domingo, 9 de maio de 2010

Chávez compreendeu o Twitter

Hugo Chávez, depois de surpreender o mundo (e assustar meio outro) com a abertura de uma conta no Twitter, é hoje notícia por ter recrutado 200 pessoas para gerir essa conta. As reacções, em geral, são de espanto e gargalhada geral.

Questões políticas à parte (diz que abraçou o Twitter como mais "uma arma da revolução"), Chávez entendeu muito bem o segredo das redes sociais: o engagement e o diálogo.

Contrariamente a várias celebridades que se limitam a acumular milhares ou milhões de seguidores e debitar de vez em quando umas frases, sem qualquer ou muito pouca interacção com o público, Chavez decidiu responder a todos os que se lhe dirigem. As mensagens são diversas, mas a maioria parecem ser apelos para casos pessoais, como este ou mensagens de apoio (também de críticas, naturalmente).

Com cerca de 243 mil seguidores nesta data e 50 mil mensagens recebidas nas duas primeiras semanas, o "“Presidente de la República Bolivariana de Venezuela. Soldado Bolivariano, Socialista y Antiimperialista” (é esta a sua biografia no Twitter) prometeu não deixar nenhum seguidor sem resposta.

Chávez percebeu que o Twitter é uma plataforma única de comunicação, de persuasão, de gestão da reputação. Tal como os políticos e as organizações o perceberam. Mas, para ser eficaz e mobilizador, exige respostas rápidas, capacidade de diálogo e de envolvimento. A entrada nas redes sociais é, de facto, um investimento exigente e caro, que exige ser bem pensado antes de ser eleito como uma "ferramenta de marketing e comunicação".

Não sei se 200 pessoas serão um exagero, talvez não seja. O que é certo é que, tal como Chávez e as grandes organizações já perceberam, sem os recursos necessários (isto é, uma equipa dedicada e dimensionada) a presença nas redes sociais é mero folclore e sem qualquer retorno.

sábado, 8 de maio de 2010

A lamentável RTP e o Estoril Open

Bem sei que os jogos das meias-finais foram atrasados devido à chuva, mas nada justifica o comportamento e critérios da RTP quanto à transmissão dos jogos do Estoril Open. Durante toda a semana, a TV pública transmitiu exaustivamente jogos do torneio de ténis, ocupando horas de antena na RTP N e no canal de HD da Estação. Em simultâneo, algumas partidas foram transmitidas em 3D no MEO. Contudo, chegados às meias-finais, com Roger Federer a jogar um dos jogos e com Frederico Gil pela primeira vez numa meia-final, a RTP brindou-nos com o absurdo. O jogo de Frederico Gil nem sequer foi transmitido e o de Federer começou por dar na RTP2, mas ao fim do primeiro set, o futsal roubou-nos o ténis. Quanto ao canal de HD, fechado!!! E a RTPN a repetir toda a tarde as mesmas notícias da manhã e a fazer 475 antevisões aos jogo que o Benfica irá fazer amanhã. A RTP é um serviço público. E não é sequer um serviço público qualquer. Porque além de ser pago com publicidade, concorrendo com os privados, ainda beneficia de indemnizações compensatórias oriundas do Orçamento Geral do Estado e ainda é, de novo, pago por cada um dos contribuintes de forma individual na sua factura de energia. A RTP, que tantas vezes nos dá bons exemplos, é vezes de mais, capaz do pior, como foi este o caso. Como contribuinte – duas vezes – para o orçamento da RTP, sinto-me indignado e espero que nunca mais os direitos de transmissão do Estoril Open sejam entregues a uma TV que mobiliza meios inéditos para transmitir inclusivamente em 3D e, depois, trata os seus clientes desta forma tão absurda e desinteligente.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Ricardo Rodrigues - o ético

