quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Toda a verdade sobre o Barcelona - Real Madrid

A verdade sobre o Barcelona – Real Madrid de ontem é que Coentrão foi muito melhor do que Abidal. Pepe melhor do que Piqué; Casillas melhor do que Pinto; Benzema melhor do que Alexis; Sérgio Ramos melhor do que Puyol, Kaka melhor do que Fabregas. E, claro, Cristiano Ronaldo muito melhor do que Messi e José Mourinho muito melhor do que Guardiola. Pode então perguntar-se por que razão o Real Madrid foi eliminado. Mas a explicação é simples, o árbitro espanhol foi ontem pior do que qualquer árbitro português…


PS: alguém diga ao relator da SPORTTV que já chateia um pouco, sempre que Messi toca na bola, repetir “Messi, vindo do nada”. Primeiro, porque não entendo bem o que isso significa e, depois, porque embora seja mais chique gostar de Messi e do Barcelona do que reconhecer que, pelo menos às vezes, Ronaldo e o Real Madrid são melhores, aquilo que se espera de uma TV de desporto nacional não é que tenha os comentários da TV Barcelona ou do Facebook do clube de fãs de Messi. A esperar-se alguma inclinação, seria pela magistral exibição de todos os portugueses (Mourinho incluído) que ontem foram melhores do que Messi e que só não arrumaram o Barcelona porque o árbitro teria pela Cataluna o mesmo tipo de fascínio que os comentadores nacionais. Agora a sério, esta espécie de chauvinismo tuga ao contrário começa a chatear-me.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Quem é o racista?

Há dias um jogador de futebol acusou outro jogador de futebol de ter feito comentários racistas em campo. Não sei se os fez e acho mesmo que nunca saberemos. Se o fez, acho inaceitável. Mas a questão – que não é nova no futebol – levou-me a meditar sobre o assunto e sobre o que é isso do racismo no futebol. Há dois anos, o Atlético de Madrid foi condenado a jogar à porta fechada durante dois ou três jogos por alegadamente a sua claque ter sido racista, contra um adversário. Disseram os juízes da UEFA que quando um jogador negro jogava à bola, a claque gritava “uuuh, uuuh, uuuh) alegadamente imitando um macaco.
Em primeiro lugar, a analogia ao macaco é de mau gosto. De mau gosto para quem a faz, seja da claque do Atlético de Madrid, seja de quem faz essa interpretação. Se ao ouvirmos “uuuh, uuuh” achamos que isso só pode ser dirigido a um negro, então é porque achamos um negro parecido com um macaco e, logo, os racistas somos nós. Em segundo lugar, o Atlético defendia-se dizendo que o que gritava a claque – havendo ou não negros em campo –, era sempre a mesma coisa: “Kum; Kum; Kum”, referindo-se a Kum Aguero, o seu avançado goleador de então, por acaso branco. A UEFA achou, contudo, que aquele som só poderia ser a imitação de um macaco e, logo, dirigido a um negro (dos vários negros que estavam em campo, alguns eram do Atlético de Madrid).
Levanto, por isso, a questão. O que é isso do racismo e que moral tem a UEFA nesta matéria? Estou farto de ouvir nos estádios portugueses chamar “fdp” aos guarda-redes adversários quando estes batem pontapés de baliza. Questiono-me: se o guarda-redes for negro é racismo? E se for branco, não é? E não sendo racismo, é lícito a uma claque insultar um branco mas é proibido ser for preto? Se a claque for de negros e o jogador branco, para a UEFA é racismo? A UEFA preocupa-se e pune o clube se uma claque de negros fizer qualquer gesto ou som que compare um branco a um animal? No caso Alan, o jogador do Braga acusou Xavi Garcia de lhe ter chamado “preto de merda”. E se Xavi Garcia lhe tivesse chamado “avançado de merda”, seria tolerável? E se Alan tivesse chamado ao jogador do Benfica “espanhol de merda”, seria xenofobia? Ter-se-ia levantado a questão? Sendo provadas estas situações, seriam todas punidas?
Sou frontalmente contra o racismo. Mas sou também frontalmente contra quem, a propósito da luta contra o racismo, se transforma no portador de algo ainda mais perigoso do que o racismo, que é o racismo fundamentalista, não apenas contra pretos, amarelos ou vermelhos, mas também contra brancos e contra a diferença. Ignorar a existência de raças não é respeitar as raças. O racismo é, verdadeiramente, o desrespeito pela raça e pelo direito à diferença. Eliminar a diferença (ou iludi-la) é o mais profundo e perigoso dos racismos, seja fisicamente, como procurou fazer Hitler, seja na consciência inquisitória de quem se acha dono da Justiça suprema, como é normalmente o caso da UEFA. A diferença é boa, é bonita e faz bem à nossa espécie e, logo, a todas as raças. É isso que temos que cultivar e não fingir hipocritamente que o preto é branco e que o branco é preto.
Voltando ao início deste texto e ao jogador que acusou outro jogador de comentários racistas, esse mesmo jogador usa um penteado a que a UEFA não se importaria de chamar “étnico”, com berloques na ponta de tranças de cabelo comprido. Pergunto: por que razão o Cristiano Ronaldo não pode levar um brinco para o campo e o Alan pode levar berloques no cabelo, passíveis de atingir jogadores adversários? Proibi-lo, seria racismo?

