A maior agência de notícias do mundo. O seu sofá. Jornalismo participativo. Produzido por cidadãos sem formação jornalística, em colaboração com jornalistas profissionais.
quinta-feira, 29 de abril de 2010
Direito à indignação e uma citação
terça-feira, 27 de abril de 2010
e quando supunhamos poder ficar , enfim, descansados lá temos então que voltar á moura guedes.
Manuela moura guedes deve pois ter esquecido qual o seu papel nesta estória e qual a posição que ocupava quando desencadeou o processo em que Sócrates foi literalmente triturado na praça pública, por suspeições e difamações cuidadosamente preparadas visando o seu descrédito na opinião dos Portugueses.
Esqueceu que era pivot de uma estação de televisão.
Esqueceu que por diversas vezes e até bem recentemente, afirmou ter na sua mão provas contra o Primeiro ministro.Esqueceu as afirmações que fez de que a estação que serviu teria em seu poder documentos incriminatória contra Sócrates, mesmo depois de se tornar conhecido o fecho do processo Inglês que ilibava totalmente o mesmo, enquanto que em Portugal as investigações apontavam para o mesmo desfecho.
Mesmo nessa altura , continuou teimosamente a instigar, a provocar e a acusar sem provas. Agora que lhe pedem as provas que ela disse ter, diz que está surpreendida e que se sente incomodada e virando esse seu incómodo contra o Ministério público acusando-o de não estar a investigar.
Em resumo , manuela moura guedes está a tentar escapar á obrigação de prestar informações sobre os conteúdos que afirmou ter em seu poder e sobre os quais assentou os seus ataques e insinuações. Ora para quem tanto sorriu, para quem tanto ergueu a sua voz,p ara quem chamou a si tanto protagonisto na tal " defesa do direito á verdade" moura guedes está a ter um estranho comportamento.
Se o que pretende com esse comportamento é continuar com as luzes da ribalta apontadas para si, alguém devia dizer-lhe que existem certas luzes das quais mais vale ficar afastado.São luzes cruéis, demasiado potentes que acabam por revelar os nossos pontos mais fracos e das quais muitas vezes deixamos de poder defender-nos.
É que esta coisa de dizer mal das pessoas seja porque razão fôr é sempre muito perigosa.Porque há sempre um dia em que temos que prestar contas por cada palavra dita ou escrita.E nesse dia acaba sempre por começar a entrada numa outra dimensão que julgavamos impossível, mas que a tal luz cruel a que nos subtemos ilumina, sem que possamos fugir.
Eu, se fosse a manuela moura guedes , deixava de dizer mal das pessoas.
É que confundir mordacidade com sarcasmo e informação com manipulação, pode muitas vezes trazer-nos a ironia do destino e as piores consequências.
segunda-feira, 26 de abril de 2010
Liberdade de expressão, humor e religião
- Hoje vemos humoristas, e não só, a fazerem piadas sobre a Igreja [católica] e o Papa… Porque é que será que não fazem o mesmo em relação a muçulmanos ou islamitas?
- Talvez porque os católicos são mais diplomatas nas reacções do que outros…
- Pois é, fazem piadas, os católicos manifestam um ‘sorriso amarelo’ e pronto. Estou mesmo a ver o que aconteceria se algum humorista se ‘metesse’ com o Islão, por exemplo. E já não digo nada se as piadas forem – não são – em torno da homossexualidade ou homossexuais…
- É, as minorias parecem ter ‘mais peso’, pelo menos ao nível mediático, do que as maiorias.
Citando um spot conhecido: “Valia a pena pensar nisto…”
sábado, 24 de abril de 2010
Actor despedido por recusar cena de sexo
Neal McDonough tinha começado a rodar uma nova série televisiva da ABC, “Scoundrels”, e negou interpretar uma cena de sexo explícito com a actriz Virginia Madsen. A cadeia televisiva despediu-o imediatamente.
A notícia, que passou despercebida na comunicação social portuguesa, tem alimentado um sem número de comentários em todo o mundo.
Na América, a comunicação social afirma que as razões que levaram McDonough a recusar a cena são o facto de este ser católico, casado e ter três filhos pequenos.
Na Internet, milhões de internautas de todo o mundo têm apoiado a decisão do actor. A julgar pelos comentários a esta notícia, deduz-se que a coerência continua a ser um valor em alta.
