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sexta-feira, 4 de maio de 2012
Dar com a cabeça na parede... outra vez
Fiquei muito feliz quando vi a Seleção ver-se livre de Carlos Queiroz. Fiquei satisfeito com a prestação a partir daí. Gostei de ver Portugal dar quatro à Espanha e corrigir o trajeto desastroso que levava na qualificação. Simpatizo com Paulo Bento e acho que ele tem feito o seu trabalho devidamente.
Contudo, estou indignado com a renovação do seu contrato. Paulo Bento, que estava no desemprego, aceitou assinar um contrato em situação difícil, mas apenas até ao final desta campanha, que termina após o Europeu. A qualificação era o objetivo e foi cumprido com competência. Isso não lhe deveria dar o direito de, após a qualificação, colocar a questão da sua renovação nos termos em que colocou.
Dizer que toda a equipa vai com mais tranquilidade para a fase final, aproxima-se perigosamente da chantagem que a Federação – muito mal – aceitou pagar. E se Portugal levar 7-0 da Alemanha? E se Portugal perder todos os jogos da qualificação? E se Paulo Bento, à semelhança do que vem acontecendo com outros jogadores, se voltar a incompatibilizar com meia-dúzia deles? Ninguém sabe o que pode acontecer numa fase final, e já vimos acontecerem muitas coisas em fases finais.
Paulo Bento tinha um contrato com a Federação e deveria, confiante na qualidade do seu trabalho, cumpri-lo sem exigências que apenas pode fazer por ter feito o seu trabalho devidamente. Colocar as coisas nos termos em que Paulo Bento colocou não é muito diferente do que fez Mourinho há uns anos no Benfica (de onde foi bem despedido) e do que fez Ricardo Carvalho. No futebol e na vida, não há insubstituíveis e se os há são aqueles que trabalham com altruísmo e colocando o resultado do grupo em primeiro lugar e não deixam esse objetivo ser atropelado ou posto em causa pela sua vidinha.
Como português, que também sustenta isto, penso que já é tempo de não nos fazerem pagar indeminizações milionárias a treinadores de futebol que (com ou sem razão), vão entrando e saindo. Desta vez, como contribuinte e “dono” da Seleção, se algo correr mal e Paulo Bento tiver que sair, gostaria de ver o senhor Fernando Gomes assumir o erro desta despropositada renovação, e pôr-se a andar com ele.
domingo, 29 de abril de 2012
Comissão da Carteira Profissional de Jornalistas, Sindicado dos Jornalistas, Diretores de Informação... o que é isto?
Por razões várias, entre as quais se contam algumas do foro ético, resolvi, há tempos, esquecer um caso de escandalosas violações de quase todo o código deontológico por parte de um jornalista que, na ânsia de fazer negócio fácil em vários campos, envolveu as três estações de televisão nacionais (em particular uma das privadas) numa aventura de inaceitável desrespeito pelos mais elementares direitos e deveres de informação, violando de forma grosseira o dever de pluralismo por razões exclusivamente financeiras.
Hoje, contudo, tenho que dizer qualquer coisa num caso com características semelhantes no qual não tenho qualquer envolvimento profissional, empresarial ou pessoal. Na RTP, canal público, vi uma reportagem sobre ciclismo, onde uma empresa – a PGM – era produtora e onde o jornalista Carlos Raleiras era o repórter.
A PGM tem como cliente o organizador da maioria das provas de ciclismo em Portugal. Carlos Raleiras é jornalista profissional com a carteira 1755, atribuída pela respetiva comissão. Mas, Carlos Raleiras é também sócio da PGM, que é, aliás, uma unipessoal do próprio, dedicando-se à produção de programas para TV e Rádio, sobretudo na área desportiva. À PGM, Carlos Raleiras chama Projectos Globais de Media. E são, de facto, globais...
Carlos Raleiras não é apenas o único sócio da empresa, é também seu próprio funcionário, encarregando-se das propostas comerciais, das negociações com os clientes e da montagem de todo o negócio e operações comerciais e logísticas. Carlos Raleiras assina as propostas comerciais que a sua empresa faz, publicita a sua empresa, assinando a publicidade que lhe faz e negoceia pessoalmente os tempos de exposição mediática que “oferece” aos participantes nas provas de que faz cobertura, em função da “comparticipação” que lhes cobra.