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

A causa das coisas

Dois jornais desportivos têm hoje o mesmo título: “O Título pelo Canudo”. Não é nem inédito nem sequer pouco frequente. Os títulos, as fotos e sobretudo a notícia dos jornais portugueses (não apenas os desportivos) são frequentemente “clonados”, o que não apenas demonstra alguma falta de imaginação mas, pior, uma preocupante tendência para a “agenda”. A “agenda”, que é aquilo que acontece e já se sabia que ia acontecer – embora nem sempre se sabendo como e qual o desfecho – é muito pouco notícia. Notícia é o que não se esperava que acontecesse. Como escreveu Ted Turner, é quando carregamos no interruptor e a luz não acende. Os jornais portugueses, mas também as TV’s e as rádios passam os dias atrás das luzes que acendem quando se carrega nos interruptores, contam o sucedido da mesma maneira e procuram os mais óbvios ou – pior do que isso – sensacionalistas títulos para dar a ideia de que houve notícia. Os exemplos são demasiados para ter que reproduzir aqui algum. Deixo apenas a reflexão sobre porque razão em Portugal se lê tão pouco a imprensa e se esse facto não resulta, precisamente, do que atrás escrevi.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Magistratura ativa vs Magistratura passiva

Não compreendo como alguns conseguem passar quatro horas a comentar uma comunicação com a duração de quatro minutos. Tanto mais quando a única coisa que há a perguntar sobre a comunicação do Presidente da República é por que razão o próprio decidiu que este seu segundo mandato seria uma “magistratura ativa”. Depreende-se, pois, que o primeiro (quando quase todos os males aconteceram) foi de “magistratura passiva”. Mas se o anterior mandato foi de desvario, com “o país a viver acima das suas possibilidades”, então só se pode perceber as diferenças de atividade entre as “magistraturas” do primeiro e do segundo mandato do senhor Presidente se pensamos nelas não no quadro do interesse do país mas sim no quadro do interesse eleitoral do próprio. A pergunta que se coloca é, pois, se Portugal, além de ter maus Governos, aguenta ter Presidentes da República que gerem a sua “atividade” e o seu nível de intervenção política em função de estarem no primeiro ou no segundo (e último mandato). É que se assim é – e partindo do princípio que um Presidente ativo é melhor do que um passivo – então mais valeria acabar com a possibilidade de se recandidatarem. Estaríamos, pois, sempre no último mandato, sempre ativos, portanto. Sempre felizes, com um bom presidente e escusávamos de passar por mandatos tão maus como o primeiro mandato de Cavaco Silva, que assistiu passivamente à delapidação do país por um Governo que se sabia ser irresponsável.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

CTT gozou hoje feriado inexistente

Uma boa parte dos portugueses continua a não perceber bem onde nos meteram. Os CTT, apesar de não ser feriado e não ter sido decretada tolerância de ponto pelo Governo, tinha hoje as suas estações de correio encerradas. É preciso lembrar que há serviços públicos que são apenas prestados pelos CTT e que o dia, sendo um normal dia útil, conta para que se cumpram prazos legais de levantamento e resposta de correio registado, com todas as consequências legais que isso possa ter em concursos ou, por exemplo, em processos judiciais. Sem explicação, as estações estavam encerradas. Gostaria de saber se os funcionários dos CTT receberam o dia graciosamente ou se, em desobediência civil, a administração da empresa lhes concedeu um dia de tolerância de ponto. Seja como for, é inaceitável, quer pelo prejuízo que isso causa à produtividade do país, quer pelo péssimo sinal que é transmitido acerca da forma como certas almas estão a encarar o esforço que está a ser pedido a todos. Dá até ideia que há quem acha que ficar sem dois dos 14 ordenados num ano é pouco e que esteja determinada em fazer com que dos 12 que ainda estão previstos, lhes retirem mais dois no próximo ano. Por mim, era começar já pelo vencimento dos administradores dos CTT que permitiram este feriadinho para a malta dos correios. Por mim, poderiam ir corridos a zero para casa. A zero digo, sem direito a indemnização ou a tacho ali no instituto do lado.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