O actor, que actuou em consciência e por respeito à sua mulher e família, abdicou de muito dinheiro. Se tivesse rodado esta nova série, McDonough receberia um milhão de dólares.
Neal McDonough, para além de ser um bom actor, demonstrou que é um homem coerente e inteligente.
sexta-feira, 23 de abril de 2010
Um pouco estranho
Rangel lançou sobre as agências de comunicação a acusação de “plantarem notícias” e urdirem estratégias de assassinatos de carácter.
Ontem, também no Parlamento, mas em pleno hemiciclo, Fernando Negrão acusou os corruptos e arguidos (presumo que de área política diferente daquela a que se referia Rangel) de “até já terem assessores de imprensa”.
É um pouco estranho que as principais agências de comunicação, nomeadamente aquelas que têm prestado serviços ao PS, ao Governo e também das que o fazem ao PSD (nalguns casos, as mesmas) não se insurjam perante tão ferozes ataques. E é também estranho que as organizações que representam o sector não manifestem, também, a sua indignação quando, sobre todas as agências e, no fundo, também sobre jornalistas, é lançado um anátema que nem sempre lhes encaixa.
Como é estranho que numa altura em que tanto se discute a liberdade de imprensa e de expressão, ninguém peça em sede de comissão de ética a Emídio Rangel que explique quais são essas agências e, já agora, que espécie de jornais e jornalistas aceitam a “plantação de notícias” e… a troco de quê o fazem. E que, por uma vez, sejam pedidos casos concretos e nomes (de assessores e jornalistas) que praticam tais actos.
É que, de outra forma, a “infâmia” de que se queixa o PS - e em uníssono Emídio Rangel - está a ser combatida com outra infâmia, por ventura, ainda mais vaga e injusta.
Quanto a Fernando Negrão talvez fosse melhor fazer-lhe perceber que o problema da Justiça não é a capacidade de comunicação ou de defesa dos arguidos, mas a incapacidade da Justiça para acusar e condenar. E, já agora, a absoluta e histórica inabilidade que o sistema judicial português tem para comunicar. Problema que, talvez, uma boa agência de comunicação pudesse ajudar a resolver com grandes vantagens para a credibilização da Justiça e, logo, com grandes vantagens para o País.
terça-feira, 20 de abril de 2010
Incêndio no Rossio
A técnica da política
Sempre critiquei os políticos por não tomarem decisões políticas e se pendurarem em soluções técnicas que explicam todas as suas opções. Contudo, eu pensava que nos últimos dias os aviões não voavam por questões técnicas. Hoje fiquei a saber que voltam a voar por opções políticas. É confuso? Sim é. Talvez por isso seja melhor ficar por casa por estes dias…
segunda-feira, 19 de abril de 2010
O interesse nacional e direito à verdade
Nos últimos tempos tenho ouvido muitas vezes ser evocado o “interesse nacional” a propósito da economia portuguesa. De membros do Governo a comentadores, passando pelo próprio Presidente da República, vão-nos dizendo, entre dentes, que o melhor é estarmos caladinhos com esta coisa do défice e da dívida pública. Afinal, afirmam, já nos bastam esses “especuladores” estrangeiros a dizerem que estamos muito mal. E acrescentam: “temos que dizer que estamos melhor do que a Grécia para defender os interesses nacionais”.
Contudo, eu (como 99,99% dos portugueses) não tenho capacidade para avaliar a real situação do país. Tenho, por isso, que “acreditar” ou “não acreditar” no que vão dizendo.
Não vou, por isso, defender aqui a credibilidade dos avisos preocupantes que vêm do exterior sobre esta matéria. Mas não deixo de os ouvir e de me interrogar se estamos ou não à beira do abismo.
A questão está por isso no domínio da credibilidade de quem profere as afirmações. Devo acreditar no Presidente da República e nos membros do Governo sobre esta matéria? Ou devo acreditar em algumas “sumidades” mundiais que nos colocam a um passo do descalabro económico-financeiro?
Há, para já, dois indicadores que me preocupam no discurso dos portugueses que defendem a “saúde” relativa das nossas contas públicas.
