segunda-feira, 5 de abril de 2010

"Adiciona-me"

"Adiciona-me" é uma reportagem de Rita Colaço, sobre as redes sociais que tenta responder à pergunta: Mais informação e mais comunicação é sinónimo de melhor comunicação?

Das novas notícias sobre as casinhas de sócrates , até parece que neste país se não se fala de sócrates já nem vale a pena existir.

Mais uma vez se está a falar de Sócrates
Mais uma vez para se discutirem os projectos que terá feito dentro ou não da legalidade.Nada contra, que as notícias são para se postarem , mas nesta coisa das casinhas que Sócrates andou a desenhar há quase vinte anos atrás, já quase tudo havia sido dito aquando das primeiras publicações sobre o caso.

Esta não adiciona nada de novo, já se havia comentado a qualidade dos projectos ( sempre muito discutível ) , já se havia falado e de que maneira sobre se sim ou não estaria Sócrates dentro da legalidade quando fez os tais projectos e daí para cá muita tinta e palavras correram sem que algo inquietante e roçando corrupções se tivesse feito anunciar.

Agora que os novos casos anunciando as suspeitas sobre gente envolvida nos famigerado negócio da compra de submarinos, chegou ás capas de jornais , eis que de reaparece Sócrates de novo, de novo a ser envolvido em mais atenções dos média ainda que para mostrar aquilo que já havia sido mostrado .
Como se de cada vez que um político aparece envolvido em suspeitas de suborno, ganhos ilícitos ou mesmo desvio de dinheiros para alimento partidário, tivesse Sócrates que pagar por esses, para que esse possam continuar a fazer em liberdade tudo o que muito bem lhes apetecer sem que ninguém possa agora pronunciar-lhes o nome.
Se Sócrates desenhou bem ou desenhou mal, se Sócrates fez ou não fez projectos dentro da legalidade, se Sócrates é ou não é um cidadão em quem se possa confiar é matéria de óbvio interesse público, posto que para além de ser um político de destaque no nosso país ainda por cima é o nosso Primeiro Ministro.
Mas evitar falar de outros assuntos que por serem tão estranhos e de tal modo associados a casos muito mais graves que envolvem outros nomes de políticos , também eles de destaque e ficar para sempre agarrado ao nome de José sócrates , como se só a ele se devessem associar suspeições e caso estranhos, parece-me ir longe demais e óbvio caso de estrangulamento da liberdade de bem informar.

Neste preciso momento o País estaria muito mais interessado em conhecer o que se passa com o envolvimento ou não do Ex Ministro da Defesa Paulo portas.
Porém, se o que os srs jornalista pretendem é continuar a discutir as casinhas de Sócrates e os seus projectos passados pois muito bem.

A mim parece-me passadiço e desinteressante.
E parece-me até que neste país a comunicação social está a ficar um bocado viciada uma vez que quando se fica um tempinho sem falar mal de José sócrates os nervos vêm á flor da pele, aparecendo logo em seguida a irrupção do costume muitas vezes atribuída a sintomas muito graves.

--Até começa a parecer que neste país, isto agora ficou assim; ou se fala mal de Sócrates, ou já nem vale a pena existir.



Sócrates assinou 21 projectos de casas quando era exclusivo na AR

05.04.2010 - 07:31 Por José António Cerejo
FONTE:Jornal Público. Pt



domingo, 4 de abril de 2010

Indagações sobre o Jornalismo Cidadão e seus derivados

Lanço-me sempre em indagações quando me vejo forçada a pensar nesta questão do Jornalismo Cidadão, Participativo, Colaborativo ou Open Source.

Como jornalista - ainda só de diploma académico e com a experiência de estágio curricular no Jornal Público e de colaboração durante dois anos no Jornal Universitário de Coimbra A Cabra, questiono-me frequentemente sobre a veiculação dos conteúdos produzidos por jornalistas cidadãos.

Hoje em dia qualquer um de nós tem um blogue, uma conta no twitter ou no Facebook, galeria no Flirck ou em outras plataformas online. Qualquer pessoa envia uma sms aquando de uma situação mais sui generis, mais caótica ou mediática, colocando na sua rede a instantânea realidade em que vivemos. Estamos na Aldeia Global, já assim o referia McLuhan, teórico do Meio e a Mensagem.

Contudo é irremediavelmente difícil dissociar a realidade noticiosa do seu público, a razão de ser de qualquer trabalho jornalístico. Agimos em conformidade com o tecido social e em detrimento do rigor e da verdade da informação. E somos veiculados pelos órgãos de comunicação social que integramos e pelo nome e trabalho que criamos com o rigor devido.

Desta forma, como é que descalçamos esta bota da certificação do Jornalismo Cidadão, Participativo, Colaborativo ou Open Source? Será que podemos só resumir esta acção à participação nos espaços de opinião, na partilha de fotos e escolha a serem abordados?

