O que Sócrates está a fazer ao país é muito perigoso. Não, não me refiro ao facto de ter duplicado a nossa dívida externa em cinco anos, passando-a para o nível histórico de 100% do PIB. Não, não me refiro a ter estourado com as contas públicas, a ponto de ter que chamar o FMI para nos tirar do poço. Não, não falo do autismo que nos levou (já) a gastar dinheiro em magalhães, TGVs e Aeroportos quando não tínhamos cheta para pagar aos credores ou, até, ordenados aos nossos soldados. Isso, ele já fez, não “está a fazer”. Quando digo que “Sócrates está a fazer ao país”, refiro-me à forma como está a levar a extremos a demagogia e a mentira nesta pré-campanha e na encenação da crise política que nos trouxe a ela. A forma como Sócrates elaborou a sua difícil estratégia eleitoral pode transformar-se em algo demasiado perigoso. Sócrates partiu o país, dividindo-o em três grandes grupos. Um grupo obediente que vive da sua máquina partidária (que durante 14 anos misturou com o Estado). Um grupo crítico que ele conseguiu de tal forma desinteressar pela política que já nem vota. E um terceiro grupo que percebe o risco que o país corre se continuar mais um dia com Sócrates como Primeiro-Ministro. O discurso de Sócrates, nestas eleições, extremou-se numa arte que vinha desenvolvendo, arrebanhando pela necessidade – como nunca – o primeiro grupo; excluindo ainda mais o segundo e insultando, achincalhando e revoltando o terceiro. Eu não acredito – nem me passa pela cabeça – que Sócrates possa ganhar as eleições. Não acredito que o primeiro grupo seja suficiente e não me parece que no segundo encontre suficientes distraídos para votarem em si. Sócrates vai perder! Mas, e se ganhasse? O que Sócrates tem vindo a fazer nesta pré-campanha deixa-nos sem resposta quanto ao futuro de Portugal. Um Portugal que teria no primeiro grupo um mais do que legitimado exército de inúteis agarrados já não à carne mas só já ao osso; um segundo grupo mais excluído do que nunca e um terceiro com níveis de revolta sem paralelo na nossa democracia. Foi com enorme tristeza por Portugal e pelos meus filhos que vi Sócrates ganhar em 2005 e mais em 2009. Mas o cenário era então suportável para que continuasse a trabalhar, a esforçar-me, a pagar impostos. Mas o cenário de uma vitória de Sócrates em 2011 não me deixaria margem de sobrevivência nem sequer qualquer vontade de ser português. E, como eu, haveria muitos, num país partido, crispado e conflituante, cuja paz social não seria mais possível. Sócrates é, pois, perigoso, já não apenas por ter a enorme habilidade de destruir as finanças do País mas porque, ganhando, seria capaz de tornar Portugal num lugar estranho e perigoso, onde o terrorismo de Estado passaria a ser a Lei e onde a única solução possível na consciência de muita gente passaria a residir apenas num cenário: o do Golpe de Estado.
A maior agência de notícias do mundo. O seu sofá. Jornalismo participativo. Produzido por cidadãos sem formação jornalística, em colaboração com jornalistas profissionais.
domingo, 1 de maio de 2011
O insulto
Sócrates insulta os portugueses quando acha que estes acreditam que o importante não é ter um bom programa eleitoral mas sim apresentá-lo cinco dias antes. É lamentável que alguns portugueses aceitem continuar a ser enxovalhados desta forma e não apenas não votem CONTRA o PS mas continuem a aceitar que este teatro demagógico sem paralelo na história da nossa democracia continue todos os dias.
sexta-feira, 29 de abril de 2011
Pedro Passos Coelho, José Sócrates e Paulo Futre
Pedro Passos Coelho, José Sócrates e Paulo Futre são do mesmo campeonato, só que Futre tem melhor pé esquerdo.
