domingo, 10 de junho de 2012

TV portuguesa na idade da pedra

Num país que se gaba de muito modernismo, onde a TV analógica já morreu e toda a gente já tem um "plasma", não deixa de ser estranho que os quatro principais canais de TV, bem como os seus sucedâneos no cabo continuem a emitir em SD, ignorando que toda a Europa já trabalha em HD. No mínimo, a não ser possível adotar já uma emissão em alta definição, que pelo menos fizessem o que os ingleses, por exemplo, já fazem há muitos anos, emitir em 16:9. O que se passa chega a ser estranho, pois alguns conteúdos são produzidos em HD e 16:9 e depois mal adaptados ao SD. A RTP é perita em “esmagar” imagens reduzindo a resolução para pior do que o SD. Eu que gosto de ver ténis, e me delicio com as transmissões do Eurosport em alta definição, recuso-me a ver o resultado desastroso das imagens do Estoril Open, adaptadas de HD para SD, em que nem a bola se vê. Com o Euro 2012 a correr e com as televisões portuguesas a fazerem as três o impossível exercício de demonstração de que que são a TV do Europeu, a sensação de estranheza agrava-se. Mas, a TV do Europeu é a SportTV, que em boa hora começou a transmitir 5 (cinco) canais em HD e a dar 10-0 nesta matéria aos “concorrentes” portugueses. Mas, de tudo isto, o mais estranho é a RTP ter um canal de HD que a maior parte das vezes está sem emitir nada e que, quando emite, raras vezes consegue fazer o som bater certo com a imagem. Depois, não se admirem que as audiências andem a fugir para o cabo.

sábado, 9 de junho de 2012

É urgente um novo pedido de ajuda externa a Portugal

Que o palhacismo tinha invadido a comunicação social portuguesa já sabia. Mas hoje o dia está a ser demais. Não bastou ao Estado quase falido de Portugal ter decidido comemorar o 10 de Junho a 9… e 10 de Junho, com o Presidente da República a apelar a que se varressem bem as ruas de Lisboa, como os jornalistas decidiram dar um contributo forte a que seja necessário e até urgente um novo pedido de ajuda externa. Desta vez já não de dinheiro, mas um pedido de ajuda psiquiátrica.
Na TSF ouvi logo pela manhã uma reportagem sobre um alemão que vive e trabalha na Alemanha e… torce pela Alemanha no jogo de mais logo. Dificilmente encontraria uma maior negação da notícia do que esta longa reportagem que era justificada pelo título de que “alemães que trabalham em empresas portuguesas torcem pela Alemanha”. O alemão longamente entrevistado nessa reportagem trabalha num hotel em Berlim que, por acaso, é de um português. Sem comentários! Eu penso que notícia seria um português que em Lisboa trabalhasse para a BMW e torcesse pela Alemanha e não por Portugal.
Enfim. E se a TSF mostra nesta reportagem que no melhor pano cai a nódoa, a RTP, que nos tem dado bons exemplos de serviço público, entrou esta manhã numa histeria esquizofrénica moderada pelo seu diretor – meu homónimo – que resolveu gastar parte dos 300 milhões de euros que o Relvas lhe deu para pagar dívidas em Janeiro, em reportagens um pouco por todo o Mundo.
Em Inglaterra, a RTP tinha duas equipas de reportagem: uma anda atrás da tocha olímpica. Algo com particular interesse público. Mas a questão nem é essa. É que os dois repórteres (câmara incluído) terminaram uma reportagem sobre o assunto, passada ao meio-dia, mostrando-se a eles próprios a tomar chá, supostamente às 5 da tarde! Ainda em Londres, outra equipa de reportagem da RTP dedicava-se áquilo que de maior interesse público existe no jornalismo português: perguntar aos emigrantes onde vão ver o jogo de logo à noite e, claro, quem querem que ganhe! Não se vá dar o caso de trabalharem num hotel propriedade de um alemão… digo eu!
Pelo meio, viu-se uma entrevista impossível de um jornalista português que não fala ucraniano a um miúdo ucraniano que não fala português. Com ajuda de um tradutor, percebeu-se que o miúdo era apenas e só isso: um miúdo ucraniano que por ali andava e tinha uma camisola do Messi vestida. Conluia o jornalista que não gostava do Ronaldo, ripostava o rapaz que sim e que podia gostar de Messi e também do Ronaldo e ter hoje vestido, por acaso, aquela camisola. Este interesse público custou muitos minutos de televisão na RTP1 e não sei quantos euros (muitos) de aluguer de um satélite.
Podia continuar a descrever as mais variadas situações de puro palhacismo, histeria, idiotices e absolutas faltas de senso e – sempre – de notícia que não apenas a RTP mas a generalidade dos canais de TV hoje exerciam com grande vontade em antena. Mas termino apenas com a de uma reportagem feita (no meio de todo este périplo Mundial), em Viana do Castelo. Tratava-se de entrevistar um bailarino considerado (por quem?) o 17º melhor do Mundo. A entrevista termina e, no final, o pivot do diretor de informação da RTP – meu homónimo – lá remata: “o 17º melhor bailarino do Mundo é português, no futebol, temos o primeiro, ou um dos primeiros”, não fosse a camisola do rapaz ucraniano contrariá-lo!
O dia vai ser longo!