Carlos Raleiras é ainda repórter, pago pela mesma empresa onde é sócio, ao serviço dos seus clientes. A sua PGM, por acordo com os órgãos de comunicação social e no âmbito do contrato que tem com os seus clientes – neste caso, os organizadores das provas de ciclismo em Portugal – entrega depois aos órgãos de comunicação social os programas já montados, onde na ficha técnica aparece como repórter ou jornalista. E onde a sua PGM tem a produção a seu cargo. É frequente trocar os conteúdos que oferece às TV's por "slides" publicitários, que cobra aos seus clientes, depois de ter assegurado ser o único detentor dos direitos televisivos do evento, em acordo comercial com os organizadores da prova.
Este exemplo do que se passa no desporto, repete-se também em áreas económicas, na rádio.
Temos, portanto, à luz do dia, um jornalista, assim identificado, portador de carteira profissional, a agir como jornalista, em proveito comercial da empresa de que é único sócio e dos seus clientes, fazendo reportagem. À luz do dia e nos principais canais de TV e rádio nacionais, envolvendo, além de si, outros jornalistas, profissionais, comentadores e o prestígio (digamos, réstia de decência) que a comunicação social ainda vai tendo.
A pergunta que se impõe é a seguinte: o que será necessário para que a Comissão da Carteira Profissional de Jornalistas, o Conselho Deontológico do Sindicato dos Jornalistas, diretores de informação, diretores de estação e, vamos lá, para que os seus colegas acabem com esta e outras pouca vergonha?
Hoje, contudo, tenho que dizer qualquer coisa num caso com características semelhantes no qual não tenho qualquer envolvimento profissional, empresarial ou pessoal. Na RTP, canal público, vi uma reportagem sobre ciclismo, onde uma empresa – a PGM – era produtora e onde o jornalista Carlos Raleiras era o repórter.
A PGM tem como cliente o organizador da maioria das provas de ciclismo em Portugal. Carlos Raleiras é jornalista profissional com a carteira 1755, atribuída pela respetiva comissão. Mas, Carlos Raleiras é também sócio da PGM, que é, aliás, uma unipessoal do próprio, dedicando-se à produção de programas para TV e Rádio, sobretudo na área desportiva. À PGM, Carlos Raleiras chama Projectos Globais de Media. E são, de facto, globais...
Carlos Raleiras não é apenas o único sócio da empresa, é também seu próprio funcionário, encarregando-se das propostas comerciais, das negociações com os clientes e da montagem de todo o negócio e operações comerciais e logísticas. Carlos Raleiras assina as propostas comerciais que a sua empresa faz, publicita a sua empresa, assinando a publicidade que lhe faz e negoceia pessoalmente os tempos de exposição mediática que “oferece” aos participantes nas provas de que faz cobertura, em função da “comparticipação” que lhes cobra.
Carlos Raleiras é ainda repórter, pago pela mesma empresa onde é sócio, ao serviço dos seus clientes. A sua PGM, por acordo com os órgãos de comunicação social e no âmbito do contrato que tem com os seus clientes – neste caso, os organizadores das provas de ciclismo em Portugal – entrega depois aos órgãos de comunicação social os programas já montados, onde na ficha técnica aparece como repórter ou jornalista. E onde a sua PGM tem a produção a seu cargo. É frequente trocar os conteúdos que oferece às TV's por "slides" publicitários, que cobra aos seus clientes, depois de ter assegurado ser o único detentor dos direitos televisivos do evento, em acordo comercial com os organizadores da prova.
Este exemplo do que se passa no desporto, repete-se também em áreas económicas, na rádio.
Temos, portanto, à luz do dia, um jornalista, assim identificado, portador de carteira profissional, a agir como jornalista, em proveito comercial da empresa de que é único sócio e dos seus clientes, fazendo reportagem. À luz do dia e nos principais canais de TV e rádio nacionais, envolvendo, além de si, outros jornalistas, profissionais, comentadores e o prestígio (digamos, réstia de decência) que a comunicação social ainda vai tendo.
A pergunta que se impõe é a seguinte: o que será necessário para que a Comissão da Carteira Profissional de Jornalistas, o Conselho Deontológico do Sindicato dos Jornalistas, diretores de informação, diretores de estação e, vamos lá, para que os seus colegas acabem com esta e outras pouca vergonha?
terça-feira, 24 de abril de 2012
E Mário Soares, onde estava no 25 de Abril?
