terça-feira, 31 de maio de 2011

Entre o 'mesmar' de Passos e o 'mentir' de Sócrates

                       



A crise exigirá no domingo à noite consenso e a capacidade de compromisso de uma democracia madura pouco habitual entre nós. O espírito do litígio teimoso vai dar lugar à obrigação de acordos que todos acharão maus mas inevitáveis. Para teimosia masoquista já chegou a cegueira que forçou o memorando em inglês a que se vinculou o chamado "arco da governação".




Revelação de um e-mail com ano e meio

Caros amigos. Em Setembro de 2009, na antevéspera das eleições legislativas, enviei um e-mail aos meus amigos e familiares. Pedia-lhes que votassem no PSD. Não por qualquer razão de filiação ou “clubite”, mas porque essa seria a única forma de evitar que José Sócrates voltasse a ganhar as eleições. Chamei a atenção para o facto de Manuela Ferreira Leite não ser uma simpatia, mas estar a falar a verdade. Baseando-me nos escritos de Medina Carreira e naquilo que tinha ouvido a mais dois ou três economistas (alguns da área socialista) vaticinava que a cultura despesista e irresponsável de Sócrates poderia colocar em causa o futuro dos nossos filhos. Nesse e-mail falei de endividamento, TGV, Auto-Estradas e Aeroportos e falei de défice. Alguns dos meus amigos e familiares ainda guardam esse e-mail outros nem se lembram. A minha razão, ano e meio depois, não me traz felicidade. Pelo contrário. Eu não adivinhei nem fui mais esperto do que ninguém. A minoria que então votou PSD e dessa forma não escolheu Sócrates não adivinhou a desgraça que hoje nos está a acontecer. Simplesmente, essa minoria tinha razão. Mas sabem o que é mais dramático? É que quem ganhou as eleições, também não ganhou por vontade da maioria dos portugueses. Apenas dois milhões votaram em Sócrates nessas eleições. Os outros portugueses, os outros mais de oito milhões de portugueses, não queriam Sócrates no poder. Mas perderam. Oito milhões que não queriam deliberadamente Sócrates foram vencidos por dois milhões que não viram ou não quiseram ver a realidade. Desses oito milhões, alguns (poucos) votaram no PSD, outros votaram em pequenos partidos como o CDS, uns tantos votaram em branco, mais alguns nulo e outros ainda em partidos ainda mais pequenos. Mas houve ainda uma grande maioria de quatro milhões que não queria Sócrates e ajudou a elege-lo. Foram os que não votaram. Oito milhões de insatisfeitos (entre os quais quatro milhões de desiludidos com a política a ponto de não votarem) foram derrotados por apenas dois milhões. Um quinto dos portugueses decidiu que Sócrates nos governaria por mais ano e meio, até cair de podre, com o país falido. Não sei quantos dos meus amigos e familiares convenci. Um número insuficiente, certamente. Não sei quantos dos que não votaram, optaram por votar útil no PSD. Mas sei que quatro deles não puderam votar: os meus quatro filhos menores e serão eles, por ventura, os que mais vão sofrer as consequências da brutal dívida contraída entretanto por Sócrates, em nome do populismo e da desgovernação. Sexta-feira, eu vou voltar a enviar um e-mail na antevéspera de umas eleições. O meu e-mail deste ano não vai ser, contudo, exatamente igual ao do ano passado. Desta vez, além do “copy-paste” de 2009, acrescentarei um pormenor: se nessa altura uma parte dos que votaram CDS (contra Sócrates) tivesse concentrado votos no PSD, votando útil, hoje o país não estaria na bancarrota e os meus quatro filhos continuariam a ter abono de família e um futuro um pouco menos preocupante. Sim, o Primeiro-Ministro não usaria fatos de 2.000 euros, usaria um saia-casaco a cheirar a naftalina, mas eu não me envergonharia perante os meus filhos do país que lhes estou a deixar
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segunda-feira, 30 de maio de 2011

Portas quer Parlamento a "trabalhar todo o Verão"

                                     

O líder do CDS-PP, Paulo Portas, defendeu esta segunda-feira que o Parlamento terá que "trabalhar todo o Verão" se o País cumprir "os seus compromissos" e "ganhar margem de manobra para melhorar alguns aspectos" do acordo com a "troika".




Passos Coelho - Jogar à bulha

                                 
                                   

O presidente do PSD afirmou esta segunda-feira que não quer "jogar à bulha com ninguém", justificando assim a recusa em responder ao secretário-geral do PS, que considerou "patético" o seu discurso dirigido aos socialistas desiludidos.

Jornalismo equizofrénico: nem um jornalista pergunta a Sócrates com quem conta para Ministro das Finanças?

