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quarta-feira, 8 de junho de 2011

«Eu adoro-vos»




«Eu adoro-vos», foram as últimas palavras proferidas por José Sócrates na reunião da Comissão Nacional do PS, onde esteve apenas cerca de dez minutos.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

VOSSA EMINÊNCIA SENHOR PRIMEIRO MINISTRO PASSOS COELHO




Vossa Excelência, a gente ama o Vosso elevado sentido de humor, a Vossa inteligência finíssima, a Vossa sensibilidade social, o Vosso amor pelo progresso do nosso povo, o Vosso apuradíssimo sentido estético plasmado em magníficas e inolvidáveis obras de arquitectura futurista, a Vossa coragem em dirigir e proteger uma cambada de grunhos que não merecem um líder tão sábio, tão afectivo, tão generoso, a gente aqui na redacção também gostava muito de um lugarzinho no Conselho de Administração da Caixa. Pode ser não-executivo, que não somos ambiciosos.


Assinado:
Jornalistas de Sofá

terça-feira, 29 de março de 2011

A presidenta ortográfica

Não nos basta o acordo ortográfico que, de uma forma geral, nos obriga a adotar brasileirismos. Agora, temos que aturar os jornalistas portugueses a dizerem "presidenta" do Brasil. Aliás, tenho sobre o acordo ortográfico a ideia de que não é apenas ortográfico. É uma verdadeira ditadura fonética, também, uma vez que nos obriga a alterar a forma como pronunciamos as palavras. Não leio facto da mesma forma que leio fato. Aliás, não posso ler fato da forma que lia facto, porque não está lá nenhum "c". Então, o acordo não é apenas ortográfico. Mas, enfim, já me conformei em usá-lo (a custo). Contudo, dizer "presidenta" já não é conformismo com acordos, é parolismo colonial invertido. Já que temos que aceitar a ajuda do Brasil que nos vai comprar dívida que não vale nada, já que temos que falar como eles e consumir o petróleo deles, as novelas, a música, o carnaval, então talvez valesse a pena cumprir a sugestão irónica li há dias num artigo na imprensa internacional e tornarmo-nos numa província do Brasil. Seríamos bem mais felizes. Eles é que não.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Jornalismo radioactivo

Ontem logo pela manhã liguei uma das principais rádios nacionais. Tristemente, as rádios portuguesas não conseguem enviar um jornalista a uma crise como a que se vive no Japão. Recorreu, então, essa rádio, a uma jornalista de uma agência de informação, para fazer uma reportagem que foi colocada no ar. Mais palavra menos palavra – mas o que vou transcrever é quase textual, a jornalista disse o seguinte: Os japoneses não acreditam no seu Governo e acham que não lhes está a ser dita toda a verdade sobre a ameaça nuclear. Ainda esta manhã falei com um jornalista japonês que me disse isso e ontem à noite estive no hotel onde dormi com um jornalista dinamarquês que tinha acabado de chegar a Tóquio e me disse que já estava a pensar regressar à Dinamarca porque tinha medo da radioactividade e que eu também deveria ir embora.
A reportagem foi apenas e só isto. Os japoneses e a sua crença na palavra do Governo foram resumidos à opinião do que um jornalista japonês lhe terá dito no hotel nessa manhã, sustentando-se o resto dessa convicção jornalística nos medos de um jornalista dinamarquês acabado de chagar… da Dinamarca.
Eu que tinha passado a noite a fazer zapping entre a CNN, a BBC e a Sky News sabia que a principal preocupação dos habitantes de Tóquio era a escassez de bens nos supermercados e que, quanto à radioactividade, estavam a encarar, como de costume, a ameaça real com grande civismo e calma, saindo à rua com as suas máscaras e colocando bonés, lavando-se com especial frequência e acompanhando em permanência as notícias. Sabia também que os especialistas não são unânimes quanto às consequências da radiação, sabia que tipo de radiação poderia estar a ser libertada e sabia que os ventos Norte que tinham começado a soprar eram o principal tema de conversa de rua dos japoneses.
Sabia muito mais, resultante de verdadeira reportagem em Tóquio, baseada em depoimentos, factos, imagens e sons.
Na rádio portuguesa, fiquei com mais um exemplo de mau jornalismo, falta de rigor, afirmações gratuitas e irrelevantes.
Não digo qual foi a rádio nem quem era a jornalista. Posso ter sido eu a ter azar e aquele momento infeliz de rádio não ser sequer exemplificativo do trabalho sério de uma jornalista competente, numa rádio que até tem muitos méritos e competência. Mas a verdade é que não posso deixar de ficar profundamente preocupado com este episódio que serve de amostra ao mau jornalismo que vemos, lemos e ouvimos diariamente em Portugal. Preocupado não apenas por esta peça ter sido elaborada mas mais ainda por ter chegado a ir para o ar.
Tanto como quando vejo uma Estação de TV nacional, apontar uma webcam de um PC dentro de um quarto de hotel de Tórquio para uma janela  e assim permanecer durante 10 minutos, sem que haja naquela imagem qualquer informação ou sequer, qualquer dado que distinga o bocado de céu e a ponta de um edifício deTórquio de uma outra que poderia estar a ser recolhida na Bobadela ou em Alcabideche. O "directo" não é um valor em si. O Jornalismo sim. Mas infelizmente esse está cada vez mais ausente na maioria das reportagens histéricas que vemos sobre este tipo de acontecimento.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Quando vale tudo por um exclusivo