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quarta-feira, 27 de abril de 2011
Governador do Banco de Portugal aponta o dedo à Governação
O Governador do Banco de Portugal tem demonstrado ser uma das pessoas sérias neste país. Estou convencido, que não fosse a sua actuação, ainda esperávamos que o Governo pedisse ajuda ao FMI, prolongando a agonia lenta em que estávamos. Hoje, deixou bem claro quem nos trouxe a este ponto. Não é que não soubessemos já, mas convém que se vá dizendo, para que as habituais manobras de diversão de Sócrates não nos distraiam dos crimes públicos que cometeu à frente do País.
O governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, advoga que as regras orçamentais deverão ser "adequadamente desenhadas" e assentar "num consenso social e político alargado". Carlos Costa – participando num colóquio comemorativo dos 35 anos da Constituição – concluiu que a atual crise orçamental é "reveladora de uma persistente falha do regime financeiro da administração pública" e defendeu que "a inscrição na Constituição de uma regra sobre saldos orçamentais pode ajudar a criar um círculo virtuoso de qualidade institucional do ponto de vista da disciplina orçamental e do crescimento". Para que este ciclo se materialize é necessário, diz o sucessor de Vítor Constâncio à frente do Banco de Portugal, "que as regras orçamentais sejam adequadamente desenhadas e complementadas por procedimentos orçamentais que promovam o seu cumprimento" e que assente num consenso social e político alargado quanto à importância destes princípios. Para Carlos Costa, os níveis atuais da dívida pública representam encargos significativos para as gerações futuras e constituem um entrave ao crescimento económico do país. "Caímos na armadilha da dívida", argumentou, acrescentando que "a deterioração das contas públicas reflete aumentos de despesa desproporcionados relativamente à capacidade de geração de receitas por via tributaria". O homem forte do banco central português refere ainda que Portugal violou reiteradamente as normas orçamentais da União Europeia recordando que a participação de Portugal na área do Euro implica a aceitação de regras orçamentais. Finalmente deixou bem claro que na sua opinião, qualquer processo de consolidação orçamental bem-sucedido deverá assentar em três princípios fundamentais: a transparência, estabilidade e responsabilização.
Notícia retirada do site da RTP
O governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, advoga que as regras orçamentais deverão ser "adequadamente desenhadas" e assentar "num consenso social e político alargado". Carlos Costa – participando num colóquio comemorativo dos 35 anos da Constituição – concluiu que a atual crise orçamental é "reveladora de uma persistente falha do regime financeiro da administração pública" e defendeu que "a inscrição na Constituição de uma regra sobre saldos orçamentais pode ajudar a criar um círculo virtuoso de qualidade institucional do ponto de vista da disciplina orçamental e do crescimento". Para que este ciclo se materialize é necessário, diz o sucessor de Vítor Constâncio à frente do Banco de Portugal, "que as regras orçamentais sejam adequadamente desenhadas e complementadas por procedimentos orçamentais que promovam o seu cumprimento" e que assente num consenso social e político alargado quanto à importância destes princípios. Para Carlos Costa, os níveis atuais da dívida pública representam encargos significativos para as gerações futuras e constituem um entrave ao crescimento económico do país. "Caímos na armadilha da dívida", argumentou, acrescentando que "a deterioração das contas públicas reflete aumentos de despesa desproporcionados relativamente à capacidade de geração de receitas por via tributaria". O homem forte do banco central português refere ainda que Portugal violou reiteradamente as normas orçamentais da União Europeia recordando que a participação de Portugal na área do Euro implica a aceitação de regras orçamentais. Finalmente deixou bem claro que na sua opinião, qualquer processo de consolidação orçamental bem-sucedido deverá assentar em três princípios fundamentais: a transparência, estabilidade e responsabilização.