Não está em causa o que Mário Soares já deu ao País e mesmo à liberdade. Mas dizer que assistiu ao 25 de Abril para justificar a sua ausência nas comemorações deste ano, faz-nos recordar que foi um "combatente" pela liberdade com privilégios especiais. Ao 25 de Abril de 1974, Mário Soares assistiu desde Paris, onde vivia uma vida tranquila e confortável, bem longe do que por cá se passava. Soares estará ausente do 25 de Abril de 2012, como esteve no de 1974, portanto.
sexta-feira, 6 de abril de 2012
Liberdade religiosa vs Jornalista faccioso
Não sou religioso, mas sou pela liberdade religiosa. Liberdade religiosa significa não apenas cada um viver livremente os seus rituais religiosos e ser, por isso, respeitado, mas também poder não fazê-lo, se não quiser. Liberdade religiosa é poder exercer a sua religião, mesmo que esta seja minoritária, sem reservas. Vem isto a propósito de em Cuba, Raúl Castro ter permitido pela primeira vez que os cerca de 10% de católicos pudessem comemorar livremente a sexta-feira santa.
Aquilo que é um bom exemplo de abertura democrática e de liberdade religiosa por parte do regime comunista de Cuba foi, contudo, alvo de um comentário lamentável que há pouco ouvi na TSF. Já um dia escrevi que não entendo por que razão os órgãos de informação portugueses entregam a reportagem e o comentário sobre assuntos religiosos (confundindo reportagem e comentário) quase invariavelmente e pessoas ligadas, direta ou indiretamente, à igreja Católica ou mesmo a padres ou ex-padres Católicos. Isso não acontece em mais nenhuma área da vida portuguesa, onde não seria aceitável ter como único repórter de futebol um benfiquista confesso ou um atual dirigente portista, por exemplo. Como não aceitaríamos que um destacado membro do PC fosse o repórter parlamentar da SIC e, sistematicamente, conduzisse o seu trabalho segundo a doutrina comunista.
Mas é o que acontece e estações de TV, jornais e rádios, como a TSF, em relação à religião, onde o mesmo jornalista/comentador/religioso/católico é quase sempre a única fonte da estação e onde se constitui - misturando tudo - repórter/opinador/editor, não se coibindo de oferecer lições de moral católica em antena, sempre que pode.
Manuel Vilas Boas, para nos dizer hoje na TSF que o regime cubano permitiu aos 10% de católicos cubanos comemorar a sexta-feira santa, elogiando Raúl Castro por isso, não resistiu a afirmar qualquer coisa do género: “enquanto em Cuba se permite aos católicos comemorarem a Páscoa, em Portugal os comerciantes da Páscoa desrespeitam o dia”, procurando lançar o odioso sobre os hereges (termos meu) dos comerciantes. Faltou-lhe preconizar que ardessem na fogueira.
Ou seja, para o jornalista da TSF, aliás padre, aliás, comentador, aliás analista, aliás editor, a liberdade é apenas e só quando se exerce a favor da Igreja Católica em regimes comunistas. A liberdade de não comemorar, não existe, em regimes livres, como o nosso. A defesa da liberdade religiosa deste Manuel Vilas Boas não vai, por outro lado, ao ponto de se lembrar das minorias religiosas que existem no seu País e que, apesar da Constituição, continuam a ser ignoradas na prática, por patrões, pelo Estado e, sobretudo, pela Comunicação Social, e nomeadamente pela rádio onde trabalha.
Aquilo que é um bom exemplo de abertura democrática e de liberdade religiosa por parte do regime comunista de Cuba foi, contudo, alvo de um comentário lamentável que há pouco ouvi na TSF. Já um dia escrevi que não entendo por que razão os órgãos de informação portugueses entregam a reportagem e o comentário sobre assuntos religiosos (confundindo reportagem e comentário) quase invariavelmente e pessoas ligadas, direta ou indiretamente, à igreja Católica ou mesmo a padres ou ex-padres Católicos. Isso não acontece em mais nenhuma área da vida portuguesa, onde não seria aceitável ter como único repórter de futebol um benfiquista confesso ou um atual dirigente portista, por exemplo. Como não aceitaríamos que um destacado membro do PC fosse o repórter parlamentar da SIC e, sistematicamente, conduzisse o seu trabalho segundo a doutrina comunista.
