terça-feira, 22 de março de 2011

José Sócrates - Um desabafo





"O Trabalho fascina-me... às vezes até fico parado a olhar para ele sem conseguir fazer nada."

A diferença entre ter razão e dizer a verdade

Li uma vez numa entrevista de Dan Bradley que Nixon aproveitou o único erro cometido pelo Washington Post nas mais de 400 notícias escritas sobre o Watergate para tentar descredibilizar o jornal. Nixon sustentava-se na falta de rigor de uma notícia (um pormenor da história) para provar ao País que o Washington Post mentia e urdia contra si uma trama, baseada em falsidades.
Nixon tinha razão, quando assinalou a “mentira” do jornal. Mas não contava a verdade.
Os últimos anos da política portuguesa têm sido férteis em Watergates. Infelizmente, a falta de rigor de muitos jornalistas tem dado sistematicamente razão a quem mente.
É por isso que hoje gostei muito de ouvir Pedro Passos Coelho dizer a verdade sobre o que nos espera se ele – ou qualquer outro – for Primeiro-Ministro amanhã.
Sócrates tem tido muita razão. Sobretudo, quando diz que os portugueses lhe têm dado votos de confiança. Infelizmente, à semelhança do que aconteceu com Nixon, também ele sairá fechando a porta pequena de um fase negra da História de um país. LINK AQUI

quarta-feira, 16 de março de 2011

Jornalismo radioactivo

Ontem logo pela manhã liguei uma das principais rádios nacionais. Tristemente, as rádios portuguesas não conseguem enviar um jornalista a uma crise como a que se vive no Japão. Recorreu, então, essa rádio, a uma jornalista de uma agência de informação, para fazer uma reportagem que foi colocada no ar. Mais palavra menos palavra – mas o que vou transcrever é quase textual, a jornalista disse o seguinte: Os japoneses não acreditam no seu Governo e acham que não lhes está a ser dita toda a verdade sobre a ameaça nuclear. Ainda esta manhã falei com um jornalista japonês que me disse isso e ontem à noite estive no hotel onde dormi com um jornalista dinamarquês que tinha acabado de chegar a Tóquio e me disse que já estava a pensar regressar à Dinamarca porque tinha medo da radioactividade e que eu também deveria ir embora.
A reportagem foi apenas e só isto. Os japoneses e a sua crença na palavra do Governo foram resumidos à opinião do que um jornalista japonês lhe terá dito no hotel nessa manhã, sustentando-se o resto dessa convicção jornalística nos medos de um jornalista dinamarquês acabado de chagar… da Dinamarca.
Eu que tinha passado a noite a fazer zapping entre a CNN, a BBC e a Sky News sabia que a principal preocupação dos habitantes de Tóquio era a escassez de bens nos supermercados e que, quanto à radioactividade, estavam a encarar, como de costume, a ameaça real com grande civismo e calma, saindo à rua com as suas máscaras e colocando bonés, lavando-se com especial frequência e acompanhando em permanência as notícias. Sabia também que os especialistas não são unânimes quanto às consequências da radiação, sabia que tipo de radiação poderia estar a ser libertada e sabia que os ventos Norte que tinham começado a soprar eram o principal tema de conversa de rua dos japoneses.
Sabia muito mais, resultante de verdadeira reportagem em Tóquio, baseada em depoimentos, factos, imagens e sons.
Na rádio portuguesa, fiquei com mais um exemplo de mau jornalismo, falta de rigor, afirmações gratuitas e irrelevantes.
Não digo qual foi a rádio nem quem era a jornalista. Posso ter sido eu a ter azar e aquele momento infeliz de rádio não ser sequer exemplificativo do trabalho sério de uma jornalista competente, numa rádio que até tem muitos méritos e competência. Mas a verdade é que não posso deixar de ficar profundamente preocupado com este episódio que serve de amostra ao mau jornalismo que vemos, lemos e ouvimos diariamente em Portugal. Preocupado não apenas por esta peça ter sido elaborada mas mais ainda por ter chegado a ir para o ar.
Tanto como quando vejo uma Estação de TV nacional, apontar uma webcam de um PC dentro de um quarto de hotel de Tórquio para uma janela  e assim permanecer durante 10 minutos, sem que haja naquela imagem qualquer informação ou sequer, qualquer dado que distinga o bocado de céu e a ponta de um edifício deTórquio de uma outra que poderia estar a ser recolhida na Bobadela ou em Alcabideche. O "directo" não é um valor em si. O Jornalismo sim. Mas infelizmente esse está cada vez mais ausente na maioria das reportagens histéricas que vemos sobre este tipo de acontecimento.

