mínimo, a não ser possível adotar já uma emissão em alta definição, que pelo menos fizessem o que os ingleses, por exemplo, já fazem há muitos anos, emitir em 16:9. O que se passa chega a ser estranho, pois alguns conteúdos são produzidos em HD e 16:9 e depois mal adaptados ao SD. A RTP é perita em “esmagar” imagens reduzindo a resolução para pior do que o SD. Eu que gosto de ver ténis, e me delicio com as transmissões do Eurosport em alta definição, recuso-me a ver o resultado desastroso das imagens do Estoril Open, adaptadas de HD para SD, em que nem a bola se vê. Com o Euro 2012 a correr e com as televisões portuguesas a fazerem as três o impossível exercício de demonstração de que que são a TV do Europeu, a sensação de estranheza agrava-se. Mas, a TV do Europeu é a SportTV, que em boa hora começou a transmitir 5 (cinco) canais em HD e a dar 10-0 nesta matéria aos “concorrentes” portugueses. Mas, de tudo isto, o mais estranho é a RTP ter um canal de HD que a maior parte das vezes está sem emitir nada e que, quando emite, raras vezes consegue fazer o som bater certo com a imagem. Depois, não se admirem que as audiências andem a fugir para o cabo.

sábado, 9 de junho de 2012

É urgente um novo pedido de ajuda externa a Portugal

Que o palhacismo tinha invadido a comunicação social portuguesa já sabia. Mas hoje o dia está a ser demais. Não bastou ao Estado quase falido de Portugal ter decidido comemorar o 10 de Junho a 9… e 10 de Junho, com o Presidente da República a apelar a que se varressem bem as ruas de Lisboa, como os jornalistas decidiram dar um contributo forte a que seja necessário e até urgente um novo pedido de ajuda externa. Desta vez já não de dinheiro, mas um pedido de ajuda psiquiátrica.
Na TSF ouvi logo pela manhã uma reportagem sobre um alemão que vive e trabalha na Alemanha e… torce pela Alemanha no jogo de mais logo. Dificilmente encontraria uma maior negação da notícia do que esta longa reportagem que era justificada pelo título de que “alemães que trabalham em empresas portuguesas torcem pela Alemanha”. O alemão longamente entrevistado nessa reportagem trabalha num hotel em Berlim que, por acaso, é de um português. Sem comentários! Eu penso que notícia seria um português que em Lisboa trabalhasse para a BMW e torcesse pela Alemanha e não por Portugal.
Enfim. E se a TSF mostra nesta reportagem que no melhor pano cai a nódoa, a RTP, que nos tem dado bons exemplos de serviço público, entrou esta manhã numa histeria esquizofrénica moderada pelo seu diretor – meu homónimo – que resolveu gastar parte dos 300 milhões de euros que o Relvas lhe deu para pagar dívidas em Janeiro, em reportagens um pouco por todo o Mundo.
Em Inglaterra, a RTP tinha duas equipas de reportagem: uma anda atrás da tocha olímpica. Algo com particular interesse público. Mas a questão nem é essa. É que os dois repórteres (câmara incluído) terminaram uma reportagem sobre o assunto, passada ao meio-dia, mostrando-se a eles próprios a tomar chá, supostamente às 5 da tarde! Ainda em Londres, outra equipa de reportagem da RTP dedicava-se áquilo que de maior interesse público existe no jornalismo português: perguntar aos emigrantes onde vão ver o jogo de logo à noite e, claro, quem querem que ganhe! Não se vá dar o caso de trabalharem num hotel propriedade de um alemão… digo eu!
Pelo meio, viu-se uma entrevista impossível de um jornalista português que não fala ucraniano a um miúdo ucraniano que não fala português. Com ajuda de um tradutor, percebeu-se que o miúdo era apenas e só isso: um miúdo ucraniano que por ali andava e tinha uma camisola do Messi vestida. Conluia o jornalista que não gostava do Ronaldo, ripostava o rapaz que sim e que podia gostar de Messi e também do Ronaldo e ter hoje vestido, por acaso, aquela camisola. Este interesse público custou muitos minutos de televisão na RTP1 e não sei quantos euros (muitos) de aluguer de um satélite.
Podia continuar a descrever as mais variadas situações de puro palhacismo, histeria, idiotices e absolutas faltas de senso e – sempre – de notícia que não apenas a RTP mas a generalidade dos canais de TV hoje exerciam com grande vontade em antena. Mas termino apenas com a de uma reportagem feita (no meio de todo este périplo Mundial), em Viana do Castelo. Tratava-se de entrevistar um bailarino considerado (por quem?) o 17º melhor do Mundo. A entrevista termina e, no final, o pivot do diretor de informação da RTP – meu homónimo – lá remata: “o 17º melhor bailarino do Mundo é português, no futebol, temos o primeiro, ou um dos primeiros”, não fosse a camisola do rapaz ucraniano contrariá-lo!
O dia vai ser longo!