Um desses indicadores é a evolução do discurso e dos números. O que nos foi dito há dois ou três meses é radicalmente diferente do que hoje nos é dito. Se o TGV e o Aeroporto (entre outras obras) eram obras imprescindíveis há três meses, hoje a sua construção é adiável. Se os impostos eram intocáveis há três meses atrás, a efectiva subida da carga fiscal é hoje uma realidade e parece nem resolver. Se os salários dos funcionários públicos eram inquestionáveis no trimestre passado, hoje estão congelados até 2013…
Ora, ou há três meses me mentiam ou Portugal é absolutamente incapaz de fazer contas. Na verdade, nos últimos três meses, nada de especialmente imprevisível se passou na economia. Pelo contrário, dizem-me que saímos da recessão. Daí que coloque a questão: porque razão hei-de agora dar credibilidade a quem demonstrou não a ter?
Mas há um segundo indicador que é fonte de preocupação no discurso português nesta matéria: é a permanente invocação do “interesse nacional”!
Explicando melhor, o que mais me preocupa é a expressão usada por Cavaco Silva quando afirma “temos que defender Portugal”.
Eu percebo que os mercados financeiros são sensíveis ao discurso. Mas quem de facto acredita na saúde e na recuperação das contas públicas nacionais não manifesta a sua posição justificando as suas afirmações com o “interesse nacional”. Quem acredita, defende simplesmente o que acredita, com números, com factos e com verdade, sobretudo, quando esse alguém é economista, já foi Ministro das Finanças, Primeiro-Ministro e é agora Presidente da República.
Mentir em nome do interesse nacional é o pior serviço que se pode prestar à Nação. E nem eu nem ninguém irá compreender que nos tenham mentido, apenas para não piorar o deplorável estado da Nação.
Um dos direitos de um doente é ter plena consciência do seu estado de saúde. E os médicos são deontologicamente obrigados a comunicá-lo, mesmo que a notícia possa agravar o estado anímico do doente. Afinal, se vamos morrer temos o direito a sabê-lo. E temos até o direito a tentar salvar-nos por outras vias… escolhendo outro médico que não nos minta, por exemplo.
A menos que os políticos portugueses que estão no poder acreditem que o doente que se chama Portugal já tenha perdido a consciência e que já não tenha sequer capacidade para decidir sobre o seu próprio destino, temos o direito a saber a verdade! Mas, se nisso acreditam, então Portugal será um doente cerebralmente morto... Ou seja, terá já morrido a democracia.
domingo, 18 de abril de 2010
Dois em um:-Alberto João Jardim e o PSD não tem juízo! até á afirmação da sua Portucalidade.
--Não sei a que se deverá esta tomada de posição tão decidida, nem sequer irei dar bitaites sobre as hipóteses que poderão estar subjacentes a esta revelação e entrevista, mas não podia deixar de aqui assumir a minha satisfação que nisto de ter mais um Português e de gema, decidido a afirmar- se é notícia de grande monta que não poderia ser ignorada.
--E como há dias especiais em que parece que uma notícia boa nunca vem só e para não deixar cair nem uma das palavras do digno Presidente da Madeira, terei também que mencionar a sua frase bombástica sobre o seu partido , o laranja PSd, do qual Alberto João diz - e agora agarrem-se se faz favor os que pertencerem a esse partido que a frase para além de bombástica pode mesmo ser estonteante,seguindo-se então o seguinte:-"«O PSD não tem juízo!»"
--Bonito hein??
Do que sentirão os membros daquele Partido nem sequer me atrevo a tentar adivinhar, mas poderei imaginar que não devem sentir-se nada felizes quando ao acordar, se depararem á mesa do pequeno almoço com uma notícia destas; nem sei mesmo se o novo chefe laranja o Pedro Passos coelho não dará um salto na cadeira, correndo mesmo o infeliz risco de se engasgar com a possivel torrada , tentando enquadrar do que se terá passado, para de um dia para o outro, aparecer agora o Dirigente da Pérola do Atlântico que anteriormente havia assegurado que nada iria fazer contra a actual direcção do seu partido, a atirar uma destas sem aviso mas com fortíssimo agravo.
--O facto de mais adiante , Jardim afirmar que será aliado de José Sócrates nem que tenha que ir contra o PSD, também não dever ser das coisas mais agradáveis de se ler para nenhum dos seus colegas de Partido , fazendo supôr que a partir desta entrevista, nada voltará a ser como antes e que as coisas ali pelos lados PSD irão fatalmente tomar estranhos rumos nunca antes adivinhados pela antiga direcção, protagonizada por Ferreira Leite em passo acertado pelo do Pacheco Pereira que se já andava meio chateado quando na última Quadratura do Círculo teve que apanhar com a ironia do António Costa, acabará concerteza ainda mais irritado com esta de João Jardim que assim, de sorriso na cara e olhar perdido no Marítimo horizonte, de uma só penachada acabou por fazer rebentar a bomba que nem sequer é de Carnaval posto que o Carnaval já foi e a Festa agora é a da Flor.