sábado, 12 de março de 2011

Sócrates = Kadhafi

Salvo as devidas distâncias, Sócrates é uma espécie de Kadhafi da Europa. Já toda a gente percebeu que vai cair, sabe que se cair não volta, precisa do poder para manter o nível de vida e... resistirá como mártir até ao fim. Um como outro, vêem "terroristas" e inimigos do regime onde, afinal, só já há povo, farto da sua tirania.

quinta-feira, 10 de março de 2011

José Mourinho

Atitude!

A mensagem que Mourinho devia ter dito.
José Mourinho, para o Portugal Sem Prozac




segunda-feira, 7 de março de 2011

O País da Contratação Pública que importa denunciar

Há dois anos, o Governo decidiu mudar o sistema de contratação pública em Portugal. Em nome da “simplificação” e da “desmaterialização” dos processos, o Estado passou a obrigar que todas as contratações acima de um valor muito diminuto passem a ser feitos em plataforma electrónica. Ou seja, o sistema antigo, que obrigava as entidades a publicarem anúncios nos jornais e os concorrentes a responder através de um dossiê em papel, foi substituído por um sistema onde tudo acontece electronicamente, num site. Que site? São portais de contratação pública. Empresas privadas que vendem os seus serviços às entidades públicas para estas poderem contratar.
Tirando o efeito colateral de ajudar a matar a imprensa local, esvaziando-a de uma receita que ia tendo, estes sites deveriam ajudar a simplificar e tornar mais transparente e fidedigno o processo de contratação. Contudo, quem com eles tem que trabalhar não diz a mesma coisa.
O processo começa a complicar-se quando quem contrata é obrigado a comprar certificados qualificados (em Portugal só existe uma entidade a emitir e vender este tipo de certificado, funcionando, por isso, praticamente em monopólio) e, em algumas plataformas, abrir a segurança do computador a níveis perigosos e nada normais. A complicação continua quando algumas plataformas “obrigam” as entidades contratantes a trabalharem com determinados sistemas operativos ou browsers, normalmente, da Microsoft. Mas não termina aí o pesadelo. As mudanças nos sistemas são constantes e os erros ainda mais frequentes. Aquilo que deveria ser simples e intuitivo, é complicado e nada parecido com nada que conheçamos em informática ou portais.
Depois, prosseguimos com uma invenção mais recente: a “validação temporal”. As entidades que pretendem ser contratadas têm que validar o envio de documentos com “selos temporais”. Uma espécie de “vírus” informáticos que servem para atestar a hora exacta de um upload. Esses “selos” são vendidos pelas próprias plataformas e não são transaccionáveis entre plataformas, o que obriga a uma situação de clara falta de concorrência. Ou seja, eu se quiser ser contratado ou concorrer a um concurso público sou obrigado a pagar a uma empresa privada algo que a Lei me obriga a pagar a um preço que essa empresa entender como bom, não podendo fazê-lo a mais nenhuma empresa concorrente. É como se nos obrigassem a comprar o impresso do IRS a uma empresa privada e não a qualquer outra, sendo o preço feito pela mesma.