O dar a conhecer a nossa realidade, o que acontece no nosso bairro ou cidade já é uma acção de cidadania. É já uma partilha de informação se for tida em conta a força crescente das redes sociais e da blogosfera, espaços de intervenção individual mas que só ganham contexto na esfera comunitária.

Esta análise ao Jornalismo Cidadão, Participativo, Colaborativo ou Open Source assenta também em outra questão: a gestão dos conteúdos criados por jornalistas não profissionais. A prática jornalística certificada regula-se por um mecanismo instituído, pela reiteração no cruzamento de fontes e audição do contraditório, valores éticos e edição segundo um código deontológico.

Por isso, a meu ver, estes novos conteúdos criados e partilhados pelos novos actores da prática informativa estão desfasados de consciência profissional. Mesmo sendo face crítica e cooperante da construção da realidade em que vivemos, estão longe da certificação típica de um jornalista como o conhecemos.

Termino com o seguinte exemplo: uma pessoa que se desloque de bicicleta e que não tenha carta de condução, vê a sua mobilidade de forma distorcida, em relação às regras da estrada, apreendidas pela pessoa que tenha habilitação de condução. Não se apercebe da regra de cedência à direita e, por exemplo, do significado da vasta e diferente sinalização.

Agora coloquem o exemplo na análise ao tema do Jornalista Cidadão versus Jornalista Profissional. Fico à espera das vossas opiniões.

sábado, 3 de abril de 2010

Dos velhos dogmas católicos transformados em modernos "sound bites" políticos

Defende um nosso colega de blog que deveria surgir em Portugal uma nova geração de políticos: políticos católicos. Não tenho nada contra o facto dos católicos defenderem que devam ser os seus a “tomar o poder”, seja ele o poder local, nacional ou, porque não, até o pequeno poder que às vezes julgamos ter e não temos. Respeitando, portanto, essa ideia de transportar para a política os valores da Igreja Católica, bem como os seus princípios e práticas, estranho, contudo, a argumentação. Argumenta esse “blogger” de sofá, que por acaso é jornalista e há uns anos era político e chegou a ser candidato a alguma coisa, que “quase todas as semanas, assistimos a um qualquer escândalo político. São muitos e variados os casos dos políticos que não desempenham as suas funções de serviço público com rectidão”. E continua: “Se nos governos os casos são muitos, nas autarquias 'são mato'. Acredito até que, mesmo não sendo tão mediáticos, é nas autarquias que está a maior fatia do problema do país”. É neste tipo de argumentação que encontro a minha absoluta discordância. Ficaria até preocupado caso acreditasse que poderia ser esse o destino local ou nacional da política portuguesa.

"A actual geração de políticos é católica. Valentim Loureiro, Isaltino Morais e Fátima Felgueiras são fervorosos católicos praticantes e públicos defensores dos valores da Igreja"

De facto, num país maioritariamente católico, o que mais temos tido é católicos a tomar conta do poder político, sobretudo ao nível local. E, por vezes, tem sido a própria Igreja a assumir oficiosa mas claramente posições políticas e evidentes apoios eleitorais. É assistir às missas por esse “Portugal profundo”. Diria mesmo que a actual geração de políticos é católica. Valentim Loureiro, Isaltino Morais e Fátima Felgueiras são fervorosos católicos praticantes e públicos defensores dos valores da Igreja, de que não abdicam. E serão estes apenas exemplos da esmagadora maioria da classe dos autarcas onde, injustificadamente, o cronista/blogger encontra a maioria dos “pecados”.
E quanto à interferência e até ingerência da Igreja Católica na política ao nível do Estado, escuso-me a recuar no tempo e a fazer referências históricas ao Antigo Regime ou mesmo aos tempos da Inquisição para ter razão. Reportando-me a momentos contemporâneos, e sem querer embarcar nos julgamentos precipitados que – concordo –, como sempre, têm sido feitos a propósito da pedofilia no clero, a verdade é que, o mínimo que se pode dizer, é que a Igreja Católica tem sido absolutamente incompetente a gerir a falta de ética, de valores humanos e de decência humana de alguns (muitos?) dos seus sacerdotes. A rígida e disciplinada hierarquia da Igreja e os valores e dogmas em que se sustenta, conseguiram evitar os escândalos? Ou conseguiram apenas adiar o seu conhecimento público, em nome da “imagem” da instituição? É isso que queremos transportar para o poder político? São estes os valores que os tais “políticos católicos” nos têm para oferecer?
Se as velhas, menos velhas e actuais gerações de políticos católicos nos têm dado tão elevados exemplos – na opinião do ilustre colega serão “escândalos”? - porque nos poupariam as novas gerações de políticos católicos aos mesmos resultados?
Mas esqueçamos, por instantes, toda a História da Humanidade e mesmo a actual história que os jornais nos contam – e esqueçamos mesmo as vítimas, se possível – por breves instantes, para nos determos no seguinte: há um Estado na Europa que não apenas tem católicos no poder, como se assume como sendo “o Estado Católico”. Chama-se Vaticano e entre escândalos políticos e financeiros – melhor ou pior encobertos –, alguns dos quais levaram mesmo à falência de bancos, como o Ambrosiano e a dar guarida a criminosos da alta finança – de tudo se tem assistido. Encaixa esse modelo político que hoje ainda comanda o Estado do Vaticano nos valores que o nosso cronista, colega, blogger, jornalista e político preconiza? E essa tal nova geração de políticos católicos, cuja existência não está à vista, concorda que se gaste num Portugal em crise financeira/económica/social/moral profunda 200 mil euros num palco para que o chefe das suas ideias dogmáticas discurse?