Mas é o que acontece e estações de TV, jornais e rádios, como a TSF, em relação à religião, onde o mesmo jornalista/comentador/religioso/católico é quase sempre a única fonte da estação e onde se constitui - misturando tudo - repórter/opinador/editor, não se coibindo de oferecer lições de moral católica em antena, sempre que pode.
Manuel Vilas Boas, para nos dizer hoje na TSF que o regime cubano permitiu aos 10% de católicos cubanos comemorar a sexta-feira santa, elogiando Raúl Castro por isso, não resistiu a afirmar qualquer coisa do género: “enquanto em Cuba se permite aos católicos comemorarem a Páscoa, em Portugal os comerciantes da Páscoa desrespeitam o dia”, procurando lançar o odioso sobre os hereges (termos meu) dos comerciantes. Faltou-lhe preconizar que ardessem na fogueira.
Ou seja, para o jornalista da TSF, aliás padre, aliás, comentador, aliás analista, aliás editor, a liberdade é apenas e só quando se exerce a favor da Igreja Católica em regimes comunistas. A liberdade de não comemorar, não existe, em regimes livres, como o nosso. A defesa da liberdade religiosa deste Manuel Vilas Boas não vai, por outro lado, ao ponto de se lembrar das minorias religiosas que existem no seu País e que, apesar da Constituição, continuam a ser ignoradas na prática, por patrões, pelo Estado e, sobretudo, pela Comunicação Social, e nomeadamente pela rádio onde trabalha.
segunda-feira, 19 de março de 2012
CARTAZ APELA À GREVE E... À MORTE!
Apelar por um “governo democrático” no mesmo cartaz em que se advoga a “morte” de alguém é mais ou menos a mesma coisa que pedir o regresso aos tempos bárbaros em que a alternância do poder se fazia à lei da espada ou do tiro. De facto, por mais que tenham passado quase quatro décadas desde que caiu o Estado Novo e já mais de duas sobre a queda do muro de Berlim, há em Portugal quem ainda não tenha aprendido o que é isso da democracia e continue, a coberto dos brandos costumes da Justiça portuguesa, a fazer mais ou menos o que quer. Esta confissão de desejos recalcados da extrema-esquerda, para quem continua em Portugal a residir uma complacência que não existe para a extrema-direita, é reveladora do que um certo setor da sociedade portuguesa grevista pensa dos direitos que a democracia que critica lhe deram: pensa que a greve é, em si, um bem, mais valioso até do que o direito a trabalhar. Só assim se explica que um cartaz que apela à greve não faça qualquer referência aos motivos, nem ao desemprego nem à diminuição do nível de vida da classe média. Com efeito, o espaço estava ocupado por apelos de morte que, a não ser que sejam mesmo genuínos, apenas se podem explicar-se pelo desejo recalcado de boa parte da oposição de ter em Portugal a violência nas ruas que tanto lhe daria razão sobre… sermos iguais à Grécia. No meio de tanta incompetência na elaboração de um cartaz político, sobra, contudo, uma virtude: se como em 1980 cair um avião com um ou mais governantes lá dentro, poderemos nunca vir a saber quem foi o autor do atentado, mas pelo menos desta vez, há uma pista a seguir e uma assinatura política explícita.
domingo, 4 de março de 2012
Pode a SIC ser independente tendo publicidade?
Assisti hoje a uma peça jornalística na SIC que me deixou perplexo. A notícia era mais ou menos esta: “o Congresso dos Magistrados que está a decorrer no Algarve é patrocinador por empresas”. Com isto levantava-se a questão da independência dos magistrados, por estarem a receber dinheiro para a realização do seu congresso de empresas que, um dia, talvez tenham que ser investigadas. A questão é de uma tacanhez quase absurda e levanta-me a mim a questão se os jornalistas da SIC (por exemplo a jornalista que fez a peça) deixam de ser independentes quando fazem reportagens sobre uma empresa que anuncie na SIC. Aliás, tenho eu muito mais razões para colocar esta questão. É que se os magistrados não vivem da publicidade que os patrocinadores uma vez por festa fazem num congresso, já a SIC vive exclusivamente do dinheiro que os mesmos patrocinadores e muitos outros dão à SIC em forma de publicidade. Este caso, que me arrepia a alma, é em tudo idêntico ao que recordo, quando em 1998, no decorrer do III Congresso dos Jornalistas a que assisti, o jornal “O Independente” noticiou em relação aos patrocínios desse mesmo congresso. “O Independente” já não existe e, que eu saiba, os jornalistas não voltaram a reunir-se em congresso. E é pena, pois no que me diz respeito aprendi lá alguns coisas, além de ter assistido à indignação geral dos jornalistas perante a notícia dos seus camaradas do “Independente”.
quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
Toda a verdade sobre o Barcelona - Real Madrid
A verdade sobre o Barcelona – Real Madrid de ontem é que Coentrão foi muito melhor do que Abidal. Pepe melhor do que Piqué; Casillas melhor do que Pinto; Benzema melhor do que Alexis; Sérgio Ramos melhor do que Puyol, Kaka melhor do que Fabregas. E, claro, Cristiano Ronaldo muito melhor do que Messi e José Mourinho muito melhor do que Guardiola. Pode então perguntar-se por que razão o Real Madrid foi eliminado. Mas a explicação é simples, o árbitro espanhol foi ontem pior do que qualquer árbitro português…
PS: alguém diga ao relator da SPORTTV que já chateia um pouco, sempre que Messi toca na bola, repetir “Messi, vindo do nada”. Primeiro, porque não entendo bem o que isso significa e, depois, porque embora seja mais chique gostar de Messi e do Barcelona do que reconhecer que, pelo menos às vezes, Ronaldo e o Real Madrid são melhores, aquilo que se espera de uma TV de desporto nacional não é que tenha os comentários da TV Barcelona ou do Facebook do clube de fãs de Messi. A esperar-se alguma inclinação, seria pela magistral exibição de todos os portugueses (Mourinho incluído) que ontem foram melhores do que Messi e que só não arrumaram o Barcelona porque o árbitro teria pela Cataluna o mesmo tipo de fascínio que os comentadores nacionais. Agora a sério, esta espécie de chauvinismo tuga ao contrário começa a chatear-me.
PS: alguém diga ao relator da SPORTTV que já chateia um pouco, sempre que Messi toca na bola, repetir “Messi, vindo do nada”. Primeiro, porque não entendo bem o que isso significa e, depois, porque embora seja mais chique gostar de Messi e do Barcelona do que reconhecer que, pelo menos às vezes, Ronaldo e o Real Madrid são melhores, aquilo que se espera de uma TV de desporto nacional não é que tenha os comentários da TV Barcelona ou do Facebook do clube de fãs de Messi. A esperar-se alguma inclinação, seria pela magistral exibição de todos os portugueses (Mourinho incluído) que ontem foram melhores do que Messi e que só não arrumaram o Barcelona porque o árbitro teria pela Cataluna o mesmo tipo de fascínio que os comentadores nacionais. Agora a sério, esta espécie de chauvinismo tuga ao contrário começa a chatear-me.
terça-feira, 24 de janeiro de 2012
Quem é o racista?
Há dias um jogador de futebol acusou outro jogador de futebol de ter feito comentários racistas em campo. Não sei se os fez e acho mesmo que nunca saberemos. Se o fez, acho inaceitável. Mas a questão – que não é nova no futebol – levou-me a meditar sobre o assunto e sobre o que é isso do racismo no futebol. Há dois anos, o Atlético de Madrid foi condenado a jogar à porta fechada durante dois ou três jogos por alegadamente a sua claque ter sido racista, contra um adversário. Disseram os juízes da UEFA que quando um jogador negro jogava à bola, a claque gritava “uuuh, uuuh, uuuh) alegadamente imitando um macaco.
Em primeiro lugar, a analogia ao macaco é de mau gosto. De mau gosto para quem a faz, seja da claque do Atlético de Madrid, seja de quem faz essa interpretação. Se ao ouvirmos “uuuh, uuuh” achamos que isso só pode ser dirigido a um negro, então é porque achamos um negro parecido com um macaco e, logo, os racistas somos nós. Em segundo lugar, o Atlético defendia-se dizendo que o que gritava a claque – havendo ou não negros em campo –, era sempre a mesma coisa: “Kum; Kum; Kum”, referindo-se a Kum Aguero, o seu avançado goleador de então, por acaso branco. A UEFA achou, contudo, que aquele som só poderia ser a imitação de um macaco e, logo, dirigido a um negro (dos vários negros que estavam em campo, alguns eram do Atlético de Madrid).
