domingo, 10 de abril de 2011

Salvé, Presidente do Conselho, Salvé grande líder Sócrates

Salvé, bandeira sagrada,
Bandeira de Portugal
No cimo do monte agreste,
No fundo do ameno val.
Ergue-te bandeira santa,
Bandeira de Portugal!
...
Salve, bandeira formosa.
Bandeira do meu paiz,
Que por elle é  minha vida,
E que eu morria feliz,
Se na morte me abraçasses,
Bandeira do meu paiz!

Porque eu te amo no mundo,
Como não amo ninguém,
Salve, bandeira que lembras
A pátria que é minha mãe!


António de Oliveira Salazar

Foto: iol - apoiantes de Sócrates no Congresso do PS, vindos de autocarros, empunhavam bandeiras todas ihuais

Um congresso pornográfico que ofendeu (esqueceu) o País

O Congresso do PS está a terminar. Vi de tudo. Vi o show. E li sobre o assunto. Nos jornais, na internet, nos blogs, no facebook e no twitter. O que fica então deste congresso? O “abraço”. Os “abraços”. A “solidariedade”. A união. Mas, a quem foi dado esse abraço, a quem foi prestada a solidariedade? Com quem esteve unido o PS? Consigo próprio. Com Sócrates. Como o “nosso” (deles) Secretário-geral. Com o “nosso” (deles) líder!
No momento mais triste da história de Portugal das últimas três décadas. No momento em que o País se apercebe que nos espera (ainda mais) desemprego, desgraça, sacrifício e até fome, o partido do Governo (ainda), dedica-se ao “abraço” interno, à festa. Uma festa que chegou a roçar a pornografia política, quando assistiu ao “choro” de Sócrates. Um líder que nunca se emocionou com a pobreza, com a forma como as próximas gerações foram hipotecadas durante a sua governação e que nunca deixou cair uma lágrima pelos desempregados, pelas crianças sem pão, pelos 600 mil desempegados, pela degradação da Justiça que não julga, pela divisão na educação que não educa e pela perda de autonomia de um país que já nem isso é de forma inteira.
Sócrates – o que friamente estudou com o “Luís” qual o seu melhor perfil enquanto os portugueses choravam com a eminência do seu anúncio de bancarrota – chorou agora sorridente e feliz ao ver a história do seu partido, a história dos seus amigos. E que amigos que ele tem. E que imagem arrepiante, voltar a ver as figuras de Constâncio, Guterres, Ferro Rodrigues… As lágrimas choradas pelo “líder” podem ter parecido aos socialistas, ali sentados na Exponor, uma esperança de vitória nas próximas eleições. Uma esperança de poderem ser eles, ainda, a lamber da mesma gamela que o “líder” amigo lhes der depois de 5 de Junho – que emoção! Contudo, aos portugueses, asfixiados pelo voraz apetite da clientela socialista, as lágrimas de Sócrates foram, talvez, a maior das ofensas de uma era que está quase a terminar.
Sócrates pode ter tido um grande congresso masturbatório e ter achado emocionante ainda haver quem lhe bata palmas, mesmo que o faça apenas em troco de um lugar – já amanhã – no Parlamento ou numa Câmara Municipal. Mas o país – completamente esquecido neste Congresso sem programa e sem ideias, enojou-se com um show televisivo indecoroso e pornográfico a que faltou o mais elementar respeito por quem está a passar mal: os portugueses.