Notícia retirada do site da RTP
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segunda-feira, 25 de abril de 2011
Estoril Open vs Incompetência da RTP
Depois da lamentável forma como a RTP falhou em 2010 a transmissão das meias-finais do Estoril Open, com Frederico Gil a fazer história, este ano voltamos à falta de entendimento da TV pública sobre a utilização das novas tecnologias. A RTP está a cobrir o evento com câmaras de alta definição, contudo, a esmagadora maioria dos jogos são transmitidos em SD, por exemplo, na RTPN. Em lugar de fazer a adaptação do formado para 4:3 ou mesmo para 16:9 de HD para SD, a RTP “esmaga” a imagem e coloca-a num 16:9 esmagado e deteriorado que nem é HD nem SD, é pior do que tudo isso. Seria fácil ver o excelentes exemplos do Eurosport ou da SportTV que transmitem imagens captadas em HD nos seus canais de SD adaptando de forma correcta ao ecrã. A RTP ainda não percebeu como se faz e, pior do que isso, não entendeu que se torna impossível ver um jogo de ténis nestas circunstâncias, uma vez que a bola mal se vê. Tenho muita pena quando às custas do dinheiro dos portugueses, com impostos e taxas se delapida um Orçamento de Estado a sustentar uma empresa que quer ser moderninha em tudo mas que, afinal, no uso de novos recursos, apenas consegue piorar o serviço. Já em 2010 escrevi à LagosSport a queixar-me, mas nem a simpática resposta que recebi do relações públicas nem a insistência nas más práticas me consolam neste momento, ao olhar para uma imagem péssima e ao ouvir o inaudível som distorcido dos comentários do meu amigo Manuel Perez. O Manuel merecia melhor, o Estoril Open também e eu, que pago isto tudo, também.
PS: em 2010 também escrevi à RTP mas não recebo qualquer resposta
PS: em 2010 também escrevi à RTP mas não recebo qualquer resposta
sábado, 23 de abril de 2011
Cumpulsivo?
Hoje, depois do INE ter anunciado que, afinal, o défice é de 9,1% - vamos ver se fica por aqui - apetece-me recordar esta notícia. E apetece-me perguntar se há a mais pequena ideia da forma como este irresponsável conseguiu em meia-dúzia de anos hipotecar a vida dos meus filhos e dos meus netos. E o Estado Social e quase tudo o resto que andou a apregoar....
http://www.parlamentoglobal.pt/parlamentoglobal/actualidade/Governo/2011/1/11/110111_Socrates+anuncia+defice.htm
http://www.parlamentoglobal.pt/parlamentoglobal/actualidade/Governo/2011/1/11/110111_Socrates+anuncia+defice.htm
Sócrates anuncia défice orçamental abaixo dos 7,3%
O primeiro-ministro, José Sócrates, anunciou hoje que o défice orçamental de 2010 se deverá situar abaixo dos 7,3 previstos, superando as expetativas do Governo.
O primeiro-ministro, José Sócrates, anunciou hoje que o défice orçamental de 2010 se deverá situar abaixo dos 7,3 previstos, superando as expetativas do Governo.
"Partimos para uma boa expetativa para o resultado final do nosso défice, sendo que estes três dados que já estão fechados e que constituem os aspetos principais nos dão claramente a ideia de que o Estado português não só vai cumprir e ficará abaixo da meta orçamental de 7,3, como vai ficar abaixo desse valor quando o valor final do défice for finalmente apurado", disse.
Em conferência de imprensa conjunta com o ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, o chefe de Governo declarou: "São boas notícias do apuramento preliminar que superam as nossas expetativas".
José Sócrates indicou que se trata de um "apuramento preliminar dos principais números da execução orçamental de 2010", que o executivo decidiu agora divulgar "considerando a sua relevância para os desafios que o país enfrenta".
Na ocasião, José Sócrates adiantou que o apuramento resulta do encerramento das parcelas do subsector Estado e da Segurança Social.
"A despesa acumulada do subsector Estado ficou em 1,7 por cento, o que compara com um aumento de 2,5 previsto no OE (...) No lado das receitas, um apuramento ainda preliminar considera que ficaram em 5,3, o que compara com cerca de 4,5 de crescimento previsto no OE, boas notícias, portanto do lado da receita", disse.
Relativamente à Segurança Social, "a evolução da previsão do saldo foi uma agradável surpresa, saldo de 605 milhões, ficará acima dos 720 milhões de euros", referiu.
"Esses números superam todas as expetativas (...) Temos aqui uma folga orçamental de 800 milhões de euros, ou seja 7,5 pr cento do PIB. São dados principais, mais importantes do OE e que superam as nossas expetativas", realçou.
José Sócrates vincou ainda -- a propósito dos "rumores acerca de ajuda externa" -- que "o país está a fazer o seu trabalho e está a fazê-lo bem".