Calha-me em sorte profissional ter a TV ligada quase todo o dia em canais de notícias. Vejo, por isso, as transmissões das comissões de inquérito da Assembleia da República. Vi, por isso, o deputado Ricardo Rodrigues, a determinada altura acompanhado pela deputada Medeiros, dar grandes exemplos de rigor ético, como foi o caso de se insurgir contra a citação ou mesmo simples referências de escutas telefónicas legais, realizadas no âmbito de processos-crime, mas que, por razões processuais, nunca foram disponibilizadas às comissões da Assembleia da República. Agora, que ficámos a saber que para Ricardo Rodrigues chega a ser legítimo roubar gravadores de reportagem a jornalistas e que o PS o apoia ainda assim, há um pormenor ainda mais grave e incompatível com a continuação em funções deste deputado. E o pormenor não é o acto inqualificável do furto, a forma como foi perpetrado e o absurdo das suas declarações. O pormenor é Ricardo Rodrigues ter usado as gravações e o próprio objecto do seu roubo para efeitos de uma providência cautelar que diz ter feito.Objecto que, potencialmente, possui matéria protegida por segredo profissional e que, eventualmente, nem lhe diz respeito. Ricardo Rodrigues, para quem a simples referência a escutas legalmente realizadas e hoje públicas é uma infâmia, acha-se no direito de usar escutas por si furtadas para tentar impedir a publicação de notícias. Alguém pergunte a José Sócrates se este conjunto de actos irreflectidos é ou não mais grave do que os “corninhos” com que despachou Pinho e se, assim sendo, mantém em Assis confiança política para continuar a liderar a bancada parlamentar do seu partido. E ainda se, assim sendo, o PS continuará a ser representado na comissão de ética pela deputada das viagens e pelo deputado dos gravadores.

terça-feira, 4 de maio de 2010

A solidariedade com a Grécia segundo Manuel Alegre

Ouvi ontem o putativo candidato do PS falar sobre a ajuda portuguesa à Grécia, concordando com os 2,2 mil milhões de euros que vão a caminho de Atenas. Disse o senhor Manuel Alegre que temos que ser “solidários com a Grécia, até porque um dia, quem sabe, seremos nós a precisar da solidariedade dos outros”. Este conceito de “solidariedade” coloca o termo ao nível de uma apólice de seguro. Pago um preço hoje, garantindo uma indemnização amanhã, caso a catástrofe me venha a atingir a mim.

Esta declaração de Alegre, que não parece ter chocado ninguém, coloca na lama todas as 37.457 vezes em que Alegre usou a palavra “solidariedade” nos seus poemas, levando-me a questionar também quais os seus conceitos acerca de termos como “liberdade” e “fraternidade”, igualmente muito comuns nos seus escritos literários e discuros políticos, indiscriminadamente.

Que a política é um jogo de interesses, já todos sabíamos. Que Alegre não tem feito outra coisa do que tentar (mal) jogar esse jogo, também. Mas escusava de andar por aí a deitar abaixo algo que durou décadas a convencer-nos: que é um homem de convicções.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Portugal Glocal


PORTUGAL GLOCAL


Portugal Global através do local. Portugal através das pessoas existentes em países, regiões, estados ou cidades falantes da língua portuguesa.

Todos os jornalistas estão convidados.

Direito à indignação e uma citação

Depois de um dia triste para os portugueses, em que nos tentaram convencer que cortar 25% do subsídio de desemprego é a solução para o caos financeiro e, no mesmo dia, o Governo assinou com Jorge Coelho o contrato para construir a 3ª Auto-Estrada Lisboa Porto no valor de 1.429 MILHÕES € !, apenas quero citar: "People of mediocre ability sometimes achieve outstanding success because they don't know when to quit" - George E. Allen

terça-feira, 27 de abril de 2010

e quando supunhamos poder ficar , enfim, descansados lá temos então que voltar á moura guedes.



Manuela moura guedes foi chamada a prestar depoimento para ajudar ao esclarecimento das verdades que afirmou conhecer sobre os alegados planos do Primeiro ministro, mas manuela moura guedes parece não estar interessada em esclarecer o que quer que seja.Diz que está surpreendida.Que se sente surpreendida e incomodada por entender que é o Ministério público quem tem o dever de investigar e não o cidadão queixoso a ter que prestar declarações que ajudem á investigação.


Manuela moura guedes deve pois ter esquecido qual o seu papel nesta estória e qual a posição que ocupava quando desencadeou o processo em que Sócrates foi literalmente triturado na praça pública, por suspeições e difamações cuidadosamente preparadas visando o seu descrédito na opinião dos Portugueses.