"Não posso aceitar a ideia que valores como os da vida, da honra, do respeito e da verdade sejam apropriados por esta ou aquela confissão religiosa"

A verdade é que Igreja Católica e quaisquer outras Igrejas nunca foram o melhor condimento da política. Nem na Irlanda, nem no Médio Oriente, nem nos Estados Unidos, nem na África e tão pouco em Portugal. Deve ser por isso que nos países com democracias consolidadas, como o nosso, o Direito limita e mesmo proíbe tais interferências e candidaturas. Nem os partidos podem ter confissões religiosas, nem os sacerdotes podem ser candidatos.
Por tudo isto – que não é nada pouco – e sem negar o relevante e meritório papel social, doutrinal e moral que a Igreja Católica desempenha na sociedade portuguesa – e que merece todo o meu respeito e até apoio –, não posso aceitar a ideia que valores como os da vida, da honra, do respeito e da verdade sejam apropriados por esta ou aquela confissão religiosa. Os católicos não são donos do respeito nem detentores exclusivos de princípios éticos e morais. Nem tão pouco têm sido o melhor exemplo da aplicação de qualquer moral, bem pelo contrário. Eu, e muitos outros portugueses, defendemos os mesmos valores, sem precisarmos que os “dogmas” do Consílio do Vaticano nos imponham convicções, porque a bondade e a tentação não se regulam por decreto papal. E é disso que a política portuguesa precisa: de convicções, mas também de coragem para deitar para trás das costas dogmas milenares, hoje transformados em “sound bites” ditados por organizações como a Opus Dei, por mais respeitosas e legítimas que sejam.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

É ARRISCADO ESCREVER SOBRE ESTAS COISAS. NÃO ESTÃO NA MODA

Fonte: Público, 20110402 José Manuel Fernandes Jornalista

Bento XVI é parte da solução, e não parte do problema, na crise que os casos de pedofilia abriram na Igreja Católica

Não sou crente. Educado na fé católica, passei pelo ateísmo militante e hoje defino-me como agnóstico. Talvez não devesse, por isso, pôr-me a discutir os chamados "escândalos de pedofilia" na Igreja Católica. Até porque não sei se, como escreveu António Marujo neste jornal - no texto mais informado publicado sobre o tema em jornais portugueses -, estamos ou não perante "A maior crise da Igreja Católica dos últimos 100 anos".

Tendo porém a concordar com um outro agnóstico, Marcello Pera, filósofo e membro do Senado italiano, que escreveu no Corriere della Sera que se, sob o comunismo e o nazismo, "a destruição da religião comportou a destruição da razão", a guerra hoje aberta visa de novo a destruição da religião e isso "não significará o triunfo da razão laica, mas uma nova barbárie". Por isso acho importante contrariar muitas das ideias feitas que têm marcado um debate inquinado por muita informação errada ou manipulada.

Vale por isso a pena começar por tentar saber se o problema da pedofilia e dos abusos sexuais - um problema cuja gravidade ninguém contesta, ocorram num colégio católico, na Casa Pia ou na residência de um embaixador - tem uma incidência especial em instituições da Igreja Católica. Os dados disponíveis não indicam que tenha: de acordo com os dados recolhidos por Thomas Plante, professor nas universidades de Stanford e Santa Clara, a ocorrência de relações sexuais com menores de 18 anos entre o clero do sexo masculino é, em proporção, metade da registada entre os homens adultos. É mesmo assim um crime imenso, pois não deveria existir um só caso, mas permite perceber que o problema não só não é mais frequente nas instituições católicas, como até é menos comum. Tem é muito mais visibilidade ao atingir instituições católicas.

Uma segunda questão muito discutida é a de saber se existe uma relação entre o celibato e a ocorrência de abusos sexuais. Também aqui não só a evidência é a contrária - a esmagadora maioria dos abusos é praticada por familiares próximos das vítimas - como o tema do celibato é, antes do mais, um tema da Igreja e de quem o escolhe. Não existiu sempre como norma na Igreja de Roma e hoje esta aceita excepções (no clero do Oriente e entre os anglicanos convertidos). Pode ser que a norma mude um dia, mas provavelmente ninguém melhor do que o actual Papa para avaliar se esse momento é chegado - até porque talvez ninguém, no seio da Igreja Católica, tenha dedicado tanta atenção ao tema dos abusos sexuais e feito mudar tanta coisa como Bento XVI.