"Este é porventura o primeiro resultado que o país apresenta como estímulo à confiança dos mercados internacionais no financiamento da sua economia. Portugal foi um dos países europeus que mais reduziu o seu défice em 2010 (...) Portugal é um dos países que reduz o seu défice mais de dois pontos percentuais", sublinhou.
Afastando a necessidade de o país pedir assistência financeira, o chefe de Governo afirmou que o país está "determinado" em fazer o trabalho "que já iniciou no ano passado e vai continuar em 2011".
"Partimos para uma boa expetativa para o resultado final do nosso défice, sendo que estes três dados que já estão fechados e que constituem os aspetos principais nos dão claramente a ideia de que o Estado português não só vai cumprir e ficará abaixo da meta orçamental de 7,3, como vai ficar abaixo desse valor quando o valor final do défice for finalmente apurado", disse.
Em conferência de imprensa conjunta com o ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, o chefe de Governo declarou: "São boas notícias do apuramento preliminar que superam as nossas expetativas".
José Sócrates indicou que se trata de um "apuramento preliminar dos principais números da execução orçamental de 2010", que o executivo decidiu agora divulgar "considerando a sua relevância para os desafios que o país enfrenta".
Na ocasião, José Sócrates adiantou que o apuramento resulta do encerramento das parcelas do subsector Estado e da Segurança Social.
"A despesa acumulada do subsector Estado ficou em 1,7 por cento, o que compara com um aumento de 2,5 previsto no OE (...) No lado das receitas, um apuramento ainda preliminar considera que ficaram em 5,3, o que compara com cerca de 4,5 de crescimento previsto no OE, boas notícias, portanto do lado da receita", disse.
Relativamente à Segurança Social, "a evolução da previsão do saldo foi uma agradável surpresa, saldo de 605 milhões, ficará acima dos 720 milhões de euros", referiu.
"Esses números superam todas as expetativas (...) Temos aqui uma folga orçamental de 800 milhões de euros, ou seja 7,5 pr cento do PIB. São dados principais, mais importantes do OE e que superam as nossas expetativas", realçou.
José Sócrates vincou ainda -- a propósito dos "rumores acerca de ajuda externa" -- que "o país está a fazer o seu trabalho e está a fazê-lo bem".
"Este é porventura o primeiro resultado que o país apresenta como estímulo à confiança dos mercados internacionais no financiamento da sua economia. Portugal foi um dos países europeus que mais reduziu o seu défice em 2010 (...) Portugal é um dos países que reduz o seu défice mais de dois pontos percentuais", sublinhou.
Afastando a necessidade de o país pedir assistência financeira, o chefe de Governo afirmou que o país está "determinado" em fazer o trabalho "que já iniciou no ano passado e vai continuar em 2011".
quinta-feira, 21 de abril de 2011
A interpretação das sondagens ou a razão pela qual 85% acha Sócrates culpado mas 30% diz que vota nele
As sondagens publicadas esta semana estão a complicar a interpretação de muitos comentadores, dos políticos e mesmo de quem as fez. E, de facto, à primeira vista elas encerram alguns mistérios insondáveis e de difícil interpretação. Se mais de 80% dos portugueses culpa Sócrates pelo Estado a que o país chegou, como explicar que cerca de um terço dos portugueses afirme que vai continuar a votar PS?
Contudo, a explicação pode ser bem mais simples do que à primeira vista pode parecer e reside, em minha opinião, nos mais importantes pecados de Sócrates. A sociedade portuguesa vive hoje mergulhada numa profunda injustiça que a divide. É triste reconhecê-lo, mas apenas não o fará quem não quiser realmente mudar Portugal: o país vive numa profunda clivagem entre os que sofrem com os desvarios do Estado e os que dele beneficiam – uns conscientes, outros inconscientemente.