Uma polémica entrevista num programa do canal espanhol Telecinco conseguiu o que a polícia não tinha alcançado, mas os métodos põem em questão os límites do jornalismo.


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quarta-feira, 2 de março de 2011

Prémios Gazeta 2010

















Está a decorrer até 31 de Março o prazo para a entrega de candidaturas aos Prémios Gazeta 2010.  Este ano, em vez do Grande Prémio Gazeta, serão atribuídos cinco prémios, correspondentes aos melhores trabalhos publicados na imprensa, rádio e televisão, bem como aos melhores trabalhos de fotografia e multimédia. Além destes, serão atribuídos os habituais prémios  de mérito, revelação e imprensa regional.

Prisa perdeu 70 milhões em 2010





A Prisa perdeu 72,87 milhões de euros em 2010, em contraste com o lucro de 50,48 milhões do ano anterior. A companhía editora de “El País” foi afectada, principalmente, por uma quebra de 25% das suas receitas publicitárias.


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Morreu o jornalista José Luís Pinto



O antigo jornalista da Lusa José Luís Pinto morreu hoje de madrugada, aos 64 anos, vítima de doença prolongada, disse fonte familiar.
José Luís Pinto, que nos últimos tempos de carreira era responsável pelo turno da madrugada na agência Lusa, tendo passado pela ANOP, pela NP, pelo Portugal Hoje, pelo Diário de Notícias, pela UPI (United Press International) e pela ANI.
José Luís Pinto começou a trabalhar em 1971 como teletipista, passou a jornalista em 1989 e reformou-se em 2003.
Depois de reformado ainda colaborou com o jornal do Sporting.
O velório realiza-se hoje a partir das 17h na Igreja da Nossa Senhora da Conceição, em Queluz.
O funeral terá lugar na quinta-feira, às 17h, em Penalva do Castelo, Viseu, de onde era natural.