Se algo choca na forma como têm vindo a ser noticiados estes "escândalos" é o modo como, incluindo no New York Times, se tem procurado atingir o Papa. Não tenho espaço, nem é relevante para esta discussão, para explicar as múltiplas deturpações e/ou omissões que têm permitido dirigir as setas das críticas contra Bento XVI, mas não posso deixar de recordar o que ele, primeiro como cardeal Ratzinger e prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, depois como sucessor de João Paulo II, já fez neste domínio.

Até ao final do século XX o Vaticano não tinha qualquer responsabilidade no julgamento e punição dos padres acusados de abusos sexuais (e não apenas de pedofilia). A partir de 2001, por influência de Ratzinger, o Papa João Paulo II assinou um decreto - Motu proprio Sacramentorum Sanctitatis Tutela - de acordo com o qual todos os casos detectados passaram a ter de ser comunicados à Congregação para a Doutrina da Fé. Ratzinger enfrentou então muitas oposições, pois passou a tratar de forma muito mais expedita casos que, de acordo com instruções datadas de 1962, exigiam processos muito morosos. A nova política da Congregação para a Doutrina da Fé passou a ser a de considerar que era mais importante agir rapidamente do que preservar os formalismos legais da Igreja, o que lhe permitiu encerrar administrativamente 60 por cento dos casos e adoptar uma linha de "tolerância zero".

Depois, mal foi eleito Papa, Bento XVI continuou a agir com rapidez e, entre as suas primeiras decisões, há que assinalar a tomada de medidas disciplinares contra dois altos responsáveis que, há décadas, as conseguiam iludir por terem "protectores" nas altas esferas do Vaticano. A seguir escolheu os Estados Unidos - um dos países onde os casos de abusos cometidos por padres haviam atingido maiores proporções - para uma das suas primeiras deslocações ao estrangeiro e, aí (tal como, depois, na Austrália), tornou-se no primeiro chefe da Igreja de Roma a receber pessoalmente vítimas de abusos sexuais. Nessa visita não evitou o tema e referiu-se-lhe cinco vezes nas suas diferentes orações e discursos.

Agora, na carta que escreveu aos cristãos irlandeses, não só não se limitou a pedir perdão, como definiu claramente o comportamento dos abusadores como "um crime" e não apenas como "um pecado", ao contrário do que alguns têm escrito por Portugal. Ao aceitar a resignação do máximo responsável pela Igreja da Irlanda também deu outro importante sinal: a dureza com que o antigo responsável pela Congregação para a Doutrina da Fé passou a tratar os abusadores tem agora correspondência na dureza com que o Papa trata a hierarquia que não soube tratar do problema e pôr cobro aos crimes.

De facto - e este aspecto é muito importante - a ocorrência destes casos de abusos sexuais obriga à tomada de medidas pelos diferentes episcopados. Quando isso acontece, a situação muda radicalmente. Nos Estados Unidos, país onde primeiro se conheceu a dimensão do problema, a Conferência de Dallas de 2002 adoptou uma "Carta para a Protecção de Menores de Abuso Sexual" que levaria à expulsão de 700 padres. No Reino Unido, na sequência do Relatório Nolan (2001), acabou-se de vez com a prática de tratar estes assuntos apenas no interior da Igreja, passando a ser obrigatório dar deles conta às autoridades judiciais. A partir de então, como notava esta semana, no The Times, William Rees-Mogg, a Igreja de Inglaterra e de Gales "optou pela reforma, pela abertura e pela perseguição dos abusadores em vez de persistir no segredo, na ocultação e na transferência de paróquia dos incriminados".

Bento XVI, que não despertou para este problema nas últimas semanas, não deverá precipitar decisões por causa desta polémica. No passado domingo, durante as cerimónias do Domingo de Ramos, pediu aos crentes para não se deixarem intimidar pelos "murmúrios da opinião dominante", e é natural que o tenha feito: se a Igreja tivesse deixado que a sua vida bimilenar fosse guiada pelo sentido volátil dos ventos há muito que teria desaparecido.

Ao mesmo tempo, como assinalava John L. Allen, jornalista do National Catholic Reporter, em coluna de opinião no New York Times, "para todos os que conhecem a experiência recente do Vaticano nesta matéria, Bento XVI não é parte do problema, antes poderá ser boa parte da solução".

Uma demonstração disso mesmo pode ser encontrada na sua primeira encíclica, Deus Caritas Est, de 25 de Dezembro de 2005, ano em que foi eleito. Boa parte dela ocupa-se da reconciliação, digamos assim, entre as concepções de "eros", o termo grego para êxtase sexual, e de "ágape", a palavra que o cristianismo adoptou para designar o amor entre homem e mulher. Se, como referia António Marujo na sua análise, o teólogo Hans Küng considera que existe uma "relação crispada" entre catolicismo e sexualidade, essa encíclica, ao recuperar o valor do "eros", mostra que Bento XVI conhece o mundo que pisa.