Levanto, por isso, a questão. O que é isso do racismo e que moral tem a UEFA nesta matéria? Estou farto de ouvir nos estádios portugueses chamar “fdp” aos guarda-redes adversários quando estes batem pontapés de baliza. Questiono-me: se o guarda-redes for negro é racismo? E se for branco, não é? E não sendo racismo, é lícito a uma claque insultar um branco mas é proibido ser for preto? Se a claque for de negros e o jogador branco, para a UEFA é racismo? A UEFA preocupa-se e pune o clube se uma claque de negros fizer qualquer gesto ou som que compare um branco a um animal? No caso Alan, o jogador do Braga acusou Xavi Garcia de lhe ter chamado “preto de merda”. E se Xavi Garcia lhe tivesse chamado “avançado de merda”, seria tolerável? E se Alan tivesse chamado ao jogador do Benfica “espanhol de merda”, seria xenofobia? Ter-se-ia levantado a questão? Sendo provadas estas situações, seriam todas punidas?
Sou frontalmente contra o racismo. Mas sou também frontalmente contra quem, a propósito da luta contra o racismo, se transforma no portador de algo ainda mais perigoso do que o racismo, que é o racismo fundamentalista, não apenas contra pretos, amarelos ou vermelhos, mas também contra brancos e contra a diferença. Ignorar a existência de raças não é respeitar as raças. O racismo é, verdadeiramente, o desrespeito pela raça e pelo direito à diferença. Eliminar a diferença (ou iludi-la) é o mais profundo e perigoso dos racismos, seja fisicamente, como procurou fazer Hitler, seja na consciência inquisitória de quem se acha dono da Justiça suprema, como é normalmente o caso da UEFA. A diferença é boa, é bonita e faz bem à nossa espécie e, logo, a todas as raças. É isso que temos que cultivar e não fingir hipocritamente que o preto é branco e que o branco é preto.
Voltando ao início deste texto e ao jogador que acusou outro jogador de comentários racistas, esse mesmo jogador usa um penteado a que a UEFA não se importaria de chamar “étnico”, com berloques na ponta de tranças de cabelo comprido. Pergunto: por que razão o Cristiano Ronaldo não pode levar um brinco para o campo e o Alan pode levar berloques no cabelo, passíveis de atingir jogadores adversários? Proibi-lo, seria racismo?
Em primeiro lugar, a analogia ao macaco é de mau gosto. De mau gosto para quem a faz, seja da claque do Atlético de Madrid, seja de quem faz essa interpretação. Se ao ouvirmos “uuuh, uuuh” achamos que isso só pode ser dirigido a um negro, então é porque achamos um negro parecido com um macaco e, logo, os racistas somos nós. Em segundo lugar, o Atlético defendia-se dizendo que o que gritava a claque – havendo ou não negros em campo –, era sempre a mesma coisa: “Kum; Kum; Kum”, referindo-se a Kum Aguero, o seu avançado goleador de então, por acaso branco. A UEFA achou, contudo, que aquele som só poderia ser a imitação de um macaco e, logo, dirigido a um negro (dos vários negros que estavam em campo, alguns eram do Atlético de Madrid).
Levanto, por isso, a questão. O que é isso do racismo e que moral tem a UEFA nesta matéria? Estou farto de ouvir nos estádios portugueses chamar “fdp” aos guarda-redes adversários quando estes batem pontapés de baliza. Questiono-me: se o guarda-redes for negro é racismo? E se for branco, não é? E não sendo racismo, é lícito a uma claque insultar um branco mas é proibido ser for preto? Se a claque for de negros e o jogador branco, para a UEFA é racismo? A UEFA preocupa-se e pune o clube se uma claque de negros fizer qualquer gesto ou som que compare um branco a um animal? No caso Alan, o jogador do Braga acusou Xavi Garcia de lhe ter chamado “preto de merda”. E se Xavi Garcia lhe tivesse chamado “avançado de merda”, seria tolerável? E se Alan tivesse chamado ao jogador do Benfica “espanhol de merda”, seria xenofobia? Ter-se-ia levantado a questão? Sendo provadas estas situações, seriam todas punidas?