Vamos chegar ao dia das eleições sem que um único jornalista consiga perguntar a Sócrates quem seria o seu Ministro das Finanças caso ganhasse. A pergunta, feita por variadíssimas vezes a Passos Coelho, aplicava-se muito mais a Sócrates. Afinal, o PSD mostrou ter massa crítica e mostrou rostos da sua política de finanças. Já o PS, que durante seis anos se amarrou às políticas de Teixeira dos Santos, ficou orfão do seu "guru das finanças". Se vamos partir para um período de governação em que, mais do que qualquer outra coisa, é preciso executar com rigor uma política económica e financeira que cumpra um acordo que é fundamentalmente financeiro, não haver um jornalista a perguntar ao Primeiro-Ministro demissionário com quem conta nesta matéria é não apenas muito estranho como até irresponsável. Jornalisticamente a questão faz tanto mais sentido quanto, em todo o período de pré-campanha e campanha eleitoral, não apareceu um único economista reconhecido ou reconhecível ao lado de Sócrates ou, mesmo longe dele, que defendesse uma única das suas medidas ou políticas e o seu ex-ministro das finanças e outros ex-ministros socialistas e economistas ligados ao PS não se cansam de "desancar" a governação do Governo que agora termina funções.

Bananas da política



domingo, 29 de maio de 2011

Uma questão de convicções



Nos últimos dias, houve quem tentasse fazer passar a ideia de que Passos Coelho muda de convicções com facilidade, procurando um ataque de caráter que não lhe encaixa, definitivamente. A verdade é que não se muda de convicção apenas porque José Sócrates disse que se mudou, muda-se porque efetivamente se muda. Eu, por exemplo, que nunca votei em José Sócrates ou no PS, estive convencido um ano ou dois, apesar de tudo, que ele era um homem determinado e convicto. Contudo, Sócrates é apenas um molusco que se estende à medida da rocha onde se agarra ou da vítima que pretende aniquilar. Confesso, confundi a sua força com a existência de uma coluna dorsal que, afinal, é inexistente.

Mudar de convicções é, portanto, algo que nos acontece na vida, que não é desejável, mas que ainda assim é melhor do que simplesmente não tê-las. O mais dramático desta campanha eleitoral, contudo, não tem a ver com as convicções nem de Passos Coelho nem de José Sócrates. Passos Coelho será Primeiro-Ministro e se é legítimo duvidar-se – como é sempre o é – das suas capacidades, não me parece lógico colocar em causa as suas convicções, apenas porque admitiu que uma lei pudesse ser alterada.

O que realmente me preocupa, é o que 97% dos socialistas – sobretudo dirigentes – que ainda muito recentemente demonstrou com baba e ranho a sua profunda convicção de que apenas Sócrates podia governar Portugal, vai fazer no dia 5 de Junho com as suas convicções. Onde Vitorino, António Costa, Lacão e Vieira da Silva meterão tamanha convicção quando a ditadura do povo (a democracia) correr no dia 5 explicitamente com o Engenheiro Sócrates daqui para fora? O que farão com as convicções quando tiverem que, quais moluscos moldados à imagem do ex-chefe, readaptar-se à nova realidade?

Algo me diz que a convicção tão emotivamente demostrada no último congresso, se transformará em dedo acusatório muito rapidamente, na busca de tornar Sócrates no único e grande culpado da derrota, da desgraça e de todas as crises e, sobretudo, na busca de um lugar e de uma oportunidade dentro de um partido que já foi um dos bastiões da democracia portuguesa e que, hoje, é apenas um destroço.

É dentro do PS que essa ginástica de convicções será mais evidente. Acontece que vai demorar muitos anos para que nos esqueçamos que Sócrates não destruiu o país sozinho, em nome de obras faraónicas, em nome de um estado social que faliu e em nome de uma ideologia plástica que apenas serviu para que um grupo de incompetentes levasse Portugal à bancarrota. Ou seja, vai levar muito tempo até desfazermos a convicção de que o PS nos hipotecou o futuro e, se deixarmos, voltará a fazê-lo.