Por isso eu, que nem sou crente, fui informar-me sobre os casos e sobre a doutrina e escrevi este texto que, nos dias inflamados que correm, se arrisca a atrair muita pedrada. Ela que venha.

Uma nova geração de políticos

Quase todas as semanas, assistimos a um qualquer escândalo político. São muitos e variados os casos dos políticos que não desempenham as suas funções de serviço público com rectidão.

Se nos governos os casos são muitos, nas autarquias “são mato”. Acredito até que, mesmo não sendo tão mediáticos, é nas autarquias que está a maior fatia do problema do país.
Aproveitando a Lei que limita os mandatos dos autarcas, é necessário começar a formar uma nova geração de políticos. Políticos católicos. Pessoas disponíveis a levar a sua consciência católica para o espaço público.

A Igreja tem afirmado que, embora a “laicidade seja um valor adquirido e reconhecido pela Igreja, não deve gerar confusão entre autonomia da esfera politica com a recusa do ensinamento moral da Igreja”, numa forma de “laicismo intolerante”.
“É necessária uma nova geração de políticos católicos, coerentes com a fé e servidores do bem comum”, afirmou o Bento XVI. Perante os participantes do Pontifício Conselho para os Leigos, o Papa descreveu como deve ser esta nova geração de políticos católicos: “Coerentes com a fé professada, moralmente rigorosos, capazes de um juízo cultural, competentes profissionalmente e apaixonados pelo serviço em prol do bem comum”.

A vida democrática tem necessidade de princípios éticos que não são negociáveis. A vida democrática precisa de uma nova geração de católicos mais envolvidos na vida política.

A maioria dos bloggers já se consideram jornalistas


Nos Estados Unidos, a maioria dos bloggers já se consideram jornalistas. O inquérito "2010 PRWeek/PR Newswire Media Survey," , que abrangeu 1568 profissionais dos media tradicionais e “não tradicionais” e 1670 profissionais de Relações Públicas nos Estados Unidos, revelou que 52% dos bloggers se equiparam a profissionais de comunicação social. Segundo o estudo, um importante crescimento desde o ano passado, em que apenas um em cada três partilhavam esta opinião.

Se bem que, na realidade, ainda só 20 por cento dos bloggers reconheçam que a maior parte do seu rendimento deriva da sua actividade na blogoesfera. Apenas um crescimento de 4% em relação a 2009.

Do total dos inquiridos, o uso de blogs e redes sociais para pesquisa tem aumentado; mas há uma grande diferença nessa utilização entre bloggers e jornalistas dos media tradicionais. Enquanto 91% dos bloggers e 68% dos jornalistas online usam blogs "sempre" ou "às vezes" para pesquisa, apenas 35 por cento dos repórteres de jornais e 38% dos jornalistas de revistas off-line admitem recorrer às novas plataformas.

A mesma discrepância verifica-se no que toca ao uso de redes sociais para investigação. No geral, 33 por cento dos inquiridos dizem usá-las, enquanto os bloggers revelam um uso superior (48%) aos jornais e (31%) e revistas impressas (27%).

Se considerarmos o Twitter, o contraste ainda é maior: 64% dos bloggers e 36% dos jornalistas online usam o Twitter como ferramenta de trabalho. Esta percentagem baixa para 19% dos profissionais de jornais e 17% das revistas.
No que respeita ao uso de "tuites" (posts do Twitter) nos artigos, apenas 19 a 20% dos jornalistas dos media tradicionais o fazem.
Nos Estados Unidos, já 55% dos bloggers e 42% dos jornalistas de meios online usam posts do Twitter. E, surpreendentemente, 48% das notícias de televisão!

Creio que um estudo semelhante ainda não tenha sido feito em Portugal. Embora as percentagens devam certamente variar (a indústria dos blogs e o jornalismo online estará num estádio ainda relativamente emergente em Portugal), estou em crer que as tendências registadas no estudo da PR Week não estarão longe de uma realidade próxima em Portugal e nos mercados europeus em geral.

Submarinos Barracada - Aceitam-se comentários





quinta-feira, 1 de abril de 2010

Arrendamento urbano vai ter curso de pós-graduação na Lusófona

Formação destina-se a advogados, gestores de condomínio, senhorios e associações de inquilinos e decorre no Porto de 17 de Abril a 22 de Maio

A Universidade Lusófona do Porto abriu um curso de pós-graduação e actualização jurídica acerca do arrendamento urbano. O objectivo do curso é fornecer formação específica no domínio do arrendamento urbano analisando os regimes vigentes (novo regime e regime transitório). A formação avaliará a nova legislação à luz dos diferentes entendimentos doutrinais e da mais recente evolução jurisprudencial. Pretende-se ainda suscitar uma reflexão crítica sobre as soluções legais.