Lusa



sábado, 29 de janeiro de 2011

Morreu José Pedro Barreto

O jornalista José Pedro Barreto, 62 anos, faleceu ontem à noite, na sequência de um acidente vascular cerebral, após uma cirurgia. Era editor de Internacional da TVI, estação que dirigiu entre 1996 e 1999. Começou a carreira em 1975, no “Jornal Novo” e passou pelos jornais “A Tarde”, “Semanário”, “Primeiro de Janeiro” e “Diário de Notícias”.
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sábado, 5 de junho de 2010

A histeria contagiante do futebol

Eu gosto de futebol... futebol, mesmo. Agora, ver uma TV como a SIC transmitir imagens captadas pelo telemóvel de um jornalista (chamemos-lhe assim) mostrando os jogadores da Selecção a entrar num avião, como ZERO notícia, ZERO informação e ZERO conteúdo, a que se acrescenta PÉSSIMA qualidade, é ridículo e diz muito sobre a idiotice contagiante do futebol. A mim, em lugar de me aproximar da modalidade, afasta-me. Entre o Nuno Luz e o Mrs Bean escolho o segundo. Também me faz rir mas não me revolta,

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Liberdade de expressão, humor e religião

Numa conversa de almoço, sobre o tema que dá título a este post, ouvi algumas questões curiosas e pertinentes:

- Hoje vemos humoristas, e não só, a fazerem piadas sobre a Igreja [católica] e o Papa… Porque é que será que não fazem o mesmo em relação a muçulmanos ou islamitas?
- Talvez porque os católicos são mais diplomatas nas reacções do que outros…
- Pois é, fazem piadas, os católicos manifestam um ‘sorriso amarelo’ e pronto. Estou mesmo a ver o que aconteceria se algum humorista se ‘metesse’ com o Islão, por exemplo. E já não digo nada se as piadas forem – não são – em torno da homossexualidade ou homossexuais…
- É, as minorias parecem ter ‘mais peso’, pelo menos ao nível mediático, do que as maiorias.

Citando um spot conhecido: “Valia a pena pensar nisto…”

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Brincamos com a informação ou quê?

Fico incrédula com as imensas coisas que se passam actualmente com o jornalismo em Portugal, nomeadamente com a descredibilização constante e fraca capacidade de dignificarmos uma área essencial na sociedade.

Como aluna que fui, durante uma licenciatura em Comunicação Social, e como interessada na matéria, sonhadora quiçá por um jornalismo mais humano, angustio-me diariamente com o caminho que o jornalismo atravessa.

Quem me conhece destas lides sabe que sou crítica, desde cedo que procurei ir para além do aprendido na sala de aula. Com o estágio no Jornal Público saltei a barreira do jornalista estagiário fechado numa redacção e agarrado à secretária. Passei 'tudo cá para fora' com o Parem as Máquinas, blogue de estágio dos durante três meses na redacção do Público no Porto.

Quem o leu e o lê identifica no blogue todas as sensações pelas quais qualquer um de nós atravessa durante o período de primeira experiência profissional: o encanto, o medo, o desejo de fazer, o desencanto, as angustias de não corresponder, as alegrias do primeiro artigo na edição impressa, enfim, tudo aquilo que é trabalho nosso e nos referência como profissionais.

Mas depois do encanto camuflado surge a constatação do mercado actual e da falta de emprego na área. Não exerço jornalismo neste momento, só colaboro em plataformas online porque gosto e não quero perder o gosto a isto. Mas depois, reiterando de novo a fórmula do desalento, aparecem situações como as tentativas de controlo dos OCS e jornalistas, e este recente caso de plágio descarado do jornal 'i'.

Meus amigos leitores e colegas, o que se passou afinal com o artigo do 'i' que parece cópia do artigo da Mashable? - 'É oficial: os gatos adoram o iPad' vs 'It’s Official: Cats Love iPads' -.
O Bruno Miguel lançou o barro à parede e foi mais longe que as críticas feitas no twitter: enviou carta aberta à direcção do diário português e, por sorte, teve resposta:


"Pedem desculpa por não mencionarem as fontes, apenas". MAS O QUE SE PASSA com o 'i' que só pede desculpas pelo acontecido? Estarão doidos, ao ponto de não exercer um dos parâmetros mais importantes da redacção e prática jornalística que é a identificação das fonte de informação!