--Para os que julgavam Jardim já de rumo tomado para uma certa reforma, a surpresa deve ser enorme.E o desgosto também.Quanto ao PSD de Passos Coelho que se cuide.Se isto ainda nem começou e já vamos neste caminho , quando chegarmos mais longe sabe-se lá o que mais poderá acontecer.
sexta-feira, 16 de abril de 2010
A mentira e a propaganda
O e-mail hoje enviado pelo Governo:
Esta medida já foi aprovada na generalidade em Conselho de Ministros, devendo agora realizar-se um processo de audições públicas para que depois possa ser definitivamente aprovada e entrar em funcionamento até ao final do ano de 2010.
Informamos ainda que a ajuda inicial de 200€ concedida pelo Estado vai beneficiar apenas as crianças nascidas depois da entrada em funcionamento da "Conta Poupança-Futuro".
Com os melhores cumprimentos,
O Gabinete do Secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros
VER TAMBÉM OS SEGUINTES LINKS:
Comunicado do Conselhor de Ministros
Portal da Juventude
O enforcamento
Não sei porquê, veio-me à ideia a execução de Sadam Hussein. A notícia foi muito semelhante e dada no mesmo tom. E também não soubemos com antecedência. Ninguém nos tinha avisado que era o dia do enforcamento.
Num e noutro caso, pensaram os executores que estava assim arrancada a erva daninha que ameaçava contaminar todo um país. Contudo, no caso do Iraque, a morte de Sadam não trouxe a paz e muito menos resolveu os problemas criados pelo ex-ditador.
As escutas a Sócrates poderiam ser inócuas do ponto de vista processual. E não me custa admitir que fossem mesmo ilegais. Mas, tal como aconteceu no Iraque, dificilmente a sua destruição espia pecados e pecadores.
Por mais que a queiramos contrariar, a História é implacável e, dentro de décadas, saber-nos-á contar com mais rigor, distanciamento e sem tantas esponjas o que continuou a acontecer no Iraque pós Sadam, e no Portugal pós escutas de Sócrates.
quinta-feira, 15 de abril de 2010
Brincamos com a informação ou quê?
Como aluna que fui, durante uma licenciatura em Comunicação Social, e como interessada na matéria, sonhadora quiçá por um jornalismo mais humano, angustio-me diariamente com o caminho que o jornalismo atravessa.
Quem o leu e o lê identifica no blogue todas as sensações pelas quais qualquer um de nós atravessa durante o período de primeira experiência profissional: o encanto, o medo, o desejo de fazer, o desencanto, as angustias de não corresponder, as alegrias do primeiro artigo na edição impressa, enfim, tudo aquilo que é trabalho nosso e nos referência como profissionais.
Mas depois do encanto camuflado surge a constatação do mercado actual e da falta de emprego na área. Não exerço jornalismo neste momento, só colaboro em plataformas online porque gosto e não quero perder o gosto a isto. Mas depois, reiterando de novo a fórmula do desalento, aparecem situações como as tentativas de controlo dos OCS e jornalistas, e este recente caso de plágio descarado do jornal 'i'.
Meus amigos leitores e colegas, o que se passou afinal com o artigo do 'i' que parece cópia do artigo da Mashable? - 'É oficial: os gatos adoram o iPad' vs 'It’s Official: Cats Love iPads' -.
O Bruno Miguel lançou o barro à parede e foi mais longe que as críticas feitas no twitter: enviou carta aberta à direcção do diário português e, por sorte, teve resposta:
Sinceramente esperava mais que um simples e tosco pedido de desculpas. A colega que escreveu o artigo ou das duas uma: pensa que os leitores são tolinhos e nunca se aperceberiam do transcrever literal do artigo da Mashable; ou andamos a brincar ao jornalismo, em que nem se consideram os princípios basilares do código deontológico.
Pescar e não ter peixe. Afinal o que é isto da rede?