Mas será que 33% da sociedade portuguesa é “clientela” partidária do PS? Não. 33%, ou cerca disso, são os que, respondendo a uma sondagem, afirmam ir votar no PS de novo. São os que, de alguma forma, beneficiam não apenas do clientelismo direto e que podem ser apelidados como sendo “a tropa de Sócrates” ou “os boys” que “mamam” no Estado graças ao “padrinho” – bem como as suas famílias –, mas são também os que se agarram às franjas desse clientelismo, vivendo das sobras de um Estado falido e decrépito e de uma política ruinosa, mas que ainda sustenta (ou tem podido sustentado) uma enorme classe de inúteis.
Sócrates vive, portanto, não daqueles que acreditam nas suas políticas ou nas suas qualidades, mas sobretudo da enorme injustiça e desigualdade da sociedade portuguesa. Os que trabalham honestamente e são delapidados por impostos cada vez maiores, dividem-se pelo espectro partidário. Os que vivem do esquema montado por Sócrates onde o Estado e o Governo se misturam perigosamente, votam convictamente no “chefe”. E, depois, há os que gostam de Câmaras municipais cheias de funcionários que nada fazem, de institutos e fundações sem sentido nem função ou, simplesmente, de um subsídio de inserção ou de desemprego.
Esses, todos (30%), por razões diferentes, gostam quando Sócrates fala do “Estado Social” e detestam quem do estrangeiro nos venha cá dizer que não podemos continuar assim, o que sustenta e justifica a fobia de Sócrates pelo FMI. Boa parte desses (15%) sabe quem é o culpado pela situação a que chegámos mas quer continuar na mama. Os restantes (15%), pobres e mal informados, tê medo da mudança e não têm simplesmente inteligência, informação ou condições para distinguir entre aquilo que é uma política responsável e com futuro e a política demagógica e assistencialista ruinosa que mata o Estado social falindo-o.
É por isso que acredito que quem está hoje indeciso sobre em quem votar – e são muitos – apenas esteja indeciso sobre em quem vai votar, mas não tenha nenhuma dúvida de que não vai votar em Sócrates.
Contudo, a explicação pode ser bem mais simples do que à primeira vista pode parecer e reside, em minha opinião, nos mais importantes pecados de Sócrates. A sociedade portuguesa vive hoje mergulhada numa profunda injustiça que a divide. É triste reconhecê-lo, mas apenas não o fará quem não quiser realmente mudar Portugal: o país vive numa profunda clivagem entre os que sofrem com os desvarios do Estado e os que dele beneficiam – uns conscientes, outros inconscientemente.
Mas será que 33% da sociedade portuguesa é “clientela” partidária do PS? Não. 33%, ou cerca disso, são os que, respondendo a uma sondagem, afirmam ir votar no PS de novo. São os que, de alguma forma, beneficiam não apenas do clientelismo direto e que podem ser apelidados como sendo “a tropa de Sócrates” ou “os boys” que “mamam” no Estado graças ao “padrinho” – bem como as suas famílias –, mas são também os que se agarram às franjas desse clientelismo, vivendo das sobras de um Estado falido e decrépito e de uma política ruinosa, mas que ainda sustenta (ou tem podido sustentado) uma enorme classe de inúteis.
Sócrates vive, portanto, não daqueles que acreditam nas suas políticas ou nas suas qualidades, mas sobretudo da enorme injustiça e desigualdade da sociedade portuguesa. Os que trabalham honestamente e são delapidados por impostos cada vez maiores, dividem-se pelo espectro partidário. Os que vivem do esquema montado por Sócrates onde o Estado e o Governo se misturam perigosamente, votam convictamente no “chefe”. E, depois, há os que gostam de Câmaras municipais cheias de funcionários que nada fazem, de institutos e fundações sem sentido nem função ou, simplesmente, de um subsídio de inserção ou de desemprego.
Esses, todos (30%), por razões diferentes, gostam quando Sócrates fala do “Estado Social” e detestam quem do estrangeiro nos venha cá dizer que não podemos continuar assim, o que sustenta e justifica a fobia de Sócrates pelo FMI. Boa parte desses (15%) sabe quem é o culpado pela situação a que chegámos mas quer continuar na mama. Os restantes (15%), pobres e mal informados, tê medo da mudança e não têm simplesmente inteligência, informação ou condições para distinguir entre aquilo que é uma política responsável e com futuro e a política demagógica e assistencialista ruinosa que mata o Estado social falindo-o.