O "Titanique" do ano


Esta semana impressionou-me a notícia da “restruturação” de um grande grupo hoteleiro português. Basicamente a notícia era que a banca estava a assumir os ativos do grupo por dívidas que ascendiam a 800 milhões de euros. Mais de 400 postos de trabalho em causa. Não sei se a notícia era exata ou não. E se os valores são mesmo estes. 800 milhões é aquilo que vai render o corte nos subsídios de Natal dos portugueses este ano. Fazendo uma busca no Google, é impressionante a sucessão de notícias sobre o senhor que lidera esse grupo. Desde “empresário do ano”, ao facto de ter aberto três hotéis num só mês, até às previsões de maravilhoso desempenho do seu grupo empresarial que, em meia-dúzia de anos, se tornou conhecido e enorme. Veio-me ainda à rede uma entrevista onde o senhor se mostra de helicóptero, como meio de transporte usual. Todas estas notícias são de 2011. As do fabuloso sucesso e fantásticas previsões, às da ameaça de falência! Não fico, ainda assim, espantado com as razões da situação do seu grupo empresarial. Infelizmente, a essa ou a menor dimensão, vou conhecendo gente a viver no mesmo registo. O que realmente me espanta é que a banca lhe tenha emprestado 800 milhões de euros e que os – certamente muito conhecedores – jurados de concursos nacionais e alguns jornalistas especializados vivam bem com as suas decisões, escolhas e análises. Com 800 milhões para estragar, qualquer um é empresário e constrói impérios e qualquer um goza do efémero sucesso. É, por isso, preocupante que em Portugal ainda ande por aí a reinar uma geração de empresários cujo único mérito foi saber pedir empréstimos e uma geração de banqueiros e analistas que, no fundo, merecem mesmo é ir ao fundo com quem ajudaram artificialmente a ter “sucesso”… chamemos-lhe assim.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

A picada de Vespa!





A pedrada que hoje atingiu Mota Soares é directamente proporcional ao efeito de simpatia que gerou o propagandismo da Vespa.



Jornalistas de Sofá
http://www.facebook.com/jornalistasdesofa

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Equidade

Por ano pago mais por um seguro de saúde que cubra parte das minhas despesas de saúde e as dos meus filhos do que recebo de subsídio de Natal. Os benefícios que tenho são semelhantes aos que os funcionários públicos têm. Quando falam de equidade porque propositadamente alguns se esquecem da ADSE? E porque razão, eu que não tenho ADSE deixo de poder abater no IRS grande parte das despesas de saúde? Equidade é tratar diferentemente o que é diferente.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

ERC dá puxão de orelhas ao JN pelo caso do "Moranguito"

Não vou repetir aqui o título que o JN vê agora criticado pela ERC, na sequência de um acidente que vitimou um artista. Vou apenas transcrever parte da decisão do regulador: "parece inevitável a associação do estado do falecido a um corpo desmembrado, mutilado de partes vitais. A relação, na mesma frase, de uma peça de vestuário, imagem de marca do artista, com os órgãos doados reifica o corpo, colocando-o ao nível do objecto". Ainda bem que a ERC é senhora educadora moderada e apenas "instou o JN a cumprir...". Olha se era daquelas professoras de reguada!


sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Vara e Sócrates falavam por telefone secreto




A quatro dias do início do julgamento do processo Face Oculta, o CM revela a existência de um telefone secreto usado por Vara e Sócrates.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Eles falam, falam mas não os vejo a fazer nada.


Eles falam, falam mas não os vejo a fazer nada. Fico chateado, concerteza que fico chateado!



O líder parlamentar do PS disse hoje que é "lamentável" que tenha sido necessário o Conselho de Estado alertar o Governo para proceder a um diálogo construtivo, adiantando que a mensagem deixada por aquele órgão foi "oportuna e adequada".  