quinta-feira, 7 de junho de 2012

A declaração de Ronaldo e a falta de profissionalismo de alguns jornalistas portugueses

Penso que o caso que hoje presenciei é paradigmático do buraco em que caiu o jornalismo português. Hoje, durante uma conferência de imprensa na Polónia, um jornalista enviado especial de uma estação de TV portuguesa para acompanhar uma Seleção de futebol, pediu a um responsável da Federação para comentar uma afirmação de Cristiano Ronaldo ao jornal espanhol “A Marca”. E a afirmação, segundo o jornalista, era de que o jogador português apostaria todo o seu dinheiro em Espanha para vencedor do Euro 2012.
Ora, acontece que não foi essa a afirmação de Ronaldo, que disse claramente nessa entrevista apostar em primeiro lugar em Portugal – “Se eu tivesse uma mala cheia de dinheiro, apostaria em Portugal e na Espanha. Não quero ser hipócrita. Sou muito esperançoso, e, depois de Portugal, eu vou na Espanha”. Claro que Ronaldo joga em Espanha e estava a dar uma entrevista a um jornal espanhol, sendo que Espanha é, por acaso, campeão do Mundo e da Europa. À semelhança da questão do jornalista português na conferência de imprensa de hoje, a imprensa portuguesa e os seus vários sites, reproduzem hoje a declaração de Ronaldo, atribuindo-lhe, nos títulos, a intensão de apostar em Espanha.
Já a imprensa brasileira, que também reproduz a mesma declaração de Ronaldo, titula o mesmo conteúdo com mais rigor, dizendo que Ronaldo apostaria em primeiro lugar em Portugal. A fonte é, contudo, sempre a mesma: as declarações de Ronaldo ao jornal “A Marca”.
Pergunto se o jornalista da TV, enviado especial ao Euro, sabe que deontologicamente não deveria ter colocado a pergunta sem ter confirmado a veracidade da declaração de Ronaldo. E pergunto-me se se terá limitado a ler os títulos da reprodução da notícia na imprensa nacional.
É que se assim foi, cometeu um falha profissional grave, demonstrando desconhecimento profundo do que é a sua própria profissão e quais as suas obrigações, reproduzindo o erro dos colegas sem confirmar a declaração. Se, pelo contrário, o mesmo senhor estava consciente das declarações de Ronaldo, então estamos perante pura má fé a que se junta falta de profissionalismo.
O erro no jornalismo e a falta de rigor tornam-se não apenas em falhas graves. São hoje pragas, pois aquilo que era, outrora, a falha humana, normal em todas as profissões, é ampliada e reproduzida, não apenas pelas redes de informação informais, mas já pelos próprios órgãos de informação. E isso só se torna possível porque há pessoas no jornalismo que não fazem a mais pequena ideia das regras que deveriam presidir à sua atividade.

PS: depois da conferência de imprensa na Polónia, alguns jornais e sites vieram corrigir os seus títulos, acrescentando "Portugal" à frase de Ronaldo.

terça-feira, 5 de junho de 2012

Quem tem menos vergonha: jornalistas ou Seleção Nacional?