quinta-feira, 7 de junho de 2012

A declaração de Ronaldo e a falta de profissionalismo de alguns jornalistas portugueses

Penso que o caso que hoje presenciei é paradigmático do buraco em que caiu o jornalismo português. Hoje, durante uma conferência de imprensa na Polónia, um jornalista enviado especial de uma estação de TV portuguesa para acompanhar uma Seleção de futebol, pediu a um responsável da Federação para comentar uma afirmação de Cristiano Ronaldo ao jornal espanhol “A Marca”. E a afirmação, segundo o jornalista, era de que o jogador português apostaria todo o seu dinheiro em Espanha para vencedor do Euro 2012.
Ora, acontece que não foi essa a afirmação de Ronaldo, que disse claramente nessa entrevista apostar em primeiro lugar em Portugal – “Se eu tivesse uma mala cheia de dinheiro, apostaria em Portugal e na Espanha. Não quero ser hipócrita. Sou muito esperançoso, e, depois de Portugal, eu vou na Espanha”. Claro que Ronaldo joga em Espanha e estava a dar uma entrevista a um jornal espanhol, sendo que Espanha é, por acaso, campeão do Mundo e da Europa. À semelhança da questão do jornalista português na conferência de imprensa de hoje, a imprensa portuguesa e os seus vários sites, reproduzem hoje a declaração de Ronaldo, atribuindo-lhe, nos títulos, a intensão de apostar em Espanha.
Já a imprensa brasileira, que também reproduz a mesma declaração de Ronaldo, titula o mesmo conteúdo com mais rigor, dizendo que Ronaldo apostaria em primeiro lugar em Portugal. A fonte é, contudo, sempre a mesma: as declarações de Ronaldo ao jornal “A Marca”.
Pergunto se o jornalista da TV, enviado especial ao Euro, sabe que deontologicamente não deveria ter colocado a pergunta sem ter confirmado a veracidade da declaração de Ronaldo. E pergunto-me se se terá limitado a ler os títulos da reprodução da notícia na imprensa nacional.
É que se assim foi, cometeu um falha profissional grave, demonstrando desconhecimento profundo do que é a sua própria profissão e quais as suas obrigações, reproduzindo o erro dos colegas sem confirmar a declaração. Se, pelo contrário, o mesmo senhor estava consciente das declarações de Ronaldo, então estamos perante pura má fé a que se junta falta de profissionalismo.
O erro no jornalismo e a falta de rigor tornam-se não apenas em falhas graves. São hoje pragas, pois aquilo que era, outrora, a falha humana, normal em todas as profissões, é ampliada e reproduzida, não apenas pelas redes de informação informais, mas já pelos próprios órgãos de informação. E isso só se torna possível porque há pessoas no jornalismo que não fazem a mais pequena ideia das regras que deveriam presidir à sua atividade.

PS: depois da conferência de imprensa na Polónia, alguns jornais e sites vieram corrigir os seus títulos, acrescentando "Portugal" à frase de Ronaldo.

terça-feira, 5 de junho de 2012

Quem tem menos vergonha: jornalistas ou Seleção Nacional?