Por fim, o absurdo de todo o processo. Vejamos um exemplo. Para se ser contratado pelo Estado (seja um singular seja uma empresa) temos que ser gente de bem, sem cadastro criminal. Até aqui tudo bem. O problema é que sempre que uma empresa é contratada, terá que apresentar um certificado de registo criminal. Esse certificado é enviado, como os outros documentos, via plataforma electrónica. Ou seja, depois dos sócios se deslocarem ao Registo, onde pagam por um papel dizendo que não são criminosos, digitalizam-no e enviam-no via plataforma electrónica. Esse certificado leva um selo branco do Registo Criminal, mas como sabemos os scanners não lêem selos brancos… O absurdo é total: pagar por um papel que é certificado por selo branco, para depois o digitalizar e enviar via plataforma… com um selo temporal! Pagamos duas vezes, mas ninguém impede ninguém de, pelo caminho, ir ao Photoshop alterar o que lá está escrito. Ainda mais caricato é o facto do primeiro passo de qualquer processo de contratação começar com uma declaração do contratado jurando por sua honra não ter cometido nenhum daqueles crimes. Ou seja, primeiro o Estado pede-nos que juremos. Nós juramos, mas o Estado não acredita. Pede-nos um certificado que custa dinheiro e onde coloca um selo, mas depois o selo não passa no scanner pois a única coisa importante é certificar a que horas o enviámos e isso… custa outra vez dinheiro.
Tudo isto seria mais ou menos suportável caso as plataformas funcionassem bem. Contudo, cada processo é um calvário, com horas de assistência técnica ao telefone, com chamadas que não são atendidas, com sistemas que vão abaixo, certificados que não são lidos, logins que não acontecem.
E porque não funcionam esses sistemas? Será por absoluta incompetência? Será por impossibilidade técnica? A resposta talvez esteja no e-mail que reproduzo a seguir (de onde retirei o nome da plataforma em causa) mas que nos dará uma pista. É que, coitados dos desgraçados que se vêem enredados na necessidade de ganhar um pequeno contrato com uma Câmara, um Instituto ou com um Ministério… mais não lhes resta do que procurar ajuda! E imaginem quem ajuda: as próprias plataformas que promovem toda esta complicação – com a ajudinha do Governo que legisla longe do que é o País real. E que preço levam essas plataformas – empresas privadas a funcionar sem concorrência – no caso que se segue, 110 euros acrescidos de IVA por pessoa por três horas de formação colectiva. Ensinam-nos a “desmaterializar”. Ensinam-nos o que está “simplificados”. Ensinam-nos o que supostamente não deveria necessitar de ensinamento. E nem sequer se maçam muito a prestar tal serviço, pois até o material fica a cargo dos formandos.
Tudo isto seria até interessante se necessário para melhorar a transparência e eliminar a corrupção. O que não acontece. O único efeito possível deste sistema absurdo, “moderninho”, mas totalmente tortuoso é matar muitas PME’s que até iam prestando alguns pequenos serviços ao Estado, sobretudo a Câmaras, Juntas e algumas entidades locais e, agora, sem vêem impedidas de entrar num carrossel de absurdos em nome de um país onde quem legisla não tem sequer a mais pequena ideia do que seja viver ou sobreviver no labirinto legislativo que, espante-se, beneficia sempre os mesmos.