É por isso que acredito que quem está hoje indeciso sobre em quem votar – e são muitos – apenas esteja indeciso sobre em quem vai votar, mas não tenha nenhuma dúvida de que não vai votar em Sócrates.
domingo, 17 de abril de 2011
terça-feira, 12 de abril de 2011
segunda-feira, 11 de abril de 2011
O funeral foi bonito, pá!
A celebração estava marcada para mais cedo. Mas foi atrasada para se esperar que a autópsia fosse feita. Chamado o cangalheiro, era então tempo de despedida. O morto era gente importante e conhecida. Mas, como muito gente importante e conhecida, um verdadeiro inútil que chegou ao poder sem saber como. Talvez porque o trajeto profissional fosse difícil, mesmo impossível, e com parcas habilitações, cedo se dedicou a gerir aquilo que apelidava de amizades, mas que no fundo não passavam de relações de mera conveniência. E lá foi subindo, discreto, mas eficaz na forma como distribuída dividendos pelos que o ajudavam a subir. De reles competência mas bem-falante, corroía-o a ideia de ser apenas “senhor” num mundo de doutores. Nada que um amigo não resolvesse, em troco de um favor passado ou futuro, em nome da tal “amizade” cujos princípios aprendera no cinema com “O Padrinho”. Sem saber fazer contas e quase sem saber falar as línguas que o diploma certificava, o agora “diplomado” encontrou uma qualidade que o distinguia: a determinação. E assim se publicitou, rodeando-se de mais amigos, de mais afilhados e aprendendo, com outros “padrinhos”. Era um homem grato e não houve primo ou prima, tio ou tia que não soubesse ajudar. Bom filho, não esqueceu a mãe! Era habilidoso. Muito habilidoso. Tinha um jogo de cintura notável, embora por vezes demasiado marcado para o mundo de homens em que se movimentava. Mas conseguia sempre (quase sempre) esconder-se atrás de algum dos “amigos” que promovera, sacrificando-o. Os gritos com que presenteava os que o rodeavam e os inibia de o chamar à razão e a esquizofrenia galopante que o colocavam num mundo "maravilhoso" que apenas ele conhecia, fizeram-no, um dia, entrar cegamente numa auto-estrada em sentido contrário. Azelha ao volnate por natureza, escapou por milagre a vários acidentes. Vários foram os automobilistas que o avisaram, acendendo luzes, buzinando, acenando. Mas, como sempre, estava determinado. Tão determinado que ao volante do seu bólide comprado em Alcochete, lamentava que tanta gente estivesse enganada e estivesse a tentar atingi-lo. Contudo, a sua sorte tinha que ter um fim. O seu ferrari enferrujado chocou de frente com um autocarro, vitimando muita gente e deixando o país consternado. A morte, para ele, chegara tarde de mais para se evitar a tragédia que atingiu tanta gente. Mas, como sempre, a hipocrisia de uns e a vontade de outros em ver-se livre de tal lixo, levou os seus "amigos" a fazerem-lhe um grande funeral. No grande templo, celebraram-se as suas exéquias. Elogios fúnebres de circunstância. Mentiras puras que ninguém leva a mal e que a história levará para o caixão com o morto. Lagrimas, também, muitas, pouco sentidas mas bem encenadas por uns. Bem choradas por outros pelas dívidas que deixou por pagar. E um filme lindo sobre a vida do finado. A Nação, mesmo não estando lá nem querendo estar, também foi evocada. A bandeira nacional cobriu-lhe o caixão, numa ironia, esse foi a última usurpação que protagonizou, usando as cores, as armas e o brazão que não era seu. Mesmo assim, o funeral foi bonito, pá! Até parecia uma festa.
domingo, 10 de abril de 2011
Salvé, Presidente do Conselho, Salvé grande líder Sócrates
Salvé, bandeira sagrada,
Bandeira de Portugal
No cimo do monte agreste,
No fundo do ameno val.
Ergue-te bandeira santa,
Bandeira de Portugal!
...
Salve, bandeira formosa.