Desde há anos nos habituamos a alguma histeria televisiva sobre as participações das Seleções Nacionais em fases finais de campeonatos. Contudo, nunca como desta vez a distância entre a cobertura noticiosa e o sentimento real dos portugueses foi tão evidente. Há dois dias assistia a mais uma reportagem sobre mais uma passagem do autocarro com os jogadores por uma rotunda, facto totalmente desprovido de interesse noticioso, em si, mas que conseguiria entender se correspondesse ao interesse do público. Contudo, a própria jornalista da estação de TV que fazia a transmissão afirmava que estavam “dois adeptos” no local, o que demonstra bem o enorme desfasamento não apenas do interesse público mas também já do interesse do público para com o objeto de reportagem.
Mais grave é o que se passa nos bastidores da Seleção. Uma estação de televisão privada ganhou o direito a fazer a cobertura “em exclusivo” do que considera serem os “bastidores da Seleção”. As reportagens passam em blocos noticiosos especiais ou formais de informação. Ou seja, nos próprios serviços diários de informação. Estas “reportagens”, contudo, levantam grandes questões do ponto de vista ético e deontológico, além de serem de interesse muito duvidoso, quer para o público quer para a própria Seleção.
E porquê? Em primeiro lugar porque não se percebe a razão de ser aquela estação de televisão em concreto a ter acesso a parte dos factos e não todas as outras? A Seleção Nacional e, mais formalmente, a Federação Portuguesa de Futebol não são entidades ou objetos privados. São instituições que representam o País e a Federação tem o estatuo de interesse público sem fins lucrativos. Importa, pois, que as suas decisões e nomeadamente as que implicam vantagens comerciais, tenham relevância pública, sejam publicitadas e defendam esse mesmo interesse coletivo. No caso concreto, não se conhecem os termos do acordo e que vantagem, se a há, para a Federação.
Pode então perguntar-se: que interesse público existe na divulgação dos bastidores da Seleção? O que ganha a Federação com isso. O que ganha a Seleção? Os jogadores sentem-se melhor, mais tranquilos e desempenharão melhor as suas funções perante a presença constante das Câmaras? Que vantagens monetárias existem que o justifique? Quem ganha? Quanto ganha. O que ganha o país ao deixar uma estação de televisão entrar os quartos, nos balneários, no departamento médico a toda a hora?
Mas há outra questão, além da do interesse público da Seleção. É a do interesse público da informação e é a questão da ética e da deontologia jornalística. Estando uma ou mais estações de TV ou outros jornalistas autorizados a circular e a cobrir “em exclusivo” determinados momentos que, à partida, seriam do foro íntimo de um grupo de trabalho, que condições lhe formam impostas? Têm esse jornalistas, que aceitaram com os seus editores e diretores, limitações ao seu trabalho? Estando uma equipa de reportagem dessas num balneários e sentido o Selecionador a necessidade de “dar dois berros” a um jogador, é livre o jornalista de editar as imagens e divulga-las no “telejornal” seguinte? E se Saltilho se repetir? Que tipo de reportagem podemos esperar?
É que se assim não é, estamos perante um princípio de censura assumida e consentida, o que é inaceitável. Ou melhor, deveria ser inaceitável para a estação de TV e para os jornalistas em causa. No mínimo, a estação de TV ou o órgão de informação que se sujeitasse a tal constrangimento de edição, deveria informar o telespetador de tal facto.
Estamos, portanto, perante uma histeria jornalística que não é nova – mas que particularmente desta vez nem sequer corresponde a qualquer histeria pública – e estamos perante atos, ditos “jornalísticos” que não apenas são potencialmente lesivos à Seleção e ao interesse público que a Federação jurou defender, como também potencialmente lesivos do interesse público que, por definição, os jornalistas devem defender.
Era bom que alguém fosse capaz de esclarecer este assunto e nos viesse dizer se estamos perante uma total irresponsabilidade da Federação – Paulo Bento incluído (ver artigo com opinião de Manuel José) – expondo os verdadeiros bastidores de um grupo de trabalho que se quer fechado, ou se estamos perante uma monumental mentira, credibilizada pela capa de um jornalismo barato e que, despudoradamente vai acabando com a réstia de bom nome que a profissão detém.
Um último desabafo: os que tanto se indignam com a “pressão” que um telefonema de um ministro exercerá sobre um jornalista, não se questionam sobre que contratos comerciais ou outros limitam muito mais brutalmente a liberdade de outros colegas? Perdão, “camaradas”?

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Pressões, jornalistas e a indiscrição de Fernanda Câncio...

Há uns anos eu fui muito pressionado pela jornalista Fernanda Câncio. A senhora atacava ferozmente nas redes sociais todos aqueles que – como eu – achavam que as políticas de José Sócrates eram desastrosas e nos poderiam levar à bancarrota. Infelizmente tinha eu mais razão do que Fernanda Câncio, nessa matéria. Mas fui pressionado. Quanto a Fernanda Câncio, também ela se sentiu pressionada. Não por mim, mas sobretudo por aqueles que achavam que a jornalista se deveria abster de trabalhar em determinadas matérias por ser alegadamente a namorada do Primeiro-Ministro. O próprio Primeiro-Ministro terá sido pressionado sobre o assunto. A ERC acabou pressionada por várias queixas sobre o tema e a jornalista acabou pressionada pela ERC, que pareceu concordar com os que pressionavam tanto Câncio como Sócrates. Neste jogo de pressões que é a vida – e mais, que é a vida pública (e a vida pública é também pública para os jornalistas que são eles próprios figuras públicas) –, restou, no final, uma razão a Fernanda Câncio: a vida de cada um é de cada um e, a menos que isso possa interferir com a vida de todos os outros. Sendo isto verdade e tão defendido por Câncio, só não entendo muito bem por que razão foi agora a própria Fernanda Câncio a revelar um aspeto da vida privada de uma jornalista para explicar que esta estava mesmo a ser pressionada por um ministro. A não ser que a afirmação de Câncio já não seja apenas um ato de simples indiscrição pública e violação da privacidade de uma colega e de um ministro, mas antes um ato consertado de relações públicas, procurando antecipar uma explicação que afaste eventuais especulações sobre a matéria ou mesmo a curiosidade investigativa de alguém (quem sabe de outros colegas – “camaradas”, como se diz no jornalismo). A ser isso, estaremos então perante técnicas de comunicação dignas da melhor escola de José Sócrates. E essa escola não é nem em Paris nem tem exames ao domingo: é a escola da guerrilha política e do controlo da comunicação social em que o ex-Primeiro-Ministro foi tão exímio.