Esqueceu que era pivot de uma estação de televisão.
Esqueceu que por diversas vezes e até bem recentemente, afirmou ter na sua mão provas contra o Primeiro ministro.Esqueceu as afirmações que fez de que a estação que serviu teria em seu poder documentos incriminatória contra Sócrates, mesmo depois de se tornar conhecido o fecho do processo Inglês que ilibava totalmente o mesmo, enquanto que em Portugal as investigações apontavam para o mesmo desfecho.
Mesmo nessa altura , continuou teimosamente a instigar, a provocar e a acusar sem provas. Agora que lhe pedem as provas que ela disse ter, diz que está surpreendida e que se sente incomodada e virando esse seu incómodo contra o Ministério público acusando-o de não estar a investigar.



Em resumo , manuela moura guedes está a tentar escapar á obrigação de prestar informações sobre os conteúdos que afirmou ter em seu poder e sobre os quais assentou os seus ataques e insinuações. Ora para quem tanto sorriu, para quem tanto ergueu a sua voz,p ara quem chamou a si tanto protagonisto na tal " defesa do direito á verdade" moura guedes está a ter um estranho comportamento.

Se o que pretende com esse comportamento é continuar com as luzes da ribalta apontadas para si, alguém devia dizer-lhe que existem certas luzes das quais mais vale ficar afastado.São luzes cruéis, demasiado potentes que acabam por revelar os nossos pontos mais fracos e das quais muitas vezes deixamos de poder defender-nos.
É que esta coisa de dizer mal das pessoas seja porque razão fôr é sempre muito perigosa.Porque há sempre um dia em que temos que prestar contas por cada palavra dita ou escrita.E nesse dia acaba sempre por começar a entrada numa outra dimensão que julgavamos impossível, mas que a tal luz cruel a que nos subtemos ilumina, sem que possamos fugir.


Eu, se fosse a manuela moura guedes , deixava de dizer mal das pessoas.
É que confundir mordacidade com sarcasmo e informação com manipulação, pode muitas vezes trazer-nos a ironia do destino e as piores consequências.





segunda-feira, 26 de abril de 2010

Liberdade de expressão, humor e religião

Numa conversa de almoço, sobre o tema que dá título a este post, ouvi algumas questões curiosas e pertinentes:

- Hoje vemos humoristas, e não só, a fazerem piadas sobre a Igreja [católica] e o Papa… Porque é que será que não fazem o mesmo em relação a muçulmanos ou islamitas?
- Talvez porque os católicos são mais diplomatas nas reacções do que outros…
- Pois é, fazem piadas, os católicos manifestam um ‘sorriso amarelo’ e pronto. Estou mesmo a ver o que aconteceria se algum humorista se ‘metesse’ com o Islão, por exemplo. E já não digo nada se as piadas forem – não são – em torno da homossexualidade ou homossexuais…
- É, as minorias parecem ter ‘mais peso’, pelo menos ao nível mediático, do que as maiorias.

Citando um spot conhecido: “Valia a pena pensar nisto…”

sábado, 24 de abril de 2010

Actor despedido por recusar cena de sexo

Há uns dias soube-se de uma notícia curiosa: A cadeia americana ABC despediu um actor porque este recusou-se a rodar uma cena de sexo. O actor é o americano Neal McDonough, 44 anos, estrela de filmes como "Star Trek: First Contact", "The Hitcher" e "Minority Report", assim como de séries televisivas como "Tin Man","Band of Brothers" e "Desperate Housewives".

Neal McDonough tinha começado a rodar uma nova série televisiva da ABC, “Scoundrels”, e negou interpretar uma cena de sexo explícito com a actriz Virginia Madsen. A cadeia televisiva despediu-o imediatamente.

A notícia, que passou despercebida na comunicação social portuguesa, tem alimentado um sem número de comentários em todo o mundo.

Na América, a comunicação social afirma que as razões que levaram McDonough a recusar a cena são o facto de este ser católico, casado e ter três filhos pequenos.

Na Internet, milhões de internautas de todo o mundo têm apoiado a decisão do actor. A julgar pelos comentários a esta notícia, deduz-se que a coerência continua a ser um valor em alta.

