quarta-feira, 31 de março de 2010

“Lay-off” na Impala preocupa SJ

A Impala desencadeou mais um processo de “lay-off” que desta vez atinge 49 trabalhadores, 18 dos quais jornalistas. A medida preocupa o Sindicato dos Jornalistas (SJ), tanto mais que a empresa é reincidente na redução de encargos com os trabalhadores.


Em comunicado divulgado hoje, 30 de Março, o SJ lembra que a Impala vem desde há algum tempo a implementar medidas de redução de efectivos, suspensão de contratos ou redução dos salários, o que representa pesados custos para os trabalhadores afectados e causa desgaste acelerado nos restantes.



O SJ, que está a acompanhar a situação, apela à unidade dos trabalhadores na defesa dos seus direitos.



É o seguinte o texto, na íntegra, do comunicado do SJ:



SJ preocupado com “lay-off” na Impala



1.O Sindicato dos Jornalistas está a acompanhar com empenho a situação na empresa Impala, onde uma nova ofensiva do patrão pretende atingir mais 49 trabalhadores, dos quais 18 são jornalistas ao serviço das revistas “Focus”, “Boa Forma”, “Crescer”, “Nova Gente/Style” e as de culinária.



2.No final da semana passada, a empresa iniciou mais um processo de “lay-off”, desta vez integral, isto é, visando a suspensão dos contratos daqueles trabalhadores, sem ter apresentado ainda a fundamentação daquela medida.



3.Recentemente, a empresa tinha encetado um processo de redução temporária dos horários de trabalho – e consequentemente dos salários –, visando reduzir os encargos com os trabalhadores. No ano passado, desencadeou dois processos de despedimentos colectivos, tendo colocado na situação de desemprego uma dezena de jornalistas.



4.Medidas como a redução de efectivos, a suspensão de contratos de trabalho ou a diminuição dos salários não podem deixar de preocupar o Sindicato, pelo pesado custo que inflige na vida dos trabalhadores afectados e pelo desgaste acelerado que causa nos restantes.



5.O Sindicato apela à unidade dos jornalistas e dos restantes trabalhadores – incluindo os não abrangidos, agora, por estas medidas – na defesa dos seus direitos e interesses, o primeiro dos quais é o trabalho e a sua justa retribuição, e reitera o seu empenhamento no acompanhamento da situação e no apoio aos trabalhadores.

A Direcção:  Sindicato dos Jornalistas

Jornalismo Google

Ao primeiro tweet simpatizei com este blog. “Jornalismo de Sofá” é uma actividade de futuro. Aliás, posso mesmo dizer que é uma actividade do presente. No meu tempo (com 42 anos já me é permitido fazer uso desta frase), fazia-se jornalismo de rua. Quase degradante, devo dizer. Os jornalistas, quais “colegas” de esquina, expunham-se todos os dias, correndo ao fundo da rua e usando apetrechos obsoletos como blocos de notas e máquinas fotográficas com rolos de fotografias que retinham de forma indelével o momento. Alguns desses jornalistas de rua andavam carregados de cassetes e fitas de gravação, que tratavam com cuidado e arquivavam com etiquetas. Às vezes, até usavam bobines (não, não vou explicar à geração digital o que são bobines. Procurem no Google). Quando regressavam da rua, esses pobres jornalistas a que chamávamos repórteres, sentavam-se horas em frente a máquinas de escrever. Outras máquinas, ao lado deles, escreviam sem dono, debitando papéis a que chamávamos “takes” e que, afinal, não eram mais do que “telexes” (outra vez, procurem no Google). Nesse processo de construção da notícia, os jornalistas ouviam muito, telefonavam de - e para - telefones com fios, perguntavam muitas coisas às “fontes” e também uns aos outros. Cruzavam informações. E liam muito. Desde logo, liam livros de uma ponta a outra à procura da informação. Liam também os tais “takes” que agências de informação como a Lusa ou a Reuters debitavam em intermináveis rolos de papel. Além disso, sabiam números de telefone de cabeça. Os outros contactos, guardavam em livrinhos que mantinham no fundo do bolso mais secreto. Achavam que naqueles livrinhos estava parte da riqueza e história de cada um como jornalista. Sim, chegámos onde eu queria: à história. Também havia história e memória, dois elementos fundamentais que guiavam - agora vou escrever – que “nos” guiavam a mão e as palavras na hora de escrever ou de enfrentar o microfone. Eram outros tempos!
A expressão anterior pode parecer saudosista. E será. Enterre-mo-la então. Aceitemos então o jornalismo de hoje, que retirou da rua os “camaradas”, em prol da economia, da contenção de custos e da modernidade. E, vendo bem, hoje é muito melhor. Mais limpo. Mais cirúrgico, como a guerra. Com tiros guiados por laser que só fazem “danos colaterais” quando um erro humano, mas sem rosto, as direcciona para o alvo civil, que atrás do ecrã parece mesmo uma coluna militar.
É um jornalismo sem dor, anestesiado, que faz vítimas apenas virtuais. Ou apenas aparentemente virtuais. Porque, fatalmente, as notícias que interessam continuam a ser sobre pessoas de carne e osso.
Os barulhentos “telexes” foram substituído pelos sites das agências noticiosas, de onde os editores escolhem, por assunto ou palavra-chave, aquilo - e só aquilo - que interessa. Sendo que apenas interessa o que vende e não o que é interessante. As fotos vêm enlatadas em cartões minúsculos que a todo o momento podemos “melhorar,” cortar, alisar, clarear ou escurecer. O resto processa-se entre e-mails, tweets e sms. E assim se fazem semanários, revistas de referência e noticiários nacionais. Melhor ainda, a memória colectiva e individual foi substituída na redacção pelo Google. Tudo termina sempre no Google. E muito começa também no Google, esse grande repositório da procura global, do fashion, do que mais agrada à faceta voyeur ou simplesmente, do que se verga à ditadura do click.
Generalizo? Sou pessimista? Certamente que hoje também se faz bom jornalismo, com rigor e com critério. Certamente que hoje há também - e ainda - algum do jornalismo que comecei por descrever. Mas é cada vez menos e cada vez mais difícil. E vejo cada vez mais desses “velhos repórteres”, que se preocupavam com o rigor e profundidade, esbanjando memória em tertúlias de café e sem papel para escrever. Muitos, viram o seu lugar nas redacções ocupados por “operadores de Google”. Outros, simplesmente optaram por outro nível de vida.
Voltando atrás: no meu tempo de jornalista, transportava na carteira um calendário que no verso tinha escrito o código deontológico da classe. Sempre critiquei o jornalismo português de então por não conseguir mais auto-regulação do que dez frases inscritas nas costas desse calendário do Sindicato de há 20 anos, quando eu era jornalista. Curiosamente, hoje, as dez frases continuam a ser as mesmas, mas há muitos anos que não dou conta do calendário. Resta-me esperar que seja pesquisável no Google.