«Que ameaça, exatamente, de revelação da vida privada da jornalista é que ele teria feito? Aquilo que me chegou é que se trata de uma referência a uma relação íntima da jornalista, relação essa com alguém que o ministro associa à oposição».


Fernanda Câncio em entrevista a João Maia Abreu, 25.ª Hora, TVI, 23-3-2012 


segunda-feira, 7 de maio de 2012

Vítor Pereira renova com FCP


Queria dar os parabéns ao Vítor Pereira pelo título do FCP. A qual Vítor Pereira? Pode ser aos dois, mas referia-me especificamente ao treinador do Porto, que ontem festejou o título e disse no final estar agora a pensar no jogo com o Rio Ave. Apesar de ser benfiquista, tenho que reconhecer o enorme trabalho do treinador do Porto e preconizar que ele lá continue por muitos anos. O seu trabalho foi notável ao conseguir transformar uma equipa que não ganhou nada no ano anterior, numa equipa ganhadora.
A aposta em Maicon a lateral direito durante meia época foi brilhante. A insistência inicial em Kleber foi decisiva e a contratação de Janko fez a diferença. O Porto dominou a época e ninguém pode hoje duvidar da forma como chegou ao título. Ainda poderíamos colocar em causa o triunfo na Liga caso o FCP tivesse feito uma época fraca a nível internacional. Mas os portistas sempre sustentaram ser a melhor equipa nacional, sem favores das arbitragens, nos seus resultados internacionais. Pois, desta vez, foi igual.
O Porto não apenas ganhou em Portugal como foi um campeão na Liga dos Campeões, onde, mesmo num grupo fraco, mostrou todo o seu valor. Também na Liga Europa (que eu nem sei como o Porto foi lá parar) o Porto foi brilhante, ao eliminar e humilhar com goleada um grande rival inglês. Por cá, além do Campeonato, o Porto limpou tudo. Estou certo que ganhará a Taça de Portugal, onde ultrapassou de forma brilhante a “aflita” Académica com uma goleada e na Taça da Liga deu uma lição ao Benfica.
Não tenhamos dúvidas, Vítor Pereira é o melhor e está de parabéns. A forma como soube colocar dois jogadores na área do Benfica naquele golo decisivo no jogo em que ganhou ao Benfica na Luz, passando para o comando do campeonato, foi brilhante. Quase tão brilhante como soube ontem esmagar o Sporting apesar da injustificada inferioridade numérica.
Arbitragens? Não, o Porto nunca se queixou disso, apesar de ter sido fortemente prejudicado. Já pensaram na quantidade de jogos que o Porto começou o jogo a perder com um penalty? Perdi-lhes a conta. E jogos em que ficaram penaltys por marcar a favor do Porto? Dezenas.
Mesmo nos campos onde não jogava, o Porto tinha azar. Por exemplo, no Sporting-Benfica, que azar teve o Porto quando o árbitro e fiscais de linha não viram um penalty a favor de quem lhe dava mais jeito logo no primeiro minuto.
Poderia continuar aqui a falar das dificuldades enormes que se colocaram a Vítor Pereira durante este ano, provocadas por um plantel barato, arbitragens tendenciosas de penalty fácil a seu desfavor, difícil a seu favor, uma direção fraca e sem influência a nenhum nível e por uma Liga e Federação onde não tem ninguém, nem sequer um seu recente ex-dirigente.
Vítor Pereira foi brilhante e o título conquistado não pode nem ter sido obra do acaso e muito menos da batota. Se assim fosse, o Porto teria sido campeão mas não teria tido todo o sucesso internacional que teve e muito menos teria deixado os adeptos tão satisfeitos com o seu treinador.
Estou certo que todos os adeptos do Porto querem a renovação por mais dez anos de Vítor Pereira e entendem que o Porto fez uma época brilhante. Tenho até a certeza que o Porto nunca irá despedir este treinador. Por mais anos que fique no FCP, pelo que se viu este ano, o Porto será sempre campeão. Como ouvi a um portista dizer há dias: com Vítor Pereira, ou com um roupeiro, é a mesma coisa: o Porto será sempre campeão. Eu concordo… mesmo com tantas coisas a seu desfavor, onde a arbitragem é a mais decisiva de todas.
Claro que se após o jogo do Rio Ave, o Porto despedir o seu treinador, então tudo o que está escrito acima deverá ser lido ao contrário. Ou não?