Sou frontalmente contra o racismo. Mas sou também frontalmente contra quem, a propósito da luta contra o racismo, se transforma no portador de algo ainda mais perigoso do que o racismo, que é o racismo fundamentalista, não apenas contra pretos, amarelos ou vermelhos, mas também contra brancos e contra a diferença. Ignorar a existência de raças não é respeitar as raças. O racismo é, verdadeiramente, o desrespeito pela raça e pelo direito à diferença. Eliminar a diferença (ou iludi-la) é o mais profundo e perigoso dos racismos, seja fisicamente, como procurou fazer Hitler, seja na consciência inquisitória de quem se acha dono da Justiça suprema, como é normalmente o caso da UEFA. A diferença é boa, é bonita e faz bem à nossa espécie e, logo, a todas as raças. É isso que temos que cultivar e não fingir hipocritamente que o preto é branco e que o branco é preto.
Voltando ao início deste texto e ao jogador que acusou outro jogador de comentários racistas, esse mesmo jogador usa um penteado a que a UEFA não se importaria de chamar “étnico”, com berloques na ponta de tranças de cabelo comprido. Pergunto: por que razão o Cristiano Ronaldo não pode levar um brinco para o campo e o Alan pode levar berloques no cabelo, passíveis de atingir jogadores adversários? Proibi-lo, seria racismo?
segunda-feira, 16 de janeiro de 2012
A causa das coisas
Dois jornais desportivos têm hoje o mesmo título: “O Título pelo
Canudo”. Não é nem inédito nem sequer pouco frequente. Os títulos, as
fotos e sobretudo a notícia dos jornais portugueses (não apenas os
desportivos) são frequentemente “clonados”, o que não apenas demonstra
alguma falta de imaginação mas, pior, uma preocupante tendência para a
“agenda”. A “agenda”, que é aquilo que acontece e já se sabia que ia
acontecer – embora nem sempre se sabendo como e qual o desfecho – é
muito pouco notícia. Notícia é o que não se esperava que acontecesse.
Como escreveu Ted Turner, é quando carregamos no interruptor e a luz não
acende. Os jornais portugueses, mas também as TV’s e as rádios passam
os dias atrás das luzes que acendem quando se carrega nos interruptores,
contam o sucedido da mesma maneira e procuram os mais óbvios ou – pior
do que isso – sensacionalistas títulos para dar a ideia de que houve
notícia. Os exemplos são demasiados para ter que reproduzir aqui algum.
Deixo apenas a reflexão sobre porque razão em Portugal se lê tão pouco a
imprensa e se esse facto não resulta, precisamente, do que atrás
escrevi.
segunda-feira, 2 de janeiro de 2012
Magistratura ativa vs Magistratura passiva
Não compreendo como alguns conseguem passar quatro horas a comentar uma
comunicação com a duração de quatro minutos. Tanto mais quando a única
coisa que há a perguntar sobre a comunicação do Presidente da República é
por que razão o próprio decidiu que
este seu segundo mandato seria uma “magistratura ativa”. Depreende-se,
pois, que o primeiro (quando quase todos os males aconteceram) foi de
“magistratura passiva”. Mas se o anterior mandato foi de desvario, com
“o país a viver acima das suas possibilidades”, então só se pode
perceber as diferenças de atividade entre as “magistraturas” do primeiro
e do segundo mandato do senhor Presidente se pensamos nelas não no
quadro do interesse do país mas sim no quadro do interesse eleitoral do
próprio. A pergunta que se coloca é, pois, se Portugal, além de ter maus
Governos, aguenta ter Presidentes da República que gerem a sua
“atividade” e o seu nível de intervenção política em função de estarem
no primeiro ou no segundo (e último mandato). É que se assim é – e
partindo do princípio que um Presidente ativo é melhor do que um passivo
– então mais valeria acabar com a possibilidade de se recandidatarem.
Estaríamos, pois, sempre no último mandato, sempre ativos, portanto.