A Professora Maria Olinda Garcia é a responsável por este curso que decorrerá na Universidade Lusófona do Porto entre 17 de Abril e 22 de Maio e cujas inscrições se encontram abertas. Ao Professor Catedrático da Faculdade de Direito de Coimbra e da ULP, Jorge Coutinho de Abreu, e aos Professores António Vieira Cura e Maria Olinda Garcia, docentes nos mesmos estabelecimentos de ensino, juntam-se a Juiz de Direito e assessora do Supremo Tribunal de Justiça, Albertina Pedroso, e o Mestre em Direito, advogado e docente da Universidade Lusófona do Porto, Miguel Osório de Castro.

O curso de pós graduação tem particular interesse para advogados, solicitadores, administradores e gestores de condomínio, associações de inquilinos, senhorios e proprietários, gestores de património, gestores imobiliários.

As inscrições estão abertas naquela Universidade e mais informações poderão ser obtidas através do e-mail informacoes@ulp.pt ou pelo telefone 222073230.

Um jantar com Ana Paula Vitorino, o TGV e os amigos dela e dele

Há mais de 10 anos fiz a minha primeira viagem no AVE, o comboio espanhol de alta-velocidade – o TGV espanhol, se quisermos. Fiquei encantado com o percurso de pouco mais de duas horas entre Madrid e Sevilha, cuja linha tem muito mais do que 500 km. Mas logo percebi, como qualquer mortal de boa fé reconhecerá, que aquele magnífico comboio não fazia nenhum sentido no nosso pequenino Portugal, onde as duas principais cidades estão separadas por apenas 300 km. Muitos anos depois, acordei para o pesadelo que tem constituído a construção do TGV português. Chamo-lhe pesadelo porque sempre tive noção que, passados mais de 12 anos, Portugal não apenas continuava a ser pequenino como tinha mesmo encolhido. Foi por isso com grande cepticismo que em meados do ano passado aceitei um convite para um jantar-debate na Casa da Música, no Porto, onde, entre outros ilustres, estava a Secretária de Estado dos Transportes, Ana Paula Vitorino. Devo dizer que entrei contra o TGV em Portugal e saí com grandes dúvidas acerca da minha opinião, já com mais de 12 anos. O que me fez reconhecer o interesse do projecto, e mesmo acreditar que fosse qual fosse o Governo que saísse das eleições de Outubro, lançaria o projecto conta-se em poucas palavras. Ana Paula Vitorino e alguns outros ilustres oradores, explicaram-me bem. Além disso, comigo tinha ido um administrador de uma grande empresa multinacional de transportes, para mim insuspeito, que corroborou a teoria exposta. E a teoria do Governo de então – e que hoje continuo a aceitar – é que a actual linha Porto-Lisboa se encontra saturada. Basicamente, não se consegue meter numa mesma linha comboios regionais e inter-urbanos com regularidade, mercadorias e velocidade elevada (como a do Pendular) ao mesmo tempo e satisfazer a procura existente. Simplificando a questão técnica que percebi – fiquei a saber o que são “slots” – os comboios não se ultrapassam. Estando saturada, a linha Porto-Lisboa precisa de uma alternativa ferroviária e, a ser construída, que seja de alta-velocidade, pois o acréscimo de custos que terá, pode até ser compensado pelos fundos comunitários. Ora, estando feita a linha Lisboa-Porto, não faria sentido ficar por ali. A Norte, deveria ser estendida a Vigo, e a Sul deveria fazer-se a ligação “estratégica” a Madrid. Ou seja, se bem entendi e aceitei a ideia do Governo, o TGV apenas se faria para resolver um problema grave do transporte de passageiros e, sobretudo, mercadorias, entre Lisboa e Porto e que, sendo assim, se cumpririam depois objectivos políticos e estratégicos de ligação a Espanha “ainda que financeiramente inviáveis”, mas que no quadro da linha Lisboa-Porto poderiam fazer sentido. Ora, menos de um ano depois, o PEC – esse instrumento que agora serve para se substituir ao criador e dele retirar ónus e custos políticos – diz-nos que, afinal, não se faz a linha Lisboa-Porto e muito menos a linha Porto-Vigo… mas o concurso da linha Lisboa-Madrid já avançou… E eu, que durante 12 anos fui contra o TGV em Portugal mas depois vivi alguns meses em paz com a decisão de derreter milhões no projecto, vejo-me agora triste e cabisbaixo por me aperceber que, de facto, ao fim de mais de 40 anos, ainda continuo, às vezes, a acreditar na história da Carochinha. Mas, pergunto-me: em quem acreditarão hoje os tantos fervorosos socialistas nortenhos que, naquela sala, aplaudiram ruidosamente Ana Paula Vitorino e hoje permanecem em silêncio sobre este assunto?

quarta-feira, 31 de março de 2010

“Lay-off” na Impala preocupa SJ

A Impala desencadeou mais um processo de “lay-off” que desta vez atinge 49 trabalhadores, 18 dos quais jornalistas. A medida preocupa o Sindicato dos Jornalistas (SJ), tanto mais que a empresa é reincidente na redução de encargos com os trabalhadores.