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Dar com a cabeça na parede... outra vez


Fiquei muito feliz quando vi a Seleção ver-se livre de Carlos Queiroz. Fiquei satisfeito com a prestação a partir daí. Gostei de ver Portugal dar quatro à Espanha e corrigir o trajeto desastroso que levava na qualificação. Simpatizo com Paulo Bento e acho que ele tem feito o seu trabalho devidamente.
Contudo, estou indignado com a renovação do seu contrato. Paulo Bento, que estava no desemprego, aceitou assinar um contrato em situação difícil, mas apenas até ao final desta campanha, que termina após o Europeu. A qualificação era o objetivo e foi cumprido com competência. Isso não lhe deveria dar o direito de, após a qualificação, colocar a questão da sua renovação nos termos em que colocou.
Dizer que toda a equipa vai com mais tranquilidade para a fase final, aproxima-se perigosamente da chantagem que a Federação – muito mal – aceitou pagar. E se Portugal levar 7-0 da Alemanha? E se Portugal perder todos os jogos da qualificação? E se Paulo Bento, à semelhança do que vem acontecendo com outros jogadores, se voltar a incompatibilizar com meia-dúzia deles? Ninguém sabe o que pode acontecer numa fase final, e já vimos acontecerem muitas coisas em fases finais.
Paulo Bento tinha um contrato com a Federação e deveria, confiante na qualidade do seu trabalho, cumpri-lo sem exigências que apenas pode fazer por ter feito o seu trabalho devidamente. Colocar as coisas nos termos em que Paulo Bento colocou não é muito diferente do que fez Mourinho há uns anos no Benfica (de onde foi bem despedido) e do que fez Ricardo Carvalho. No futebol e na vida, não há insubstituíveis e se os há são aqueles que trabalham com altruísmo e colocando o resultado do grupo em primeiro lugar e não deixam esse objetivo ser atropelado ou posto em causa pela sua vidinha.
Como português, que também sustenta isto, penso que já é tempo de não nos fazerem pagar indeminizações milionárias a treinadores de futebol que (com ou sem razão), vão entrando e saindo. Desta vez, como contribuinte e “dono” da Seleção, se algo correr mal e Paulo Bento tiver que sair, gostaria de ver o senhor Fernando Gomes assumir o erro desta despropositada renovação, e pôr-se a andar com ele.

domingo, 29 de abril de 2012

Comissão da Carteira Profissional de Jornalistas, Sindicado dos Jornalistas, Diretores de Informação... o que é isto?

Por razões várias, entre as quais se contam algumas do foro ético, resolvi, há tempos, esquecer um caso de escandalosas violações de quase todo o código deontológico por parte de um jornalista que, na ânsia de fazer negócio fácil em vários campos, envolveu as três estações de televisão nacionais (em particular uma das privadas) numa aventura de inaceitável desrespeito pelos mais elementares direitos e deveres de informação, violando de forma grosseira o dever de pluralismo por razões exclusivamente financeiras.
Hoje, contudo, tenho que dizer qualquer coisa num caso com características semelhantes no qual não tenho qualquer envolvimento profissional, empresarial ou pessoal. Na RTP, canal público, vi uma reportagem sobre ciclismo, onde uma empresa – a PGM – era produtora e onde o jornalista Carlos Raleiras era o repórter.
A PGM tem como cliente o organizador da maioria das provas de ciclismo em Portugal. Carlos Raleiras é jornalista profissional com a carteira 1755, atribuída pela respetiva comissão. Mas, Carlos Raleiras é também sócio da PGM, que é, aliás, uma unipessoal do próprio, dedicando-se à produção de programas para TV e Rádio, sobretudo na área desportiva. À PGM, Carlos Raleiras chama Projectos Globais de Media. E são, de facto, globais...
Carlos Raleiras não é apenas o único sócio da empresa, é também seu próprio funcionário, encarregando-se das propostas comerciais, das negociações com os clientes e da montagem de todo o negócio e operações comerciais e logísticas. Carlos Raleiras assina as propostas comerciais que a sua empresa faz, publicita a sua empresa, assinando a publicidade que lhe faz e negoceia pessoalmente os tempos de exposição mediática que “oferece” aos participantes nas provas de que faz cobertura, em função da “comparticipação” que lhes cobra.
Carlos Raleiras é ainda repórter, pago pela mesma empresa onde é sócio, ao serviço dos seus clientes. A sua PGM, por acordo com os órgãos de comunicação social e no âmbito do contrato que tem com os seus clientes – neste caso, os organizadores das provas de ciclismo em Portugal – entrega depois aos órgãos de comunicação social os programas já montados, onde na ficha técnica aparece como repórter ou jornalista. E onde a sua PGM tem a produção a seu cargo. É frequente trocar os conteúdos que oferece às TV's por "slides" publicitários, que cobra aos seus clientes, depois de ter assegurado ser o único detentor dos direitos televisivos do evento, em acordo comercial com os organizadores da prova.
Este exemplo do que se passa no desporto, repete-se também em áreas económicas, na rádio.
Temos, portanto, à luz do dia, um jornalista, assim identificado, portador de carteira profissional, a agir como jornalista, em proveito comercial da empresa de que é único sócio e dos seus clientes, fazendo reportagem. À luz do dia e nos principais canais de TV e rádio nacionais, envolvendo, além de si, outros jornalistas, profissionais, comentadores e o prestígio (digamos, réstia de decência) que a comunicação social ainda vai tendo.
A pergunta que se impõe é a seguinte: o que será necessário para que a Comissão da Carteira Profissional de Jornalistas, o Conselho Deontológico do Sindicato dos Jornalistas, diretores de informação, diretores de estação e, vamos lá, para que os seus colegas acabem com esta e outras pouca vergonha?