sábado, 9 de abril de 2011

O Discurso de Sócrates, a comparação com Obama e o comentário de Carlos Magno

Ontem ouvi originalmente o discurso de José Sócrates na Antena 1. Os comentários eram do entusiasmado Carlos Magno, que ao fim de 30 segundos, interrompeu a narrativa do Secretário-Geral do PS para dizer: “ele vai afirma tudo, ele vai afirmar tudo”. O discurso continuou e, no final, Magno apelidou o discurso de Sócrates com os mais elogiosos adjectivos, terminando com a frase: “é um discurso só comparável ao de Obama contra Hillary Clinton”. Nesse instante, e de forma espontânea, ouve-se em fundo na emissão uma gargalhada sincera de uma mulher. Não sei sequer se a gargalhada não identificada era de alguém que ouvia Magno ou simplesmente alguém que se ria de qualquer outro facto. A verdade é que aquela gargalhada proporcionou um dos momentos mais caricatos de rádio a que assisti. Caricato porque definiu a absoluta esquizofrenia de quem continua no clubismo de Sócrates a suportar uma realidade virtual em que o País não vive, mas em que o Primeiro-Ministro é José Sócrates. Mas caricato também porque naquela gargalhada mora parte do absurdo que continua a ser a comunicação social, suportada há anos em comentadores cuja aderência à realidade é nula e cujo interesse se sobrepõe à razão. Logo a seguir à gargalhada que ilustrou a entusiasmada afirmação de Magno, recuei até um passado distante: 1994. Nesse ano, fui assistir ao Estádio da Luz a um Benfica-Porto que decidia o campeonato. O Benfica ganhou e sagrou-se campeão. Enquanto regressava ao Porto, de carro, escutava a TSF, onde Carlos Magno fazia comentários. E qual foi então o comentário de Magno a esse resultado? (nunca o esquecerei): “Esta vitória do Benfica corresponde a uma crescente perda de importância dos industriais do Norte e, como tal, seguir-se-á um longo período de domínio do Benfica no futebol Português”.
Depois de 1994, o Benfica apenas voltou a ser campeão, em 2005, onze anos depois do comentário de Carlos Magno. Espero que as sábias declarações do comentador mantenham a qualidade que então evidenciavam e que a sua capacidade premonitória faça com que nos livremos dos socialistas pelo menos durante uma década inteira.

A crise em Portugal

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ECONOMIC CRISIS IN PORTUGAL by Kameraphoto - Images by Kameraphoto photographers collective

Sócrates: líder da oposição e mitómano

Ao ver José Sócrates entrar triunfante no Congresso do PS – triunfante e sorridente – perguntei-me por que razão radiava felicidade aquele senhor, ao acenar aos congressistas enquanto caminhava para o palco. Demorei alguns minutos até perceber a razão. À medida que o seu discurso evoluía, percebi que Sócrates estava em casa. Não por estar rodeado de umas centenas de acólitos correligionários mais ou menos domesticados, mais ou menos tão uníssonos como serão, porventura, os conselheiros de Kim Il-Sung. Sócrates sentiu-se em casa por outro motivo. Por que, durante este Congresso, pôde – ao fim de seis anos – voltar a ser aquilo que lhe corre nas veias: o sangue vermelho que embebe a força, a garra, a ferocidade de um líder da oposição.
Na verdade – durante os seis anos anteriores, e apesar de empossado por duas vezes como Primeiro-Ministro, Sócrates nunca se conseguiu libertar da alma de líder da oposição. Nunca se habituou à ideia de que os seus discursos, orientações, decisões, não teriam apenas repercussões retóricas nem seriam apenas arietes apontados ao poder. Sócrates nunca foi, no seu íntimo, Primeiro-Ministro. Nunca entendeu que as suas acções e programas têm, de facto, implicações práticas e directas na vida de pessoas, de famílias, de crianças. Entendi então, e pela primeira vez em anos, a sua felicidade. E entendi o alcance das suas palavras, quando afirmou para o seu rebanho manso na Exponor que lutaria “com alegria” pela vitória na campanha eleitoral. José Sócrates estava em sua casa, pavoneando a sua vocação: a vocação de líder da oposição, populista e irresponsável, podendo dizer o que lhe vem à cabeça, seja mentira ou verdade, que estique a corda até ao poder, mesmo que o poder não posse por si nem por si possa ser alcançado. Mesmo que o poder o torne triste por ter – nesse papel – que amansar o animal feroz.
Sócrates não tem, portanto, culpa de nada do que se passou neste país nos últimos seis anos. Não porque não tenha, efectivamente, hipotecado boa parte da vida dos nossos filhos. Sócrates não é culpado porque é inimputável. Sócrates não é mentiroso, é mitómano. É por isso que enquanto o país se afunda perante medidas e decisões que fazem fome e dor em milhares de reformados, crianças, indigentes, desempregados, doentes e até muitos trabalhadores, Sócrates consegue sorrir… “com alegria”. É que, como qualquer líder da oposição, ele acredita que vai um dia chegar ao poder, mudar Portugal e resolver os nossos problemas. E é, também, só por isso – por ser mitómano – que Sócrates, no mais gravoso anúncio à Nação e no desespero da chamada do FMI, tenha ainda conseguido ensaiar, durante meia-hora, a sua postura perante as câmaras, o seu perfil, com alegria e descontração.
O discurso de Sócrates na abertura do Congresso do PS terminou uma hora depois de ter começado. Imaginei quanto tempo Sócrates terá perdido, nas últimas semanas, a escrever, testar e voltar a ensaiar aquele discurso de verdadeiro líder da oposição. Imaginei que esse processo de maturação daquele elogiado e aplaudido discurso tenha durado uma semana. Imagino-o horas fio, com o “Luís”, a fazê-lo e a reavaliar em que posições deveriam ser colocadas as mãos, os olhos, a expressão. E imagino a massada que terá sido para ambos, terem interrompido a importante actividade de media-training de Sócrates – o líder da oposição – para escrever uma singela carta ao FMI, a pedir ajuda para uma Nação que, durante seis anos, se encarregaram de falir. Uma falência cuja culpa, numa penada atribuem a quem imaginam ser já o Primeiro-Ministro: Pedro Passos Coelho!