Em comunicado divulgado hoje, 30 de Março, o SJ lembra que a Impala vem desde há algum tempo a implementar medidas de redução de efectivos, suspensão de contratos ou redução dos salários, o que representa pesados custos para os trabalhadores afectados e causa desgaste acelerado nos restantes.



O SJ, que está a acompanhar a situação, apela à unidade dos trabalhadores na defesa dos seus direitos.



É o seguinte o texto, na íntegra, do comunicado do SJ:



SJ preocupado com “lay-off” na Impala



1.O Sindicato dos Jornalistas está a acompanhar com empenho a situação na empresa Impala, onde uma nova ofensiva do patrão pretende atingir mais 49 trabalhadores, dos quais 18 são jornalistas ao serviço das revistas “Focus”, “Boa Forma”, “Crescer”, “Nova Gente/Style” e as de culinária.



2.No final da semana passada, a empresa iniciou mais um processo de “lay-off”, desta vez integral, isto é, visando a suspensão dos contratos daqueles trabalhadores, sem ter apresentado ainda a fundamentação daquela medida.



3.Recentemente, a empresa tinha encetado um processo de redução temporária dos horários de trabalho – e consequentemente dos salários –, visando reduzir os encargos com os trabalhadores. No ano passado, desencadeou dois processos de despedimentos colectivos, tendo colocado na situação de desemprego uma dezena de jornalistas.



4.Medidas como a redução de efectivos, a suspensão de contratos de trabalho ou a diminuição dos salários não podem deixar de preocupar o Sindicato, pelo pesado custo que inflige na vida dos trabalhadores afectados e pelo desgaste acelerado que causa nos restantes.



5.O Sindicato apela à unidade dos jornalistas e dos restantes trabalhadores – incluindo os não abrangidos, agora, por estas medidas – na defesa dos seus direitos e interesses, o primeiro dos quais é o trabalho e a sua justa retribuição, e reitera o seu empenhamento no acompanhamento da situação e no apoio aos trabalhadores.

A Direcção:  Sindicato dos Jornalistas

Jornalismo Google

Ao primeiro tweet simpatizei com este blog. “Jornalismo de Sofá” é uma actividade de futuro. Aliás, posso mesmo dizer que é uma actividade do presente. No meu tempo (com 42 anos já me é permitido fazer uso desta frase), fazia-se jornalismo de rua. Quase degradante, devo dizer. Os jornalistas, quais “colegas” de esquina, expunham-se todos os dias, correndo ao fundo da rua e usando apetrechos obsoletos como blocos de notas e máquinas fotográficas com rolos de fotografias que retinham de forma indelével o momento. Alguns desses jornalistas de rua andavam carregados de cassetes e fitas de gravação, que tratavam com cuidado e arquivavam com etiquetas. Às vezes, até usavam bobines (não, não vou explicar à geração digital o que são bobines. Procurem no Google). Quando regressavam da rua, esses pobres jornalistas a que chamávamos repórteres, sentavam-se horas em frente a máquinas de escrever. Outras máquinas, ao lado deles, escreviam sem dono, debitando papéis a que chamávamos “takes” e que, afinal, não eram mais do que “telexes” (outra vez, procurem no Google). Nesse processo de construção da notícia, os jornalistas ouviam muito, telefonavam de - e para - telefones com fios, perguntavam muitas coisas às “fontes” e também uns aos outros. Cruzavam informações. E liam muito. Desde logo, liam livros de uma ponta a outra à procura da informação. Liam também os tais “takes” que agências de informação como a Lusa ou a Reuters debitavam em intermináveis rolos de papel. Além disso, sabiam números de telefone de cabeça. Os outros contactos, guardavam em livrinhos que mantinham no fundo do bolso mais secreto. Achavam que naqueles livrinhos estava parte da riqueza e história de cada um como jornalista. Sim, chegámos onde eu queria: à história. Também havia história e memória, dois elementos fundamentais que guiavam - agora vou escrever – que “nos” guiavam a mão e as palavras na hora de escrever ou de enfrentar o microfone. Eram outros tempos!
A expressão anterior pode parecer saudosista. E será. Enterre-mo-la então. Aceitemos então o jornalismo de hoje, que retirou da rua os “camaradas”, em prol da economia, da contenção de custos e da modernidade. E, vendo bem, hoje é muito melhor. Mais limpo. Mais cirúrgico, como a guerra. Com tiros guiados por laser que só fazem “danos colaterais” quando um erro humano, mas sem rosto, as direcciona para o alvo civil, que atrás do ecrã parece mesmo uma coluna militar.
É um jornalismo sem dor, anestesiado, que faz vítimas apenas virtuais. Ou apenas aparentemente virtuais. Porque, fatalmente, as notícias que interessam continuam a ser sobre pessoas de carne e osso.
Os barulhentos “telexes” foram substituído pelos sites das agências noticiosas, de onde os editores escolhem, por assunto ou palavra-chave, aquilo - e só aquilo - que interessa. Sendo que apenas interessa o que vende e não o que é interessante. As fotos vêm enlatadas em cartões minúsculos que a todo o momento podemos “melhorar,” cortar, alisar, clarear ou escurecer. O resto processa-se entre e-mails, tweets e sms. E assim se fazem semanários, revistas de referência e noticiários nacionais. Melhor ainda, a memória colectiva e individual foi substituída na redacção pelo Google. Tudo termina sempre no Google. E muito começa também no Google, esse grande repositório da procura global, do fashion, do que mais agrada à faceta voyeur ou simplesmente, do que se verga à ditadura do click.
Generalizo? Sou pessimista? Certamente que hoje também se faz bom jornalismo, com rigor e com critério. Certamente que hoje há também - e ainda - algum do jornalismo que comecei por descrever. Mas é cada vez menos e cada vez mais difícil. E vejo cada vez mais desses “velhos repórteres”, que se preocupavam com o rigor e profundidade, esbanjando memória em tertúlias de café e sem papel para escrever. Muitos, viram o seu lugar nas redacções ocupados por “operadores de Google”. Outros, simplesmente optaram por outro nível de vida.
Voltando atrás: no meu tempo de jornalista, transportava na carteira um calendário que no verso tinha escrito o código deontológico da classe. Sempre critiquei o jornalismo português de então por não conseguir mais auto-regulação do que dez frases inscritas nas costas desse calendário do Sindicato de há 20 anos, quando eu era jornalista. Curiosamente, hoje, as dez frases continuam a ser as mesmas, mas há muitos anos que não dou conta do calendário. Resta-me esperar que seja pesquisável no Google.