terça-feira, 24 de abril de 2012

E Mário Soares, onde estava no 25 de Abril?

Não está em causa o que Mário Soares já deu ao País e mesmo à liberdade. Mas dizer que assistiu ao 25 de Abril para justificar a sua ausência nas comemorações deste ano, faz-nos recordar que foi um "combatente" pela liberdade com privilégios especiais. Ao 25 de Abril de 1974, Mário Soares assistiu desde Paris, onde vivia uma vida tranquila e confortável, bem longe do que por cá se passava. Soares estará ausente do 25 de Abril de 2012, como esteve no de 1974, portanto.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Liberdade religiosa vs Jornalista faccioso

Não sou religioso, mas sou pela liberdade religiosa. Liberdade religiosa significa não apenas cada um viver livremente os seus rituais religiosos e ser, por isso, respeitado, mas também poder não fazê-lo, se não quiser. Liberdade religiosa é poder exercer a sua religião, mesmo que esta seja minoritária, sem reservas. Vem isto a propósito de em Cuba, Raúl Castro ter permitido pela primeira vez que os cerca de 10% de católicos pudessem comemorar livremente a sexta-feira santa.
Aquilo que é um bom exemplo de abertura democrática e de liberdade religiosa por parte do regime comunista de Cuba foi, contudo, alvo de um comentário lamentável que há pouco ouvi na TSF. Já um dia escrevi que não entendo por que razão os órgãos de informação portugueses entregam a reportagem e o comentário sobre assuntos religiosos (confundindo reportagem e comentário) quase invariavelmente e pessoas ligadas, direta ou indiretamente, à igreja Católica ou mesmo a padres ou ex-padres Católicos. Isso não acontece em mais nenhuma área da vida portuguesa, onde não seria aceitável ter como único repórter de futebol um benfiquista confesso ou um atual dirigente portista, por exemplo. Como não aceitaríamos que um destacado membro do PC fosse o repórter parlamentar da SIC e, sistematicamente, conduzisse o seu trabalho segundo a doutrina comunista.
Mas é o que acontece e estações de TV, jornais e rádios, como a TSF, em relação à religião, onde o mesmo jornalista/comentador/religioso/católico é quase sempre a única fonte da estação e onde se constitui - misturando tudo - repórter/opinador/editor, não se coibindo de oferecer lições de moral católica em antena, sempre que pode.
Manuel Vilas Boas, para nos dizer hoje na TSF que o regime cubano permitiu aos 10% de católicos cubanos comemorar a sexta-feira santa, elogiando Raúl Castro por isso, não resistiu a afirmar qualquer coisa do género: “enquanto em Cuba se permite aos católicos comemorarem a Páscoa, em Portugal os comerciantes da Páscoa desrespeitam o dia”, procurando lançar o odioso sobre os hereges (termos meu) dos comerciantes. Faltou-lhe preconizar que ardessem na fogueira.
Ou seja, para o jornalista da TSF, aliás padre, aliás, comentador, aliás analista, aliás editor, a liberdade é apenas e só quando se exerce a favor da Igreja Católica em regimes comunistas. A liberdade de não comemorar, não existe, em regimes livres, como o nosso. A defesa da liberdade religiosa deste Manuel Vilas Boas não vai, por outro lado, ao ponto de se lembrar das minorias religiosas que existem no seu País e que, apesar da Constituição, continuam a ser ignoradas na prática, por patrões, pelo Estado e, sobretudo, pela Comunicação Social, e nomeadamente pela rádio onde trabalha.

segunda-feira, 19 de março de 2012

CARTAZ APELA À GREVE E... À MORTE!