terça-feira, 30 de março de 2010

Jornalismo cidadão

Jornalismo Cidadão, ou Jornalismo Colaborativo, Jornalismo Open Source ou ainda Jornalismo Participativo é uma idéia de jornalismo na qual o conteúdo (texto + imagem + som + vídeo) é produzido por cidadãos sem formação jornalística, em colaboração com jornalistas profissionais. Esta prática se caracteriza pela maior liberdade na produção e veiculação de notícias, já que não exige formação específica em jornalismo para os indivíduos que a executam.




A própria estrutura sobre a qual é construída a notícia pode, assim, variar, fugindo dos padrões aceitos no jornalismo tradicional, tais como o lead e a pirâmide invertida. Neste caso, o relato em primeira pessoa, repudiado no jornalismo tradicional, é bem aceito e até indicado nas reportagens produzidas sob o modelo colaborativo de jornalismo. Mas, por outro lado, assim como outros sistemas colaborativos (como o wiki), carece de precisão e controle de qualidade sobre o conteúdo publicado. Esse gerenciamento é, geralmente, feito por jornalistas profissionais, que assumem as tarefas de edição do espaço.



O Jornalismo Cidadão ganhou força nos últimos anos a partir do advento das ferramentas de edição e publicação na internet como wikis, blogs e a popularização dos celulares equipados com câmeras digitais, além de outras novas tecnologias de informação e comunicação (NTICs).



Deve-se atentar que Jornalismo Cidadão não é sinônimo de Jornalismo cívico, que é o jornalismo profissional caracterizado pela cobertura jornalística dos veículos de imprensa voltada para o cidadão.



Outros termos para Jornalismo Cidadão são o original em inglês citizen journalism, networked journalism (jornalismo em rede), grassroots journalism (jornalismo de raiz), jornalismo amador, jornalismo participativo, jornalismo colaborativo ou jornalismo open source.



Jornalismo colaborativo prima pela maior participação da audiência na produção de conteúdo, sobretudo na internet. Essa nova maneira do “fazer jornalístico” exige do jornalista que ele tenha capacidade de fazer parte do processo onde não mais existe um comunicador e a massa receptora de informação.



A incipiente da trajetória do jornalismo colaborativo ainda levanta dúvidas de como esse modelo dever ser adotado pelos grandes veículos de comunicação. Muitos deles, inclusive, ainda tem dificuldade de lidar com a participação da audiência. No entandto, grandes portais brasileiros de notícias utilizam fotos, vídeos e até mesmo textos enviados pelos internautas. A jornalista Ana Brambila entede que “a falta de um modelo ocasionada pela novidade da prática flexibiliza a proposta editorial de cada veículo. No entanto, todos já concordam com uma premissa: o filtro da redação.”