Sinceramente esperava mais que um simples e tosco pedido de desculpas. A colega que escreveu o artigo ou das duas uma: pensa que os leitores são tolinhos e nunca se aperceberiam do transcrever literal do artigo da Mashable; ou andamos a brincar ao jornalismo, em que nem se consideram os princípios basilares do código deontológico.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Vamos 'bater no ceguinho' (mais uma vez)?

Futebol, U. Leiria e estádio (vazio). É recorrente, no panorâma jornalístico, desportivo, abordar o tema. Convida-se a que se olhem os factos, isto é, os dados da Liga (peço desculpa, caro leitor, mas de momento não os tenho à mão), que revelam a Naval 1.º de Maio (2009/10), como o clube com mais fracas assistências. Alguém ouve/lê sobre isso? Não. Já quanto a Leiria, é raro quando não se fala no caso!

Recupero este momento, referente à última época, que ilustra a dualidade de critérios, na abordagem ao mesmo tema (estádios vazios).

Ah, e os leirienses gostam de futebol, contrariamente ao que li aqui. Não ir ao Estádio Dr. Magalhães Pessoa, não é sinónimo de falta de gosto pela modalidade. É que se formos por essa tese, então, também ninguém gosta de futebol na Figueira, como em tantas outras cidades.

É certo que é penoso ver estádios vazios. Sobretudo quando implica(ra)m grandes investimentos (Euro 2004). Agora, para quem pretender insistir no tema, sugere-se que se olhe para o todo, que se cruzem informações e que se seja o mais correcto possivel no que se escreve, no que se diz. É que se fossemos pela tese do senhor André Pipa, quantos clubes teriamos na I Liga? É que, assim de repente, que me recorde, estádios 'cheios', nos últimos anos e de forma regular, só na Luz, Alvalade, Dragão e D. Afonso Henriques.

Falamos depois...

terça-feira, 13 de abril de 2010

O jornalismo sobre religião em Portugal

A independência do jornalista não depende da sua filiação ou preferência. A independência do jornalista depende exclusivamente da sua consciência e da sua competência. Sei que pode parecer estranho para quem nunca escreveu num jornal ou mesmo para muitos que escrevem. Mas é mesmo assim. E essa capacidade nada tem a ver com a ausência de espírito crítico. O jornalista não pode apenas ser um pau de microfone, que matematicamente questiona ambas as partes de uma forma acrítica e fria. E é este difícil equilíbrio que é difícil encontrar. O equilíbrio entre o espírito crítico, humano e rico, e a isenção e distanciamento, independente de convicções pessoais.
Vem isto a propósito da cobertura jornalística que a generalidade dos órgãos de comunicação social está a dar à visita do Papa a Portugal. Mas não seria necessária a visita papal. Há muito que noto, e me incomoda, uma certa tendência que se sente na comunicação social portuguesa. E essa tendência é clara: os assuntos religiosos são quase sempre tratados na comunicação social por católicos mais ou menos engajados ou formados na estrutura da própria Igreja.
Não me atrevo a questionar a legitimidade, independência ou capacidade jornalística de cada um deles individualmente, mas não deixa de ser estranho que assim seja e que ninguém na classe se questione sobre o assunto. Haja uma visita papal, uma inauguração de uma faustosa catedral em Fátima ou uma querela religiosa envolvendo protestantes ou islâmicos em Portugal, e a reportagem é feita, quase invariavelmente por diáconos, ex-padres, seminaristas e, ainda mais frequentemente, por católicos assumidos, cuja convicção religiosa transparece quer na linguagem quer na condução da própria narrativa.
E isto não acontece apenas nos órgãos de comunicação social mais conservadores. É olhar para as televisões privadas portuguesas, para as rádios nacionais ou para jornais com grande tiragem. E é olhar para os comentadores, cronistas, colunistas e “especialistas” que são convidados a falar ou a escrever, sempre que a Igreja Católica tem algo de positivo ou negativo para ser tratado.
Portugal é um país maioritariamente católico, dizem-me. Verdade. Mas também me dizem que há em Portugal seis milhões de benfiquistas e que nos últimos quatro anos vivemos com uma maioria absoluta socialista. Como não entenderia que a esmagadora maioria dos jornalistas, especialistas e comentadores de futebol ou política fossem evidentemente e confessadamente benfiquistas ou socialistas, não entendo porque razão os princípios do jornalismo se alteram quando o assunto é religioso.
Que Portugal tenha entregado, por razões históricas que compreendo, várias frequências nacionais de rádio, sem concurso, a uma confissão religiosa, posso aceitar. Que uma cerimónia católica em Fátima seja transmitida e comentada por um padre, posso concordar. Mas que os princípios do equilíbrio, isenção, distanciamento e espírito crítico sejam afectados, já não individualmente apenas por cada um dos jornalistas, mas desde logo pelos critérios na sua selecção, penso ser absolutamente discriminatório de outras confissões religiosas e, evidentemente, lesivo do próprio jornalismo.
Portugal pode ser um país maioritariamente católico, mas o Estado é laico. Assim como um Governo pode ser maioritariamente socialista e o Estado continuar a ser democrático. Mas, se a imprensa dá mostras de não ter gostado que os princípios democráticos da liberdade de imprensa fossem ou tivesse havido tentativas para os subverter, também deveria questionar-se sobre as razões que a levam a ser tão suavemente crítica sobre si própria quando o assunto é religioso.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