terça-feira, 5 de abril de 2011

O que teme Sócrates?

A questão já não é se precisamos ou não de ajuda externa. Já não há economista responsável, banqueiro e mesmo até "amigo do Regime" que não o diga. A questão, agora, é para mim apenas uma: porque não quer Sócrates ajuda do FEEF ou do FMI? Porque sujeita Sócrates o país a isto? De que tem medo Sócrates ao abrir a porta do Ministério das Finanças? O que podem descobrir e dizer-nos sobre a nossa dívida ou contas públicas?



Soares vs Sócrates vs Dívida Pública (relações íntimas)

Cresci habituando-me a considerar Mário Soares como um homem sério. Ouvi-o esta semana dizer que não interessa de quem é a culpa da nossa astronómica dívida externa e, por vias travessas, a defender Sócrates. Não percebi ser era a idade a tirar-lhe descernimento ou se se tratava de puro clubismo político. Contudo, da análise do gráfico da dívida pública portuguesa no pós-25 de Abril, e pintando a rosa os governos PS, a cinza os governos de iniciativa presidencial (Eanes) e a laranja os governos PSD, percebemos melhor as afirmações de Soares.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

É a dívida pública, estúpido

Criou-se a ideia, nos últimos dias, que o importante agora é tentar arranjar soluções para o país e que não interessa encontrar culpados. O princípio poderia ser aceitável, não fosse o caso de termos como candidato a Primeiro-Ministro o actual Primeiro-Ministro. Este gráfico deveria estar presente na parede do escritório de todos os empresários e na sala de jantar de todos os portugueses. Ele representa a dívida pública portuguesa, em percentagem do PIB. Ou seja, a curva representa o quanto nós estamos a viver acima das nossas possibilidades e representa também, de uma forma directa, física e gráfica, a irresponsabilidade populista de quem nos governa. Se repararmos bem, a nossa dívida pública esteve acima dos 60% do PIB antes dos anos 30, atingindo o pico da insustentabilidade em 1893, próxima dos 90%. Depois, foi baixando até cerca dos 15%, em 1975. Os anos que se seguiram à revolução foram de grande consumismo e mudança de paradigma, levando a dívida a subir de forma exponencial até meados dos anos 80. Em 2005, Portugal ainda apresentava valores de dívida pública inferiores a 60% do PIB, ou seja, no mesmo nível de 1930. Contudo, em 2005 Sócrates tomou posse como Primeiro-Ministro e a curva voltou a ultrapassar os 60%, galopando em seis anos de governação para os 97%, atingidos em 2010. O recorde em endividamento de 88% do PIB que tinha sido batido em 1893 foi ultrapassado em 2008 e em apenas 3 anos (2007 a 2010) registou subidas apenas comparáveis em cinco anos entre 1980 e 1985 e em sete, entre 1863 e 1870. Sim, estamos a falar do Século XIX. É preciso esclarecer que a escalada da dívida pública no final do Século XIX levou Portugal a ter que pedir uma renegociação da dívida, com perdão de parte da mesma e a consequente humilhação e descrédito internacional. Mais de um século depois, Portugal ultrapassou, com Sócrates, em poucos anos, o limite razoável dos 60% do PIB, estourou o recorde de 88% que tinha mais de 100 anos e estabeleceu novos limites (97%, em 2010, soube-se agora). Isto significa, que se o país inteiro (empresas e pessoas) durante um ano inteiro entregasse aos credores tudo o que produz, abdicando de saúde, ensino, de comer, de luz eléctrica, de água e de tudo o resto, talvez conseguisse pagar o que deve. Contudo, isso será uma impossibilidade por dois motivos: primeiro porque morreríamos todos e depois porque isso provocaria um arrefecimento da economia e, logo, não conseguiríamos produzir riqueza para entregar aos credores. Facilmente se percebe que chegámos ao ponto da insustentabilidade.