Sempre felizes, com um bom presidente e escusávamos de passar por
mandatos tão maus como o primeiro mandato de Cavaco Silva, que assistiu
passivamente à delapidação do país por um Governo que se sabia ser
irresponsável.
segunda-feira, 26 de dezembro de 2011
CTT gozou hoje feriado inexistente
Uma boa parte dos portugueses continua a não perceber bem onde nos meteram. Os CTT, apesar de não ser feriado e não ter sido decretada tolerância de ponto pelo Governo, tinha hoje as suas estações de correio encerradas. É preciso lembrar que há serviços públicos que são apenas prestados pelos CTT e que o dia, sendo um normal dia útil, conta para que se cumpram prazos legais de levantamento e resposta de correio registado, com todas as consequências legais que isso possa ter em concursos ou, por exemplo, em processos judiciais. Sem explicação, as estações estavam encerradas. Gostaria de saber se os funcionários dos CTT receberam o dia graciosamente ou se, em desobediência civil, a administração da empresa lhes concedeu um dia de tolerância de ponto. Seja como for, é inaceitável, quer pelo prejuízo que isso causa à produtividade do país, quer pelo péssimo sinal que é transmitido acerca da forma como certas almas estão a encarar o esforço que está a ser pedido a todos. Dá até ideia que há quem acha que ficar sem dois dos 14 ordenados num ano é pouco e que esteja determinada em fazer com que dos 12 que ainda estão previstos, lhes retirem mais dois no próximo ano. Por mim, era começar já pelo vencimento dos administradores dos CTT que permitiram este feriadinho para a malta dos correios. Por mim, poderiam ir corridos a zero para casa. A zero digo, sem direito a indemnização ou a tacho ali no instituto do lado.
quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
O "Titanique" do ano
Esta semana impressionou-me a notícia da “restruturação” de
um grande grupo hoteleiro português. Basicamente a notícia era que a banca
estava a assumir os ativos do grupo por dívidas que ascendiam a 800 milhões de
euros. Mais de 400 postos de trabalho em causa. Não sei se a notícia era exata
ou não. E se os valores são mesmo estes. 800 milhões é aquilo que vai render o
corte nos subsídios de Natal dos portugueses este ano. Fazendo uma busca no Google,
é impressionante a sucessão de notícias sobre o senhor que lidera esse grupo.
Desde “empresário do ano”, ao facto de ter aberto três hotéis num só mês, até
às previsões de maravilhoso desempenho do seu grupo empresarial que, em
meia-dúzia de anos, se tornou conhecido e enorme. Veio-me ainda à rede uma
entrevista onde o senhor se mostra de helicóptero, como meio de transporte
usual. Todas estas notícias são de 2011. As do fabuloso sucesso e fantásticas
previsões, às da ameaça de falência! Não fico, ainda assim, espantado com as
razões da situação do seu grupo empresarial. Infelizmente, a essa ou a menor
dimensão, vou conhecendo gente a viver no mesmo registo. O que realmente me
espanta é que a banca lhe tenha emprestado 800 milhões de euros e que os –
certamente muito conhecedores – jurados de concursos nacionais e alguns
jornalistas especializados vivam bem com as suas decisões, escolhas e análises.
Com 800 milhões para estragar, qualquer um é empresário e constrói impérios e
qualquer um goza do efémero sucesso. É, por isso, preocupante que em Portugal
ainda ande por aí a reinar uma geração de empresários cujo único mérito foi
saber pedir empréstimos e uma geração de banqueiros e analistas que, no fundo,
merecem mesmo é ir ao fundo com quem ajudaram artificialmente a ter “sucesso”…
chamemos-lhe assim.
sexta-feira, 9 de dezembro de 2011
Crise Política
É pá!!! Nem no Sim City... consigo ganhar.
Jornalistas de Sofá
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segunda-feira, 28 de novembro de 2011
A picada de Vespa!
A pedrada que hoje atingiu Mota Soares é directamente proporcional ao efeito de simpatia que gerou o propagandismo da Vespa.
Jornalistas de Sofá
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quarta-feira, 23 de novembro de 2011
Equidade
Por ano pago mais por um seguro de saúde que cubra parte das minhas despesas de saúde e as dos meus filhos do que recebo de subsídio de Natal. Os benefícios que tenho são semelhantes aos que os funcionários públicos têm. Quando falam de equidade porque propositadamente alguns se esquecem da ADSE? E porque razão, eu que não tenho ADSE deixo de poder abater no IRS grande parte das despesas de saúde? Equidade é tratar diferentemente o que é diferente.
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