Apelar por um “governo democrático” no mesmo cartaz em que se advoga a “morte” de alguém é mais ou menos a mesma coisa que pedir o regresso aos tempos bárbaros em que a alternância do poder se fazia à lei da espada ou do tiro. De facto, por mais que tenham passado quase quatro décadas desde que caiu o Estado Novo e já mais de duas sobre a queda do muro de Berlim, há em Portugal quem ainda não tenha aprendido o que é isso da democracia e continue, a coberto dos brandos costumes da Justiça portuguesa, a fazer mais ou menos o que quer. Esta confissão de desejos recalcados da extrema-esquerda, para quem continua em Portugal a residir uma complacência que não existe para a extrema-direita, é reveladora do que um certo setor da sociedade portuguesa grevista pensa dos direitos que a democracia que critica lhe deram: pensa que a greve é, em si, um bem, mais valioso até do que o direito a trabalhar. Só assim se explica que um cartaz que apela à greve não faça qualquer referência aos motivos, nem ao desemprego nem à diminuição do nível de vida da classe média. Com efeito, o espaço estava ocupado por apelos de morte que, a não ser que sejam mesmo genuínos, apenas se podem explicar-se pelo desejo recalcado de boa parte da oposição de ter em Portugal a violência nas ruas que tanto lhe daria razão sobre… sermos iguais à Grécia. No meio de tanta incompetência na elaboração de um cartaz político, sobra, contudo, uma virtude: se como em 1980 cair um avião com um ou mais governantes lá dentro, poderemos nunca vir a saber quem foi o autor do atentado, mas pelo menos desta vez, há uma pista a seguir e uma assinatura política explícita.

domingo, 4 de março de 2012

Pode a SIC ser independente tendo publicidade?

Assisti hoje a uma peça jornalística na SIC que me deixou perplexo. A notícia era mais ou menos esta: “o Congresso dos Magistrados que está a decorrer no Algarve é patrocinador por empresas”. Com isto levantava-se a questão da independência dos magistrados, por estarem a receber dinheiro para a realização do seu congresso de empresas que, um dia, talvez tenham que ser investigadas. A questão é de uma tacanhez quase absurda e levanta-me a mim a questão se os jornalistas da SIC (por exemplo a jornalista que fez a peça) deixam de ser independentes quando fazem reportagens sobre uma empresa que anuncie na SIC. Aliás, tenho eu muito mais razões para colocar esta questão. É que se os magistrados não vivem da publicidade que os patrocinadores uma vez por festa fazem num congresso, já a SIC vive exclusivamente do dinheiro que os mesmos patrocinadores e muitos outros dão à SIC em forma de publicidade. Este caso, que me arrepia a alma, é em tudo idêntico ao que recordo, quando em 1998, no decorrer do III Congresso dos Jornalistas a que assisti, o jornal “O Independente” noticiou em relação aos patrocínios desse mesmo congresso. “O Independente” já não existe e, que eu saiba, os jornalistas não voltaram a reunir-se em congresso. E é pena, pois no que me diz respeito aprendi lá alguns coisas, além de ter assistido à indignação geral dos jornalistas perante a notícia dos seus camaradas do “Independente”.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Toda a verdade sobre o Barcelona - Real Madrid

A verdade sobre o Barcelona – Real Madrid de ontem é que Coentrão foi muito melhor do que Abidal. Pepe melhor do que Piqué; Casillas melhor do que Pinto; Benzema melhor do que Alexis; Sérgio Ramos melhor do que Puyol, Kaka melhor do que Fabregas. E, claro, Cristiano Ronaldo muito melhor do que Messi e José Mourinho muito melhor do que Guardiola. Pode então perguntar-se por que razão o Real Madrid foi eliminado. Mas a explicação é simples, o árbitro espanhol foi ontem pior do que qualquer árbitro português…


PS: alguém diga ao relator da SPORTTV que já chateia um pouco, sempre que Messi toca na bola, repetir “Messi, vindo do nada”. Primeiro, porque não entendo bem o que isso significa e, depois, porque embora seja mais chique gostar de Messi e do Barcelona do que reconhecer que, pelo menos às vezes, Ronaldo e o Real Madrid são melhores, aquilo que se espera de uma TV de desporto nacional não é que tenha os comentários da TV Barcelona ou do Facebook do clube de fãs de Messi. A esperar-se alguma inclinação, seria pela magistral exibição de todos os portugueses (Mourinho incluído) que ontem foram melhores do que Messi e que só não arrumaram o Barcelona porque o árbitro teria pela Cataluna o mesmo tipo de fascínio que os comentadores nacionais. Agora a sério, esta espécie de chauvinismo tuga ao contrário começa a chatear-me.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Quem é o racista?