Quando ouvimos dizer, todas as semanas, com enorme satisfação, que o Estado conseguiu colocar mais 1,5 mil milhões ao juro de 7, 8 ou 9% nos mercados internacionais, estamos a ver este gráfico subir, a pique, em direcção ao céu. E estamos a tornar a equação cada vez mais complicada, porque se imaginarmos que em 1974 a nossa dívida pouco ultrapassava os 10%, começamos agora a aproximar-nos do absurdo de termos que pagar isso, já nem em dívida, mas apenas em juros (a dívida continuaria lá).
A quem conseguir, perante esta evidência, explicar-me o que é que isto tem a ver com os acontecimentos dos últimos 15 dias, da crise política e do chumbo do PEC, eu dou um doce. A quem conseguir explicar-me como vamos sair deste imbróglio criado pelo senhor Sócrates com as suas Auto-Estradas, comboios, TGV’s e Aeroportos eu dou dois e a quem me voltar a dizer que não é preciso procurar apontar culpados para o Estado a que chegámos, eu chamarei estúpido. E pergunto, a culpa é dos mercados, que agora nos sobem os juros e não querem emprestar? Ou será das agências de rating, que conhecem este gráfico? Ou... será nossa, porque elegemos um irresponsável para Primeiro-Ministro?

NOTA: se tivermos em conta as mais recentes previsões hoje reveladas de que o crescimento económico será negativo em 1,8% em 2011, devido fundamentalmente à política recessiva que tem sido implementada, esta curva agravar-se-á de forma ainda mais acentuada no próximo ano, ultrapassando claramente os 100%, não apenas porque a dívida subirá mas também porque o PIB baixará. Pergunto: não precisamos de ajuda?

quarta-feira, 30 de março de 2011

O mais esperto dos homens





O mais esperto dos homens é aquele que, pelo menos no meu parecer, espontâneamente, uma vez por mês, no mínimo, se chama a si mesmo asno..., coisa que hoje em dia constitui uma raridade.

terça-feira, 29 de março de 2011

A presidenta ortográfica

Não nos basta o acordo ortográfico que, de uma forma geral, nos obriga a adotar brasileirismos. Agora, temos que aturar os jornalistas portugueses a dizerem "presidenta" do Brasil. Aliás, tenho sobre o acordo ortográfico a ideia de que não é apenas ortográfico. É uma verdadeira ditadura fonética, também, uma vez que nos obriga a alterar a forma como pronunciamos as palavras. Não leio facto da mesma forma que leio fato. Aliás, não posso ler fato da forma que lia facto, porque não está lá nenhum "c". Então, o acordo não é apenas ortográfico. Mas, enfim, já me conformei em usá-lo (a custo). Contudo, dizer "presidenta" já não é conformismo com acordos, é parolismo colonial invertido. Já que temos que aceitar a ajuda do Brasil que nos vai comprar dívida que não vale nada, já que temos que falar como eles e consumir o petróleo deles, as novelas, a música, o carnaval, então talvez valesse a pena cumprir a sugestão irónica li há dias num artigo na imprensa internacional e tornarmo-nos numa província do Brasil. Seríamos bem mais felizes. Eles é que não.