O actor, que actuou em consciência e por respeito à sua mulher e família, abdicou de muito dinheiro. Se tivesse rodado esta nova série, McDonough receberia um milhão de dólares.

Neal McDonough, para além de ser um bom actor, demonstrou que é um homem coerente e inteligente.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Um pouco estranho

Há dias ouvi Emídio Rangel numa comissão parlamentar referir-se às agências de comunicação como se delas viesse todo o mal do Mundo, nomeadamente, o mal que incomoda o mundo do Governo e de José Sócrates, coitadinho (palavra minha), tão atacado por essa infame actividade.
Rangel lançou sobre as agências de comunicação a acusação de “plantarem notícias” e urdirem estratégias de assassinatos de carácter.
Ontem, também no Parlamento, mas em pleno hemiciclo, Fernando Negrão acusou os corruptos e arguidos (presumo que de área política diferente daquela a que se referia Rangel) de “até já terem assessores de imprensa”.
É um pouco estranho que as principais agências de comunicação, nomeadamente aquelas que têm prestado serviços ao PS, ao Governo e também das que o fazem ao PSD (nalguns casos, as mesmas) não se insurjam perante tão ferozes ataques. E é também estranho que as organizações que representam o sector não manifestem, também, a sua indignação quando, sobre todas as agências e, no fundo, também sobre jornalistas, é lançado um anátema que nem sempre lhes encaixa.
Como é estranho que numa altura em que tanto se discute a liberdade de imprensa e de expressão, ninguém peça em sede de comissão de ética a Emídio Rangel que explique quais são essas agências e, já agora, que espécie de jornais e jornalistas aceitam a “plantação de notícias” e… a troco de quê o fazem. E que, por uma vez, sejam pedidos casos concretos e nomes (de assessores e jornalistas) que praticam tais actos.
É que, de outra forma, a “infâmia” de que se queixa o PS - e em uníssono Emídio Rangel - está a ser combatida com outra infâmia, por ventura, ainda mais vaga e injusta.
Quanto a Fernando Negrão talvez fosse melhor fazer-lhe perceber que o problema da Justiça não é a capacidade de comunicação ou de defesa dos arguidos, mas a incapacidade da Justiça para acusar e condenar. E, já agora, a absoluta e histórica inabilidade que o sistema judicial português tem para comunicar. Problema que, talvez, uma boa agência de comunicação pudesse ajudar a resolver com grandes vantagens para a credibilização da Justiça e, logo, com grandes vantagens para o País.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Incêndio no Rossio

Um incêndio de grandes dimensões deflagrou esta noite no Rossio e atinge já vários edifícios, aparentemente desabitados. As recordações são inevitáveis. A história, essa, não perdoa a incúria dos homens. Ouvi um dia alguém dizer que há três formas de destruir uma cidade: com uma catástrofe natural, com uma guerra ou com uma má lei do arrendamento. A mais destrutiva é a terceira.

A técnica da política

Sempre critiquei os políticos por não tomarem decisões políticas e se pendurarem em soluções técnicas que explicam todas as suas opções. Contudo, eu pensava que nos últimos dias os aviões não voavam por questões técnicas. Hoje fiquei a saber que voltam a voar por opções políticas. É confuso? Sim é. Talvez por isso seja melhor ficar por casa por estes dias…

segunda-feira, 19 de abril de 2010

O interesse nacional e direito à verdade

"A menos que os políticos portugueses que estão no poder acreditem que o doente que se chama Portugal já tenha perdido a consciência e que já não tenha sequer capacidade para decidir sobre o seu próprio destino, temos o direito a saber a verdade! Mas, se nisso acreditam, então Portugal será um doente cerebralmente morto... Ou seja, terá já morrido a democracia".