ProPublica vence primeiro Pulitzer para Jornalismo Multimédia


A organização não lucrativa de informação, ProPublica venceu o cobiçado prémio Pulitzer pela sua peça online The Deadly Choices at Memorial sobre mortes controversas ocorridas num centro médico de Nova Orleães, após a passagem do Furacão Katrina


O artigo, de Sheri Fink, foi feito em colaboração com a The New York Times Magazine e marca a primeira vez que um órgão de informação online, a trabalhar com um jornal, ganha um prémio Pulitzer.




O prémio é atribuído às melhores obras na área do jornalismo, livros, drama e poesia.



O site do San Francisco Chronicle (http://www.sfgate.com/) venceu nas áreas de cartoon editorial e marcou também a primeira vez que uma obra publicada apenas online ganhou nesta categoria.

Jornalistas de Sofá com agências

A semana louca do iPAD e Murdoch igual a si mesmo

[ Adenda: Este artigo foi inicialmente publicado no quiosque.info, site com o qual colaboro semanalmente com textos sobre comunicação e jornalismo. ]

Esta semana foi bastante animada, em termos de tecnologia e jornalismo. Primeiro com o lançamento da nova coqueluxe da Apple, o iPAD.

Passado todo o êxtase e curiosidade, os dias avançaram e o pó geek atenuou. Mas que mudanças evidentes surgem com este novo aparelho? A meu ver é mais um gadget, com semelhanças com o Kindle, o já conhecido reader book. Podemos igualmente ouvir música, ver filmes, trabalhar em documentos e poupar no peso dos companheiros ‘mil folhas’ que costumamos levar na mala, acedendo a partir do iPAD a edições de jornais e livros. A desvantagem mais premente reside na questão de não suportar flash, o que dificulta a navegação web.

Não entrarei mais por este campo, por não estar bem dentro do assunto e porque a páginas tantas, aborrece-me tanta excitação. Interessa-me mais o que poderemos fazer com estas mutações tecnológicas do que ser um aparelho da maça trincada.

Por outro lado, a partir deste êxtase todo, surgiu uma opinião ‘engraçada’ (e sempre preocupante) vinda da não menos caricata personagem dos media mundiais: Rupert Murdoch.