Desde há anos nos habituamos a alguma histeria televisiva sobre as participações das Seleções Nacionais em fases finais de campeonatos. Contudo, nunca como desta vez a distância entre a cobertura noticiosa e o sentimento real dos portugueses foi tão evidente. Há dois dias assistia a mais uma reportagem sobre mais uma passagem do autocarro com os jogadores por uma rotunda, facto totalmente desprovido de interesse noticioso, em si, mas que conseguiria entender se correspondesse ao interesse do público. Contudo, a própria jornalista da estação de TV que fazia a transmissão afirmava que estavam “dois adeptos” no local, o que demonstra bem o enorme desfasamento não apenas do interesse público mas também já do interesse do público para com o objeto de reportagem.
Mais grave é o que se passa nos bastidores da Seleção. Uma estação de televisão privada ganhou o direito a fazer a cobertura “em exclusivo” do que considera serem os “bastidores da Seleção”. As reportagens passam em blocos noticiosos especiais ou formais de informação. Ou seja, nos próprios serviços diários de informação. Estas “reportagens”, contudo, levantam grandes questões do ponto de vista ético e deontológico, além de serem de interesse muito duvidoso, quer para o público quer para a própria Seleção.
E porquê? Em primeiro lugar porque não se percebe a razão de ser aquela estação de televisão em concreto a ter acesso a parte dos factos e não todas as outras? A Seleção Nacional e, mais formalmente, a Federação Portuguesa de Futebol não são entidades ou objetos privados. São instituições que representam o País e a Federação tem o estatuo de interesse público sem fins lucrativos. Importa, pois, que as suas decisões e nomeadamente as que implicam vantagens comerciais, tenham relevância pública, sejam publicitadas e defendam esse mesmo interesse coletivo. No caso concreto, não se conhecem os termos do acordo e que vantagem, se a há, para a Federação.
Pode então perguntar-se: que interesse público existe na divulgação dos bastidores da Seleção? O que ganha a Federação com isso. O que ganha a Seleção? Os jogadores sentem-se melhor, mais tranquilos e desempenharão melhor as suas funções perante a presença constante das Câmaras? Que vantagens monetárias existem que o justifique? Quem ganha? Quanto ganha. O que ganha o país ao deixar uma estação de televisão entrar os quartos, nos balneários, no departamento médico a toda a hora?
Mas há outra questão, além da do interesse público da Seleção. É a do interesse público da informação e é a questão da ética e da deontologia jornalística. Estando uma ou mais estações de TV ou outros jornalistas autorizados a circular e a cobrir “em exclusivo” determinados momentos que, à partida, seriam do foro íntimo de um grupo de trabalho, que condições lhe formam impostas? Têm esse jornalistas, que aceitaram com os seus editores e diretores, limitações ao seu trabalho? Estando uma equipa de reportagem dessas num balneários e sentido o Selecionador a necessidade de “dar dois berros” a um jogador, é livre o jornalista de editar as imagens e divulga-las no “telejornal” seguinte? E se Saltilho se repetir? Que tipo de reportagem podemos esperar?
É que se assim não é, estamos perante um princípio de censura assumida e consentida, o que é inaceitável. Ou melhor, deveria ser inaceitável para a estação de TV e para os jornalistas em causa. No mínimo, a estação de TV ou o órgão de informação que se sujeitasse a tal constrangimento de edição, deveria informar o telespetador de tal facto.
Estamos, portanto, perante uma histeria jornalística que não é nova – mas que particularmente desta vez nem sequer corresponde a qualquer histeria pública – e estamos perante atos, ditos “jornalísticos” que não apenas são potencialmente lesivos à Seleção e ao interesse público que a Federação jurou defender, como também potencialmente lesivos do interesse público que, por definição, os jornalistas devem defender.
Era bom que alguém fosse capaz de esclarecer este assunto e nos viesse dizer se estamos perante uma total irresponsabilidade da Federação – Paulo Bento incluído (ver artigo com opinião de Manuel José) – expondo os verdadeiros bastidores de um grupo de trabalho que se quer fechado, ou se estamos perante uma monumental mentira, credibilizada pela capa de um jornalismo barato e que, despudoradamente vai acabando com a réstia de bom nome que a profissão detém.
Um último desabafo: os que tanto se indignam com a “pressão” que um telefonema de um ministro exercerá sobre um jornalista, não se questionam sobre que contratos comerciais ou outros limitam muito mais brutalmente a liberdade de outros colegas? Perdão, “camaradas”?