A seguir o e-mail enviado por uma plataforma de contratação pública:

Exmo.(s) Sr.(s)
A nova versão da Plataforma Electrónica de Contratação Pública… é já uma realidade!
Assim, e uma vez que o número de inscrições na última Acção de Formação sobre esta versão ultrapassou em grande quantidade o número de vagas disponíveis, vamos repetir este módulo formativo.
A próxima acção vai decorrer em simultâneo em Lisboa e no Porto, no dia 18 de Março, e tem a duração de 3 horas (sendo possível escolher entre o horário da manhã ou o horário da tarde) e o custo de 110,00euros + IVA/Participante. O pagamento do valor referente à inscrição na Formação deverá ser efectuado por transferência bancária, para o NIB xxxx xxxxx  xxxxx xxxxx

A inscrição (preenchimento do formulário e pagamento do valor respectivo) deverá ser efectuada até 5 dias antes da data prevista, ficando sujeita a confirmação e a um limite de participantes.
Apresentamos, de seguida, a Agenda da Formação
(deverá optar por uma das sessões)
Sessão da manhã:
9h30m - Boas Vindas
9h35m - Apresentação da nova versão da plataforma anoGov R2
9h45m - Formação nas novas funcionalidades da plataforma
10h45m - Realização de exercícios práticos
12h15m - Perguntas e Respostas
12h30m - Encerramento
Sessão da tarde:
14h00m - Boas Vindas
14h05m - Apresentação da nova versão da plataforma anoGov R2
14h15m - Formação nas novas funcionalidades da plataforma
15h15m - Realização de exercícios práticos
16h45m - Perguntas e Respostas
17h00m - Encerramento
Para obter mais informações sobre:
•    Prazos e Condições de participação;
•    Conteúdos da Formação;
•    Requisitos Técnicos para a participação na Formação,
deverá consultar os separadores "condições" e "preço/pagamento", constantes do Formulário de Inscrição e informação complementar presente em  www.xxxx.pt
Para se inscrever, aceda p.f. ao formulário de inscrição através do link:
Todos os participantes deverão levar computador e respectivo Certificado de Assinatura Digital Qualificado.
No final da Formação será entregue um Certificado de Formação aos formandos.

sexta-feira, 4 de março de 2011

Kadafi fala aos Portugueses



Juros mais altos chegam mais cedo

                    


A possibilidade do Banco Central Europeu subir os juros já em Abril apanhou todos de surpresa, e veio aumentar a especulação de que a taxa directora possa subir ainda mais até ao final deste ano. Há já quem admita mais duas revisões em alta do preço do dinheiro, até 1,75%.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Facebook lança novo sistema de comentários



O Facebook anunciou o lançamento de uma atualização do seu sistema de comentários. Os objetivos são desincentivar comentários anónimos ou abusivos e permitir mais ligações entre o Facebook e sites noticiosos.

Quando vale tudo por um exclusivo





Uma polémica entrevista num programa do canal espanhol Telecinco conseguiu o que a polícia não tinha alcançado, mas os métodos põem em questão os límites do jornalismo.


Ler mais…

Steve Jobs revelou ontem os resultados do tablet iPad


Steve Jobs revelou ontem os resultados do tablet iPad obtidos durante 2010.
Em sintese:

15 milhões de iPads vendidos de Abril a Dezembro;
- A Apple registou 90% de quota de mercado dos tablets;
- Facturação de 9,5 milhões de dólares em 2010;
100 milhões de ebooks foram descarregados,
- a iBookStore já tem 2500 editores;
- a editora Random House acaba de se associar com 17 mil ebooks.



quarta-feira, 2 de março de 2011

Sócrates rejeita subserviência na reunião com Angela Merkel

                          


O primeiro-ministro, José Sócrates, rejeitou hoje a ideia de subserviência na visita à chanceler alemã, Angela Merkel, considerando que "Portugal tem oito séculos de história e não é subserviente com ninguém, a não ser com o seu povo".

"Portugal está a fazer aquilo que deve"





Após um encontro que durou cerca de 45 minutos, e que também contou com a presença dos ministros das Finanças dos dois países, a chanceler alemã saudou "as decisões corajosas" tomadas por Portugal e o conjunto de "reformas estruturais iniciadas".

"Portugal está a fazer aquilo que deve", sublinhou, acrescentando: "Eu nunca disse que Portugal devia recorrer ao fundo. Portugal está a cumprir tarefas e a fazer o que deve ser feito". Nesse sentido, continuou Merkel, o trabalho do governo português "é excelente".


Sócrates aterra em Berlim com juros bem acima de 7%




Há 19 dias que o risco da dívida portuguesa não cai abaixo dos 7%.

No dia em que José Sócrates e Teixeira dos Santos vão a Berlim para se encontrar com Angela Merkel, o juro sobre Obrigações do Tesouro portuguesas a 10 anos agrava-se ligeiramente para 7,466%, o que significa que há dez...anove dias que não cai abaixo dos 7%.

Governo alemão aprova taxa para financiar reestruturação de bancos

             


O governo da chanceler Angela Merkel aprovou esta tarde os termos de um decreto-lei que estabelece as taxas que todos os bancos terão de pagar para financiar um fundo comum que será mobilizado para prevenir o colapso de entidades financeiras "cruciais", evitando que a factura volte a recair na íntegra sobre os contribuintes.