"I'm old, I like the tactile experience of the newspaper, but "if you have less newspapers and more of these that's ok”.

O que parecia ‘soft’ assim ao princípio descamba para a já doentia perseguição aos motores de busca como o Google: "We are going to stop people like Google or Microsoft or whoever from taking stories for nothing … there is a law of copyright and they recognise it".

Rupert Murdoch, presidente da News Corp e de títulos como o Times e o Sunday Times, lança assim achas para a fogueira do jornalismo pago ao querer limitar o Google no acesso a conteúdos dos jornais da sua companhia.

Através da colocação de paywalls e do acesso restrito às notícias, Murdoch acha que resguarda os direitos autorais dos conteúdos e desmagnetiza o poderoso império das empresas que subsistem com a rede global de informação na web.

Contudo, surpreende quando refere o novo gadget da Apple como uma ferramenta de futuro. Na sua opinião, o iPAD não destrói o jornalismo tradicional, simplesmente lhe confere uma forma diferente, podendo mesmo salvar os ditos meios do desaparecimento: "There's going to be tens of millions of these things sold all over the world. It may be the saving of newspapers because you don't have the costs of paper, ink, printing, trucks”.

A ver vamos como se desenrola a novela Murdoch e os seus conteúdos restritos. Será esta a solução viável para o jornalismo na internet? Pagaremos mesmo por aceder aos conteúdos? A ver vamos, não é!

“Faz o que você sabe e ‘linke’ o resto”

Rosental Alves é o autor da frase, que (re)recupero. Ouvi ainda este auto-denominado ‘evangelizador digital’ falar que, dificilmente, se veria, em Portugal, um expresso.pt linkar a um publico.pt e vice-versa.

É este o tema que recupero, após a reflexão, atenta, de Paulo Querido (ao qual se pode juntar ainda a penúltima entrada, por João Monge Ferreira, que também já tinha abordado aqui).

Desafio dos jornalistas no século XXI

quinta-feira, 8 de abril de 2010

CONVERSA TELEFÓNICA VERÍDICA ENTRE UM JORNALISTA DE TV E UM ASSESSOR DE IMPRENSA

– Estás bom? Podias hoje levar o teu chefe ao (xxxx) para fazermos um directo às (XXXX) horas para abrir o noticiário.
– Directo? Porquê? Hoje não vai acontecer lá nada!
– Mas faz anos que aconteceu o (xxxx) e queríamos fazer lá uma peça.
– Compreendo! Mas não está lá ninguém nem vai lá acontecer nada hoje, porquê um directo?
– Eu sei que não está lá ninguém nem acontece lá nada hoje, por isso queria que lá levasses o teu “chefe” para fazermos reportagem. Assim entrevistávamo-lo lá.
– Olha lá: mas se esse até é um assunto negativo para o meu “chefe” porque razão o hei-de lá levar? Quanto menos se falar disso, para mim, melhor.
– Mas nós vamos falar, já sabes, faz anos...
– Compreendo. Mas se queres falar com ele sobre o assunto eu até posso propor-lhe, para o entrevistares aqui no gabinete dele, agora na rua à porta do (xxxx) onde não está a acontecer nada, nem pensar.
– Ir aí falar com ele não interessa. O que interessa é recordar que faz anos que aconteceu o (xxxx) e fazer directo à porta do (xxxx), nem que seja na rua a ver-se o portão.
– Ok. Tu é que sabes. Mas não contes com a minha colaboração para isso.
– Então fazemos o directo sem ninguém, só com o jornalista a recordar o assunto. É logo a abrir.
– Ainda pensei que me estavas a ligar por causa da inauguração do (xxxxx), isso é que é importante, vai servir milhares de pessoas, mandei o convite mas vocês ainda não confirmaram.
– Mas isso não nos interessa. Isso é regional.
– Pronto, tu é que sabes, só estava a dizer…
– Ok, abraço.
– Abraço e bom trabalho.