A palavra rede é de personalidade dupla, um pouco como muitos dos utilizadores da internet. A rede de pesca nada tem a ver com a rede da wave partilhada pelos milhares de pessoas que usufruem da web 2.0, a internet caracterizada por ser mais dinâmica e social. Estar na dita rede pode parecer fácil: basta aceder à internet, criar uma conta no aplicativo que permita interagir com outros cibernautas, publicar textos e fotos e ver outros conteúdos. E, depois de dois parágrafos metafóricos vou começar por explicar porque me meti pela alegoria crítica dos vícios humanos e redes de peixe, se no fundo quero é falar de redes sociais.
Pois então, redes sociais lembram-nos fios emaranhados, ligações entrelaçadas entre utilizadores de plataformas online e, sem querermos mesmo, volta à lembrança a rede de pesca. Ora bolas, e os peixes? Onde afinal encaixo os peixes neste discurso todo? Que tal encaixá-los nos cerca de 1700 seguidores que tenho actualmente no twitter? E nos 14.830 tweets enviados e trocadores entre mim e a minha comunidade do pássaro azul? Todos estes números fazem parte da minha vida desde há um ano e meio atrás, altura em que passei a ser mais conhecida por @vanessaquiterio do que pelo nome que consta no BI, igual ao nick mas sem a inevitável “arroba”.
Alimentar uma rede tem muito que se lhe diga. É quase como dar de comer a um recém-nascido, que necessita de acompanhamento diário, dedicação e algum carinho. O dar tempo para a criação de relações, tanto profissionais como de simples “fazer amigos” é tarefa árdua, bem como dar conta à irremediável estratégia que se tem de ter para estar e saber estar online.
O actual problema das redes sociais e do que delas advém é mesmo a eterna questão da finalidade. Para além de sermos bombardeados constantemente com as inúmeras “britney sucks” (imagens desfocadas de ‘bots’ que pretendem ser nossos seguidores na plataforma dos 140 caracteres), chegam-nos diariamente os pedidos de amizade de personagens que deixam de dar “notícias” de um momento para o outro ou que não passam do “bom dia”, “boa tarde” e “boa noite” rotineiro. Afinal, tenho uma rede de contactos para criar informação, trocar ideias e partilhar links ou para coscuvilhar à janela, neste caso, de um ecrã de computador? Muitos de nós – utilizadores inevitáveis destas plataformas e da web dinâmica e social – nem nos apercebemos do quão pouco espertos somos ao não aproveitamos o “admirável mundo novo” das redes sociais.
Se deixarmos de lados as “britney sucks” e os “bons dias”, e apostarmos na construção de uma marca nossa, como a venda daquilo que somos ou gostamos, decerto que o tempo que perdemos online pouco ou nada se reflectirá no tempo que estamos offline.
Agora até podia dissertar sobre a imagem do Padre António Vieira e abordar a parte dos vícios humanos, que nos levava à questão dos “amigos” e “desamiganços” (termo traduzido do vocábulo britânico ‘unfriend’ e introduzido, em Novembro deste ano, no New Oxford American Dictionary) tão propícios do poder de um simples click. Mas nem vou entrar por ai. Concluo-o que muito mais que falar de redes e de cardumes racionais e interactivos, as redes sociais são plataformas dinamizadoras de maior conhecimento e bons instrumentos para vendermos, agora sim, o “nosso peixe”.
Vejam bem, se não fosse o pássaro azul e os meus tweets frenéticos sobre jornalismo, jazz e afins, neste momento não seria a Vanessa Quitério que sou hoje (apesar de ser mais a @vanessaquiterio), com trabalho feito e demonstrado através de blogues e plataformas colaborativas, que escreve artigos de opinião para trabalhos académicos de colegas. Pensem nisso, não na questão de mediatismo, mas de serem diferença no meio de tanta igualdade. A rede dá-nos esta oportunidade, pesquem-na!
*Adenda:
Este texto foi inicialmente cedido para um trabalho no âmbito da disciplina de Laboratório de Imprensa I, a uma aluna do 3º ano da Licenciatura em Comunicação Social do Instituto Superior Miguel Torga em Coimbra. Encontra-se neste momento também publicado na plataforma do Comunicamos.org, da UTAD, com a qual colaboro.
“Aquecimento Global” vs “Alterações Climáticas” e os erros de comunicação dos ecologistas
No caso das alterações climáticas pelas quais o planeta está a passar, os efeitos mais visíveis, inequívocos e realmente assustadores acontecerão, sobretudo, numa altura em que provavelmente serão já irreversíveis. Logo, assustar a opinião pública numa época em que a informação se mede ao segundo, dá mau resultado. As consequências daquilo que se anuncia não obedecem ao mesmo ritmo da informação e, logo, resulta em descrédito.