sábado, 28 de maio de 2011

O embaraço do PS nas redes sociais

A pré-campanha começou pelo Facebook. Foi no Facebook que Passos Coelho anunciou que Fernando Nobre seria candidato por Lisboa. Pouco depois, Fernando Nobre mandava encerrar o seu Facebook. A notícia era o Facebook. Cavaco dedicou boa parte da sua comunicação política dos últimos tempos ao Facebook. TV’s e jornais entretêm-se bastante com o tema. Não sei quantas vezes vi escrito que Sócrates tinha mandado vir a equipa de Obama para lhe fazer o Facebook e as redes sociais. Mas… estranhamente, não vejo notícias sobre o que se está a passar com o Facebook do PS nestas eleições. Para os que não sabem, eu explico: milhares de pessoas, todos os dias, dão-se ao trabalho de lá ir colocar imagens, vídeos, frases, links e, algumas vezes, insultos, 95% das vezes contra o Primeiro-Ministro. A “tropa” de Sócrates não deve saber muito bem o que fazer à página, encerrá-la e sujeitar-se à crítica por tê-lo feito, ou manter o mural aberto ao coro de lamentos e verdades (digo eu) dos portugueses? O embaraço deve ser tal, que já retiraram do site de campanha os links para as redes sociais. Seja como for, se eu fosse jornalista (e não sou) já tinha perguntado onde anda a malta de Obama que tinha vindo ajudar Sócrates e, já agora, aproveitava a deixa para lhe perguntar quem será o seu Ministro das Finanças. É que não podemos ter um jornalismo inquisitório a uns e um jornalismo levezinho para outros, ou sou eu a ver mal as coisas?

sexta-feira, 27 de maio de 2011

José Sócrates e Pedro Passos Coelho - Só nós dois é que sabemos






A análise comparativa da situação patrimonial dos dois candidatos a primeiro-ministro, através das declarações de rendimentos apresentadas no Tribunal Constitucional, só é possível de efectuar para 2009. E por uma simples razão: José Sócrates, que exerce cargos políticos desde 1986, tem várias declarações de rendimentos no Tribunal Constitucional, mas Pedro Passos Coelho, que está afastado da política activa há muito tempo, apenas entregou duas declarações. E uma delas diz respeito a 1995, quando disse ser estudante e não declarou rendimentos.

No essencial, no final de 2010, quando entregou a renovação anual da declaração de rendimentos, José Sócrates tinha uma situação patrimonial confortável: como primeiro-ministro ganhou 106 781 euros, em 2009, e não declarou débitos, o que significa que o apartamento na rua Braamcamp, próximo do Marquês de Pombal, já está pago. E também já pagou os dois créditos pessoais, contraídos em 2009 na CGD pelo prazo de um ano, no valor total de 45 225 euros.

Já Passos Coelho, na declaração entregue no Tribunal Constitucional em Abril de 2010 como presidente do PSD, apresenta uma situação patrimonial diferente: como administrador da Fomentinvest declarou ganhar 96 391 euros, em 2009, e ter dois débitos bancários, contraídos no BCP e na CGD para compra de casa, no total de 277 782 euros. O candidato social-democrata à chefia do Governo diz ser proprietário de dois apartamentos em Massamá.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Não, senhor Sócrates, NÃO!

Sócrates tem um problema de palavra. Agora, ao contrário do que tinha sido assumido, desatou a colocar outdoors pelo país. Parece não haver dinheiro nos cofres do Estado, mas não restam dúvidas de que existe noutros cofres, pronto a ser gasto em situação de desespero ou apenas "porque sim". Mas o mais preocupante deste cartaz de campanha do engenheiro não é outra coisa senão o seu conteúdo. Mensagem? Nenhuma. Sócrates não tem soluções, apenas um apelo: o apelo ao SIM! É que esta espécie de Primeiro-Ministro que temos tido nem sequer percebe que a questão que se coloca ao país não é plebescitária, mas sim eleitoral. Nestas eleições procuram-se soluções para o país e essas, de uma forma assumida, corajosa e pragmática, apenas um partido as apresentou e não foi o PS. Por isso, senhor Sócrates, a resposta ao seu cartaz que hoje incomodou, no Porto, a minha manhã, não é um "NÃO"! A resposta é PSD.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

A mão invisível pá...



Diário de campanha

                          


“Nem um passo à retaguarda, engenheiro Sócrates”

                        


O dirigente socialista Pedro Silva Pereira usou linguagem militar para dizer que o líder do PS não recuará no combate eleitoral.


PS tira paquistaneses da campanha

Socialistas fogem à polémica e alegados apoiantes já não andam na caravana com José Sócrates.

O grupo de imigrantes de etnia sik deu nas vistas, com os seus turbantes coloridos, sobretudo a partir do momento em que se percebeu que mal falavam português - e, não obstante, não regateavam entusiasmo na hora de aplaudir Sócrates ou acenar com bandeiras.
Em explicações a um jornal diário, os paquistaneses garantiram que estavam na caravana, à semelhança dos restantes voluntários que integram a comitiva, apenas a troco de autocarro e refeições. Mas o interesse que causaram à comunicação social não agradou à direção de campanha. Hoje, discretamente, desapareceram.


Sobre o Estado Social - escrito antes do PEC4

Não me parece despropositado recordar este post que aqui escrevi em Fevereiro
"O que não consigo explicar ao meu bebé sobre Portugal"