terça-feira, 30 de março de 2010

Jornalismo cidadão

Jornalismo Cidadão, ou Jornalismo Colaborativo, Jornalismo Open Source ou ainda Jornalismo Participativo é uma idéia de jornalismo na qual o conteúdo (texto + imagem + som + vídeo) é produzido por cidadãos sem formação jornalística, em colaboração com jornalistas profissionais. Esta prática se caracteriza pela maior liberdade na produção e veiculação de notícias, já que não exige formação específica em jornalismo para os indivíduos que a executam.




A própria estrutura sobre a qual é construída a notícia pode, assim, variar, fugindo dos padrões aceitos no jornalismo tradicional, tais como o lead e a pirâmide invertida. Neste caso, o relato em primeira pessoa, repudiado no jornalismo tradicional, é bem aceito e até indicado nas reportagens produzidas sob o modelo colaborativo de jornalismo. Mas, por outro lado, assim como outros sistemas colaborativos (como o wiki), carece de precisão e controle de qualidade sobre o conteúdo publicado. Esse gerenciamento é, geralmente, feito por jornalistas profissionais, que assumem as tarefas de edição do espaço.



O Jornalismo Cidadão ganhou força nos últimos anos a partir do advento das ferramentas de edição e publicação na internet como wikis, blogs e a popularização dos celulares equipados com câmeras digitais, além de outras novas tecnologias de informação e comunicação (NTICs).



Deve-se atentar que Jornalismo Cidadão não é sinônimo de Jornalismo cívico, que é o jornalismo profissional caracterizado pela cobertura jornalística dos veículos de imprensa voltada para o cidadão.



Outros termos para Jornalismo Cidadão são o original em inglês citizen journalism, networked journalism (jornalismo em rede), grassroots journalism (jornalismo de raiz), jornalismo amador, jornalismo participativo, jornalismo colaborativo ou jornalismo open source.



Jornalismo colaborativo prima pela maior participação da audiência na produção de conteúdo, sobretudo na internet. Essa nova maneira do “fazer jornalístico” exige do jornalista que ele tenha capacidade de fazer parte do processo onde não mais existe um comunicador e a massa receptora de informação.



A incipiente da trajetória do jornalismo colaborativo ainda levanta dúvidas de como esse modelo dever ser adotado pelos grandes veículos de comunicação. Muitos deles, inclusive, ainda tem dificuldade de lidar com a participação da audiência. No entandto, grandes portais brasileiros de notícias utilizam fotos, vídeos e até mesmo textos enviados pelos internautas. A jornalista Ana Brambila entede que “a falta de um modelo ocasionada pela novidade da prática flexibiliza a proposta editorial de cada veículo. No entanto, todos já concordam com uma premissa: o filtro da redação.”