Se me assustarem com o apocalipse e ele não acontecer hoje, amanhã ou depois de amanhã, deixo de acreditar que alguma vez aconteça: a não ser que me marquem um dia e hora exactos para o terrível evento, o que neste caso não é possível.
O outro erro cometido pela comunicação dos ecologistas foi terem falado em “aquecimento global”. Quando falam de “aquecimento global”, os ecologistas referem-se à temperatura média da atmosfera terrestre. Mesmo que estejamos a falar de 1 grau de elevação da temperatura média as consequências podem ser graves. Contudo, um grau de elevação de temperatura não é perceptível, nem em termos absolutos e muito menos quando falamos de temperatura média do globo.
Este discurso baseado no chavão do “aquecimento global” é ainda mais fatal quando se sabe que a consequência desse aquecimento é precisamente o aumento de fenómenos extremos, como nevar em zonas onde não era habitual ou chover intensamente noutros locais e em épocas secas. Estas duas consequências atmosféricas são muito mais perceptíveis do que serão um, dois ou até mais graus de elevação de temperatura média. Contudo, chuva e neve não jogam bem com “aquecimento global”.
Os ecologistas e as organizações ecologistas já perceberam este erro de comunicação e tentam agora realinhar o discurso introduzindo o termos mais correcto de “alterações climáticas”. Contudo, é difícil alterar um conceito que estava já enraizado na opinião pública e a mudança de “discurso” também não ajuda à credibilidade de uma mensagem.
A ideia do “aquecimento global” e a imagem apocalíptica que alguns procuraram gerar à sua volta não parecem ter sido, por isso, boas jogadas do ponto de vista da comunicação. Os defensores da ideia de que a coisa ecológica apenas serve para prejudicar a economia aproveitaram bem esse erro para ridicularizar o assunto e aproveitaram até os tais fenómenos extremos de frio para mostrar que, afinal, estamos é a arrefecer.
Mas, independentemente dos erros de comunicação que terão ou não cometido os ecologistas, a verdade só pode ser uma de duas: ou estamos ou não estamos a destruir o planeta com o excesso de CO2 na atmosfera.
No que me diz respeito, mais do que entrar ou gerar o pânico, apetece-me apelar a que, havendo dúvidas, se jogue pelo seguro. Afinal, a estarem errados, prefiro que estejam errados os que traçam os piores cenários. Mas o facto de não me agradarem cenários apocalípticos, não me pode retirar o discernimento de, pelo menos, dar benefício da dúvida a quem o merece e diz estarmos próximos do “ponto de não retorno”.
Na verdade – e sem capacidade científica para discernir entre quem tem razão: pessimistas ou optimistas –, parece-me menos grave se a humanidade cometer o excesso de tornar a economia mundial menos competitiva para que se trave a poluição desenfreada, do que se cometa a omissão de nada fazer e deixar, eventualmente, chegar o dia em que a natureza dê razão aos pessimistas… tarde de mais.
Sugestão de links: www.350.org/ e www.earth-condominium.com/pt/
quarta-feira, 14 de abril de 2010
Vamos 'bater no ceguinho' (mais uma vez)?
Recupero este momento, referente à última época, que ilustra a dualidade de critérios, na abordagem ao mesmo tema (estádios vazios).
Ah, e os leirienses gostam de futebol, contrariamente ao que li aqui. Não ir ao Estádio Dr. Magalhães Pessoa, não é sinónimo de falta de gosto pela modalidade. É que se formos por essa tese, então, também ninguém gosta de futebol na Figueira, como em tantas outras cidades.
É certo que é penoso ver estádios vazios. Sobretudo quando implica(ra)m grandes investimentos (Euro 2004). Agora, para quem pretender insistir no tema, sugere-se que se olhe para o todo, que se cruzem informações e que se seja o mais correcto possivel no que se escreve, no que se diz. É que se fossemos pela tese do senhor André Pipa, quantos clubes teriamos na I Liga? É que, assim de repente, que me recorde, estádios 'cheios', nos últimos anos e de forma regular, só na Luz, Alvalade, Dragão e D. Afonso Henriques.
Falamos depois...