Jornalistas de Sofá


terça-feira, 25 de outubro de 2011

A Europa poderá viver a sua falência do Lehman Brothers.



A Europa poderá viver a sua falência do Lehman Brothers.
Os pormenores ainda não são conhecidos mas basicamente a ideia é que os bancos europeus passem a reconhecer a dívida dos vários Estados nas suas contas ao valor de mercado. Com a crise, esses títulos de dívida estão altamente desvalorizados. Assim, na prática, os bancos vão sofrer um impacto semelhante ao da falência dos países, quando estes só pagam parte do que devem aos credores. Este é o perigo da medida - pode-se vestir a roupagem que se quiser mas o sinal que se está a enviar para os mercados é que os Estados deixam de ter capacidade para pagar as suas dívidas na totalidade. Quando pensamos que até há poucos meses a dívida soberana era a única 100% segura, percebe-se o potencial devastador desta solução. Os investidores nunca mais vão confiar na dívida pública, o que provocará uma subida dos juros que os Estados vão ter de oferecer. Além do mais, é injusta. Tirando o caso da Grécia, não é sério pensar hoje que este cenário faz sentido para qualquer outro país da zona euro. Mas todos vão sofrer.




sábado, 22 de outubro de 2011

A meia hora de trabalho no setor privado ou a minha aventura numa caixa do Continente

Cá em casa estou encarregue das compras de supermercado. Deixei há uns tempos de ir ao Jumbo, não apenas pela sensação de que pagava mais pelo mesmo, como o atendimento ao cliente era bem pior. Um dia, cheguei a uma caixa do Jumbo, após longa espera, onde havia um dístico: “para sua comodidade nesta caixa não se faz ensacamento dos artigos”. Aquele “para sua comodidade” soou a insulto à minha capacidade intelectual e nunca mais lá fui.
Já o Continente parecia estar num esforço de qualidade e atendimento, nomeadamente também nas caixas, onde a espera é menor e parece haver uma política de atendimento ao cliente muito mais consistente. Isso corresponde ao que ouvi há uns anos da boca do Eng. Belmiro de Azevedo, que numa conferência do PSD disse, contextualizado, que para se estar numa caixa de supermercado pouco mais era necessário do que ter simpatia e respeito pelo cliente.
Contudo, hoje, quando fui fazer umas compras, mal cheguei à caixa, a menina dirigiu-se-me avisando: “não sei se está informado, mas a partir de agora é o cliente que ensaca as compras”. Não é que o assunto me tire o sono e, de facto, a forma como fui informado, pelo menos, não insultou a minha inteligência, como tinha acontecido no Jumbo. Contudo, aquele aviso, feito por uma funcionária de uma caixa num supermercado quase vazio – a que se seguiu uma sessão de passagem de compras em que, com os sacos abertos, a menina ia colocando as compras forçadamente fora do saco, com medo de ser fulminada por um chefe atrás da atenta câmara de vigilância – levou-me a meditar sobre o seguinte:
Se o Governo acaba de decretar que os funcionários do setor privado passarão a trabalhar mais meia hora por dia e se está mais do que anunciada uma recessão (logo, menos clientes a comprar menos coisas), o que levará um gestor de uma cadeia de supermercados a decretar uma medida destas?
Se Belmiro de Azevedo e “sus muchachos” acham que é prestando menos e pior serviço que vão sobreviver à crise e atenuar a recessão que se instala, eu direi que estão muito enganados.
A crise e a recessão são enormes ameaças, mas são também enormes oportunidades para melhorar desempenho e captar para o nosso negócio aqueles que os mais pequenos e frágeis perderão por KO.
A Sonae – pelo menos por este exemplo – parece não ter ainda percebido isso nem sequer a situação privilegiada em que está, pela capacidade de intervenção e pela liquidez única que o seu negócio gera. E parece querer aportar a meia hora de mais serviço não à produtividade e à mais-valia na sua distribuição, mas ao lucro mais fácil. E assim, em pelo Continente, aprofundei hoje esta minha dúvida metódica sobre se a meia-hora a mais no setor privado servirá para criar mais produtividade ou simplesmente para piorar o problema do desemprego.
Seguro, seguro é que a mentalidade ainda não mudou e que o empresário português, aqui corporizado numa das maiores empresas nacionais, terá que rever a sua forma de estar perante o mercado ou, então, ficará sujeito às arbitrariedades governativas e a uma enorme carga fiscal para toda a vida, porque Portugal nunca deixará de ser pobre e definhante.