Nos últimos tempos tenho ouvido muitas vezes ser evocado o “interesse nacional” a propósito da economia portuguesa. De membros do Governo a comentadores, passando pelo próprio Presidente da República, vão-nos dizendo, entre dentes, que o melhor é estarmos caladinhos com esta coisa do défice e da dívida pública. Afinal, afirmam, já nos bastam esses “especuladores” estrangeiros a dizerem que estamos muito mal. E acrescentam: “temos que dizer que estamos melhor do que a Grécia para defender os interesses nacionais”.
Contudo, eu (como 99,99% dos portugueses) não tenho capacidade para avaliar a real situação do país. Tenho, por isso, que “acreditar” ou “não acreditar” no que vão dizendo.
Não vou, por isso, defender aqui a credibilidade dos avisos preocupantes que vêm do exterior sobre esta matéria. Mas não deixo de os ouvir e de me interrogar se estamos ou não à beira do abismo.
A questão está por isso no domínio da credibilidade de quem profere as afirmações. Devo acreditar no Presidente da República e nos membros do Governo sobre esta matéria? Ou devo acreditar em algumas “sumidades” mundiais que nos colocam a um passo do descalabro económico-financeiro?
Há, para já, dois indicadores que me preocupam no discurso dos portugueses que defendem a “saúde” relativa das nossas contas públicas.
Um desses indicadores é a evolução do discurso e dos números. O que nos foi dito há dois ou três meses é radicalmente diferente do que hoje nos é dito. Se o TGV e o Aeroporto (entre outras obras) eram obras imprescindíveis há três meses, hoje a sua construção é adiável. Se os impostos eram intocáveis há três meses atrás, a efectiva subida da carga fiscal é hoje uma realidade e parece nem resolver. Se os salários dos funcionários públicos eram inquestionáveis no trimestre passado, hoje estão congelados até 2013…
Ora, ou há três meses me mentiam ou Portugal é absolutamente incapaz de fazer contas. Na verdade, nos últimos três meses, nada de especialmente imprevisível se passou na economia. Pelo contrário, dizem-me que saímos da recessão. Daí que coloque a questão: porque razão hei-de agora dar credibilidade a quem demonstrou não a ter?
Mas há um segundo indicador que é fonte de preocupação no discurso português nesta matéria: é a permanente invocação do “interesse nacional”!
Explicando melhor, o que mais me preocupa é a expressão usada por Cavaco Silva quando afirma “temos que defender Portugal”.
Eu percebo que os mercados financeiros são sensíveis ao discurso. Mas quem de facto acredita na saúde e na recuperação das contas públicas nacionais não manifesta a sua posição justificando as suas afirmações com o “interesse nacional”. Quem acredita, defende simplesmente o que acredita, com números, com factos e com verdade, sobretudo, quando esse alguém é economista, já foi Ministro das Finanças, Primeiro-Ministro e é agora Presidente da República.
Mentir em nome do interesse nacional é o pior serviço que se pode prestar à Nação. E nem eu nem ninguém irá compreender que nos tenham mentido, apenas para não piorar o deplorável estado da Nação.
Um dos direitos de um doente é ter plena consciência do seu estado de saúde. E os médicos são deontologicamente obrigados a comunicá-lo, mesmo que a notícia possa agravar o estado anímico do doente. Afinal, se vamos morrer temos o direito a sabê-lo. E temos até o direito a tentar salvar-nos por outras vias… escolhendo outro médico que não nos minta, por exemplo.
A menos que os políticos portugueses que estão no poder acreditem que o doente que se chama Portugal já tenha perdido a consciência e que já não tenha sequer capacidade para decidir sobre o seu próprio destino, temos o direito a saber a verdade! Mas, se nisso acreditam, então Portugal será um doente cerebralmente morto... Ou seja, terá já morrido a democracia.

domingo, 18 de abril de 2010

Dois em um:-Alberto João Jardim e o PSD não tem juízo! até á afirmação da sua Portucalidade.

--Estive a ler a notícia publicada no Diário de Notícias sobre a assumida Portucalidade de Alberto João Jardim e não caibo em mim de contente. Que diabo esta posição tão frontal , vinda de um senhor tão rezingão e que há relativamente pouco tempo ameaçava á direita e á esquerda que ainda um dia agarraria na Ilha e se pirava com ela Oceano adentro sem nos dar a direcção, é coisa para ficar a gente maravilhada.

--Não sei a que se deverá esta tomada de posição tão decidida, nem sequer irei dar bitaites sobre as hipóteses que poderão estar subjacentes a esta revelação e entrevista, mas não podia deixar de aqui assumir a minha satisfação que nisto de ter mais um Português e de gema, decidido a afirmar- se é notícia de grande monta que não poderia ser ignorada.