Bandeira do meu paiz,
Que por elle é minha vida,
E que eu morria feliz,
Se na morte me abraçasses,
Bandeira do meu paiz!
Porque eu te amo no mundo,
Como não amo ninguém,
Salve, bandeira que lembras
A pátria que é minha mãe!
António de Oliveira Salazar
Bandeira de Portugal
No cimo do monte agreste,
No fundo do ameno val.
Ergue-te bandeira santa,
Bandeira de Portugal!
...
Salve, bandeira formosa.
Bandeira do meu paiz,
Que por elle é minha vida,
E que eu morria feliz,
Se na morte me abraçasses,
Bandeira do meu paiz!
Porque eu te amo no mundo,
Como não amo ninguém,
Salve, bandeira que lembras
A pátria que é minha mãe!
António de Oliveira Salazar
Foto: iol - apoiantes de Sócrates no Congresso do PS, vindos de autocarros, empunhavam bandeiras todas ihuais
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Um congresso pornográfico que ofendeu (esqueceu) o País
O Congresso do PS está a terminar. Vi de tudo. Vi o show. E li sobre o assunto. Nos jornais, na internet, nos blogs, no facebook e no twitter. O que fica então deste congresso? O “abraço”. Os “abraços”. A “solidariedade”. A união. Mas, a quem foi dado esse abraço, a quem foi prestada a solidariedade? Com quem esteve unido o PS? Consigo próprio. Com Sócrates. Como o “nosso” (deles) Secretário-geral. Com o “nosso” (deles) líder!
No momento mais triste da história de Portugal das últimas três décadas. No momento em que o País se apercebe que nos espera (ainda mais) desemprego, desgraça, sacrifício e até fome, o partido do Governo (ainda), dedica-se ao “abraço” interno, à festa. Uma festa que chegou a roçar a pornografia política, quando assistiu ao “choro” de Sócrates. Um líder que nunca se emocionou com a pobreza, com a forma como as próximas gerações foram hipotecadas durante a sua governação e que nunca deixou cair uma lágrima pelos desempregados, pelas crianças sem pão, pelos 600 mil desempegados, pela degradação da Justiça que não julga, pela divisão na educação que não educa e pela perda de autonomia de um país que já nem isso é de forma inteira.
Sócrates – o que friamente estudou com o “Luís” qual o seu melhor perfil enquanto os portugueses choravam com a eminência do seu anúncio de bancarrota – chorou agora sorridente e feliz ao ver a história do seu partido, a história dos seus amigos. E que amigos que ele tem. E que imagem arrepiante, voltar a ver as figuras de Constâncio, Guterres, Ferro Rodrigues… As lágrimas choradas pelo “líder” podem ter parecido aos socialistas, ali sentados na Exponor, uma esperança de vitória nas próximas eleições. Uma esperança de poderem ser eles, ainda, a lamber da mesma gamela que o “líder” amigo lhes der depois de 5 de Junho – que emoção! Contudo, aos portugueses, asfixiados pelo voraz apetite da clientela socialista, as lágrimas de Sócrates foram, talvez, a maior das ofensas de uma era que está quase a terminar.
Sócrates pode ter tido um grande congresso masturbatório e ter achado emocionante ainda haver quem lhe bata palmas, mesmo que o faça apenas em troco de um lugar – já amanhã – no Parlamento ou numa Câmara Municipal. Mas o país – completamente esquecido neste Congresso sem programa e sem ideias, enojou-se com um show televisivo indecoroso e pornográfico a que faltou o mais elementar respeito por quem está a passar mal: os portugueses.
No momento mais triste da história de Portugal das últimas três décadas. No momento em que o País se apercebe que nos espera (ainda mais) desemprego, desgraça, sacrifício e até fome, o partido do Governo (ainda), dedica-se ao “abraço” interno, à festa. Uma festa que chegou a roçar a pornografia política, quando assistiu ao “choro” de Sócrates. Um líder que nunca se emocionou com a pobreza, com a forma como as próximas gerações foram hipotecadas durante a sua governação e que nunca deixou cair uma lágrima pelos desempregados, pelas crianças sem pão, pelos 600 mil desempegados, pela degradação da Justiça que não julga, pela divisão na educação que não educa e pela perda de autonomia de um país que já nem isso é de forma inteira.