sexta-feira, 25 de março de 2011

O engenheiro Kim Il-Sung e o seu palácio... ou a reeleição de Sócrates

Amanhã há eleições internas no Partido Socialista, havendo mais do que um candidato a Secretário-Geral. Por curiosidade, fui espreitar o site do PS. Além de não ter encontrado nenhuma referência ao ato eleitoral, todo o site está pejado de imagens do “grande líder” e de frases da sua campanha interna. Os outros candidatos, são ignorados. Numa altura em que se discute não apenas a substância mas também a forma como o Primeiro-Ministro nos trouxe a uma gravíssima crise financeira e orçamental – que somou à económica que já vivíamos – atirando-nos agora para uma inoportuna crise política, o Secretário-Geral do PS dá o exemplo dentro de portas daquilo que gostaria que acontecesse em Portugal. Um País governado de uma forma totalitária, anti-democrática, pouco livre e onde o direito á informação não existisse. Tenho pelo Partido Socialista o respeito que se deve ter por um partido cuja génese se confunde com a luta pela liberdade. Estranho que esse mesmo partido se tenha deixado domesticar por um projeto de tirano norte-coreano que apenas não vai mais longe porque o Mundo e a necessidade constante de andar de mão estendida para alimentar as suas megalomanias criminosas como Auto-estradas, TGV’s e Aeroportos não o deixam. E por isso pergunto: onde andam afinal os socialistas? Onde estão os lutadores pelos direitos fundamentais que nos devolveram vontade própria em Abril? Quem é este Sócrates que não apenas arruinou o País como destruiu um dos pilares da democracia portuguesa chamado Partido Socialista? O PS domesticado é a amostra daquilo que aconteceria se Sócrates continuasse, a partir de Junho, a ser Primeiro-Ministro. Orgulhosamente sós, recusando ajuda externa, acabaríamos de novo com o Escudo, a empobrecer e a viver, ora do vento nas eólicas enferrujadas, ora da chama de um petromax quando não houvesse mais dinheiro para a manutenção das “renováveis”. 
Claro que, nessa altura, o nosso “engenheiro” continuaria a assegurar que “resistimos bem à crise” e claro que o INE, na boa escola romena, continuaria a dar-nos números de uma crescente e estatística produção industrial extraordinária e o Banco de Portugal a dar-nos valores de crescimento económico exponencial…
 tal e qual como agora quando nos informa sobre cumprimentos orçamentais errados e nos diz que o défice é de 7% quanto afinal é de 8%. Nessa altura, não haveria desemprego. Nem emprego. Não haveria Portugal, mas apenas uma casa de província mal projetada e mal decorada a que o nosso Kim Il-Sung chamaria palácio.

terça-feira, 22 de março de 2011

José Sócrates

         


"Há pessoas que se gastam servindo os outros, somente para terem uma desculpa de não terem de travar a difícil luta pelo seu próprio bem."


José Sócrates - Um desabafo





"O Trabalho fascina-me... às vezes até fico parado a olhar para ele sem conseguir fazer nada."