Há dias um jogador de futebol acusou outro jogador de futebol de ter feito comentários racistas em campo. Não sei se os fez e acho mesmo que nunca saberemos. Se o fez, acho inaceitável. Mas a questão – que não é nova no futebol – levou-me a meditar sobre o assunto e sobre o que é isso do racismo no futebol. Há dois anos, o Atlético de Madrid foi condenado a jogar à porta fechada durante dois ou três jogos por alegadamente a sua claque ter sido racista, contra um adversário. Disseram os juízes da UEFA que quando um jogador negro jogava à bola, a claque gritava “uuuh, uuuh, uuuh) alegadamente imitando um macaco.
Em primeiro lugar, a analogia ao macaco é de mau gosto. De mau gosto para quem a faz, seja da claque do Atlético de Madrid, seja de quem faz essa interpretação. Se ao ouvirmos “uuuh, uuuh” achamos que isso só pode ser dirigido a um negro, então é porque achamos um negro parecido com um macaco e, logo, os racistas somos nós. Em segundo lugar, o Atlético defendia-se dizendo que o que gritava a claque – havendo ou não negros em campo –, era sempre a mesma coisa: “Kum; Kum; Kum”, referindo-se a Kum Aguero, o seu avançado goleador de então, por acaso branco. A UEFA achou, contudo, que aquele som só poderia ser a imitação de um macaco e, logo, dirigido a um negro (dos vários negros que estavam em campo, alguns eram do Atlético de Madrid).
Levanto, por isso, a questão. O que é isso do racismo e que moral tem a UEFA nesta matéria? Estou farto de ouvir nos estádios portugueses chamar “fdp” aos guarda-redes adversários quando estes batem pontapés de baliza. Questiono-me: se o guarda-redes for negro é racismo? E se for branco, não é? E não sendo racismo, é lícito a uma claque insultar um branco mas é proibido ser for preto? Se a claque for de negros e o jogador branco, para a UEFA é racismo? A UEFA preocupa-se e pune o clube se uma claque de negros fizer qualquer gesto ou som que compare um branco a um animal? No caso Alan, o jogador do Braga acusou Xavi Garcia de lhe ter chamado “preto de merda”. E se Xavi Garcia lhe tivesse chamado “avançado de merda”, seria tolerável? E se Alan tivesse chamado ao jogador do Benfica “espanhol de merda”, seria xenofobia? Ter-se-ia levantado a questão? Sendo provadas estas situações, seriam todas punidas?
Sou frontalmente contra o racismo. Mas sou também frontalmente contra quem, a propósito da luta contra o racismo, se transforma no portador de algo ainda mais perigoso do que o racismo, que é o racismo fundamentalista, não apenas contra pretos, amarelos ou vermelhos, mas também contra brancos e contra a diferença. Ignorar a existência de raças não é respeitar as raças. O racismo é, verdadeiramente, o desrespeito pela raça e pelo direito à diferença. Eliminar a diferença (ou iludi-la) é o mais profundo e perigoso dos racismos, seja fisicamente, como procurou fazer Hitler, seja na consciência inquisitória de quem se acha dono da Justiça suprema, como é normalmente o caso da UEFA. A diferença é boa, é bonita e faz bem à nossa espécie e, logo, a todas as raças. É isso que temos que cultivar e não fingir hipocritamente que o preto é branco e que o branco é preto.
Voltando ao início deste texto e ao jogador que acusou outro jogador de comentários racistas, esse mesmo jogador usa um penteado a que a UEFA não se importaria de chamar “étnico”, com berloques na ponta de tranças de cabelo comprido. Pergunto: por que razão o Cristiano Ronaldo não pode levar um brinco para o campo e o Alan pode levar berloques no cabelo, passíveis de atingir jogadores adversários? Proibi-lo, seria racismo?

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

A causa das coisas

Dois jornais desportivos têm hoje o mesmo título: “O Título pelo Canudo”. Não é nem inédito nem sequer pouco frequente. Os títulos, as fotos e sobretudo a notícia dos jornais portugueses (não apenas os desportivos) são frequentemente “clonados”, o que não apenas demonstra alguma falta de imaginação mas, pior, uma preocupante tendência para a “agenda”. A “agenda”, que é aquilo que acontece e já se sabia que ia acontecer – embora nem sempre se sabendo como e qual o desfecho – é muito pouco notícia. Notícia é o que não se esperava que acontecesse. Como escreveu Ted Turner, é quando carregamos no interruptor e a luz não acende. Os jornais portugueses, mas também as TV’s e as rádios passam os dias atrás das luzes que acendem quando se carrega nos interruptores, contam o sucedido da mesma maneira e procuram os mais óbvios ou – pior do que isso – sensacionalistas títulos para dar a ideia de que houve notícia. Os exemplos são demasiados para ter que reproduzir aqui algum. Deixo apenas a reflexão sobre porque razão em Portugal se lê tão pouco a imprensa e se esse facto não resulta, precisamente, do que atrás escrevi.