Sócrates – o que friamente estudou com o “Luís” qual o seu melhor perfil enquanto os portugueses choravam com a eminência do seu anúncio de bancarrota – chorou agora sorridente e feliz ao ver a história do seu partido, a história dos seus amigos. E que amigos que ele tem. E que imagem arrepiante, voltar a ver as figuras de Constâncio, Guterres, Ferro Rodrigues… As lágrimas choradas pelo “líder” podem ter parecido aos socialistas, ali sentados na Exponor, uma esperança de vitória nas próximas eleições. Uma esperança de poderem ser eles, ainda, a lamber da mesma gamela que o “líder” amigo lhes der depois de 5 de Junho – que emoção! Contudo, aos portugueses, asfixiados pelo voraz apetite da clientela socialista, as lágrimas de Sócrates foram, talvez, a maior das ofensas de uma era que está quase a terminar.
Sócrates pode ter tido um grande congresso masturbatório e ter achado emocionante ainda haver quem lhe bata palmas, mesmo que o faça apenas em troco de um lugar – já amanhã – no Parlamento ou numa Câmara Municipal. Mas o país – completamente esquecido neste Congresso sem programa e sem ideias, enojou-se com um show televisivo indecoroso e pornográfico a que faltou o mais elementar respeito por quem está a passar mal: os portugueses.
sábado, 9 de abril de 2011
O Discurso de Sócrates, a comparação com Obama e o comentário de Carlos Magno
Ontem ouvi originalmente o discurso de José Sócrates na Antena 1. Os comentários eram do entusiasmado Carlos Magno, que ao fim de 30 segundos, interrompeu a narrativa do Secretário-Geral do PS para dizer: “ele vai afirma tudo, ele vai afirmar tudo”. O discurso continuou e, no final, Magno apelidou o discurso de Sócrates com os mais elogiosos adjectivos, terminando com a frase: “é um discurso só comparável ao de Obama contra Hillary Clinton”. Nesse instante, e de forma espontânea, ouve-se em fundo na emissão uma gargalhada sincera de uma mulher. Não sei sequer se a gargalhada não identificada era de alguém que ouvia Magno ou simplesmente alguém que se ria de qualquer outro facto. A verdade é que aquela gargalhada proporcionou um dos momentos mais caricatos de rádio a que assisti. Caricato porque definiu a absoluta esquizofrenia de quem continua no clubismo de Sócrates a suportar uma realidade virtual em que o País não vive, mas em que o Primeiro-Ministro é José Sócrates. Mas caricato também porque naquela gargalhada mora parte do absurdo que continua a ser a comunicação social, suportada há anos em comentadores cuja aderência à realidade é nula e cujo interesse se sobrepõe à razão. Logo a seguir à gargalhada que ilustrou a entusiasmada afirmação de Magno, recuei até um passado distante: 1994. Nesse ano, fui assistir ao Estádio da Luz a um Benfica-Porto que decidia o campeonato. O Benfica ganhou e sagrou-se campeão. Enquanto regressava ao Porto, de carro, escutava a TSF, onde Carlos Magno fazia comentários. E qual foi então o comentário de Magno a esse resultado? (nunca o esquecerei): “Esta vitória do Benfica corresponde a uma crescente perda de importância dos industriais do Norte e, como tal, seguir-se-á um longo período de domínio do Benfica no futebol Português”.
Depois de 1994, o Benfica apenas voltou a ser campeão, em 2005, onze anos depois do comentário de Carlos Magno. Espero que as sábias declarações do comentador mantenham a qualidade que então evidenciavam e que a sua capacidade premonitória faça com que nos livremos dos socialistas pelo menos durante uma década inteira.
Depois de 1994, o Benfica apenas voltou a ser campeão, em 2005, onze anos depois do comentário de Carlos Magno. Espero que as sábias declarações do comentador mantenham a qualidade que então evidenciavam e que a sua capacidade premonitória faça com que nos livremos dos socialistas pelo menos durante uma década inteira.
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11.01.2011 | 