--E como há dias especiais em que parece que uma notícia boa nunca vem só e para não deixar cair nem uma das palavras do digno Presidente da Madeira, terei também que mencionar a sua frase bombástica sobre o seu partido , o laranja PSd, do qual Alberto João diz - e agora agarrem-se se faz favor os que pertencerem a esse partido que a frase para além de bombástica pode mesmo ser estonteante,seguindo-se então o seguinte:-"«O PSD não tem juízo"

--Bonito hein??
Do que sentirão os membros daquele Partido nem sequer me atrevo a tentar adivinhar, mas poderei imaginar que não devem sentir-se nada felizes quando ao acordar, se depararem á mesa do pequeno almoço com uma notícia destas; nem sei mesmo se o novo chefe laranja o Pedro Passos coelho não dará um salto na cadeira, correndo mesmo o infeliz risco de se engasgar com a possivel torrada , tentando enquadrar do que se terá passado, para de um dia para o outro, aparecer agora o Dirigente da Pérola do Atlântico que anteriormente havia assegurado que nada iria fazer contra a actual direcção do seu partido, a atirar uma destas sem aviso mas com fortíssimo agravo.

--O facto de mais adiante , Jardim afirmar que será aliado de José Sócrates nem que tenha que ir contra o PSD, também não dever ser das coisas mais agradáveis de se ler para nenhum dos seus colegas de Partido , fazendo supôr que a partir desta entrevista, nada voltará a ser como antes e que as coisas ali pelos lados PSD irão fatalmente tomar estranhos rumos nunca antes adivinhados pela antiga direcção, protagonizada por Ferreira Leite em passo acertado pelo do Pacheco Pereira que se já andava meio chateado quando na última Quadratura do Círculo teve que apanhar com a ironia do António Costa, acabará concerteza ainda mais irritado com esta de João Jardim que assim, de sorriso na cara e olhar perdido no Marítimo horizonte, de uma só penachada acabou por fazer rebentar a bomba que nem sequer é de Carnaval posto que o Carnaval já foi e a Festa agora é a da Flor.

--Para os que julgavam Jardim já de rumo tomado para uma certa reforma, a surpresa deve ser enorme.E o desgosto também.Quanto ao PSD de Passos Coelho que se cuide.Se isto ainda nem começou e já vamos neste caminho , quando chegarmos mais longe sabe-se lá o que mais poderá acontecer.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

A mentira e a propaganda

Para que se perceba o que está em causa, será últil começar por ler este primeiro artigo sobre o assunto. Contudo, a história é simples: lembram-se dos 200 euros que Sócrates prometeu, várias vezes, aos bebés que agora nasçam e que apenas ficam disponíveis daqui a 18 anos numa conta poupança? Pois bem, apesar de anunciado duas vezes (congresso do PS em 2009 e Portal do Governo a 1 de Fevereiro, como "a conta aprovada na comemoração dos 100 dias de Governo"), no Governo ninguém soube responder à pergunta: "o que tenho que fazer para beneficiar dos 200 euros", durante cerca de um mês inteiro. A pergunta foi passando de Ministério para Ministério e para Secretaria de Estado, regressando à origem. Agora, dois meses depois de nascida a criança, chegou a resposta dizendo que, apesar de aprovada e de feita a respectiva propaganda no Portal do Governo, é mentira! 200 euros numa conta poupança para bebés que nasçam em Portugal não se sabe ainda se ou quando. Leia a resposta agora dada pelo Governo e leia a troca anterior de e-mails neste artigo.

O e-mail hoje enviado pelo Governo:

Esta medida já foi aprovada na generalidade em Conselho de Ministros, devendo agora realizar-se um processo de audições públicas para que depois possa ser definitivamente aprovada e entrar em funcionamento até ao final do ano de 2010.

Informamos ainda que a ajuda inicial de 200€ concedida pelo Estado vai beneficiar apenas as crianças nascidas depois da entrada em funcionamento da "Conta Poupança-Futuro".

Com os melhores cumprimentos,

O Gabinete do Secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros


VER TAMBÉM OS SEGUINTES LINKS:
Comunicado do Conselhor de Ministros
Portal da Juventude