A diferença entre ter razão e dizer a verdade

Li uma vez numa entrevista de Dan Bradley que Nixon aproveitou o único erro cometido pelo Washington Post nas mais de 400 notícias escritas sobre o Watergate para tentar descredibilizar o jornal. Nixon sustentava-se na falta de rigor de uma notícia (um pormenor da história) para provar ao País que o Washington Post mentia e urdia contra si uma trama, baseada em falsidades.
Nixon tinha razão, quando assinalou a “mentira” do jornal. Mas não contava a verdade.
Os últimos anos da política portuguesa têm sido férteis em Watergates. Infelizmente, a falta de rigor de muitos jornalistas tem dado sistematicamente razão a quem mente.
É por isso que hoje gostei muito de ouvir Pedro Passos Coelho dizer a verdade sobre o que nos espera se ele – ou qualquer outro – for Primeiro-Ministro amanhã.
Sócrates tem tido muita razão. Sobretudo, quando diz que os portugueses lhe têm dado votos de confiança. Infelizmente, à semelhança do que aconteceu com Nixon, também ele sairá fechando a porta pequena de um fase negra da História de um país. LINK AQUI

quarta-feira, 16 de março de 2011

Jornalismo radioactivo

Ontem logo pela manhã liguei uma das principais rádios nacionais. Tristemente, as rádios portuguesas não conseguem enviar um jornalista a uma crise como a que se vive no Japão. Recorreu, então, essa rádio, a uma jornalista de uma agência de informação, para fazer uma reportagem que foi colocada no ar. Mais palavra menos palavra – mas o que vou transcrever é quase textual, a jornalista disse o seguinte: Os japoneses não acreditam no seu Governo e acham que não lhes está a ser dita toda a verdade sobre a ameaça nuclear. Ainda esta manhã falei com um jornalista japonês que me disse isso e ontem à noite estive no hotel onde dormi com um jornalista dinamarquês que tinha acabado de chegar a Tóquio e me disse que já estava a pensar regressar à Dinamarca porque tinha medo da radioactividade e que eu também deveria ir embora.
A reportagem foi apenas e só isto. Os japoneses e a sua crença na palavra do Governo foram resumidos à opinião do que um jornalista japonês lhe terá dito no hotel nessa manhã, sustentando-se o resto dessa convicção jornalística nos medos de um jornalista dinamarquês acabado de chagar… da Dinamarca.
Eu que tinha passado a noite a fazer zapping entre a CNN, a BBC e a Sky News sabia que a principal preocupação dos habitantes de Tóquio era a escassez de bens nos supermercados e que, quanto à radioactividade, estavam a encarar, como de costume, a ameaça real com grande civismo e calma, saindo à rua com as suas máscaras e colocando bonés, lavando-se com especial frequência e acompanhando em permanência as notícias. Sabia também que os especialistas não são unânimes quanto às consequências da radiação, sabia que tipo de radiação poderia estar a ser libertada e sabia que os ventos Norte que tinham começado a soprar eram o principal tema de conversa de rua dos japoneses.
Sabia muito mais, resultante de verdadeira reportagem em Tóquio, baseada em depoimentos, factos, imagens e sons.
Na rádio portuguesa, fiquei com mais um exemplo de mau jornalismo, falta de rigor, afirmações gratuitas e irrelevantes.
Não digo qual foi a rádio nem quem era a jornalista. Posso ter sido eu a ter azar e aquele momento infeliz de rádio não ser sequer exemplificativo do trabalho sério de uma jornalista competente, numa rádio que até tem muitos méritos e competência. Mas a verdade é que não posso deixar de ficar profundamente preocupado com este episódio que serve de amostra ao mau jornalismo que vemos, lemos e ouvimos diariamente em Portugal. Preocupado não apenas por esta peça ter sido elaborada mas mais ainda por ter chegado a ir para o ar.
Tanto como quando vejo uma Estação de TV nacional, apontar uma webcam de um PC dentro de um quarto de hotel de Tórquio para uma janela  e assim permanecer durante 10 minutos, sem que haja naquela imagem qualquer informação ou sequer, qualquer dado que distinga o bocado de céu e a ponta de um edifício deTórquio de uma outra que poderia estar a ser recolhida na Bobadela ou em Alcabideche. O "directo" não é um valor em si. O Jornalismo sim. Mas infelizmente esse está cada vez mais ausente na maioria das reportagens histéricas que vemos sobre este tipo de acontecimento.